- Tais Luso de Carvalho
Durante um bom tempo minha filha tentou me empurrar alface: seria bom pra mim, segundo seu ponto de vista, que eu comesse a tal alface várias vezes na semana. E levei tempo lhe falando que alface não fazia a minha cabeça; levei aquele tempo todo argumentando contra, e rindo das alfaces. Nunca
descobri a razão de sua preferência por essa coisa sem gosto, mas
graças a sua persistência, hoje tenho doutorado em alface. É maravilhoso ter doutorado em alfaces, uma coisa que não tem gosto de nada, é
pior do que chuchu. Filha querida, não me leve a mal, mas detestava aquelas alfaces, apesar de sua indicação e de seus cuidados comigo. Não
gosto de chuchu, de couve verde e nem de abóbora.
Mas adoro rúcula – você sabe. Também tentei
lhe convencer das propriedades da rúcula, lembra? Mea culpa... Era rúcula x alface!
Com isso, vejo o tanto que podemos nos gastar para dizer
um NÃO nas coisas mais simples, como numa alface, por exemplo. Hoje vejo que também empurrei alguns alimentos em meus
filhos, e eles detestavam. Mas tudo em nome do bom e do melhor. Do
saudável. E minha mãe fez o mesmo com seus filhos. O
comportamento dos pais pouco diverge quanto à alimentação. E todo o papo é por uma alimentação saudável. Supostamente saudável, pois o conceito do bom e ruim muda muito.
Algumas
pessoas gostam de trabalhar em silêncio, enquanto
outras preferem trabalhar ouvindo Chopin, Beethoven, Jazz ou Piazzolla. E mais outras, no entanto, adoram
música funk, sertaneja e
rock pauleira. É gosto, tudo bem... pra mim está ótimo, embora não seja a minha praia . Mas fico pensando qual é o motivo
que nos leva a defender tese quando se gosta de algo e achincalhar os
que diferem do nosso gosto? É inexplicável o tanto que temos de
explicar. Explicar é cansativo.
A
palavra NÃO, deveria fazer parte do Compêndio Médico como um santo remédio: cura várias doenças, indo da enxaqueca
a outras doenças psicossomáticas. Sabe-se que o uso do SIM,
indiscriminadamente, faz mal à saúde, além de irritar um monte. Concordar por concordar não dá.
A insistência e intromissão é coisa bem dos latinos. Temos
receitas para tudo; especialistas para tudo. É aí onde muitas mães,
avós, tias e curiosas se encontram e
ensinam
como educar, para onde viajar, como ser mais espiritualizado, a roupa ideal, o livro super!
Mas o bom é viver segundo nossos conceitos, gostos, vontades,
loucuras, enfim. É ótimo exercitar a palavra NÃO:
não quero, não vou, não gosto, não faço. E FUI!
Mas já notei que dizer NÃO, para certas pessoas, não funciona, gera mão de obra; grandes atritos. Vale a pena? Acho que não, então vai um SIM, algumas vezes disfarçados por um silêncio. E fecho a discussão. Adeus.
A maior descoberta não é convencer ou impor ideias, e sim evitar atritos, doenças, raivas e mágoas. Embora a gente leve tempo para agir assim, sem dúvida é a melhor maneira para vivermos em paz.
Impor ideias é uma ação extremamente irritante. Quantas vezes enfrentamos alguém ou forjamos uma desculpa pra cair fora? Quantas vezes ouvimos coisas esdrúxulas como se fossem certas? Quantas pessoas – por influência de terceiros – vendem suas casas, fazem a faculdade errada, acabam com seus relacionamentos, compram o carro errado, mudam de cidade, comem o que não podem, bebem o que não devem… e no final, se dão mal?
Usar mais o NÃO, pode evitar dissabores. To nessa. E às vezes bem disfarçado, cuidando mais de mim, mas é um NÃO.
Mas já notei que dizer NÃO, para certas pessoas, não funciona, gera mão de obra; grandes atritos. Vale a pena? Acho que não, então vai um SIM, algumas vezes disfarçados por um silêncio. E fecho a discussão. Adeus.
A maior descoberta não é convencer ou impor ideias, e sim evitar atritos, doenças, raivas e mágoas. Embora a gente leve tempo para agir assim, sem dúvida é a melhor maneira para vivermos em paz.
Impor ideias é uma ação extremamente irritante. Quantas vezes enfrentamos alguém ou forjamos uma desculpa pra cair fora? Quantas vezes ouvimos coisas esdrúxulas como se fossem certas? Quantas pessoas – por influência de terceiros – vendem suas casas, fazem a faculdade errada, acabam com seus relacionamentos, compram o carro errado, mudam de cidade, comem o que não podem, bebem o que não devem… e no final, se dão mal?
Usar mais o NÃO, pode evitar dissabores. To nessa. E às vezes bem disfarçado, cuidando mais de mim, mas é um NÃO.
