29 de março de 2007

JUVENTUDE OU MORTE!

pintura de Juarez Machado

- tais luso de carvalho

Irrito-me com grossura. Não sei por que certas revistas colocam a idade de seus entrevistados. Fica um texto chulo. O que tem a ver a idade da criatura se não se trata de uma biografia, RG, CPF, título eleitoral, exames de laboratórios... Para que servirá? Para nada: apenas para fofoca. Ficamos parecidos com o vale quanto pesa.

Respeitar a privacidade dos outros é coisa do passado. A curiosidade, a insistência, a obsessão por algo particular, incomoda.

Parece que somos uma mercadoria: após o nome, vem a idade! Ao entrarmos nos 50 anos, nós, pobres mortais, sentimos um pouco de desconforto; é como se todo nosso potencial físico tivesse atingido o limite. Para uns, estamos bem conservados; para outros, despencando. Se estamos magros, estamos doentes; se estamos gordos, estamos com problemas emocionais. Ou na menopausa.

Como devemos estar aos 50, 60, 80 anos? Adolescentes? Cocotas?
Envelhecer, hoje, é um ato de bravura, é como ir para guerra e sobreviver, apesar dos percalços... Tornou-se um suplício, uma via-crucis para muitos.

O prático e gostoso é colocar frustrações e problemas em cima da carcaça alheia. Diante destas pessoas todos estamos uns cacos, babando.

Sobre idade, já escutei muitas pessoas dizerem a outras: ASSUMA!! Mas assumir o quê? Pra quem? Não temos nada pra assumir; não devemos satisfações a ninguém, salvo em certos casos que citei acima.

Vejam só como certas coisas irritam: quando se chega lá pelos 75 anos, muitos começam a ouvir tolices: que estão ficando gagás. Mas quando se chega perto dos 90 ou 100 anos aí o quadro é outro: como o fulano está lúcido, bem disposto... Não dá para entender.

O arquiteto Niemayer - com mais de 100 anos - estava ótimo, trabalhando; a falecida Dercy Gonçalves - com 100 anos - tinha o vigor de uma criança; que Seu Mauricio, com 90 aninhos, está com todo o gás, acabou de fazer um filho com uma garota de 25!

Porém, segundo alguns...


As fulanas, de 50 ou 60 anos, estão A-ca-ba-das!
Dá pra entender?

Então, o que acontece, é que nós, mulheres, estamos em franca transformação: estamos virando peruas de vanguarda! E os homens, uns malhados rinocerontes. A verdade é que não estamos num palco, ninguém nos olha tanto quanto imaginamos. Não estou falando das estrelinhas... mas ninguém é o centro do universo. Somos apenas uma partícula viva zanzando por essa imensidão. E meio que perdidos na nossa essência.

Podemos ser grandes, como podemos ser nada. E diante de tudo isso, de todo o mistério que nos rodeia, é pequeno demais nos preocuparmos com idade que não é nada mais do que fases da vida. Ser velho não é vergonha. São os únicos que poderão dizer: missão cumprida, vivemos plenamente.

É muita intromissão essa história de idade. E, como se não bastasse, após a perguntinha cretina, ainda dizem que a setentona tá uma gata! Aí aparece o preconceito: ninguém com setenta está miando...Também não vamos pro exagero.

Capacidade, conhecimento, amizade, amor e beleza encontramos nas pessoas, não em números.

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