- Taís Luso de Carvalho
Hoje trago um assunto cabeludo: a convivência entre os humanos.
Uma boa parte do planeta é composta de gente saudável, amorosa, serena e generosa. Outra parte é conturbada, dominadora e destrutiva. E essa última faz o barulho sozinha; monta o barraco e bota fogo na paz dos outros. Àqueles que gostariam de viver tranquilos, como água de poço, não terão essa sensação tão cedo. Nosso mundo não está preparado para ser um paraíso. E nem nós – os anjos.
Mesmo pisando em ovos, viver é maravilhoso. Gostaria de viver eternamente, adormecer ao embalo de suaves acordes, leve e solta, quem sabe como um pássaro.
Em todas as épocas a humanidade foi um fracasso em relação ao convívio com sua própria espécie. Conseguimos voar como os pássaros, conseguimos invadir os mares mais revoltos, conseguimos ir à Lua, namorar Marte e ficar girando meses no espaço. Porém, não conseguimos conviver com colegas, vizinhos, amigos e familiares, sem muitos contratempos. A intolerância é muito forte, basta o vizinho tossir, se engasgar no elevador e os olhados já ficam atravessados!
A vontade dos intolerantes é parar o elevador e descartar a criatura. Não funciona o tal pensamento de que somos todos irmãos, filhos do mesmo pai, fraternos e solidários. Bonito é, mas funciona só na evangelização religiosa. Dá uma sensação de alívio, de plenitude e espiritualidade. Os irmãozinhos. Caim e Abel eram irmãos, e deu no que deu.
Estamos acabando com nossos sonhos. Os revoltados sem causa nascem em qualquer meio. Famílias se matam, alunos agridem seus professores, outros explodem com seus colegas - como temos visto nos Estados Unidos e também no Brasil. Uma sociabilidade muito amorosa. Por isso que digo, tranquilidade como água de poço não é conosco. Queremos acreditar na boa fé das pessoas, mas se no meio do caminho houver uma pedra... Valha-me Deus!
A história do mundo é de guerra, de intolerância, de subjugação, de tortura. Jamais imaginei ver legados arquitetônicos, de civilizações milenares, reduzidos a escombros como o que iniciou em 2011 - na Síria. E, atualmente, 2026 continuamos a ver mais guerras. Toda a arte virou nada. Não dá para esquecer tanta gente inocente e criancinhas morrendo ao tentarem fugir das guerras. Um horror!
Mas somos assim desde sempre, bonitos e carismáticos, um embrulho com laços e fitas, muitas vezes escondendo a nossa maldade e nossas doenças.
E assim caminharemos até o fim dos tempos, ora nos abraçando, ora nos matando. Quem sabe a poesia e a música ainda continuem, um pouco, nos tocando com mais emoção.
Já será um contraponto.




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