25 de janeiro de 2020

NÓS, MULHERES !

daqui Das Artes



__Taís Luso__



    Se todas nós fôssemos  belas, simpáticas e bem-humoradas; se fôssemos ótimas esposas  e profissionais bem-sucedidas; se cuidássemos dos filhos, do marido, da casa, do jardim, da sogra, da empregada, dos cachorros e ainda fizéssemos parte de algum voluntariado…aleluia! Seríamos fantásticas! Uma perfeição.
Pois é, mas somos humanas, não estamos com toda essa bolinha apesar de sermos bombardeadas diariamente por uma mídia que apela para sermos a Mulher-Maravilha,   não esquecendo de exibirmos, também, um corpinho perfeito, custe o que custar. 

Mesmo assim, sem muita estrutura para aguentarmos tal imposição, saímos desatinadas à procura da Academia mais próxima e de uma Clínica que nos ofereça o pacote milagroso da eterna juventude. E assim  alimentamos a Indústria da Beleza. Uma obsessão que muitas seguem de olhos fechados. Um martírio. Eu fora!
Malhamos como loucas, e, muitas vezes, saímos da academia com a sensação de termos virado uma Barbie (um pouco envelhecida), mas com uma musculatura bem definida, como tenho visto.  Não falo na importância dos exercícios saudáveis, isso  é outra coisa.
O cuidado com nosso corpo é necessário, mas parece que muitas  mulheres perderam o sentido da  estética. Muito silicone que altera medidas equilibradas e às vezes uma dose exagerada de Botox que nos impede de gargalhar, travando nossa expressão facial. Porém os homens também aderiram ao Botox , tá feito o pacote!
Enfim, nós mulheres estamos uniformizadas; parece que fazemos parte de uma única escola, tudo vai bem para todas. Mas nada contra a Lipoescultura ou Botox: falo do exagero. E falo daqueles peitinhos exagerados, que carregam frágeis criaturas parecendo embuchadas. Não existe  harmonia  nas formas. 
Depois de estarmos belas e satisfeitas, de termos comido o pão que o diabo amassou, saímos a desfilar na companhia do nosso barrigudinho. Mas sendo homem, tá feito o embrulho; maravilha, nada a falar. E não tem jeito: haverá sempre um atenuante para eles, pois mulher quando gosta, deixa passar. É uma atitude singular, trazemos por toda a vida  aquela coisa de mãe: gostamos e ponto final.  E por isso é que muitos andam tão à vontade, tão descuidados; com chinelo havaiana e uns bermudões dois números acima do normal. Verão é  verão!
Porém conhecemos também o contrário: a mulher está obesa e tem namorado? Bah… O cara  tá doente!  Todos conhecem as piadas das loiras bonitas.  Vá entender isso... Ou uma coisa ou outra; ou bonita ou inteligente! Deus dos céus...
Mas, apesar dessas firulas, podemos nos orgulhar diante da nossa história. É uma luta constante, seja na Política, na Literatura, na Medicina, Direito... Somos um exército avançando e tomando posse do que nos é devido. Nada mais justo.
PORÉM…
Bom seria se fôssemos reconhecidas pelo que fazemos, e não por termos lábios carnudos, peitos enormes e bumbum empinado.
Bom seria se fôssemos reconhecidas como profissionais capacitadas nas áreas técnicas com o mesmo reconhecimento e remuneração dispensada aos homens.
Bom seria se, após uma vida de trabalho, não sentíssemos o desconforto por estarmos aposentadas e o vazio de uma vida vista como improdutiva.
Bom seria se, na velhice, fôssemos cercadas de atenções, de paciência e de amor.
Bom seria, se tivéssemos o reconhecimento dos filhos, como mães amorosas que tentaram acertar.
Mas ótimo seria se, na condição de mulher, não precisássemos matar um leão por dia para provar do que somos capazes.


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edição em 2014






14 de janeiro de 2020

AS PESSOAS NÃO MUDAM

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                   ___Taís Luso___

   

No começo de Janeiro desse ano - 2020 - lembrei do nosso grande escritor, jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues e de sua famosa coluna A VIDA COMO ELA É - um jornal do Rio de Janeiro - Última Hora - fundado pelo jornalista Samuel Wainer, em 1951. Essa coluna também virou o título de um de seus inúmeros livros, com 100 contos selecionados pelo próprio autor em 1961. Absoluto sucesso.

Nelson Rodrigues desnudava as atitudes das pessoas e sua maneira de ver a vida. Relatava os fatos sem fantasia, sem complacência. Relatos pesados, mas abordados sobre o ângulo da verdade.

Pois bem, há uns dez dias, peguei um carro de aplicativo cujo motorista era uma mulher. E andando, sem muito papo, num certo momento ela diminuiu a marcha,  pois na frente seguia um homem, já idoso, puxando seu carrinho cheio de lixo reciclável: latas, garrafas, papelões... esse tipo de coisa. Em muitos lugares da cidade existem pontos de entrega de recicláveis onde eles entregam o material. 

Sobem lomba, descem lomba sem descanso e sentindo pelo caminho muito preconceito e ouvindo buzinadas dos apressados e insensíveis. Sofrem humilhações  e por mais que escutem,  dói muito. Sempre.  


O que terá por trás desses homens? Uma família para sustentar, desilusões  e muito sofrimento, sem dúvida. Mas a vida seguirá assim. Ao ver aquilo, fiquei com muita pena do pobre homem e comentei:

- Olha, pobrezinho, trabalhando na dureza com essa idade!
Pois o que escutei dela me surpreendeu:
- Eu não tenho pena dessa gente, se estão assim é porque querem, nada fazem para saírem dessa vida.

Que insensível! Que horror. Pensei e resolvi não retrucar. Senti que de nada adiantaria uma só palavrinha e tampouco me estressar com uma mulher que provavelmente eu jamais encontraria novamente.

Quando nos defrontamos com esse tipo de gente, cujos sentimentos não se alteram diante da miséria e da infelicidade dos outros, não vale a pena o desgaste. Claro, custou-me um pouco ficar calada, mas acho que fiz o certo, evitei um estresse. Com todas as nuances de sensibilidade e de compaixão que somos tocados durante a vida, para muitos nada significa. As pessoas serão o que sempre foram. Não mudarão.
Mas e o coração? Ora... o mesmo de sempre:  um coração frio e solitário.


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2 de janeiro de 2020

POR QUE TANTAS BRIGAS?




                                                       ___Taís Luso___


Acabaram-se as Festas! E já estou a postos na minha deliciosa rotina e preparada para reorganizar o meu mundo. Gosto de sair, mas o retorno é bom demais! Retomo meu tempo, minha tranquilidade, minha intimidade com tudo o que gosto.

Ontem assisti a uns vídeos sobre a Patagônia, situa-se  ao sul da Argentina e do Chile.  Também é o ponto onde os oceanos Pacífico e Atlântico se encontram. O lugar é chamado de o Fim do Mundo, onde situa-se a última cidade ao sul da Argentina, Ushuaia e o  Cabo Horn, o ponto mais austral da América do Sul, o terror dos antigos navegadores, o último ponto de terra firme no caminho para a Antártida. Somos seres privilegiados em fazer parte desse maravilhoso mundo. 

Porém, muitas vezes chego a duvidar se somos merecedores disso tudo, não cuidamos de nada, ao contrário, a destruição está a galope. Bombas, foguetes, mísseis,  milhões de vidas perdidas e muito de nossa história enterrada.  Somos altamente destrutivos  e ávidos.   É a fome de poder. 

Brigamos sem medir as consequências; desperdiçamos tempo, saúde e felicidade. Brigamos, sim, mas não por termos ideias diferentes; brigamos pela maneira de falar carregada de agressão e aspereza. É a maneira que falamos que desencadeia, no outro, um sentimento de ira. Sentimento carregado de ódio e de rancor profundo. Falar e conversar é coisa séria, não pode ser de qualquer maneira, cuspindo palavras chulas e agressivas. Quando um diálogo começa assim, a confusão está armada, toma corpo e ninguém segura mais nada.

No período das festas, quando o coração fica mais doce, nota-se como a desarmonia é ruim, o tanto que nos faz mal. No fundo todos gostaríamos de prolongar esse sentimento fraterno e de união, uma convivência mais camarada. Ficamos mais leves em receber o carinho de pessoas que nos desejam Boas Festas por todos os lugares que passamos. São doces palavras ou um abraço. Isso dá uma sensação de felicidade e de paz. É disso que sentirei saudades; do calor humano. Da solidariedade coletiva.

Estudos comprovam a importância de estar com o outro: ser feliz sozinho é uma ilusão!



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Feliz por estar de volta!









15 de dezembro de 2019

O MÊS DAS EMOÇÕES


__Taís Luso __   


Por que será que nossas emoções se diferenciam tanto nessas Festas de dezembro?  Há uma expectativa e uma ânsia em torno do mês de dezembro. Também uma avalanche de coisas boas que desejamos aos parentes e amigos e com absoluta sinceridade. Tudo bem. Porém, existem pessoas  que não gostam dessas despedidas de ano, há sempre a possibilidade de se fazer uma retrospectiva de nossas perdas, momentos saudosos e outros não tão bons que vêm à tona através de nossas lembranças. Enfim, momentos um pouco tristes e, justamente na época onde as emoções estão em alta. As expectativas estão rondando. Gosto do Natal, mas não da passagem para o Novo Ano.
Mas assim somos nós, seres complexos, ora alegres, ora depressivos; ora sentimentais, ora apáticos. E sabendo disso, não é difícil de entender essas pessoas que não mostram nenhuma euforia na última noite do ano. Noite normal.
Desde criança  faço parte da turma dos que não gostam dessa festividadeConstatei, desde sempre, que os abraços à meia-noite, sentimentos com hora marcada, desejando as melhores coisas do mundo, não me encantavam. Não sabia o porquê de minha atitude ainda de criança.  Abraços e desejos de felicidade imperavam,  mas  no dia 5 de janeiro o mundo voltava a ser o que sempre foi. Essa constatação me incomodava, uma vez que desde criança eu pensava que alguma coisa iria mudar para melhor. Queria sentir todos aqueles votos e carinhos  para o ano todo. Mas o encanto desaparecia, as pessoas retornavam da festa e o ano que passou estava mais do que presente, nada mudava. Eram apenas instantes de beleza. A solidariedade e aquele afeto esperado, juntamente com os votos, desapareciam entre a multidão  e davam lugar à hostilidade,  tudo era  esquecido pelo mundo afora.

Hoje torço por um mundo melhor, torço pelo meu país. Que tanto se fala em sentimentos e paz se as sociedades se matam, se trucidam pelas suas ideologias políticas? Vemos famílias agonizando; intolerância entre irmãos, primos, pais e filhos!   Desse jeito jamais mudaremos o curso da nossa  história, jamais mudaremos coisa alguma nesse ranço doentio e onde dá muito trabalho separar o joio do trigo.
Somos oito bilhões de pessoas no planeta esperando por um mundo de mais respeito, de mais solidariedade, de mais felicidade. Mas pouco mudou  no front. Só me resta aguardar por novos rumos e desejar que o mundo não ande para trás. Precisamos acreditar  para que a vida tenha suas razões. E seu sentido.

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Queridos amigos,  desejo Boas Festas a todos vocês juntamente com seus familiares. Foi um ano maravilhoso  que passamos juntos. Grande abraço, meu carinho a todos! Até breve.
Taís Luso. 
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8 de dezembro de 2019

AS MENINAS DA 3ª IDADE

 Pôr do Sol - Rio Guaíba / Porto Alegre   (foto Google)

         - Tais Luso
O sol estava manso e amigo, brilhava sem agredir. Sem perder muito tempo, dei uma caprichada no visual: um batonzinho, brincos, jeans e um bolsão pesado cheio de inutilidades. E para fechar com chave de ouro, um tenebroso salto 8, bico fino. Assim, minha amiga e eu nos enfiamos dentro do shopping onde nunca se nota quando cai o dia e quando entra a noite.
Após andarmos pelas 300 lojas, finalmente aportamos num simpático Bistrô. Já um pouco acabada, em cima daquele maldito salto, eu não sentia mais minhas pernas: elas não obedeciam mais a nenhum comando, levavam meu corpo sem elegância e apenas marchavam tentando acompanhar minha amiga com suas pernas de ganso, enormes.
Mas voltando ao Bistrô, um garçom cheio de dentes e abrindo um sorriso pra lá de generoso, veio nos atender. Fizemos o pedido. Na espera, comecei a olhar para as mesas mais próximas. Na mesa ao lado, havia um animado grupo de amigas da 3ª idade. Mulheres de todos os tamanhos, pesos e medidas; com rostos de sapecas e outras de santinhas. Porém, o assunto era um só: doença!
Nessa mesa estavam sentadas uma magricela muito falante, uma gordinha alegre - , uma ruiva quase careca e uma louraça tipo 'cheguei'. Como conversavam! Contavam, com detalhes, todas as suas doenças, suas inúmeras cirurgias, recuperações e sequelas. Após esgotarem todas as lamúrias, as simpáticas amigas trouxeram à tona as doenças dos outros, e num tom choroso, dengoso. Mas logo depois ficavam eufóricas novamente. Era tudo muito esquisito.
Minutos mais tarde, chegou mais uma: parecia ser a mocinha da turma, talvez pelo seu estilo um pouco desnorteado. Seus cabelos eram escuros e repicados, tipo os sertanejos Chitão e Xororó - há 20 anos. Usava enormes argolas douradas que ornamentavam suas grandes orelhas. Saracoteava dentro do vestido indiano, multicolorido, mas gostei dela, não passou apagada.
Após ouvir as amigas falarem sobre tantas doenças, fiquei um pouco deprê. Larguei meus pensamentos e ciente da minha fragilidade olhei para minha amiga. Fiquei surpresa, pensei que ela estivesse se divertindo com as histórias das 'meninas'. Minha amiga estava pálida, deitada no espaldar da cadeira, parecendo uma boneca de cera. Escutou todo o fuxico delas, todas as doenças e sequelas.
Esqueci que minha amiga era por demais suscetível a este tipo de assunto. Um pouco nervosa, chamei aquele garçom cheio de dentes e de sorriso generoso.
Pedi um café bem forte e levei minha amiga para longe dali, perto de alguns adolescentes que riam muito, mas sem um motivo aparente.
Pouco depois, já recuperadas, saímos do shopping e encontramos um outro tipo de crepúsculo: o crepúsculo da natureza! Era radiante: o sol estava se pondo, mas em seu lugar se instalava uma grande esfera branca e iluminada, esperando o momento de emprestar sua luz à escuridão da noite. Notava-se nesta esfera uma maturidade silenciosa, austera, enigmática e de grande beleza.
Na volta, ao chegar em casa, vim direto à tela do computador para deixar registrado os dois crepúsculos que comparei num curto espaço de tempo: o do ser humano, com todas as suas nuanças incertas e inseguras, e o crepúsculo da natureza – único, calmo, misterioso e extremamente belo.


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Momento musical  -  Il Divo:  Alelujah

Aleluia




1 de dezembro de 2019

O SUFOCO DOS PRESENTES





      - Taís Luso


   Presentear é uma arte! Está chegando a maior festa do ano onde já começamos a pensar nos presentes. Não precisamos gastar uma exorbitância, passar horas cansativas nos shoppings e de mau com o Natal. Basta estudar como são as pessoas que vamos presentear, seus tipos, seus gostos e escolher os presentes segundo o gosto delas e não o nosso. Senso de observação é o que basta. Não custa caro. Porém...olhamos um produto, achamos ótimo e tá feito:

- Pode embrulhar, esse vai para Rosinha! 
- Mas a Rosinha vai gostar?? 
- Se não gostar dá para trocar! 
Todos nósrecebemos presentes que um dia deu vontade de mandar de volta! Eu já tive este desejo. Lembro que eu olhei e fiquei com a triste sensação de ter sido vista como uma retardada. Faltou a pessoa ter me estudado, só isso Mas geralmente  compram sem pensar muito,  principalmente no Natal quando brasileiro presenteia    zilhões de pessoas. 
Dizem, algumas pessoas, que o importante é o gesto de presentear! Não;  não é. Isso é romantismo. O importante é acertar. Presente pode ser um martírio  para quem recebe. Recebemos muitos  presentes e  já sabemos que naquela semana teremos de  andar lá do outro lado da cidade para trocar a coisa. Isso é um saco. Trocar não por um número maior ou menor, mas pelo oposto daquilo que recebemos! 
Mas, também há o outro lado da moeda: para alguns nada serve, muitas vezes já tive vontade de enviar uma bomba! 
Sei que é difícil: há o perigo de darmos um livro da Segunda Guerra Mundial a uma pessoa  que sonha em ser monge; dar uma roupa sóbria a uma Maria da Vanguarda; dar um CD de músicas que nada tem a ver com a criatura. E perfume?  Jamais. 
Seu amigo gosta de MPB? Então não pense em dar a Sinfonia de Beethoven! A cunhada gosta de música clássica? Não pense em dar  fado, tango, samba! A irmã ama música sertaneja? Dê-lhe o Chitão e Xororó  que ela ficará feliz!! É simples. E lembrando... esqueça os porta-retratos!! Não há mais lugar disponível!
- Óhhhhhhh!!! Que liiiiiindo, você adivinhou, como estou precisando!
Uma parente minha ganhou  um adorno para sua casa. Não gostou, tinha crises ao olhar para o tal objeto. E guardou. Cada vez que sua amiga ia na sua casa, ela colocava a coisa sobre o balcão. Depois guardava. E assim foram anos. Acho que eu ficaria louca se tivesse de fazer isso. São coisas da vida. Entendo.
Nisso, os homens estão à frente: dão flores, biscoitos  importados, bombons ou vinhos de classe! E estão cobertos de razão. Nunca serão mal vistos. São presentes delicados e de bom gosto. E sem trocas! 
Dá para dizer que presentear é um ato de carinho, sem dúvida, mas às vezes é um calvário para quem recebe. É de pensar.
Boa sorte a todos!



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23 de novembro de 2019

PESSOAS COMPLICADAS



         - Taís Luso


Há tempos escrevi uma crônica sobre  pessoas que não escutam, que só querem falar. Mostrei como é difícil encarar esse tipo de gente, porém, existe um outro tipo de comportamento que para mim é terrível: são as pessoas caladas! Muito caladas. Ficam horas do nosso lado sem soltarem um grunhido sequer. Isso existe, sim!! E começamos a sentir logo  um peso, um desconforto. A sensação do silêncio sepulcral num encontro social é desafiador. É superação! Aliás, atualmente estou fazendo o mesmo jogo duro, viro uma ostra. É um jogo de Tabuleiro. Divertido, distrai. Dá vontade de dar as costas e dizer fui 
É horrível, também, quando você estende a mão para cumprimentar uma pessoa e sua mão fica estendida no ar, solitária, sem retorno! Aconteceu comigo: a pessoa olhou e desolhou para mim rapidamente. Mas os outros viram...e aqueles olhares me constrangeram. Que saia justa, meus amigos!! Não quero recordar ...
Geralmente as pessoas falam 'coisa com coisa', outras soltam o verbo aos trambolhões e não dizem nada. Mas cheguei à conclusão que o melhor é deixar soltar o verbo como dá, e seja o que Deus quiser. Consigo lidar melhor com pessoas que falam, as tagarelas.  Dou uma desligada. Porém, desconfio das que não falam; daquelas que ficam fechadas em seu mundo. Certas coisas  saturam e chegam a zero de condescendência, não há mais paciência. 
Não faz muito tempo, fui apresentada a uma pessoa. Que loucura foi aquilo: pedi a Deus que destravasse a criatura, fazê-la falar um pouco, pois o silêncio estava constrangedor. Mas senti que morri na praia. 
Então, dado a alguns episódios esdrúxulos, digo que mudei de opinião e atitude: se não houver o 'meio-termo' e a sincronia  de ouvir e falar, prefiro alguém que fale! Mesmo que  abusem. Ligo meu botão de 'reserva' e juro que terão meu eterno perdão! 
E os 'calados' que me perdoem, mas interagir é fundamental!



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17 de novembro de 2019

FERIADOS NO BRASIL...

São Paulo/ Brasil


  
         - Taís Luso
Os brasileiros adoram sair em dia de feriado, mas na volta se queixam de cansaço. Vestem-se de alegria, umas gotas de otimismo e zarpam! Também levam seus cachorros, pois dizem eles que seus amiguinhos andam estressados. Isso gostei. Então, salve nossa terra e a alegria do nosso povo!  O que não entendo é que também levam junto os inúmeros amigos do Facebook e do Twitter para continuarem as brigas por política. Todos vão de Smartfone em punho; um explode o twitter do outro, sim, é barraco na casa alheia, sem precisar. Que feriadão...
Porém, tem o outro lado, muitos gostam de feriado para ficarem na cidade, vê-la mais tranquila. É ótimo, entendo essas pessoas. Na verdade, toda a saída é traumática. Os aeroportos transbordam, as rodoviárias ficam insuportáveis, as estradas congestionadas. Depois de alguns dias todos voltam para descansar do feriadão. Pois é, preciso encontrar a lógica disso. Mas a expectativa de felicidade é que move uma parte da população. É compreensível num mundinho conturbado.
Vejam só: cada pessoa da família leva uma mala, mais sacolinhas, mais a cama e travesseiro do cachorro, portanto muitas malas.  Todos levam roupas para as 2 estações: calor e frio. A praia esfria à noite, a serra esquenta de dia. Então dê-lhe malas. Tantas coisas para tão pouco tempo. 
De um modo geral, os  alegres brasileiros retornam pela mesma estrada, com muitas horas de congestionamento: mais estresse! 

Na minha visão ninguém descansa saindo nos feriados. Espairece, apenas. Nós fazíamos o mesmo e voltávamos liquidados. Arriados. As crianças aproveitavam, sem dúvida. E nosso cachorro feliz e agradecido.
Precisei de muitos anos e os filhos adultos para fazer as pazes com a minha 'rotina' e ver minha cidade tranquila. O problema destes feriados é duplo: o antes e o depois. A gente se mata antes  e se enterra na volta, mais cansados.
Mas com certeza no próximo feriadão, todos estarão a postos novamente, sonhando com o mar, céu, sol, cervejinha, bermudão e com um coração saltitando de alegria!
Mas acho que vale a pena cada um realizar seus sonhos; nossos sonhos vão se renovando na medida em que o tempo passa. 




Momento Musical:
Mozart - Piano Concerto nº 21 - Andante






10 de novembro de 2019

FOBIA POR BARATAS





       - Taís Luso

Faz muito tempo que me pergunto por que será que as nós, mulheres, temos um medo, uma coisa patológica com as baratas? Por que trazemos essa reação que não conseguimos dominar e carregamos por toda uma vida?
Chega um dia que nos livramos da TPM, das enxaquecas, enfrentamos doenças na família, lutamos como guerreiras, escalamos o Alasca, nos atiramos de paraquedas, enfrentamos o Congresso Nacional, STF - a mais alta Instância do Judiciário Brasileiro - e outros desatinos, mas temos medo de Baratas!  Algo está errado.
Gritamos, protagonizamos mil escândalos para nossos vizinhos, dando a entender que estamos no maior barraco dentro de casa. Não: é apenas uma barata, mas que para nós é o Armagedon - o fim do mundo, a batalha entre o bem e o mal. Na casa dos outros sou mais contida:
- OLHA LÁAAAAAAAAA!!! Assim mesmo, bem discreta.
Há muitos anos, compramos os armários para cozinha, estilo antigo, cheio de gavetinhas e cantos. Mas este armário estava me deixando um pouco fora de minhas faculdades normais, uma vez que, apareciam nas gavetas 'aquelas coisas' que elas costumam deixar por onde passam.
Devia ser 2:00 horas da madrugada, já me encontrava deitada. Meu filho me cutucou no pé, acendi a luz e, através de mímica, tentava me dizer que na cozinha tinha uma barata do tamanho de um elefante.
Arregalei os olhos e saí da cama sem fazer ruído, quase no escuro. Devo sofrer de uma patologia em relação ao bicho; Pedro odeia esta minha transformação súbita: da normalidade para a histeria. Acho que ele passou a gostar de barata devido a essas minhas atividades... Bem, eu e meu filho fechamos todas as portas da casa, trancamos o cachorro no quarto e fomos à luta. Começamos a rir, mas cientes de que estávamos histéricos. Desesperados. Tenho consciência que traumatizei meus filhos, desde pequenos.
Procuramos por tudo: nada! Barata sabe quando está em perigo e se mete em lugares impossíveis de serem alcançadas. Enfiei minha cabeça dentro do armário, tirei as gavetas, os talheres, os pratos... E continuamos no nada. Desistimos, mas fiquei com a impressão de que o bicho estava nos meus cabelos... Comecei a me escabelar e meu filho não sabia se procurava a barata ou me dava uma assistência psiquiátrica. Prontamente tomei um calmante e fui dormir, mas ciente que no dia seguinte teria muitas batalhas. Eu falei dormir? Tá bom.
De manhã, após Pedro e minha filha saírem, começamos o que havíamos combinado: desmontamos a cozinha; iniciamos a busca.
Já estava com o spray na mão, mas como meu filho tinha asma, fiquei com medo de matá-lo e a barata continuar viva. Mas o bicho estava lá! As provas eram evidentes.
Peguei uma lanterna e um espelho; coloquei o espelho de maneira que refletisse os cantos do armário e iluminei o espelho com a lanterna: Deus meu... Duas amigas cochichando no canto! Como alcançá-las? E quebrei o silêncio partindo para uma batalha mesclada de coragem, nojo e histeria.
Apareceu a vizinha do andar; meu filho tinha colocado dois chumaços de algodão nas narinas para não aspirar o veneno. E foi abrir a porta...
- Nossa... o que houve com seu nariz?
- Agora não dá, vizinha; mas está tudo sob controle, fique tranquila...
Porém, logo começou a alegria, parecia uma metralhadora! Senti-me livre de minha fobia, psicose, Hitchcock, sei lá... Não importa o nome. Eu queria  paz.
Sei que as baratas são os únicos seres vivos que sobreviveriam a uma bomba atômica. Ninguém sobreviveria 45 dias sem comida, 15 dias sem água e 3 dias sem cabeça, mas elas conseguem: elas resistem porque seu sistema nervoso é difuso e não dependem da cabeça para funcionarem. E se metem em qualquer fenda, comem qualquer coisa.
Enquanto isso, nós precisamos de 'muita cabeça' para sobrevivermos...




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(Reeditado / 2011)