12 de novembro de 2007

MÁRIO QUINTANA / O MAPA


Mário Quintana, o poeta das coisas simples!

O MAPA

Olho o mapa da cidade
Como quem examinasse
A anatomia de um corpo...
(E nem que fosse o meu corpo!)

Sinto uma dor infinita
Das ruas de Porto Alegre
Onde jamais passarei...

Há tanta esquina esquisita,
Tanta nuança de paredes,
Há tanta moça bonita
Nas ruas que não andei
(E há uma rua encantada).
Que nem em sonhos sonhei...)

Quando eu for, um dia desses,
Poeira ou folha lavada
No vento da madrugada,
Serei um pouco do nada
Invisível, delicioso

Que faz com que teu ar
Pareça mais um olhar,
Suave mistério amoroso,
Cidade do meu andar
(Deste já tão longo andar!)

E talvez do meu repouso...

Um comentário:

  1. Andei a passear pelo seu bog e descobri Mário Quintana. Curioso. É dos poetas brasileiros que eu mais aprecio. A verdade é que aprecio muitos...

    Adorei este poema.

    Beijos.

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