29 de janeiro de 2009

O LUGAR DE CADA UM



                  
           - Tais Luso
 Gosto de temas que tratam dos relacionamentos, sejam eles semelhantes ou desiguais; gosto de estudar suas reações, emoções, afetos e frustrações. Segundo Rousseau, para conhecer os homens é preciso vê-los agir.
E quando vejo alguém dizer que se adapta em qualquer lugar, em qualquer esfera social e cultural que não a sua de origem, acredito, desde que tenham uma grande dose de esforço e vontade de crescer. Sede de conhecimento. Ninguém aguenta, por muito tempo, ser um peixe fora d’água num meio diferente.
Somos frutos do meio em que vivemos, e essa caminhada não se faz do dia pra noite. Nos aprimoramos seguindo exemplos, aprendendo e empenhados com o que nossos pais e a sociedade nos oferecem.
Lembro de uma empregada que tivemos há muitos anos. Quando chegou no nosso apartamento que tínhamos comprado naquela época - ela olhou… e sem eu perguntar nada  disse-me que era bonito, mas que não trocaria pela sua casa  de 4 peças. Confesso que naquele momento não entendi nada do que a criatura falava, mas mais tarde, entendi. Crescer na vida não fazia parte de seus planos, estava tudo bem.
Há muitos anos, ainda solteira, fui para Alemanha e lá fiquei dois meses, onde fui fazer um curso. Conheci um país muito desenvolvido e cujas leis funcionavam. Saí e dei uma voltinha nos arredores, fui à França etc e tal e retornei à Alemanha onde fiquei por mais um mês. Mas confesso que senti muitas saudades do meu país, da minha cidade. Não quero dizer que não achei coisas fantásticas na Alemanha, pelo contrário, tudo era maravilhoso, tudo era muito perfeito para os nossos padrões. Sou brasileira, mas muitas coisas que vi lá, queria ver aqui. Queria sentir aquilo tudo, aquele trabalho, aquele desenvolvimento no meu país.
Contudo, lembro da minha felicidade ao entrar no espaço aéreo brasileiro. No céu do Brasil. Havia pensado algo bem macabro: se esse avião cair, pelo menos morro no meu país! Essa é a força das raízes.
Quando a gente sai, nosso patriotismo fica exacerbado. A saudade explode no peito, e o patético se dá é na volta, quando começamos a comparar.
Mas com tudo isso, cada um gosta da sua casa, seja ela como for. E, inevitavelmente, lembrei daquela minha empregada quando entrou no meu apartamento…
Nossas raízes são profundas, e mexem com nossas emoções, mesmo quando achamos que tudo está errado onde moramos. Um dia, quem sabe, teremos um outro amanhecer. E quero que meu país cresça em todas as esferas. Tomara, pois não é fácil arrumar as malas...

10 comentários:

  1. É Taizinha realmente vc é maravilhosa em suas colocações...
    A relação humana é uma coisa difícil e super delicada, pois como vc mesma disse existem vários fatores que contribuem para isso, como a diferença de classe. Esse caso que vc conta da sua antiga empregada, eu já presenciei e relato que já ouvi de várias pessoas que moram mal, longe, de mto pouco recurso, dizerem que se ficassem ricas, não deixariam o lugar onde moram. Fico eu pensando que tdo é feito certinho, como se tivesse "escrito", pois não adianta vc querer ser aquilo que vc não é, acho eu, que é uma questão de educação, o horizonte equivale ao seu pedacinho de mundo, aquele o qual vc conhece, e isso é que vale! Se nunca vimos, nunca vivemos, por que haveríamos de querer?
    As vezes quando vejo uma pessoa num fim de mundo, numa casinha no meio do mato, eu falo: se eu nascesse ali, eu iria arranjar um jeito de fugir! Será que eu teria essa vontade, vivendo aquela realidade? Ou será que tenho essa idéia porque minha realidade é outra?
    Enfim... viver não é fácil!!!E dizer que nos sentimos bem em qualquer lugar, é mentira, pois quantas vezes nos sentimos só no meio de uma multidão!
    Agora quando viajamos adoramos, mas algo dentro de nós acusa que não somos dali.
    Existe dentro de
    nós uma mistura de sentimentos que ora nos confunde, ora deixa tdo claro... e voltamos!!!!!!!!!!!
    Um bj no coração.
    Wal.

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  2. Olá amiga,
    Muito interessante teu texto..Vivemos num mundo cercado de conflitos de relacionamentos que se reflete no que
    vemos nos meios de comunicação todos os dias..violências, guerras, brigas, mortes, divórcios,
    entre tantas e outras coisas. Aprender a relacionar-se com pessoas é uma tarefa imprescindível para qualquer ser
    humano.

    Abraços
    Tenha uma excelente semana.

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  3. Anônimo15:30

    Tais Luso de Carvalho , hoje vim conhecer seu outro espaço, e basta ler seu texto "O LUGAR DE CADA UM " , e perceber que estou diante duma grande escritora, que sabe e conhece a fundo a colocação, conotação, do emprego da palavra num texto como este, onde além de clara e objetiva diz muitas verdades. ( Somos fruto de uma educação que não se faz do dia pra noite. Nosso ‘molde’ se aprimora com exemplos, com esforço, com vontade e com o que nossos pais e a sociedade nos oferecem) . Creia, o que mais me espanta hoje em dia, é exatamente esse fruto que a gente esbarra a cada segundo, e vê que nada ele quer se aprimorar , onde os bons exemplos estão a cada dia sumindo, e as pessoas a cada dia sendo mais "deseducadas, deselegantes". Eu me pergunto , se a nossa mídia tão avançada com tanta tecnologia, consegue suprir a boa educação, aquela que vem do berço!?
    Tais Luso , COMO FOI GRATIFICANTE LER VOCÊ HOJE, agradecida com sua visita, com sua mensagem, eu estou só no primeiro espaço, assim que fizer o outro com minha poesia, lhe participo para me acompanhar, com admiração,
    Efigênia Coutinho
    Presidente Fundadora
    AVSPE

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  4. O mais interessante do ser humano é a sua capacidade de se adaptar. E eu, como todo bom sagitariano, preciso sair da minha casa, da minha vida, da minha rotina. Mas ter um porto seguro é muito importante para a nossa mente.
    Pois sempre que precisarmos de conforto, basta fechar os olhos e lembrar da nossa cama, na nossa casa. Seja ela de rico ou de pobre. O fator importante é que ela seja nossa e nos dê o conforto necessário.

    Sim, é verdade. A distância potencializa as saudades.
    Mas não temos limites e conseguimos superar isto também.
    Não é fácil, na verdade, quase nada o é, mas a gente dá um 'jeitinho'...rs

    Forte abraço!

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  5. É velho o provérbio (nem por isso menos certo): cada macaco no seu galho.

    Um bom abraço
    e um ótimo final de domingo.

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  6. Tais, concordo inteiramente consigo embora eu me considere uma pessoa que, com facilidade se adapta a novas situações. Mas o busílis está aí, se adapta, crio esquemas, defesas, estratégias para não custar tanto.

    De resto, deixa-me dizer-te comparares a Alemanha que eu conheço ou Paris que também conheço bem e de que gosto imenso, com o Brasil!!! Não dá!
    Brasileiro é feliz, é alegre, lhe agrada dançar, apesar de todas as adversidades e de tudo de mau que possa estar à espera que lhe aconteça. Como dizia um guia nosso aí em Natal: -Eu hoje já comi, amanhã se verá!

    Até eu, aí no Brasil, acho que me adaptava de imediato. Iria estar que nem peixinho na água.

    Beijos e uma boa semana.

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  7. Feliz em ver que as crônicas rolam pelos blogs. Não estamos sozinhos.

    Gostei muito do blog.

    Até mais ver...

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  8. Bernardo21:22

    Cara Tais

    Seu texto é uma afirmação de amor a terra em que nasceu, independente de todos os problemas e deficiências que ela tem.O engraçado é que tem gente de destaque na imprensa e que fala com grande desgosto ou desdém do pais em que vive. Mas não é isso que gostaria de comentar. Ao ler seu texto me veio a mente o lugar em que nasci e vivi os meus primeiros 25 anos. Hoje quando lá retorno sinto uma angústia imensa
    pois nada restou daquele lugar simples em que eu brincava, sinto que não é mais meu lugar,agora com prédios, transito, não restaram raizes, nada, e não vejo a hora de ir embora.Escrevi uma reflexão sobre isso no meu Blog Momentos sob o título "Memorias da Infância" É curioso essa sensação de perda. Como se você voltasse em busca de suas raizes e descobrisse que elas não mais existem, foram demolidas pela modernidade.

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  9. Anônimo08:25

    É isso aí. Descrição comparativa melhor,seria impossível. Quem tira a nossa casa tira tudo. No Natal, houve preocupação de tirar os Sem Abrigo das ruas, pelo menos essa noite. Pois houve pelo menos dois, que disseram só se sentirem bem na "sua casa".O foi ali que serviram uma ceia melhor. Só uma palavra define isso....SAUDADE.
    Um abraço

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  10. Tais, gosto muito de acompanhar seu Blog. Esta, como todas as outras crônicas são ótimas.

    Passa lá no meu blog, na última postagem, deixei um mimo para você, que me conquistou com sua palavras.

    Beijos.

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