13 de agosto de 2022

COISAS DO NOSSO TEMPO

 



                  - Taís Luso de Carvalho


A vida nos centros grandes está muito complicada. Lembro que há anos as pessoas não davam a mínima atenção em fazer a maioria de suas coisas no bairro em que moram, como escolher as clínicas para os seus exames médicos, dentistas, hospitais e vários tipos de compras. Em todos os bairros há excelentes Centros Profissionais, shoppings e as lojas das ruas. Foram passando os anos e as pessoas foram ficando mais comodistas e mais práticas, voltaram-se mais para o lugar onde moram. E nós, aqui em casa, também. Diria que nosso bairro é um shopping a céu aberto. Nota-se que em geral todos estão simplificando suas vidas.

Hoje fui numa grande rede de departamentos que abriu, aqui pertinho, e me deparei com algumas coisas que precisava. Olhei…  e não encontrei o preço! Fui ao caixa e perguntei-lhe onde estava o preço do tal produto que eu levava nas mãos. A atendente apontou numa direção para um dos corredores e disse: a senhora vai por ali e pergunte à consultora em amarelo! Ela está lá.

Ótimo, fui lá e nada de alguém vestida de amarelo, andando pra lá e pra cá, como eu esperava. Mas, avistei na ponta do corredor uma senhora com blusa amarela e fui lá. Achei meio esquisito, aquela mulher fazendo compras, parecia uma cliente como eu! Meio desconfiada e cansada perguntei se ela poderia me dar o preço...

- Olha, eu também não sei, mas pergunte para a consultora! Ela está lá naquele corredor, é pequeninha e amarela! 

        Lá fui eu procurar a baixinha... Caramba, que coisa difícil comprar nessa loja, tão antiga no Brasil, tão conhecida! Quanto mistério! E pensei: quando eu pegar essa baixinha vou desopilar, baixar a lenha verbal!

Cheguei no corredor e avistei, na parede, uma maquininha amarela “Consultora de Preços”. Fiquei a imaginar a minha cara!

A comunicação está com roupagem nova e eu não percebi isso. O meu problema foi o nome dado à maquininha:   "CONSULTORA", que não era assim denominada. 

Para mim, consultora é uma especialista (pessoa) que compartilha o seu conhecimento em forma de orientações específicas para as necessidades de outra pessoa. E consultoria é uma empresa, cargo ou lugar de trabalho do consultor ou consultora. Assim aprendi!

Por fim, fiquei quieta, peguei as tralhas, paguei esse mico, e tentarei ser amiga dessa nova consultora! É, são outros tempos.



              

     



6 de agosto de 2022

SERÁ O FIM DA FOTOGRAFIA TRADICIONAL ?

 



 - por Tais Luso de Carvalho


Meus álbuns poderão fazer parte de museus. Hoje é um cerimonial folhar um álbum, ver fotos da juventude, formaturas, casamentos da família, festas... Mas a luta é inglória, o pessoal só quer saber de fotos clicadas pelo Smartphone; dos últimos acontecimentos sociais em "Selfie". Nunca vi tanto autorretrato. Tantas caras e bocas.  Eles e elas  nas fotos!

Minha geração (longe de ser do período paleolítico) ainda teve o privilégio de tirar fotografia. De manusear uma máquina profissional. De tentar fazer Arte fotográfica. Ao ler uma entrevista na revista ISTOÉ, com o genial mineiro Sebastião Salgado, me bateu a nostalgia de um adeus. Cedo ou tarde teremos a despedida - segundo ele. A fotografia está no seu final. Ele fala em fotografia profissional que passa por uma técnica própria, por processo especial de impressão, edição, um manuseio especial em laboratório. E uma técnica aprimorada. Já tive o prazer de entrar num estúdio de revelação e ver o processo, a elaboração de uma fotografia.

Em seu último trabalho, o fotógrafo coloca o planeta à nossa disposição; os lugares mais fascinantes da Terra, difícil de chegar, difícil de fotografar, emocionante de ver. Oito anos de trabalho intenso para compor a obra Gênesis.

Descobri que 46% do planeta ainda está como no dia do Gênesis” - relatou Sebastião Salgado.

Interagiu ao longo de 40 anos com culturas fantásticas, registrando pessoas, fauna, flora e contribuindo para preservação do planeta. Pelo menos tentando. Seus trabalhos são, também, sobre as tribos indígenas brasileiras – grupos antigos, remotos e intocados pela civilização – ainda.

Mas, para não dizer que só falei de flores e não coloquei uma pimentinha no texto, pergunto se algo bem contemporâneo não ficará registrado nos Anais da História da Fotografia - dita imagem: falo do horroroso, deselegante e cafona "pau de selfie para celular". É uma invenção sui generis. Até em casamento já foi usado, e pelo padre! Não há dúvida que ficou exótico.

Porém, está com seu uso proibido em vários parques temáticos dos Estados Unidos, da França e Hong Kong, o que alegam representar um perigo para a segurança de seus visitantes e empregados. Essa medida se estende, também, a vários museus. O que é óbvio.

Li um artigo (14/6/2015 ZH), escrito por um especialista em ciência de computação, o qual percebe-se a despreocupação das pessoas a respeito do seu resguardo. Não há dúvidas que não se dão conta do grande risco que correm com a exposição de tantas fotos nas redes sociais. Pela facilidade de uma selfie, o ato se torna inconsequente. E como já virou uma paranoia, ninguém pesa as consequências. Mas pode virar um incômodo tamanho família. A vaidade humana não tem limites, está por demais escrachada.

Também já existem, nos Estados Unidos, estudos com jovens que já se encontram doentes e insatisfeitos porque a tal selfie não lhes agrada nunca! E tais fotinhos precisam ser aprovadas nas redes sociais. Esses estudos mostram que pessoas entre 16 e 25 anos dedicam 16 minutos e sete tentativas, em média, para fazer o selfie perfeito. É um dilema que virou obsessão. Enfim, os tempos são outros.

Mas a arte, a criação e a emoção são coisas diferentes. Ficarão para sempre como relato da história da humanidade.


Protesto na Praça da Paz Celestial

Um jovem durante o protesto na Praça da Paz Celestial, na China, que fez parar uma fileira de tanques de guerra. A identidade do jovem é desconhecida até hoje. Caso fosse hoje daria uma ótima selfie, a criatura em frente aos tanques, mas seu rosto em primeiro plano. Em 2000, o mesmo jovem foi eleito pela revista Time uma das pessoas mais influentes do século XX.



Solidariedade

     A foto revela um gesto de solidariedade de um missionário em Uganda - 1980. A foto ficou registrada como a melhor foto daquele ano, sem que o fotógrafo soubesse.

 


A menina e o abutre


     Essa foto emocionou o mundo, pois retrata a calamidade da fome na África, causada pela guerra civil. A tomada da foto foi feita em uma aldeia no Sudão (1993) e mostra um abutre observando uma criança desnutrida que aparentava esperar a morte e viraria alimento da ave. A foto rendeu ao fotógrafo o Prêmio Pulitzer. Contudo foi muito criticado por não ter ajudado a criança. Pressionado pelo sentimento de culpa, Carter suicidou-se em 1994, aos 33 anos.


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                          Sebastião Salgado


Autor de livros antológicos, como Trabalhadores (1996), Outras Américas (1999), Êxodos (2000) ou Gênesis (2013), Salgado acredita que a fotografia tem que passar pelo papel.  A fotografia precisa se materializar, precisa ser impressa, vista, tocada, como quando os pais faziam antes com os álbuns de fotos de seus filhos”, afirma. 

                       Ref:  GLOBO.COM  -   ESTADO DE MINAS / CULTURA



 Um dos mais importantes fotógrafos do mundo.

                         Visite:  Cultura Genial / Fotos impactantes / Sebastião Salgado.

                                   (  Rebeca Fuks )   

                                          

                                   


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30 de julho de 2022

DIEGO CASAGRANDE - DEZ COISAS QUE APRENDI ...



Nascimento De Um Novo Homem - Salvador Dali / 1943



 
                  10 COISAS QUE APRENDI EM QUASE MEIO SÉCULO: 
                                                
                                               -  por  Diego Casagrande



Hoje trago ao Porto das Crônicas uma postagem muito interessante e objetiva do excelente jornalista, radialista, escritor, cronista e palestrante brasileiro, Diego Casagrande, formado pela PUC/RS em 1993 e, desde 2018 radicado com sua família em Orlando / Flórida – EUA.

Diego reúne as 10 condições para sermos um pouco mais felizes nessa vida, por vezes muito conturbada. Cada vez mais difícil de convivermos.

Aqui em casa o acompanhamos  no seu programa diário na Radio Band News FM 99.3 das 9:30 às 10:30 hs. Jornalista gaúcho, âncora de um programa do Brasil no exterior, ele da Flórida / EUA e aqui  seu parceiro de rádio, o jornalista Gilberto Echauri, na Band News de Porto Alegre. Um programa leve, onde fala de tudo, da vida, de política, da tristeza, da felicidade e de suas experiências nos EUA.

Já conhecemos essas 10 atitudes básicas, parecem tão simples, mas é difícil de cumpri-las, está cada vez mais difícil a convivência entre as pessoas, principalmente a de número 10... por vezes não tem como mantermos o equilíbrio diante de certas situações que já vêm com certa agressividade. Na verdade, estamos  perdendo a trava e a capacidade de raciocínio: falamos  e depois de muito tempo, pensamos sobre o estrago  feito e que não conseguimos contornar. E deixamos pra lá... E assim segue a vida.

Então vamos lá:


1 – Não adianta se lamentar.

2 – A sorte só aparece para quem está no jogo

3 – Invejosos estão por toda a parte. Siga em frente apesar deles.

4 – Suas derrotas se transformarão em vitórias com o tempo se você aprender com elas.

5 – Há o tempo de semear e o de colher. Tenha paciência, mas não deixe de agir.

6 – Dedique uns minutos por dia para meditar e limpar a mente. Feche os olhos, respire fundo e pense só coisas boas.

7 – Sempre existirão pessoas que não gostarão de você, com ou sem motivo. Azar delas.

8 – Seja aberto e cooperativo, mas não permita que abusem de você.

9 – Amigos de verdade existem poucos. Não é difícil saber quem são.

10 – Explodir nunca é a melhor saída. Você pode dizer quase tudo de forma calma e respeitosa. Aliás, é sempre o melhor a fazer.  

(Diego Casagrande).



Instagram: @diegocasagrande

Twitter: @diegoreporter



< comovente >

Aplausos, Diego!







22 de julho de 2022

AS APARÊNCIAS ENGANAM...

 

Alfred Guillou - França  1844 /1926




                 - Tais Luso de Carvalho



Hoje, nossos aparelhos de televisão são de alta definição. Maravilhosos. Uma pessoa de 50 ou 60 anos aparece com pele de 30: aveludada, sem manchas, sem rugas e com um intenso frescor: uma boneca de porcelana. E muito filtro e Photoshop na jogada.

Quantas pessoas, portadoras de "Dismorfofobia" (transtorno psicológico caracterizado pela preocupação obsessiva de algum defeito físico) e, que ao saírem da frente da televisão, em direção ao espelho, não constatarão a triste diferença? Estas passarão a gastar horrores de dinheiro com cremes, com inúmeras cirurgias etc. para terem um rosto daqueles visto na televisão. E o Photoshop? Muitas pensam que aquela maravilha de pele é só maquiagem. Televisão e revistas vivem de imagens, quem não sabe disso?

Quantas mulheres não ficam decepcionadas ao enfrentarem os seus espelhos, querendo fazer um nariz mais fino, puxar os olhos, levantar as sobrancelhas e até arriscarem em ficar com a conhecida boca de repolho, sem contorno e sem beleza? E as bochechas lisas, que deformam a fisionomia e um belo sorriso? Não gosto disso, não é verdade.

As mulheres estão confusas, uma insatisfação com o corpo de dar pena. Virou moda colocar enxerto dos pés à cabeça. Menos nos neurônios. Não sei mais a quem querem agradar. Não existe ninguém que diga que a fulana ficou deformada! A impressão que se tem, nesses casos, é que o procedimento deu errado. Tiro no pé.

É bom quando aceitamos alguns defeitos esculpidos pelo tempo. Isso é vivência, é a nossa história. Ninguém, na nossa idade, – meia idade –, está com tudo certinho. E qual é o problema? Será que ninguém pensa que um dia envelhecerá? Diariamente, assistimos os estragos feitos pelas aplicações das químicas nos cabelos e na pele. E mesmo assim a coisa continua. Valha-me Deus! Triste é o exagero.

Ontem recebi um telefonema, oferecendo uma troca do nosso sistema atual de televisão para um mais perfeito, com imagens mais atraentes, mais lindas. Menos verdades, ainda?

Penso o tanto que somos iludidos quando aceitamos tantas coisas retocadas na televisão e nas revistas. Estamos comprando gato por lebre. Tudo é filtrado. Gente fabricada, gente que aparece só em sonhos.

Mas, aquela pessoa do Telemarketing não me largava – o que me deixou um pouco  atacada dos nervos. Mas dei corda,  perguntei-lhe  a razão de maior perfeição se a atual imagem da televisão é ótima; que ninguém tem aqueles rostos e peles que aparecem na tela; que não existe natureza mais bela que o colorido dos animais, e que até as baratas ficam atraentes! Já é o suficiente.

Confesso que já estava cansada da insistência e após ouvir sobre a tal definição resolvi dizer:

Negócio fechado, senhora!! Se vocês trocarem todos os espelhos da minha casa, se me pagarem algumas cirurgias; se minha pele ficar uma porcelana; se meus cabelos ficarem maravilhosos e se a minha alma não ficar vazia, eu faço a troca!

Como??

É isso,  aguardarei   resposta.

Desligou sem me dar um Tchauzinho; deve ter me achado muito esquisita...








14 de julho de 2022

ERAM OUTROS TEMPOS

 



     - Tais Luso de Carvalho



Nada tão curioso como comparar gerações. O passado não volta, o presente se transforma rapidamente, e o futuro… deixa ele chegar!

As recordações fazem parte das nossas vidas. Sejam boas, ou nem tanto. Não voltaremos às enciclopédias, nem às bonecas, nem mais aos carrinhos de madeira, às brincadeiras de quitanda ou brincadeiras de polícia e ladrão, quase no breu da noite, com as casas da rua todas iluminadas. A geração atual é dos internautas. Dos joguinhos de celular. Da solidão.

Nas gerações anteriores as crianças já tinham uma noção exata de certas coisas. Sabiam que, os quem corriam atrás de criminosos era a polícia. Nas nossas brincadeiras, não tínhamos o tal "Habeas Corpus Preventivo".

Daqui para frente, a vida será cada vez mais informatizada, mais vulnerável e, mesmo assim, muitas coisas se tornarão logo obsoletas, e outras coisas não entenderemos, mesmo fazendo uma forcinha extra. Mudamos nós; e a educação dos filhos mudou.

Foi observando uma criança no shopping, tomando sorvete ao lado da minha mesa, que automaticamente comecei a lembrar como era o comportamento da minha geração num lugar público. A coisa mudou tanto que penso ter a cabeça da Idade Média.

O menino batia o pé e berrava alto por uma enorme taça de sorvete. E a mãezona dominada oferecendo o Smartphone para o "fofinho" se acalmar. Meu olhar era discreto para que a mãezona não me perguntasse alguma coisa com seus olhos agressivos.

Lembro que a minha geração não teve espaço para muito trololó: tínhamos disciplina e havia hierarquia e respeito. E não morremos por causa de um pulso mais forte. Meu pai e meu irmão, quando iam para o jogo de futebol - aos domingos -, minha mãe e eu íamos almoçar com tia Dulce e primos. Foi uma época muito boa. Não era raro as mães daquela época juntarem os lábios e baixinho,  olho no olho dizerem:

Coma tudo, não suja o vestido, não senta no chão e te comporta na casa da tia Dulce, e não mexa nas coisas da mulher!!

Já falou, Mami !!

Lógico que minha vontade era ver a tia Dulce esticada ao lado de suas hortaliças, vagens, chuchus, brócolis, quiabos… e ao lado daquela galinha ao "molho pardo". Mas comia um tiquinho para não fazer desfeita para a tia que era só sorrisos - a querida. Mas quando a tia Dulce fazia uma "A lá minuta" para nos esperar, eu levitava de contente. Bife na chapa, batatas fritas, ovos, arroz e feijão! E uma salada de maionese.

Hoje, existe uma geração muito queixosa, os “Traumatizados Contemporâneos”. Queixam-se do passado, do presente e do futuro! Talvez seja uma carência inconsciente do respeito pela hierarquia familiar, em que os filhos tinham um porto seguro. Criança quer ser cuidada!

Quando os pais soltaram as rédeas para uma educação mais liberal, não deu muito certo. Foi-se o respeito e a discussão em família começava. Criança, além de pedir amor, também pede alguém que lhe dê limites. Eu lembro bem da época dessas mudanças, não poderia se dizer "não" à uma criança sem dar mil explicações – era uma nova psicologia.  Notei muito isso, mas passei a meus filhos a minha educação. Educamos nossos filhos com os mesmos valores que fomos educados. Mas isso a gente aprende muito é na estrada, caminhando milhas, encontrando pedras... É um novo olhar que desponta.

A educação não pode ser complacente e frouxa. Tem de ser aplicada com amor, disciplina e respeito pelas crianças. Sem isso, não acredito…

Por hoje, fica essa conversinha informal.









4 de julho de 2022

ASSIM SÃO AS PESSOAS CHATAS

 

Obra  daqui: Das Artes



             - Tais Luso de Carvalho



Ontem, com tanta coisa para fazer, andando meio pensativa, olhando para tudo e não me detendo em nada, apressei o passo para pegar o sinal aberto aos pedestres. Mas logo em seguida senti uma mexida na minha bolsa... Era aquela conhecida chata, brincando de assalto, tentando se passar por ladrão de celular! Foi a alegria mais falsa no encontro, e com dois beijinhos... Mas aprendi a aguentar uma pessoa chata e inconveniente,  elas têm muita serventia.

Quando alguma coisa me aborrece, o encontro com pessoas assim, tem seu valor, elas me levam a muitas reflexões, e ao desgrudarem me deixam a sensação de que a vida é maravilhosa. Fica em mim a dimensão exata do que é a paz.

Uma das coisas mais difíceis não é pensar em me atirar de paraquedas ou despencar de Asa Delta; é conversar com  criaturas chatas! Elas grudam em você, lhe pegam no braço, lhe tocam no ombro, empurram, cutucam e cospem! O chato fabrica muita saliva pela ansiedade de ter nossa atenção e parte de sua saliva nos atinge. O chato é íntimo - sempre! Tenho a sensação de que vou explodir. E já começo a me coçar. Fico impaciente com uma pessoa chata, e se for muito festeira a coisa piora. A saliva e as cutucadas se multiplicam.

É triste encontrar essas pessoas num carnaval de salão: elas  pulam e se sacodem em cima de você! Querem enturmar na sua mesa e ficam numa euforia inigualável. Muita alegria incomoda.

Chatos são simpáticos demais, despejam emoção e alegria na medida errada: é aquela criatura que faz um berreiro num velório, é íntima do defunto. Parece que gerou aquele defuntinho. Ainda não descobri qual a razão da coisa. Mas essa gente precisa mostrar suas emoções. A pessoa chata não opina, ela impõe suas ideias. E aos poucos a gente vai enlouquecendo, pois nunca acertamos em nada!

Essas criaturas sabem de tudo: se começamos a falar em viajar, estão prontas a fornecerem o roteiro. A mesma coisa acontece com filmes, restaurantes etc. O ponto triste dos chatos é de parecerem uma enciclopédia, conhecem tudo! São rivais do Google! E deixam em nós – por pouco tempo que seja – uma sensação  de ignorância.

Dias atrás, comentei com uma chata, que gosto de escrever em silêncio, música me tira a atenção...

– Credo... você é parente de Matusalém? Tem de se modernizar, amiga!  

      Isso é muito desagradável. É uma invasão na vida dos outros. Fiz força para ser educada, tudo o que dissermos, essas malditas criaturas discordam: elas têm uma neurose em contestar, uma outra opinião sobre tudo na vida. Serão bem quistas num meio familiar ou social?

Não sei a razão, mas quando encontro alguns chatos, velhos conhecidos, quando eles começam a contestar tudo que o falo, alguma coisa se apossa de mim, e me vem a ideia mais primitiva do ser humano! Pois é… Mas não tem perigo, sou da paz.


                                              

                                     



26 de junho de 2022

UM ENGANO QUE CUSTOU CARO

 

Parque Moinhos de Vento - Porto Alegre / RS



          - Taís Luso de Carvalho


A minha crônica de hoje é feita para contar uma pequena história que se passou com Carpinejar. Para quem não o conhece trata-se de Fabrício Carpinejar, gaúcho de Porto Alegre, poeta, escritor, jornalista e dono de um refinado humor nas suas manifestações literárias. Pois bem, dias atrás, tive um bom exemplo de como devemos nos cuidar com as atitudes distraídas, como aconteceu com o nosso escritor.

Ouvi essa história de Carpinejar, quando a contou às 7:15 hs num programa da Rádio Gaúcha de Porto Alegre. É contagiante seu modo de contar um pouco do seu cotidiano e ouvir sua conhecida risada.

Pois bem, contou ele que sempre deixa o seu carro na rua Tobias da Silva onde almoça num conhecido restaurante, e sempre separa várias notas de R$2,00 reais, que vai juntando na carteira, para dar ao cuidador de carros, quando ali estaciona, nessa rua, diariamente.

Após ele entregar o dinheiro para o rapaz, esse surtou de alegria, e muito agradecido e  eufórico disse para Carpinejar:

Que Deus cuide da sua família, de seus filhos, que lhe dê muita saúde, e por aí foi numa felicidade sem fim.

Ao terminar o almoço, Carpinejar foi ao Caixa para pagar e viu que a nota de R$100,00 não estava na sua carteira, mas apenas as notas de R$2,00 que também são 'azuis'. Viu, ele então, que confundiu as duas notas, e que deu um dinheiro bem mais robusto e não usual ao cuidador de carros. Por isso, aquela euforia toda!

No dia seguinte, estava lá o rapaz, esperando na mesma hora, e com um largo sorriso no rosto. E Carpinejar lhe disse:

– Olha, agora essa rua é minha até 2025!! E contando isso na rádio, encerrou o papo com a sua risada engraçada, pra lá de conhecida de todos nós. E lógico, não tem quem não ria  desses enganos que fazem parte do nosso cotidiano. Ou venha a lamentar se o erro for grande.

É preciso atenção para não fazermos pagamentos com muita pressa. Se alguém surtar de alegria na sua frente, se descarrilhar muito, desconfie do pagamento feito! 

Não estamos livres desses enganos, não!








18 de junho de 2022

O MENINO POBRE

 


O MENINO POBRE

                                       -  Para  Alexandre  Luso de Carvalho



                        -  Taís Luso de Carvalho

      

Ontem foi meu dia de aprender. Estávamos nós três, Pedro, Alexandre e eu numa cafeteria, quando entrou um menino, pequenino, devia ter uns 6 ou 7 aninhos e com uma pequena pilha de panos de prato (panos de copa) oferecendo nas mesas. Muito seguro e tranquilo, com postura de homenzinho, chamou muito a nossa atenção. Chegou na nossa mesa, ofereceu os paninhos: 3 por 20,00 - disse ele. Eu agradeci, pois mexer em dinheiro, tomando cafezinho e comendo os pãezinhos de queijo, não daria! Ele me fitou e disse:

– Mas aceito PIX!

Lógico que achamos muito engraçado, nunca tínhamos visto uma criancinha dizer que aceitava PIX – pagamento instantâneo ao Banco. E ali ficamos, olhando ele oferecer os panos em outras mesas. E nós ali, num momento de lazer e a criancinha negociando panos de prato, ajudando sua mãe que devia estar na calçada esperando. Crianças entram nos recintos com facilidade. Adultos não. Crianças não deveriam trabalhar, deveriam brincar e frequentar a Escola.

Quantas crianças trabalham vendendo coisas; quantas crianças trabalham na roça, ajudando os pais na colheita; quantas crianças ficam com a responsabilidade de cuidarem dos irmãos menores quando sua pobre mãe vai para o trabalho!? Quantas crianças fazem trabalhos pesados!

Sim, a causa é para colocar comida na mesa, para alimentar a família. E em muitos lugares não há outro jeito. Mas meu objetivo aqui não é discutir soluções políticas ou ideológicas e sim mostrar o contraste absurdo de filhos que vivem bem, mas reclamam de tudo,  se acham injustiçados, pensam só neles e por mais que ganham, sempre acharão pouco. 

A verdade, é que num cenário de crise, quem sofre são os pobres, as pessoas de classe média ainda têm gordura para queimar, como dizemos aqui no Brasil, e os filhos de ricos nem conhecem crise financeira.

Saímos da porta da cafeteria e lá fora estava o menino oferecendo os paninhos nas mesas que ficam debaixo dos guarda-sóis. Pensei em dar um dinheiro para ele sem pegar os paninhos, mas Alexandre me disse baixinho:

Compra, mãe, ele vai se sentir melhor, está trabalhando! Não tira a dignidade dele!

Comprei os paninhos, com dinheiro, sorri para a criança e dei um beijo no meu filho pela sensibilidade que eu não tive.

Foi um dia para não esquecer.







12 de junho de 2022

O LADO SÓRDIDO...

 

 Trolltunga / Noruega 


                       - Taís Luso de Carvalho


Com frequência, todos nós convivemos com gente bastante diferente, mas algumas pessoas servem de exemplo por suas grandes virtudes, dá vontade de ir abraçando o mundo pelo caminho. Mas, também vemos cenas e escutamos notícias tão cruéis que dá um desânimo, uma descrença grande na humanidade. Como é bom quando vemos o lado saudável e maravilhoso das pessoas, o lado puro, o lado sem afetação. O lado solidário, corajoso, mas delicado.

Também observamos muito aquele lado enjoativo de pessoas que precisam exibir uma "certa grandeza", mostrar que estão muito bem posicionados na vida, que a tudo dominam. É chato e maçante lidar com esse lado antipático do ser humano. O lado pretensioso. Lidar com suas inseguranças ou com uma agressividade disfarçada. Ainda não descobriram que a simplicidade de espírito é que encanta.

Vi, ontem, num jornal da noite, um pai de família que foi dispensado de seu trabalho, como tantos outros no mundo inteiro. Casado e com dois filhos pequenos, contou ao repórter todo seu drama, e chorou! Um choro tão profundo, tão sentido, difícil de segurar... Quando um homem chora, parece que chora o mundo! Tudo muito pesado, muita emoção.

Mas, ao acompanhar a matéria triste daquele pai desempregado, e de tanta gente na mesma situação, fiquei na torcida que alguém telefonasse para a emissora e que controlasse a situação daquele homem.

São dramas que ficam marcados e juntam-se a tantos outros que estão espalhados pela vida. Como o ser humano se difere! Que brutal contraste ao ver um humilde e responsável homem chorar, desesperado, enquanto lá do outro lado, bem distante, a coisa não acaba, impera a brutalidade, a crueldade em nome do poder. E os "Poderes" nunca acabam com o sofrimento, com as lágrimas do mundo. E cá, ficamos nós, pensando nos "Poderosos".

A matéria de que todos nós somos feitos é igual, a forma é igual, mas o espírito que habita cada ser humano é muito variado. É como ver a mais bela Natureza de um lado e do outro lado o terror de uma guerra; bombas explodindo, mísseis cortando o espaço levando a morte certeira. Não há palavras que descrevam o pior lado dos humanos. Só vendo para crer.