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1 de fevereiro de 2018

TUDO MUITO LOUCO

Surrealismo


         - Tais Luso

Dando um tempo para divagações, parei pra pensar na correria do nosso cotidiano. Também pensei no fôlego que eu tinha, quando criança, ao subir  uma escada grande de minha casa, de dois em dois degraus. Naquela época eu não tinha consciência de finitude. Só lembro que vendia saúde. Hoje não vendo mais nada, to comprando. A  vida tornou-se muito louca e o gás diminuiu, né gente?
Muitas vezes andamos estafados sem saber a razão. Um tal de faz assim, faz assado, não come isso, não vai lá, volta aqui, busca, leva, troca... olha a hora, criatura!
Leva o filho, busca a filha. Corre ao velório do tio para o derradeiro adeus, a última olhada no tiozão  de sapato marrom.
Um mundo  com regras e cheio de novidades a cada amanhecer. Sufocante!
O mundo contemporâneo virou uma obra-prima do surrealismo, impossível interpretar o ser humano e suas façanhas. Como essa gente briga, que feras! Como meu sonho de consumo não é viajar e nem comprar a Petrobras, dou-me ao luxo de pensar. Se Descartes mandou pensar, penso: Penso, logo existo.
O bombardeio começa no que você não pode comer! Não coma massas, churrasco, carboidratos, doces, pizzas, sorvetes, sonhos, pastéis, bolos, chocolate, embutidos... e morra de tristeza!! Coma fibras e frutas! Coma muita salada! Cuidado; não morrerá do coração, mas poderá morrer com a bactéria salmonela e agrotóxico.
Deite cedo, levante cedo; fique pouco no computador,  faça exercícios, leia e mantenha-se informada. Cuide da casa, não deixe abagunçar porque a família é a primeira a lhe chamar de porca. Ufff... Tudo pode acontecer.
Reunir a família nos  domingos é fundamental, é carinho! Vá para cozinha, se esborrache num estrogonofe, num Bacalhau à Gomes de Sá, isso é um ato de amor, percebe? 
Aproveite o clima generoso de felicidade diária e ame a todos como se todos fossem você e diga que perdoa seus algozes! Seja demagogo, é tão lindo!
E no meio de todo esse rebu, deve sobrar tempo para a derradeira pergunta: quem sou? O que vim fazer? Para onde vou? Tudo muito louco.
É por tudo isso que precisamos de leveza e humor na vida.


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Nota:
Nesta crônica abordo um tema baseado na observação dos fatos do 'nosso cotidiano, da nossa sociedade' -  não é nada particular. As crônicas não são, necessariamente, baseadas na vida do cronista. 
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16 de julho de 2024

VIVEMOS NUM MUNDO LOUCO

 



                        - Taís Luso de Carvalho


         Ao sair pela manhã, passo por uma calçada e vejo a mesma senhora trabalhando defronte a loja, vendendo planos da Funerária, ali situada. Cada vez que passo nessa calçada a mulher me oferece dois planos: Sepultura ou Cremação. Nesse último dia chegou mais perto para me falar das vantagens de um e outro. Acelero o passo e faço um sinal que não quero saber! Coitada, vender planos funerários diariamente é dose pra Mamute. É insistente, mas escapo dela.

Mais adiante, defronte a uma casa de chocolates, de ótima marca, uma moça fica oferecendo um mimo aos que passam, uma caixinha, toda enfeitada, com 6 bombons - estão inaugurando a nova loja. De um lado, a Funerária, do outro bombons!

Sim, tudo muito louco, dois polos opostos: um rechaça, o outro atrai. Assim é esse mundinho que não nos acostumamos, parece que vivemos ora no céu, ora no inferno.

Chego em casa, ligo a televisão e notícias das mais variadas e para todos os gostos. A televisão é a maior vitrine de variedades do mundo: viagens maravilhosas pelo mundo inteiro, namorados que se amam, mas também se matam. Cruzeiros em navios fantásticos visitando as mais belas cidades do mundo. Milhões de pessoas imbuídas da mais bela solidariedade que existe, que se entregam para ajudar os outros, em atos maravilhosos como aconteceu aqui no Rio Grande do Sul devido a trágica enchente no mês de maio, nunca vista no Brasil. Virei só emoção com tal gesto humano do povo Brasileiro, de norte a sul, e muitos outros povos, nada tão lindo, tão comovente. Porém, em outros momentos vejo o horror das Guerras da Rússia e Ucrânia, de Israel e o Hamas, também referido como conflito Israel-Gaza. Que ser humano é esse que não reconheço? Quanta brutalidade. Serão, mesmo, seres humanos?

Mudei de canal para descansar! No jornal da noite a repórter da TV faz sua matéria em uma loja de Departamentos, abordou uma senhora humilde chorando com uma bonequinha nas mãos. A repórter perguntou-lhe por que aquelas lágrimas e a bonequinha nas suas mãos...Dos altos dos seus 70 anos ela contou que nunca havia ganhado uma bonequinha na sua vida, e ela estava fazendo 70 anos! A repórter ficou muito comovida, saiu um pouco dali e voltou com uma boneca de presente para a senhora. A emoção, as lágrimas alcançaram a produção do Jornal que estava junto e a todos que viram aquele momento pela televisão. Não esquecerei a emoção vista numa senhora tão humilde, e que não sabemos como foi sua vida. Lógico, minhas lágrimas também apareceram.

E assim vamos vivendo muitas emoções entre tantas brutalidades, disputas por poder, por terras, tantas guerras estúpidas que nos aterrorizam diariamente, que matam inocentes, mulheres e crianças, tantas maldades, e que fazem frente a um outro mundo: mundo de amor, de doação, de solidariedade intensa.

E fica a perplexidade de não termos a compreensão, de não entendermos esse ser humano tão igual na sua criação, em sua matéria, e tão diferente na sua essência; tão carrasco, tão criminoso... mas também, tão maravilhoso. É muito difícil viver assim. São muitos altos e baixos. Muitos contrastes a vivenciarmos.

Sem dúvida, vivemos num Mundo muito louco e confuso.

Ora nos aterroriza e nos desilude ao extremo; ora nos emociona tanto que nos faz acreditar, que um dia teremos um Mundo maravilhoso.

Mas não, jamais teremos! Tenho idade para não me iludir mais.







20 de novembro de 2014

HOMEM E MULHER: ALGUMAS DIFERENÇAS


         
 - Tais Luso de Carvalho

Falarei das diferenças no meu Estado, o Rio Grande do Sul.
Amizade entre mulheres é muito diferente da amizade entre homens. Homens vão juntos ao  futebol, ao tênis, assistem a uma Fórmula 1, bebem litros de alguma coisa que no excesso leva ao coma. O assunto preferido entre 90% dos homens é futebol. Salvo se falarem sobre cinema, literatura, viagens. 

Mulher? Mulher é conhecida por convidar (sempre) a amiga para ir no banheiro do restaurante ou do clube. É um grude. Lá, arrumam os cabelos, passam um batonzinho, dão palpite na roupa, etc. Trocam, também livros, CDs e emprestam até a bolsinha preferida, mesmo que seja uma Louis Vuitton. Vão juntas ao parquinho – com a criançada –, aulas de arte, teatro, cinema ou alguma palestra interessante de algum Guru.

- Adorei esse seu esmalte! Sentou com o tom de sua pele...
Pronto, agradou a amiga. Quase sempre existe a troca de gentilezas. É uma amizade mais delicada.

Mulher vai ao hospital visitar a sogra e se oferece para acompanhá-la um turno; homem vai ao hospital só carregado. Mas passa por cordial. Foi; acertou as pontas com a sogra... Mas, fica louco para pôr o pé na estrada e voltar para ver o Gre-Nal ou outros times do coração,  mesmo com a sogra a perigo.

Mulher quando termina o namoro, tem a solidariedade da amiga, choram juntas. Uma aconselha a outra e tenta deixar tudo na melhor situação, levando até uma flor como esperança de uma vida melhor. O  homem já vai soltando sua frase de efeito para afastar seu amigo do pranto:

– Pô, cara, deixa de ser veado, parte pra outra, tá sobrando mulher no pedaço!

Mulher adora Natal, se esborracha em colocar rendas na mesa, enfeites pela casa, cuida do infeliz peru, sobremesa, guarnições, guardanapos e presentes pra turma inteira. 

Homem se encarrega apenas da bebida para encher a cara enquanto aguarda o término da festa para dormir. O bom é o Ano Novo, quando o protagonista é o churrasco, a caipirinha e litros de cerveja a compartilhar. Os homens com seu  bermudão – dois números acima do seu.  E chinelo havaiana! Sim, bem desleixado, aquele horror. Quando não puxa uma sandália franciscana pra lá de medonha. Homem é natureba, nada pode atrapalhar e nem apertar, entenderam? 


O que chama mais 
a minha atenção no quesito estética, é o desequilíbrio do visualmente num casal: a mulher com sua jeans justinha, blusinha legal e sapato de salto, no equilíbrio e toda coquete, enquanto o homem, sai num bermudão enorme, camisa solta e um baita tênis.  Tudo muito à vontade.

Mulher recebe as amigas com beijinhos e elogios; homem recebe os amigos com forte tapinha  nas costas - pra não deixar dúvidas da sua hombridade. 

– E daí, canastrão, como tá essa força?

Ao oferecer o churrasco aos convivas, corta lascas com um negócio que mais parece uma adaga. Sujeito bagual – devem pensar os convidados... 
Mas, encanta a todos e mostra sua destreza com aquela arma degoladora e poderosa. Enquanto isso a mulher oferece saladinha de tomate com rodelas em flor e um galinho de arruda. Um mimo. Olhem a diferença! Pelo menos usamos muito isso no Rio Grande do Sul / Brasil.

Mas todas as festinhas ficam ótimas quando aparecem a bela e a fera, caso contrário não veríamos as diferenças do agir de um homem e de uma mulher.
A natureza dá uma equilibrada pra não ficar tudo tipo Mariazinha ou tudo a lá Paulão.

Mas digo: Aquela coisa de que homem não chora... é muito triste; seria ótimo se os homens deixassem florescer mais a sua sensibilidade. Não é dengo. Homem quando chora, emociona, a dor é grande, nossa alma de mulher fica aos frangalhos.  E choramos juntos.


Mãe ainda educa o filho pra ser bagual, sim, aqui é coisa de Gaúcho, mas  com o passar dos anos nós mães, cobramos deles "sensibilidade": u
m Bagual sensível!
Mas, são coisinhas de culturas diferentes.



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9 de agosto de 2023

HOMEM E MULHER: ALGUMAS DIFERENÇAS...

 




      - Taís Luso de Carvalho

                            

Amizade entre mulheres é muito diferente da amizade entre homens. Falo do meu país - Brasil. Os homens saem juntos para jogar tênis, futebol, ir ao jogo torcer pelo seu time e também bebericar umas cervejinhas juntos, em busca de uma boa prosa. As mulheres entram numa cafeteria e pedem chazinho e uns docinhos para acompanhar a prosa.

A jovem adolescente, tem o hábito de  convidar a amiga para irem juntas ao banheiro do restaurante, do clube, etc. Lá, arrumam os cabelos, passam um batonzinho, dão palpite na roupa e também correm algumas fofocas sobre o pessoal.

As mulheres adoram indicar, às amigas, ótimos livros, receitas culinárias, remédios homeopáticos para tudo!  Já passei por isso com uma amiga que me enviou uma ótima dica homeopática. Mulher é mais preocupadas com a saúde. Vão juntas ao parquinho com a criançada, aulas de arte, teatro, cinema e palestras interessantes de algum Guru famoso ao visitar à cidade. E logicamente, pós-faculdade fazem seus mestrados, doutorados e seguem numa brilhante carreira profissional. Aí a coisa já muda.

Mulher vai ao hospital visitar a sogra e se oferece para acompanhá-la um turno; homem vai ao hospital - carregado!! Mas passa por cordial: foi; acertou as pontas com a sogra. Mas, fica louco para pôr o pé na rua e voltar  para ver seu time jogar.

A jovem, quando termina o namoro, tem a solidariedade da amiga, choram juntas, bah! Uma aconselha a outra e tentam deixar tudo na melhor situação, levando até um ramalhete de flores para ver o sorriso e a esperança da amiga.

O homem já vai soltando sua frase de efeito para tirar o amigo do pranto:

Pô, cara, deixa de ser veado, parte pra outra, ‘tá sobrando mulher no pedaço!’

Mulher adora Natal, se esborracha em colocar toalha de renda na mesa, enfeites pela casa, empurra o infeliz peru pra dentro do forno, cuida da sobremesa, guarnições, sucos, guardanapos e presentes para a turma inteira. Homem se encarrega das bebidas dos amigos para todos ficarem alegrinhos.

O bom para os homens é o Ano Novo, quando o protagonista da festa é o churrasco, a caipirinha e litros de cerveja a compartilhar. E vestindo um bermudão – dois números acima do seu, e aquela medonha sandália franciscana! Aqui no sul usam muita a pilcha, vestimenta típica do gaúcho. Aí tá bom. 

Homem é natureba, nada pode atrapalhar e nem apertar, entenderam? Tudo muito à vontade, enquanto a mulher se equilibra num salto alto e fininho...E não pode faltar o brinco. 

O que chama mais minha atenção, no quesito estética, é o desequilíbrio do visual de muitos casais em festinhas despojadas: a mulher veste uma calça jeans justa, blusinha legal, saltinho mais alto. O homem, sai com o tal bermudão horroroso, camisa regata e um enorme tênis que serviria num elefante. Mas pensa ser um luxo. Luxo total é ver um homem num alinhado terno, camisa e colarinho perfeito, gravata e um belo sapato! Ah...é uma festa no céu!

Mulher recebe as amigas com beijinhos, fricotes e elogios; homem recebe os amigos com muita simpatia e tapinha  nas costas :

E daí, canastrão, como tá essa força?

Ao oferecer o churrasco aos convivas, corta lascas da saborosa carne com um negócio que mais parece uma adaga, surgida na idade do Bronze. Sujeito viril, macho, encanta a todos e mostra sua destreza com aquela arma degoladora que deve ter andado por aqui, no Rio Grande do Sul, na Revolução Farroupilha de 1835.

Enquanto isso a mulher oferece várias saladinhas de tomate com rodelas em flor e uns galinhos de arruda. Como nosso país é  muito grande, há  outras variantes hilárias,  sem dúvida.

Mas todas as festinhas ficam ótimas quando aparecem a bela e a fera, caso contrário, não teria graça alguma. Ver e conviver com as diferenças é uma delícia! E, é nesse ponto que o equilíbrio se mostra presente. Nem tanto Mariazinha, nem tanto Paulão!

Mas digo: a diferença gritante que não gosto, é aquela coisa machista de que homem não chora... por que tirar a sensibilidade deles? Seria ótimo se os homens deixassem florescer mais a sua sensibilidade. Homem quando chora, emociona muito, a dor é tão verdadeira que nossa alma fica aos frangalhos. E choramos juntos.

E isso é culpa nossa, mulher educa o filho para ser meio bagual, aguentar mais facilmente os trancos da vida, mas com o passar dos anos, as mesmas mulheres cobram mais sensibilidade dos homens! 

Vá entender...









19 de setembro de 2013

VIVER DE FANTASIA OU CAIR NA REALIDADE

     

     
- Tais Luso de Carvalho

Muito engraçado foi o que vi, na data de  17 de setembro de 2013  no programa do Danilo Gentili – na Band. O hilário milionário Chiquinho Scarpa vai enterrar seu carro que custa mais de 1 milhão de reais no jardim de sua mansão. Ele mesmo deu início a cavar o buraco, a Tumba, o Mausoléu, sei lá... Chiquinho é educadíssimo, gentil com todos, mas bastante extravagante. Aí penso no enterro do pobre carro que vai morrer no jardim e cheio de saúde. Mais de 1 milhão de reais – um Bentley. Vai enterrá-lo para numa outra vida, andar no seu carro. Não me ocorre, no momento, por onde andará com ele... Talvez entre as nuvens.

Mas Chiquinho levou-me a pensar nos pobres mortais, sem carro para enterrar e sem título de nobreza. Nós, os mais moderados. Lembro bem de Chiquinho Scarpa, do seu conturbado casamento e de sua doença, mais recente. Nem tudo foi um mar de rosas. Nem Chiquinho escapará da realidade, mesmo enterrando sua Bentley cintilante para resgatá-lo noutra vida – se assim pretende. É tão fora de propósito que só pode ser um belo marketing. Mas aí me vergo à criatividade, pois está dando o que falar.

Estamos chegando no fim do ano e nós, sem nenhum título de nobreza, já exibindo nossas caras amarrotadas, caras de brechó. Cansaço, esgotamento e irritabilidade. Um tanto loucos para fugir de um cotidiano, às vezes massacrante, e fazer uma pausa para rever nossos limites. Talvez seja a hora de parar um pouco e contabilizar o saldo: estamos felizes? Preservamos nosso lazer? Nossa vida familiar está boa? Nosso desempenho no trabalho está satisfatório? Qualquer um dá mais de si se estiver feliz.

Os Departamentos de Recursos Humanos dão muita importância ao entrosamento do indivíduo na sociedade, na família e no seu grupo de trabalho. O que as empresas procuram são indivíduos felizes e não maníacos por trabalho, os conhecidos Workholics.

Férias e pausas são saudáveis para renovação. Um feriadão deixa todo mundo meio pirado, é compreensível pois queremos desligar de compromissos. São nesses períodos, onde o corpo grita, que podemos traçar novas metas e voltar com novo vigor. Precisamos de um período para viver intensamente, fazer algo prazeroso ou simplesmente não fazer nada. Não pensar em nada por algum tempo é uma dádiva! Por que pensar tanto no que se faz ou terá de fazer? Eu mudei meus conceitos. O mínimo de ansiedade, se possível. Quero viver, apenas.

Passamos a vida escutando que o fulano é bom moço porque é honesto e trabalhador. Estamos tão acostumados à falcatruas que o indivíduo bom e honesto é quase canonizado. Segundo muitos, o bom moço é aquele que construiu sua vida voltada para o trabalho; então o infeliz passa vinte e quatro horas ligadão. Está sempre a postos para resolver qualquer problema que possa surgir no trabalho. Sai de férias mas com o celular a mil, não pode perder uma ligação.

Diminuir um pouco o ritmo  e entrar numa cadência mais saudável é a prevenção para o estresse, para problemas cardíacos e para doenças neurológicas. Portanto, penso que trabalhar para ter o necessário é o suficiente. Não quero mais saber de me levar tão a sério;  e nem mais tudo e nem mais todos - quero ser mais leve.

Parar pra pensar; parar para querer mudar; parar para diminuir as atribuições; parar para poder viver. Viver com o conforto suficiente, e não extrapolar. Achar o equilíbrio.

Somos compulsivos e exibicionistas: comprar o carrão do ano, a casa na praia e viajar como aloprados está nos planos. Comprar e comprar muito. Isso é próprio da nossa espécie, o homem precisa de poder. Mas todos estamos na mesma agonia da incerteza.

Não é minha intenção fazer uma apologia à vagabundagem; falo num equilíbrio para preservar uma qualidade de vida. O tal dos bens, aquilo que muitos derramam seu sangue para adquirir, será disputado na primeira negociata. E friamente voará. 

Às vezes paro, olho e acho tudo muito louco.




25 de setembro de 2022

UMA GERAÇÃO FELIZ

 

Cayetano A.Buigas - 1932 Espanha




- Tais Luso de Carvalho


Eu tinha pressa para entrar na idade adulta: queria ter conta para pagar, queria ter casa para cuidar, marido e filhos; eu queria andar de salto alto, usar batom e ter pencas de responsabilidades. Achava tudo isso lindo! Pois é...

Lembro de minha adolescência, não era a adolescência de hoje! Eram outros tempos. Lembro que peguei, da biblioteca de meu pai, o livro “O Muro” - de J.P. Sartre. Por algum tempo ele passou a ser meu companheiro, colocava na mochila e Bora Lá! Mas o meu objetivo era aparentar mais idade, mostrar que meu pequeno mundo valia a pena, que eu lia algo substancial, que era adulta. Adorava a polêmica que cercava o livro, as ideias de Sartre. A legítima adolescente: não incomodava, mas fazia barulho.

Meu pai descobriu e ficou preocupado com a minha suposta rebeldia. Sua filha, tão jovem, lendo Sartre? Pobre do meu pai, eu peguei Sartre porque chamava atenção. Mas fiquei firme, deixei ele queimar as pestanas. Eu só queria fazer onda, ser adulta. E com aquele livro, pra lá e pra cá, e no colégio das freiras? Era sarna pra me coçar! Eu achava que enganava. Mas um dia vi que não adiantava muito e o coloquei no mesmo lugar. Foi um belo companheiro. Pobre Sartre, se soubesse…

Mas depois desta encenação toda, que não levou a nada, resolvi redecorar meu quarto. Fiz uma colcha e almofadas de uma cor que arrepiou minha mãe, colcha e almofadas pretas com enormes flores de feltro aplicadas - gigantes e bem coloridas! Parecia coroa para defunto. Coitada, minha mãe ficou petrificada. Mas eu achei divino, quem ousaria colocar um troço daqueles em seu quarto? Consegui fazer algo completamente fora dos padrões. Eu queria ser diferente e ter a minha linguagem. Meu surrealismo precisava ser aceito!

Minha adolescência foi um pouco contestadora, nada além disso, mas algo para dizer que eu fazia parte do mundo; marcar meu espaço. No geral fui uma garota feliz, praticava esporte (hipismo), e adorava ler.  Meus pais compreenderam aquela minha fase e nunca bateram de frente com minhas ideias surrealistas. Que fase xarope, a adolescência.

Meus cabelos eram como camaleão: mudavam de cor. Tive uma fase meio difícil, eu frequentava a igreja católica, mas queria ser protestante; estudava em colégio particular, mas queria estar num público. Brincava de ser freira, mas queria ser Hippie. 

Mas não cheguei a dar trabalho, não. Eu era muito companheira. Apenas confundia o meio de campo; fazia barulho.

Sou da geração que não conhecia silicone e nem mulher com boca de gamela. Os programas de televisão nem de longe se pareciam com os BBB da vida. Tínhamos músicas de verdade! Festivais da MPB, música italiana, francesa, americana… Que saudades! Tínhamos os Beatles, e foi com eles que conheci o histerismo feminino. Que loucura foi aquilo. Mas, se eu soubesse que viveria num mundo mais hostil, preconceituoso e agressivo, não ficaria com tanta pressa para crescer, para tornar-me adulta. Curtiria por mais tempo minha adolescência, treinando em meus cavalos, inventando músicas esdrúxulas no piano ou algumas coisas surreais! E fazendo de meus cabelos um verdadeiro carnaval. Eu não sabia o tanto que eu era livre e feliz!

Mas sinto a falta de ídolos, hoje coisa rara! Também não imaginei que, mais adiante, haveria uma Indústria da Beleza que enterraria o verdadeiro sentido da vida: o de envelhecer com dignidade e sabedoria. Hoje vivemos numa luta angustiante para mantermos a juventude eterna! Que coisa doentia.

Vivo num mundo muito louco onde cada um veste sua fantasia, pula sozinho e compartilha o que não deve. Vivo num mundo globalizado que quase tudo virou público e perdemos muito de nossa privacidade.

Guardarei todas recordações com carinho, o que certamente não ocorreria se minha adolescência fosse hoje. Onde o descuido e o excesso de liberdade deixam suas marcas.









27 de março de 2016

ALGUMAS LEMBRANÇAS DOS ANOS 60 - 70




           - Taís Luso de Carvalho

Para esquecer um pouco a política brasileira (um caso à parte), hoje trago algumas recordações dos anos 60 e 70.
Começo lembrando da alegria de muitas famílias do sul do Brasil ao casarem as filhas com militares, médicos ou funcionários do Banco do Brasil. Diziam os pais, pegando a linguagem de hoje, que funcionário do BB era 'O Cara'! Eram?
O costume era namorar, noivar e casar. Nessa ordem mesmo, crescente!
Também, na mesma época, as mães do interior, principalmente as de origem italiana e alemã, gostavam de ver seus filhos tornarem-se 'padres'; era uma benção ter um padre na família. Então lá vinha a gurizada, com sotaque enrolado, estudar no Seminário de Viamão.
Hoje os Funcionários do BB não são mais aquela Brastemp (e nem a Brastemp é mais aquela geladeira). E os padres já não estão sozinhos com aquele bolão, dividem o meio de campo com os pastores evangélicos e outras religiões – tudo em ebulição. Em suma: nada é mais aquilo.
Nesse mesmo período, o sonho das moças era tornarem-se aeromoças da Varig - a primeira companhia aérea brasileira a ser fundada no Brasil - 1927, no RS.
Realmente tinha Glamour. Viajar de avião era uma festa, e a Varig era sinônimo de requinte. Hoje, longe disso; o negócio ficou na fome: barrinhas de cereal, bolachinha e 'refri'. Ficou mais democrático, mas exageraram na dose da economia. Quando encarei o tal kit, tive certeza que fui contemplada com a Bolsa Fome.
As Missas dos domingos eram o maior mistério, mas era bonito: o padre - ainda de costas -, mandava tudo em latim! Não se entendia bulhufas, mas os fiéis adoravam responder ao Dominus vobiscum : - Et cum spiritu tuo!!!
Estudar latim, no curso Clássico, era traumático. Nenhum dos alunos sabia para que servia. Mas apesar da choradeira, ficava-se sabendo de sua importância no término da faculdade. Ou nunca. Latim sempre foi a pedra no sapato dos estudantes!
Outro marco, magnífico, aconteceu em 1972 quando da primeira transmissão pública de TV em cores produzidas no Brasil. Foi maravilhoso ver o mundo real.
E os Beatles 1960 / 1970? O negócio bom era destrambelhar. Instalou-se a rebeldia jovem no mundo a partir da aparência, uma mistura estranha, junto com a paz e o amor dos hippies. Embora esses fossem muito despirocados, foi um movimento fundado pelos alunos de universidades da Califórnia, no começo dos anos 1960. O ponto alto era a luta contra a Guerra do Vietnã (1955-1975). Enquanto pediam a paz no mundo, Roberto Carlos no Brasil (Jovem Guarda) mandava brasa: e que tudo o mais vá pro inferno...
Mas um dos trabalhos de maior relevância foi o advento da pílula em 1960, nos Estados Unidos, e que significou uma verdadeira revolução nos hábitos sexuais do mundo ocidental. A primeira pílula foi a Enovid 10, trabalhada às escondidas, pois os contraceptivos estavam oficialmente proibidos nos Estados Unidos até 1965.
Pois é, muitas mudanças aconteceram. Umas boas, outras nem tanto. O problema sempre foi conseguir o equilíbrio nas mudanças, nos exageros que tiraram muita gente do prumo. E como tiramos conclusões das gerações passadas, daqui a anos outras gerações tirarão conclusões a respeito dos tempos de hoje. Inclusive do cenário político que será contado como um dos episódios mais embrulhados e misteriosos da Idade contemporânea. Estudarão as posturas, costumes e mistérios dos anos 2000. Ficarão alarmados, confusos talvez, com uma república chamada Brasilis.
E nós ficaremos na história. Com que nome? Não sei. Vai ficar ao gosto do freguês. Mas terá de ser algo muito louco.
Não deixaremos por menos!




4 de março de 2019

ESTRESSE NA VIDA MODERNA



              - Taís Luso 

Estava numa loja de acessórios para cortinas, quando lá pelas tantas percebi que uma senhora surtou ao ver um rapaz com herpes labial. Perguntou-lhe se gostaria de uma cura espiritual, de uma oração focada para o 'herpes' do camarada sumir. Caramba! Como há esquisitices nesse mundo! Que coisa mais invasiva!
Fiquei a olhar de esguelha e pensei, naquele instante, como as pessoas pegam sarna para se coçarem! O que ela tinha a ver com o herpes da criatura? Colocou a mão no ombro dele e fez lá sua oração dentro da loja. Enfim, tem louco pra tudo.
Mas tudo bem, evito discutir religião e  política – estou livre e  leve. O ponto chave de conseguir paz é observar e conseguir ficar fora de discussões; conseguir dominar nossos ímpetos é maravilhoso. Quanto mais vivo, mais aprendo.
Muitas doenças de pele, como a do rapaz, são de fundo emocional, uma vez que a pele é a proteção do corpo, mas é vulnerável às emoções. Fadiga, angústias, remorsos, raiva, 'mágoas', insatisfações e cobranças pessoais se manifestam em alguma parte do nosso corpo.
As doenças vitiligo, a psoríase, o herpes, infarto, AVC  são muitas vezes consequências de um sistema emocional em pane, pedindo pelo amor de Deus uma providência. Sim, o estresse faz grandes estragos. Quando a carga é pesada demais, o corpo grita; pede ajuda.
Hoje o estresse e a depressão estão em alta. Estamos sempre atarefados, preocupados em fazer e concluir mil tarefas! E muitas vezes infelizes e solitários. A vida mudou muito.  O que se vê de gente nervosa por aí, valha-me Deus! Relevamos poucas coisas. 
Trabalhamos como loucos porque a mídia nos empurra de tudo e temos de exibir o máximo nas redes sociais. Não conhecemos muito bem o gerente do nosso Banco porque não passamos de uma peça de engrenagem; desconfiamos do advogado, do dentista, do médico, do mecânico, do eletricista... e precisamos consultar mais profissionais para confirmar se o primeiro diagnóstico está correto! Estamos muito mais desconfiados do que tempos atrás. Lembro, quando criança, que não escutava nada sobre estresse. Nossos pais tinham tempo e prazer em trabalhar – não lembro de meus pais ficarem aloprados pelo trabalho ou coisa qualquer. Tudo se resolvia com mais tranquilidade. Sem barracos.
É difícil viver num mundo de cobranças: temos de explicar a razão de gostarmos ou de não gostarmos das coisas; temos de explicar o porquê somos cristãos ou ateus; de esquerda ou de direita; temos de comemorar todas as festas do ano porque todos comemoram; temos de ir onde não queremos para não gerar encrenca familiar ou de outra ordem. Mas que mão de obra!! As pessoas não fazem convites, elas intimam, elas querem mandar nas nossas escolhas! E se não aceitamos ficam contrariadas. As discussões acaloradas nunca terminam bem, isso é desperdício de saúde. 
O estresse está presente em nossas vidas diariamente e ataca nosso sistema imunológico. E nossas defesas vão pro brejo. Evitar agressões é alongar a vida. E nossa saúde agradecerá.  Não levar as coisas muito a sério, é uma medida inteligente, afinal, nada sabemos o que há além da vida. O que vem depois, um dia saberemos.
Por enquanto  nosso bem maior é nossa vida. Mas o estresse reina bonito! 
E estraga boa parte da jornada.

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