31 de maio de 2015

OS HOMENS JÁ PODEM CHORAR




- Tais Luso de Carvalho


Nas minhas improdutivas noites de insônia, liguei o rádio e escutei um programa sobre as mulheres, os homens e o trabalho doméstico. Naturalmente os homens entraram na pauta,  lembrei de algumas peculiaridades deles e outras nossas.

Sabe-se que mulher tem uma visão periférica mais ampla, vê tudo ao redor, e isso ajuda muito. E, quando possui uma enorme determinação, torna-se vítima dela mesma:

- Eu posso, eu consigo, eu me estrebucho, mas eu faço!

E abraça a causa do tamanho que for. No começo, cheia de amor. Depois vai na raça.

Será que os homens conseguiriam, além do trabalho fora, ainda cuidar dos filhos, da comida, atender o telefone, campainha, gás,  cachorro e ainda investigar o porquê da enorme zorra do papagaio, tudo ao mesmo tempo? E qual o motivo da casa virar uma central de patetas quando nós, mulheres, adoecemos por alguns dias?

Sabemos que trabalho de casa é exaustivo e que só aparece quando 'não’ é feito. Quando a casa fica anarquizada aparecem umas visitinhas com a língua solta e os olhos num silencioso diagnóstico:  Pô, que bagunça!! Que mulher porca.
Pronto, tá feito o embrulho, não há mulher que não decifre certos olhares.

Mas as coisas já melhoraram, e muito. Não há mais preconceito quanto ao homem ajudar nas tarefas da casa. Uma boa parte das mães cessaram com aquela coisa medieval de que homem não pode, homem não chora, homem é homem! Hoje, ao contrário, todas adoram um homem na cozinha. Homem que era homem tinha de engolir sentimentos na dureza. Nada de mariquice – coisa de mãe não evoluída. Mas essa evolução não é vista em todos os lugares. Na maioria, o tempo parou. Feliz da mulher que tem ao seu lado um companheiro e não um escudeiro.

Homem era força, era determinação e bom de briga. Maravilha? Não havia campo para levezas, sutilezas e sentimentalismos. Mas hoje, tem muito pai se virando bonito, trocando fraldas etc. É sensacional quando o homem adquire uma consciência de cuidar e dividir algumas tarefas de casa. Ser mais parceiro, mais sensível. É bom ver o homem inventar comida, participar da cozinha, ser solidário, escolher coisas para decoração. Mulher gosta dessa cumplicidade. Tudo isso aproxima e dá ao homem uma dimensão mais familiar, mais humana à sua vida.

Ótimo que muitas mães  estão educando os filhos com a razão e com o coração, deixando vir à tona belos sentimentos, principalmente o de permitirem que seus filhos chorem – o que comove  qualquer mulher. Homem quando chora é porque a coisa está doendo mesmo, seja no corpo ou na alma. E para mim, não há extravasão que comova mais. Não há lágrimas de homem que não balance o coração de uma mulher e a faça chorar junto. Se queremos homens sensíveis é necessário deixar que seus sentimentos aflorem. E que possam manifestá-los.

Que bom que os homens já podem chorar.



52 comentários:

  1. Que lindo texto, amei, que bom que os homens já podem chorar! Podem sim e devem, as lágrimas são válvulas de escape unissex!
    Amei ler, seus textos são descontraídos e leves, pois falta leveza por aí minha linda amiga Taís!
    Abraços bem apertados!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Querida Ivone, sempre amável com todos, uma forte característica sua. Muito obrigada, uma linda semana pra você, amiga.
      Beijo grande.

      Excluir
  2. Eu acho que todos ganham se as tarefas forem partilhadas. Já vai acontecendo, mas na minha opinião são as mulheres ainda as mais sobrecarregadas.

    Homens e mulheres têm sentimentos, por isso acho bem que ambos chorem, porque não?

    Também não gosto de ver mulheres chorar por tudo e por nada...de maneira que o choro tanto em homens como em mulheres, que seja com conta peso e medida!...

    Mais um texto que gostei muito de ler!

    Beijinhos:)

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigada querida Isabel, concordo plenamente!
      Ótima semana, meu carinho.
      beijo.

      Excluir
  3. Esqueci-me de dizer que adorei a foto do cavalo a dar um abraço à menina. É maravilhosa! O ar do cavalo é lindo...
    Não sei se a foto já está aí há muito...
    É tão bonita!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Isabel, a foto está há poucos dias. É um novo painel, há fotos fantásticas e quero compartilhar. Que bom que gostou. Troco semanalmente. bj

      Excluir
  4. Essa história dos coitados não poderem chorar era triste... Eles tem o mesmo direito e a sensibilidade deles precisa ter uma válvula de escape e por vezes, é o choro., meus homens daqui de casa choram e acho lindo! bjs, chica

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Mas finalmente, que venham os sentimentos!
      Beijo grande, Chica, obrigadíssima pelo carinho!

      Excluir
  5. Soneto-acróstico
    Ao choro masculino

    Ontem ainda era a impugnável rocha
    Haveria que ser às lágrimas infenso
    Onde estivesse carregava sua tocha
    Mesmo contra tudo até o bom senso.

    E mundo bola não lhe deu, eu penso
    Mas olhos secos macheza lhe atocha
    Quer nunca carregar no bolso o lenço
    Um energúmeno, um bobo de galocha.

    E um dia vê nas lágrimas a libertação
    Como a mulher desde muito já o faz
    Hoje às lagrimas ele portanto diz não.

    Optou por externar o choro ser capaz
    Rindo de sua abandonada condição
    Agora com sentimentos vive em paz.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Vou gostar de ver a opinião dos homens...
      Obrigada pelo carinho do comentário nesse soneto- acróstico, Jair.
      Grande abraço!

      Excluir
  6. Hermosa historia de una gran verdad, hoy en día por igual hombres se suman a las tareas hogareñas , cocinar, mudar a sus hijos....y lo más hermoso pueden llorar sin ser motivo de risas: "que los hombres no lloran"..."que eres un mariquita "...y esas cosas que frenaban sus hondos sentimientos....aunque no me gustan muchos los lagrimeos pero pienso ...que cuando es necesario vaciar el alma se puede hacer juntos o al menos empapar las lágrima uno a otro....
    Fuerte abrazo

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Exatamente, Cristina, lágrimas são o alívio da alma em sofrimento.
      Grata pelo carinho do comentário.
      Beijos do sul do Brasil.

      Excluir
  7. Pois é amiga Tais, minha mãe educou a mim e aos meus irmãos (éramos 4 homens, hoje somos dois, porque dois já partiram) a fazer as lides caseiras, tipo cozinhar, lavar, passar, mas limpar a casa, aprendi quando morei sozinho na época de solteiro. Quando casei, meus cunhados (irmãos da minha esposa) riam, pois achavam foram de comum um homem partilhando os trabalhos domésticos. Eu não me aguento ver uma mulher tocando sozinha os trabalhos da casa, enquanto o homem está numa boa, sem fazer nada...
    Um abração. Tenhas uma linda semana.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Muito bonito esse seu depoimento, Dilmar, ah se todos pensassem assim... Só posso lhe dar parabéns por ter tido essa consciência desde jovem, mas aí está a mão de sua mãe. Grande abraço, amigo, obrigado sempre!

      Excluir
  8. Um texto lindo e verdadeiro!
    Ora, nós sempre reclamamos do machismo, mas quem passa mais tempo com as crianças? As mulheres. São elas que educam os homens, e somente quando as mulheres tiverem essa consciência, o machismo acabará.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Ana, tenho horror a machismos e realmente somos as culpadas. Só temos de dar tempo ao tempo, é o que nos resta.
      Beijos, Ana, obrigada pela presença!

      Excluir
  9. Conheço bem o mundo masculino a partir de meus filhos,
    Achei de uma especificidade incrível essa tua crônica, homem poder chorar,
    É a mesma coisa que um rio estancado ter toda licença de dar vazão se esparramar,
    Sem, no entanto deixar de ser rio.
    Meus Parabéns!
    Saúde e muita crônica!
    Izildinha

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. E eu achei adorável a tua comparação com 'um rio poder se esparramar sem, no entanto, deixar de ser rio!' Belo.
      Beijo, querida, saudades de você aqui!! Só abrilhantou...

      Excluir
  10. Boa tarde querida Tais.. tu abordando uma area que o homem deve sim valorizar mais a mulher.. pois não é fácil não..
    e justo hj fui dar uma mão para minha mãe lavar o forro do quarto dos meus pais..
    terminei moido.. mas minha mãe tem as chatices dela sabe..
    pra limpeza ela chata.. e é verdade.. eu lá lascado em cima da escadinha e ela procurando os pontinhos de mofo que não tinham saido.. eu disse pra ela.. ou tu me deixar fazer ou eu jogo o balde pela janela rsrs e disse mesmo... reclama pra fazer e quando a gente faz só quer encontrar os defeitos..
    a mãe o negócio dela é limpar e lavar roupa.. pq comida não é a praia dela.. faz mas a gente sabe que ela não ama a area..
    as vezes to lá.. fazendo o molho chorando com as cebolas rsrs e ainda não fica contente rsrs por isso que ainda estou solteiro.. imagina casar e todo dia ficar ouvindo e ouvindo srsr já estaria louco né rsrs beijão e até sempre doce amiga

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Samuel, rsss, não te aguento, essa tua história... Das cebolas, do balde, da 'praia' da tua mãe! Chora, amigo, chora... nem que seja do efeito das cebolas! rs
      Beijo, querido amigo. Que figura!!!

      Excluir
  11. "Quem dera pudesse todo homem compreender, ó mãe, quem dera
    Ser o verão no apogeu da primavera
    E só por ela ser

    Quem sabe o super-homem venha nos restituir a glória
    Mudando como um Deus o curso da história
    Por causa da mulher"

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Muito bonito, Fábio! Creio que estamos sentindo um novo homem compartilhar seus sentimentos e que seja compreendido na sua plenitude.
      Beijos, amigo.

      Excluir
  12. Oi, amiga Taís Luso !
    Pois é. Aí que está... os homens sempre choraram, só que às escondidas,
    por vergonha. Agora, "perderam a vergonha". Está bem melhor, assim.
    Parabéns pelo texto, e um carinhoso abraço.
    Sinval.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Sinval, que bom vê-lo aqui. Pois é, amigo, choravam escondidos, sim, impossível reter sentimentos, porém retardar lágrimas era muito dolorido, penso que a dor era maior ainda.
      Abraços, obrigada pela sua presença.

      Excluir
  13. Taís, parece que você só tem o trabalho de abrir boca, para que as palavras jorrem dela, como de uma cascata. Suas crônicas maravilhosas fluem e viajam para o papel, na velocidade da luz...Que coisa!!!
    Agora, não me importo se os homens quiserem chorar...e ajudar rss.
    Beijosss!!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Amigos são ótimos porque nos empurram pra cima! rs Que bom que você gostou!
      Obrigadíssima pela sua presença sempre querida.
      Beijo grande, Shirley!

      Excluir
  14. Minha querida amiga Tais, sempre é um imenso prazer em ler tuas crônicas, e esta não é diferente, assim como a sobre as visitas, hilária. Esta eu gosto especialmente por abordar algo que eu concordo plenamente, sobre a educação masculina, em casa onde tem meninos e meninas, eles podem tudo e elas tem de aprender a fazer algo, são reprimidas, e isto passa pelas mães, pois são elas que ficam a maior parte da vida infantil com as crianças, são as mães que querem seus filhos garanhões, tem até um ditado que diz, prendam suas cabras que meu bode tá solto rs...e esta tua crônica, brilhantemente toca nesta viés do assunto. Adorei.
    ps. Carinho respeito e abraço.
    ps2. Querida amiga estou navegando por mares revoltos na vida real, por isso meu silêncio na internet, mas tempestades passam...

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Meu bom amigo Jair, nada mais verdadeiro do que o caso do bode...rs É incompreensível essa maneira de educar, tão machista. Creio que de 2 gerações pra cá essa maneira de ver e sentir algumas coisas tem melhorado bastante, a meninada se soltou por um lado (liberdade extremada e drogas), mas se conscientizou em outras coisas. Mas nada é perfeito. Ganhamos e perdemos.
      Obrigadíssima pela tua presença sempre muito querida.
      Paz, amigo! Tudo passa.

      Excluir
  15. Olá Taís! Desde muito cedo, devido às necessidades, aprendi que chorar, lavar e passar roupa, varrer e espanar uma casa, fazer mingau, trocar fraldas, cozinhar, etc., não eram tarefas exclusivamente femininas, Isso em 1968, quando minha primeira mulher pariu o meu primeiro filho. Parto difícil, sujeito a pontos e, além disso, meu filho desenganado pelos médicos. Mas DEUS que é PAI, não é padrasto, permitiu que ele vivesse saudável e me desse uma neta maravilhosa. Bela crônica amiga! Perdoe-me se me excedi.

    Beijos,

    Furtado.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Gostei do seu depoimento, Furtado, bela, mas uma trajetória um pouco sofrida. Mas valeu, não? Adorei sua participação, como sempre.
      bjus e ótimo feriado!

      Excluir
  16. Olá, Taís

    ... passando para desejar-te um Feriado, muito bom.
    Um abraço.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, José Maria, mais um feriado!
      Pra você também um bom descanso.
      Abraços, amigo / alegria e paz.

      Excluir
  17. Bom mesmo...As coisas estão mudando e com as mudanças, os homens vão se adaptando a uma nova realidade!
    Querida, estava com saudades da sua linda página...Tive contratempos e fiquei fora do ar por algum tempo...Estou voltando aos poucos. Me recompondo dos problemas com
    doenças em família.
    Vim deixar o meu abraço!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Marineide, também estou com saudades. Sei, amiga, doença na família é difícil, mexe com nosso emocional. Espero que tudo esteja se encaminhando bem.
      Grande abraço pra você! Obrigada pela participação.
      Meu carinho e paz.

      Excluir
  18. Tais, a mudança de comportamento é gritante. Graças a Deus! Parece-me que as mães, tendo sofrido para manter seus relacionamentos, nesses aspectos, resolveram educar seus filhos homens de maneira diferente. Vemos que há maior parceria entre os casais jovens. Dividem o que podem, sem traumas. Sempre haverá influências externas negativas, assim como a de pais que se recusam a aceitar a mudança. Mas estamos progredindo. Os homens não mais são os provedores e podem, como devem, mostrar sua fragilidade humana. Bjs.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Pois é, a dor ensina a gemer... Tiro no pé! Eu gosto de ver os casais de todas as idades com essa cumplicidade. Os mais jovens estão ensinando os 'não adeptos' e está dando certo.
      Beijo, meu carinho.

      Excluir
  19. Boa noite Tais.
    Realmente é muito bom quando temos parceria em tudo, creio eu que antigamente era mais dificil os homens participarem de trabalho domestico, fui casada durante 17 anos, o meu marido nem entrava na cozinha, já o meu namorado atual ate me traz almoço na cama rsrs e ainda tudo feito por ele, confesso quando observei alguns coisas desse gênero, fiquei apaixonada rsrs. agora falando serio ter um companheiro que divide tudo é maravilhoso. Quanto a chorar, acho que eles sempre choraram, antes escondido, hoje tem mais liberdade de deixar os seus sentimentos mais evidente, o que claro é correto, homens chorando só presenciei meus irmãos. Voltando ao virtual aos poucos, devido a minha filha ter passado por problemas. Amiga desejo para vocês um més de junho repleto de coisas boas. Um forte abraço.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É isso mesmo, querida Mirtes, então você sabe como é o 'antes e o depois'. Pena que ainda um grande número não sabe o que vai no coração e na mente das mulheres. Falta mais observação - primeiro passo.
      Beijo, meu carinho, querida amiga, que tudo esteja melhor por aí. Beijo na filhota.

      Excluir
  20. Amiga, teu post me lembrou o clássico do The Cure "Boys Don´t Cry".
    Eu felizmente não vivi em um ambiente machista, meu pai sempre dividiu. Dividiu, não ajudou! O verbo "ajudar" denota como se isso fosse uma obrigação da mulher e o cara vira "herói" por estar prestando um favor.
    Sou super favorável à igualdade de gêneros, porém, considero o direito de chorar o mínimo. Talvez seja das poucas opressões que os homens tiveram até agora se forem comparar às opressões sofridas pelas mulheres... daria um rosário aqui minha amiga!
    Mas acho legal caras que negociam as tarefas. Legal, não admiráveis.
    Inclusive, fui educada "como homem", não sei fazer NADA de serviços domésticos e quando tento, fico "quebrada". Já disse pra todo mundo que se depender deste quesito, jamais serei "moça para casar".
    Francamente, presencio na vida de alguns conhecidos mulheres que são verdadeiras escravas, mas isso não mudará porque faz parte da geração delas.
    Beijos e já estava com saudades da tua casa. :)))))

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Querida MI, você não foi criada num ambiente machista, nem eu, mas vivemos numa sociedade, num mundo machista em que a mulher sofre horrores, atrocidades, mutilações. Esse meu texto é em função 'não do que deveríamos ser' (homem e mulher) mas pelo que estamos conseguindo ser. Mulher vive melhor quando uma sociedade a valoriza, quando têm 'direitos e obrigações iguais'. E não é o que acontece. Mas não me iludo que tudo irá ficar 100% em lugar nenhum.
      Poderá melhorar, o que já será bastante.
      Beijo grande!

      Excluir
  21. EXCELENTE POST, MUY REFLEXIVO Y CONSTRUCTIVO. GRACIAS POR COMPARTIRLO.
    ABRAZOS

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Reltih, muito obrigada pela participação!
      Grande abraço aqui do Brasil.

      Excluir
  22. Taisinha, gostei muito desta tua crônica, que explora um tema bastante atual, que é a participação do homem nos trabalhos domésticos, bem como o seu companheirismo e a atual cumplicidade com a companheira; é tema atual, mas não se pode dizer que haja unanimidade, quer entre os homens, quer entre as próprias mulheres, que são as que mais ganharam com as motivações do homem dito moderno. Venho constatando, na minha atividade profissional, que muitos são os homens que relutam contra essa “modernidade”, enquanto outros, que aderiram a essa modernidade, dão ênfase na sua condição de bom cozinheiro; não vão mais além... Quanto às mulheres, que não aceitam o homem “moderno”, com suas atividades de “dona de casa”, o número delas não é insignificante; dizem essas mulheres, que querem ter em casa homem como foi seu pai, ou algum outro parente masculino (“minha mãe nunca gostou de homem na cozinha”, dizem algumas delas). Portanto, Taisinha, a beleza de tua crônica também reside no fato de que o tema é controvertido.
    Beijinho.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Pedro...
      Ah... não tenho dúvidas que é um tema polêmico, que a grande massa dos pais educam os filhos dentro do esquema 'garanhão': mãe e pai. Lembro daquela nossa conhecida, quando seu marido entrou na cozinha ela teve um surto que horrorizou a todos por perto... Cruzes. Foi duro. E no mundo é o que mais tem, está povoadíssimo dessa 'espécie' que jamais acabará. Nem ouso falar dos países da África e do Oriente Médio, onde as mulheres ainda sofrem mutilações terríveis devido a esse machismo. Fico pelo Brasil, que já está de bom tamanho. Mas isso tudo não inviabiliza em dizer e me manter do outro lado, numa corrente mais moderna, de uma participação mais companheira, participativa e mais humana da sociedade. O machismo sempre existirá, uma vez que a lei da nossa selva é essa. Mas não quer dizer que seja o certo. Mas continuo torcendo para que diminua cada vez mais esse machismo que, a meu ver, é destrutivo.
      Se não fosse, não haveria motivo para leis como Maria da Penha. Mas a humanidade é assim. Os valores são trocados, destorcidos.
      Gostei muito, abrilhantaste ao levantar a 'polêmica' que existe sobre o assunto.
      Beijinho do gabinete ao lado! rs

      Excluir
  23. Olá Tais,

    Eu duvido que algum homem consiga desempenhar todas as funções de uma mulher sem ter que recorrer a um rivotril. Homens não se desdobram como nós. É preciso ter 'peito' para tal. Graças a Deus a cultura do machismo está ficando para trás. Hoje, os homens ajudam e até dividem os trabalhos domésticos com as mulheres. Meu marido, por exemplo, que é um machista das antigas, sempre se dispõe a preparar o jantar. Claro que o básico fica pronto, mas ele não tem preguiça de fazer algo especial que esteja com vontade de comer. Tenho vizinhos que cozinham e lavam as roupas, pois estão com mais disponibilidade do que as suas mulheres. Acho lindo ver os novos papais trocando fraldas ou levando as crianças para tomar sol.
    Por outro lado, você tem razão ao afirmar que o trabalho de casa só aparece quando 'não’ é feito. Ninguém repara quanto tudo está nos conformes.
    A educação arcaica impunha ao homem ser durão em qualquer circunstância e chorar, nem pensar. Um absurdo! Acaso eles não precisam extravasar suas dores ou lavar a alma? Nada mais tocante do que a lágrima de um homem, pois, conforme você bem assinalou, quando um homem chega a chorar é porque a coisa tá preta-rs.

    Ótima crônica.

    Beijo.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Acho que muita coisa está mudando, outras, naturalmente, piorando. Espero que essa juventude acrescente, dê uma guinada. A nossa geração está feita, coelhos diferentes não sairão dessa cartola...
      Beijo, Verinha, obrigada pelo carinho do comentário! Bom findi.

      Excluir
  24. Oi Tais.
    Sou de família italiana.
    Só por aí dá para imaginar como é a relação no interior dela.
    Mas graça a DEUS, e desde cedo fui educado a ser diferentes. Isso me gerou desconcertantes gozações dos meus colegas. É claro.
    Em minha casa, todos fazem de tudo: roupa, limpeza, comida, nos ajudamos muito.Assim eduquei meus filhos.
    E se preciso for choramos juntos.
    Um abraço.
    Paz e Luz

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Gilberto, conheço famílias italianas, são bem assim, acho lindo isso tudo.
      Muito obrigada pelo seu depoimento, reforça o que penso. Volte sempre, sua presença é sempre bem-vinda!
      Grande abraço!

      Excluir
  25. Oi Taís,
    Eu, com toda certeza comentei aqui, será que fiz alguma coisa errada, foi logo abaixo da Vera Lucia.
    Ele fazem, pois, fiz uma cirurgia e só faço o almoço, ele lava, limpa nosso imenso mausoléu, vai as compras e me leva na fisioterapia e podóloga.
    Só que tem um problema, pegou gosto e quer lavar roupas todos os dias, ontem dei uma barrada, está gastando muito sabão em pó.kkkkk
    Ele é meu anjo que caiu do céu, ele é meu segundo marido, o primeiro morreu de tanto fumar( quanto pedi para parar e nada, foi muito cedo). A vida tinha que continuar.
    Beijos no coração

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. rsss, não faça propaganda, Dorli! Mas tirando o tom engraçado do seu depoimento, essas coisas tem seu valor, fortalecem a união. Mas não podemos esquecer a' nossa' parte para maridos assim!
      Beijo grande, amiga, obrigada sempre!

      Excluir
  26. TAIS,

    o que vou lhe dizer é a expressão maior da pura realidade e durante alguns anos leio postagens e comento a maioria, mas esta foi sem dúvida nenhuma, uma das mais excepcionais que andei lido, nestes últimos tempos.

    Parabéns Tais e quando penso que neste nosso mercado literário existe tanta coisa imprestável sendo publicada eu me pergunto sobre a razão de pessoas como você não terem lugar entre as melhores editoras deste pais querendo torná-la uma escritora profissional.

    Mas...eu não tenho resposta para tudo!

    Um abração carioca.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Nossa! Fecho essa crônica com chave de ouro. Paulo, você foi muito generoso nesse comentário, agradeço, acho que dormirei bem essa noite, sem insônia!
      Um abraço gaúcho!

      Excluir

SUA ATENÇÃO...

1 - Agradeço os comentários dos queridos leitores e amigos, sempre Bem-vindos!

2- Comentários ANÔNIMOS não são postados. Assine.

Um abraço a todos!
Taís Luso