3 de março de 2007

COLECIONAR, QUE SUFOCO!


- Taís Luso de Carvalho

O mundo tá transbordando de colecionadores. Temos uma obsessão por colecionar algumas coisas como caixinhas, corujas, caixas de fósforos, santos, copos de chope, bonequinhas, latas de cervejas, copos e talheres com o logotipo de hotéis, moedas antigas, relógios, selos, chaveiros, rolhas de vinho e até - assisti na televisão - um maluco que coleciona urinóis. O negócio não acaba nunca; somos obstinados e enlouquecidos por garimpar as coisas que queremos. É um vício. E conforme o bolso e o gosto do freguês a brincadeira sai cara.

Lembro que tudo começou com aqueles álbuns de figurinhas, lá na minha infância. O problema fica dramático quando certas fulanas resolvem colecionar bolsas e sapatos de grifes.

Enquanto a tal da coleção for baratinha, só temos de enfrentar a chatice de em todas as datas recebermos a mesma droga. A coisa mais fácil que existe é presentear um colecionador: não precisamos andar quilômetros e nem pensar: 'vai lá e compra a cosa que ele vai ficar feliz'!

Eu também colecionava. O meu 'negócio' era coruja! Que coisa horrorosa. Certo dia, fiquei olhando para minhas trezentas corujas, e todas com as mesmas caras! Eu não acreditava: levaram anos me dando corujas nos natais, aniversários, páscoas... Putz.

Certo dia, aproveitei pra ter um ataque: o que faria com aqueles bichos? Quantas prateleiras eu teria de comprar? Quantas paredes teriam de ser furadas? E resolvi dar um sumiço; fui presenteando; passei a batata quente adiante. Porém, para meu desespero ainda não estava curada, e comecei a colecionar caixinhas! Foram algumas caixinhas. Vieram caixinhas no Natal, na Páscoa, no meu aniversário... Dezenas de caixinhas! Criei, novamente, trauma de caixinhas, caixas e caixões.

Tenho uma amiga que resolveu colecionar 'santos': conseguiu fazer um santuário no seu apartamento. Virgem Maria... A sensação que se tem é que o mundo vai acabar. Lembro, também, de minha mãe com seus 1300 chaveiros! Lembro de seu drama para conseguir se desfazer daquela tralha toda. Acho que era doença de família. Foram anos perdidos à procura de chaveiros.

Por que será que temos a síndrome de colecionar? Acho que essa resposta só poderia ser dada por um psicoterapeuta, mas penso que seja para suprir algo, alguma carência, sei lá.

Esta crônica nasceu após eu ouvir a narrativa de um cidadão americano que colecionava carros: tinha 26 carros! Não eram carrinhos de prateleira. Eram carros, gente. Mas caiu em si, lembrou do conselho de seu pai para que simplificasse a vida. E, num ato de bravura, vendeu todos os carros e foi viajar com a família por 1 ano.

Então fico a pensar nos enfeites que guardamos: não deixa de ser outro amontoado de inutilidades. Compramos mais armários pra guardar mais coisas. É uma loucura. Não suporto mais enfeites, o melhor é enfeitarmos a vida, enchermos nossa mesa de amigos, nossas prateleiras de livros; de filmes, de CDs, enchermos nossos sofás de almofadas e descansar vendo um filme.

No fundo, tudo é pequeno demais: talvez, colecionar sentimentos, amizades e companheirismo seja um grande negócio, não ocupam nossas gavetas e não entulham os armários. E a casa fica limpinha e espaçosa. Direcionar energia para algo que dê mais retorno.


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