13 de agosto de 2018

CUIDE NA ESCOLHA DO NOME DO FILHO



           - Taís Luso
É hilário quando alguns pais homenageiam seus ídolos colocando seus nomes nos filhotes recém-nascidos. Esses filhos nem sonham o quanto essa idolatria atrapalhará suas vidas. E carregarão esse calvário pela vida afora.
Bem, aí vem a pergunta que faço ao ver umas coisas esdrúxulas pela frente: de onde saiu isso? Por que aparecem por aqui o Jéferson, a Dayanne, a Jennifer, o Aelington, a Franciely ? Poxa... mas como se escreve isto? Será a pergunta mais feita para essas crianças. E fica registrado Aelington da Silva! Mozart da Silva! Sim, nada estrangeiro combina com Silva. Cem milhões de brasileiros carregam um Silva no sobrenome.
Nesse redemoinho de nomes, começo a lembrar de alguns pais que adoram ler sobre a Idade Antiga, a Idade Média etc., e colocam nos seus anjinhos a assombração de Sócrates, Anníbal, Cícero, Honório, Homero, Jesus, Rômulo, Mozart... para serem lembrados ao longo da vida. Sonhos. E, ainda encontramos as Semirames, Sibylla, Porsenna,  Scipião... que coisa medonha!
Outros pais, para dificultar mais a vidinha dos filhos, procuram dois nomes: um para satisfazer a mãe, outro para satisfação do pai, da avó, do avô. Mas no final serão chamados pelos apelidos. Então surgem as Ana Iracema, Adelaide Cristina, Maria Gioconda, Maria Evangelina,  Mário Mariano... E as que não sabem como canta o galo, arriscam um Edigar. Não aguento o Edigar - o filho da minha diarista. Mas tenho de ouvir sobre o Edigar para não perder a diarista.
Também penso na turma dos devotos que não negam homenagens aos seus santos: aparecem, então, as Genoveva, Edwiges, Petronilla, Maria Aurélia, Esperidião, Amâncio, Expedito, Hermenegildo... São mais de 1200 santinhos! Bota fé nisso.
E, para fechar o clã dos famosos, trago aquelas coisas estapafúrdias da vida: as Aldegunda, os Fhilogônio, Epaminondas, Brunhilde, Godofredo, Simplício, Setembrino, Natalino (só ganha presente de Natal),   Francisoréia, Maria Divina... e por aí vai. Tenho um bisavô espalhado aí por cima... E não tem perdão.
E mais, muito mais quando entram os nomes compostos, vindos do nome da mãe e do pai: Claudia e Valdernei geram o Clau-der-nei !! Isso fica muito bonitinho...
- Vem cá com a vovó, Claudernei...
E a coisa piora quando o Claudernei resolve ter seus filhotes: o Clauberto, o Clauco, a Claurinda, a Clausete e a Claurisbela. E os amigos passam a chamá-los - todos - de Clau!! Fica o clã dos Clau. É lindo.
Mas nesse belo Universo, gosto muito é de Fredegonda! Fredegonda foi a primeira concubina e depois mulher de Chilperico, rei de França e da Austrasia. Assassinou a rainha Galsuinda, para subir ao trono em seu lugar. Depois de outros assassinatos, Fredegonda morreu no ano de 597. Dá pra ver que o drama vem de longe.
E para fechar com chave de ouro deixo aqui o nominho completo do Imperador Dom  Pedro I - respire fundo e vem comigo:
Pedro de Alcântara Francisco Antonio João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon. 
Museu Imperial )
Essa gente é,  foi e será sempre muito divertida! Mas é isso: como essas e outras esquisitices jamais acabarão, que vivam bem todos os homenageados e os predestinados desse mundo maravilhoso e criativo!

_________________


___________



6 de agosto de 2018

OS ANIMAIS - NOSSOS FIÉIS AMIGOS



         - Tais Luso

Há tempos li um texto, num de nossos jornais, no qual um jornalista contava o rebu que se formou por ele ter escrito sobre os cães de estimação, alguns soltos nos parques. Sua caixa de e-mails explodiu! Talvez ele tenha abordado o tema com pouca sensibilidade. Diz que nunca havia tido esse tipo de reação com outros assuntos.
Bem, logicamente que não se deve atacar os cães ou qualquer tipo de animais; seus donos, os cachorreiros, sabem defender seus animais. Contou que  falar mal dos cães supera qualquer papo sobre futebol ou política, e aquele gesto causou uma revolução e um grande descontentamento entre os cachorreiros.  Eu também não gostei.
Estou sentada em frente ao monitor, olhando a tela branca e escutando ‘Serenade de Schubert, por Nana Mouskouri -, certas músicas me emocionam, e me ajudam quando preciso escrever com o coração.
Em geral, quem tem um animal de estimação tem para onde canalizar sentimentos e tristezas. Nossos animais não nos ofendem, são mais que amigos, nos mostram o quanto nós, os humanos, somos mal resolvidos. Mas temos excelentes qualidades, nem tudo está perdido - ainda. Mas somos muito complicados, quase indecifráveis diante de tantas aberrações por esse mundo afora. E, dado a isso,  faço uma série de indagações:
Como sermos  felizes se somos rotulados de loucos por pensarmos diferente? Como sermos felizes se somos tachados de egoístas por cuidarmos mais da nossa vida, e o pouco que estendemos nossas mãos,  somos rotulados de intrometidos ?
Como ser feliz  se muitas vezes somos vistos como irresponsáveis ao conduzir nossa vida com leveza e simplicidade? Como ser feliz se somos vistos como ‘linha dura’ em defesa da moral e da ética  familiar?
Onde moram a amizade, o afeto e o respeito entre as pessoas? Silêncio não magoa. Por isso queremos tão bem os animais. Como é bom, em momentos tristes, termos nosso  fiel amigo de 4 patas com uma carinha amiga e silenciosa! Mas até isso está difícil numa sociedade violenta, que anda perdida e que tudo rotula.
E eu aqui, escutando esta música, abro minha alma na ânsia de obter respostas para encontrar um sentido para uma vida tão efêmera. Debato-me! Olho ao meu redor e o que vejo? Violência, medo, dúvidas, insegurança. Mantenho viva, ainda, a esperança de que um dia teremos de volta o nosso país. Aquele país que já foi berço do nosso orgulho.
Não sabemos nada de concreto, a não ser que um dia vamos 'parar'
Então, caro jornalista, entendo a sua caixa de e-mails lotada! Mas os animais continuam os mesmos, nós é que mudamos, que estamos destruindo valores e vidas. Nós é que precisamos de muito; eles só precisam de amor. Por isso você não entendeu esse alvoroço todo na sua correspondência, em defesa dos animais. Também junto-me ao grupo de protesto. Pegou mal!  Nossos animais são  membros da nossa família.


 'Serenade de Schubert', por Nana Mouskouri 





29 de julho de 2018

UM POUCO BELOS, UM POUCO FERAS






   - Tais Luso

Com muita frequência nos deparamos com situações que não entendemos e que não encontramos explicações para elas. Quando há reciprocidade de sentimentos, um feliz convívio impera. Nasce um sentimento de amizade muito bonito.
Existem pessoas com qualidades excepcionais: pessoas que reúnem generosidade, afeto, delicadeza, conhecimento etc. Mas, por outro lado, existe também o que faz parte do gene humano: a inveja, o desrespeito, a arrogância, a crueldade, entre outras manifestações pobres e dolorosas. E sentimentos assim não são compatíveis com um bom relacionamento. Fica uma situação ambígua. Por um lado, o desejo de relacionar-se, por outro lado a vontade de cair fora, de desaparecer do infeliz encontro. E isso existe nas famílias, na faculdade, no trabalho, no lazer . Presente em todos os setores da sociedade.
É lindo o sentimento de solidariedade diante das inúmeras catástrofes que já tivemos conhecimento. Nesses momentos o ser humano dá o seu melhor. Os abraços, o carinho e a ajuda com mantimentos, agasalhos, remédios aparecem num ato de amor ao próximo. É uma grande emoção quando vemos pessoas que têm como meta minimizar o sofrimento das outras. Tenho o maior carinho pelos Médicos sem Fronteiras, pelo trabalho do Greenpeace, e por muitos trabalhos Voluntários ou ONGS não Governamentais. São pessoas que doam amor.
Nessas ocasiões, de extremo sofrimento, acreditamos muito na nossa espécie, naqueles que ajudam, que prestam socorro, que se comovem, que choram junto. Mas também aparecem os oportunistas que diante duma calamidade saqueiam as casas e estabelecimentos comerciais. Como daria pra chamar esta gente? De animais? Não; os animais não agem assim, eles também são vítimas de uma parte da sociedade cada vez mais cruel. 
Então fica a pergunta: afinal, como é esse Ser humano? É o herói que salva, que se comove, que acolhe, que doa órgãos, que pesquisa em prol da vida, ou aquele que engana, que trucida, que mata, que tortura e que crucifica sem pena!?
Não sei. O que sei é que somos a única espécie que consegue ser bela e fera. E esse sentimento, essa  postura nos leva sempre a desconfiar da nossa própria espécie, de sua grandeza. E o pior é que sempre foi assim na história da humanidade.


Salvando o cachorrinho...
Solidariedade
Agradecido
Madre Teresa de Calcutá



20 de julho de 2018

UMA VIAGEM INTERMINÁVEL

Cristo Redentor / Morro do Corcovado - 710 mts de altura



        - Tais Luso

Hoje vou contar uma viagem que fizemos há muitos anos, quando nossos filhos eram pequenos. Agora,  adultos.

Era julho, mês de férias, resolvemos ir ao Rio de Janeiro – mas de carro! Coisa para 'sentir' a viagem! Nós e meus pais, uma aventura de 1569 km, mais de 18 horas para chegar ao Rio. Pernoitamos em Curitiba, no Estado do Paraná. Porém, logo pela manhã, já descansados e com o espírito otimista, de todo o turista feliz, levantamos acampamento. Chegamos em São Paulo, mas ainda  descemos para o litoral  onde seguimos viajem para Ubatuba.  Vamu-qui-vamu!

Muito animados, entramos em Ubatuba onde também pernoitamos. O problema que não contávamos, foram as tantas paradas para que as duas crianças fizessem mil xixis.  Como não tinham nada para fazer, comiam salgadinhos e tomavam água. Quanto mais  bebiam,  mais faziam xixi. Ou pipi, como queiram.  Foi engraçado, mas a interminável estrada nos esperava...

Foi desse modo, com muitas 'paradas', que chegamos à bela e histórica Paraty/RJ onde ficamos algum tempo respirando os tempos antigos. Já estávamos perto do Rio. Mais um pouco chegamos no apartamento que havíamos alugado em Copacabana por 15 dias. Foi lá que eu e minha mãe nos esbaldamos,   loja por loja...  Os outros dias ficaram para os passeios, toda a rota turística do Rio de Janeiro, que as crianças não conheciam. 

Rio é lindo, e os cariocas são muito agradáveis com seu sotaque diferenciado. Eles dizem que o nosso sotaque, gaúcho, é cantado, o que até hoje não entendo. Cantado...

Bem, no dia seguinte fomos de carro ao Cristo Redentor, mas nem Pedro e nem meu pai se animaram em subir o morro do Corcovado dirigindo.  Pegamos um táxi no pé da montanha. Tudo maravilhoso. Na volta foi que houve algo inédito. Entramos num xi para descer 710 metros, até ao nível do mar. Foi preciso sangue frio e braço forte!

Descemos  poucos metros, e Pedro ao lado do taxista  percebeu que o homem estava alcoolizado. Com todo aquele despenhadeiro, Pedro não deixou por menos, resolveu fazer uma cena, já que conversar com alguém naquele estado  não era tarefa fácil. Pediu a direção do carro ao taxista dizendo que o sonho da sua vida seria descer o Corcovado, dirigindo! O homem ficou olhando, meio cabreiro, mas diante de tanta insistência entregou o carro ao meu marido, um 'mimo' para o gaúcho sonhador! Lógico que nós ficamos  aterrorizados! O que estaria se passando naquele momento, alguém surtou? E descemos a montanha mais assustados do que cachorro em procissão. Mas tudo correu bem, Pedro dirigiu devagar, cauteloso, beirando os penhascos... Até hoje digo que o taxista entregou a direção porque estava alcoolizado...

A interminável viagem de volta ao sul, pareceu muito mais distante do que a ida.  E, de lá para cá, passamos a adorar avião!

Carlos Drummond
Copacabana / RJ
Bondinho no Arco da Lapa /RJ
Ubatuba / SP
Paraty / RJ
Paraty / RJ


__________________



12 de julho de 2018

CUIDADO COM A MAGREZA - ANOREXIA

Jovem anoréxica  - no 'espelho' tendo
 uma visão distorcida do seu corpo.



            - Taís Luso
Infelizmente somos reféns de uma sociedade, que estipula padrões para tudo. E pagamos um alto preço quando entramos em canoa furada.
Geralmente pessoas anoréxicas têm uma obsessão por um tipo de beleza: a magreza. Supervalorizam um corpo magro adquirindo uma fobia por quilos extras, um medo exagerado de ficarem gordas. Poderia se dizer que, até aí tudo está bem, cada um com seu gosto. Mas não é bem assim, a anorexia é uma distorção da imagem real.
Sabe-se que são fatores psicológicos, sociais, culturais e uma predisposição genética que levam ao desenvolvimento da doença.
A anorexia tem certos rituais: o que comer, onde e quanto. A contagem das calorias a serem ingeridas está presente nas 24 horas do dia: 200 calorias! E o emagrecimento é rápido e calculado: as pessoas comem e ‘devolvem’, tomam diuréticos, laxantes e se exercitam em excesso. Contam os dias, e cada dia é uma vitória quando perdem os quilos fixados. Tratar a anorexia é coisa para terapeutas e clínicos, não adianta família, conselhos e um papo amigo:
Come, minha filhinha, você é linda,  deixa de bobagem!
O tratamento é demorado e deve ser acompanhado para prevenir as recaídas, que ficam em 25%.
Para a família, é difícil perceber o problema devido a vários fatores. No convívio diário não se percebe que a jovem está em processo de emagrecimento, ela passa a usar roupas folgadas e não fala em comida. Muitas delas se isolam da família nos horários das refeições. Dizem que já comeram.
A pessoa anoréxica não interrompe o processo de emagrecimento, pois ao olhar-se no espelho obtém uma visão distorcida de seu corpo. Essas pessoas enxergam-se sempre gordas: uma distorção das formas almejadas. Com o tempo, o processo de emagrecimento torna-se mais rápido, pois o corpo não tem mais de onde tirar nutrientes para suprir a falta diária. Não tem mais nada armazenado.
Nesse ponto a família começa a perceber o problema, quando a saúde já está comprometida: depressão, ansiedade, hipotensão, anemia, redução da massa muscular, falta de menstruação - pela baixa hormonal, intolerância ao frio, desidratação, osteoporose e, mais tarde, a infertilidade. Nessa fase, já tarde, é que começam os tratamentos para o alimento ser reposto, gradativamente. Em casos especiais, com risco de morte. Então é preciso internação hospitalar.
Bonito é um corpo saudável. Acontece que muitas jovens são instigadas a ficarem na base da saladinha e de um anêmico peixinho insosso. Aos nossos olhos, desfila em muitas passarelas um apavorante desfile de meninas em formação, comendo montanhas de verdes, o que nos deixa em estado de perplexidade... Mas a culpa não é delas: elas são as vítimas.






3 de julho de 2018

ESSA PAZ - EU TAMBÉM QUERO...





- Taís Luso


Quando temos a juventude a nosso favor parece que o tempo que se tem pela frente é infinito; enquanto nos sobra energia, o tempo é nosso aliado, passa devagar, tempo para completar os sonhos, programar o que queremos.
Sobra tempo e disposição para tudo: vontade de dançar, de amar, de nadar, estudar, praticar esporte, viajar para os lugares mais exóticos do planeta e conhecer gente diferente. E tudo em pequenos intervalos. Mais tarde a coisa vai espaçando.
Mas penso que no mundo civilizado as pessoas são mais ou menos parecidas, somos como os bons vinhos, já caminhando para o ponto ideal, sem muita acidez, nem tão adocicados.
Alcançaremos a idade da razão, o rosto com outra expressão – mas também bonito pela bagagem adquirida no decorrer dos anos, e prontos para encarar uma outra etapa da vida. Essa bagagem é especial, nunca igual à de ninguém, é como se fosse uma impressão digital. Agora, diferente, num ritmo mais suave, mais responsável, sem as ansiedades de uma fase que antecedeu.
Viver com calma, e ver na rotina algo saudável, como realmente é, com seus encantos e sua paz. Penso não ser a intenção de muitas pessoas resgatar na sua maturidade o vigor da juventude, como se nela morasse toda a felicidade, mesmo que a mídia nos empurre o pacote feito. É como se dissesse: você não pode envelhecer!
Quero alcançar a meta do bom senso, sem nada para me azucrinar. Preciso pensar se quero me exercitar numa academia; se quero viajar; se quero nadar; se quero correr. Também poderei ficar mais quieta, escrever, ler, ouvir música... passear.
Quero aceitar com alegria todas as etapas da vida, sem rótulos e sem regras impostas, já que não será meu propósito travar brigas com meu espelho.
Essa  paz... eu também quero.

_______________________________

- Também aqui: A paz que eu quero  /  3º lugar concurso CIPEL



23 de junho de 2018

O SEPARADOR DE AFETOS

Visita à vozinha...   (Imagem da Internet)



              - Tais Luso

Quanto mais ando na rua, nos shoppings etc, mais me surpreendo com o desligamento das pessoas. Todas muito apressadas, sempre. Muitas atravessam as passarelas dos semáforos com o áudio do celular no ouvido ou clicando para ver algo ‘urgentíssimo’ nas suas redes sociais. A vida está cada vez mais acelerada, porém mais solitária. O estresse  virou  companhia constante, um amigão, sempre grudado.

Ontem vi um gesto que chamou minha atenção e de várias pessoas na rua: uma jovem ofereceu seu braço para uma moça cega atravessar a larga avenida e levá-la onde precisava ir!! Que lindo! Emocionou. É raro ver isso, não há mais tempo para gentilezas, até nas visitas para os parentes o celular está no meio. Esse pequeno e útil aparelho sem dúvidas é o legítimo separador de afetos. Estatisticamente 80% das pessoas estão conectadas ao celular o tempo inteiro.

Hoje, criancinhas com 1 ano estão com Smartfones ou Tablets,  tec, tec, tec , e são consideradas geniais - o orgulho dos pais. Crescem e manobram com facilidade a informática, mas sem o costume das gentilezas, um toque de confiança e de amizade. Intoxicam-se com a enorme tecnologia, e quando crescem seus celulares sabotam seus sonos. E sonhos.

Há carência de afetos, e estou ciente que isso é irreversível. O mundo seguirá seu curso com as novas gerações e com novíssimas ofertas, cada vez com mais aplicativos. Teremos  de nos adaptar a muitas coisas, inclusive à solidão.

Sentamos no computador, lemos, escrevemos, nos comunicamos, mas ao desligá-lo muitos sentem um vazio - e ligam o Smartphone! Pronto! Todos novamente conectados! Vicio é isso. Não é assim no mundo inteiro? Estamos quase colonizando o planeta Marte, mas os humanos ainda pouco sabem sobre ‘felicidade’. Mas um dia chegaremos lá. 
Ou talvez não.



na rua
Não há mais tempo...

14 de junho de 2018

MULHER NA DIREÇÃO DO CARRO / VÍDEO DE PORTO ALEGRE




- Tais Luso

A Internet está cheia de vídeos machistas sobre as mulheres dirigindo seus carros, mas tudo bobagem! É lógico que mulher não foi feita para trocar pneus, da mesma forma que homem não foi feito para fazer croché!  Não se leva isso em consideração, mas os vídeos depreciativos acontecem apenas em relação à mulher.

Mulher sabe dirigir, é cautelosa, guarda consigo aquela coisa de mãe zelosa que cada uma traz dentro de si. E o que mostram esses vídeos não é relevante, e não somos nós as responsáveis por tantos acidentes e mortes no trânsito. Encontrar uma mulher, na direção, com teor alcoólico em seu organismo, é coisa rara.

Aprendi a dirigir aos 18 anos, com meu pai. Ele sentava do meu lado e falava baixo, sereno e apenas o necessário. Meu problema maior era a lógica das coisas. Num certo dia, dirigindo o carro numa estrada, até o Clube de Hipismo, avistei de longe duas vacas atravessando a estrada, muito tranquilas. De imediato fiquei incomodada com os animais soltos numa estrada. Porém, o que me veio à cabeça, foi buzinar para chamar atenção das vacas! Meu pai me olhou e perguntou qual o motivo daquelas buzinadas estapafúrdicas! Eu lhe falei:

As vacas, pai!
Minha filha, as vacas não falam a nossa língua, não sabem o que é buzina; pára o carro e aguarda...vais ficar mais feliz!

Não era o momento para discutir logística, e freei o carro a dois metros das pobres vacas. Lembro que meu pai quase enfartou, mas ainda era um homem forte, aguentou o tranco. Aprendi muito, principalmente a cuidar dos outros, a parar o carro para alguém atravessar a rua, a dar passagem aos enlouquecidos de plantão.

Mulheres sabem dirigir. E têm mais consciência para cumprirem as leis. Sabemos que num trânsito a educação e o respeito pelas leis começa na individualidade de cada cidadão, começa na educação, lá atrás, na formação do seu caráter. Na conscientização dos direitos dos outros. Todos os que dirigem são responsáveis pelos seus atos.

As leis não podem fraquejar. É necessário o máximo do rigor, mas infelizmente não é o que temos visto no nosso país. E famílias inteiras destruídas, mas fica isso por aquilo. E a vida que se foi, como fica?



_______________________

                       Conheça  Porto Alegre  -   RGS   /  sul do Brasil





6 de junho de 2018

OS POBRES DO MEU PAÍS - BRASIL




      - Tais Luso de Carvalho

Atualmente, qualquer caminho que façamos pelas grandes cidades do Brasil, o quadro é o mesmo: moradores de rua nos abordam e dizem que estão com fome. É triste.
Na semana passada entramos num estabelecimento e pedimos um pastel e um copo de café com leite. Quando fomos entregar, a criatura tinha sumido. Queria dinheiro. Mesmo assim me sinto extremamente constrangida com a abordagem deles, pois como dizer um 'não' na porta de um restaurante? Como ignorar essa gente, que come restos das lixeiras, enquanto nós saímos estufados dos restaurantes? É impossível.
Por onde andam os serviços sociais? A eles cabem atitudes enérgicas, assistência rápida a essas pessoas que levam uma vida tão infeliz. Mas é o que escutamos antes das eleições. É o básico das promessas políticas: erradicar a pobreza. E tem gente que ainda acredita nisso, em promessas de campanha!!
Onde está o dinheiro arrecadado dos impostos, das taxas que pagamos sobre todos os produtos que compramos? Tudo o que compramos e consumimos, os robustos impostos já estão embutidos nos preços. O Brasil vive a pior crise de sua história, que é a crise moral. Nada igual para a destruição de uma nação.
Um país com uma área de 8.516.000 Km² de riqueza mal gerida, e com uma população superior a 207 milhões de desiludidos e frustrados, não pode dar certo. Aqui, só turista pinta o Brasil de cor-de-rosa. Por enquanto temos os 50 tons de cinza.
Ricos com boa moradia contrastam com pobres dormindo de baixo de qualquer coisa que se pareça com um teto. E o dinheiro dos irresponsáveis por toda essa desgraça, vai para os paraísos fiscais ou para a montanha de propinas que acabaram com esse país deitado em berço esplêndido. Demoliram até com o nosso Hino — um dos mais lindos, mas que nada tem a ver com nossa realidade atual.
É um quadro de infelicidade, de amor ferido que paira no ar. Não interessa olhar para a desgraça. Lindo e sem culpa é olhar para os jardins floridos, os casarões antigos, ruas arborizadas lojas de grife, céu, sol, mar e gente bonita, mal se dando conta onde vivem. 
Mas os irresponsáveis não olham para a paisagem dos desesperados, dos humilhados que estendem suas mãos quando passamos — pedir é um ato que humilha. E não consigo lidar com isso: fazer que não vejo.
O que falta é seriedade, é dar um banho de ética e moral nessa gente irresponsável e oportunista que tudo promete para não perderem seus polpudos cargos e outras pragas mais.
Política virou um cargo vitalício, nenhum deles larga o osso. O povo brasileiro só será capaz de resgatar seu orgulho quando seus políticos e aparentados forem banidos do poder e entrar gente nova, honesta, sem o vício da corrupção e vontade de trabalhar por um país sério e para um povo feliz. Aqui não é uma Dinastia. Tem de haver renovação.
Amava tanto meu país, gostaria de resgatar esse amor! Mas não sei quantas gerações terão de passar para acontecer a virada! Um milagre.

Esse Hino  é o sangue que corre em nossas veias! 




28 de maio de 2018

O NOSSO LADO AFETIVO


      - Tais Luso

     Há 4 anos compramos um carrinho de compras, e sempre junto conosco cumprindo seu papel de carregador. Do supermercado vinha arriado, o valente carrinho, tinha até nome: Juquinha. Antes de sairmos eu perguntava ao Pedro:

—  O Juquinha precisa ir junto?
—  Claro, pra que carregarmos peso?
    Lá ia o Juquinha contente passear conosco, mas sabia que tudo tinha um preço: vinha lotado. O empacotador queria colocar as mercadorias em seu interior, mas eu não deixava, era quase uma ciência encher o tal carrinho. Era preto com palavras escritas em branco que diziam Paris, Nova York, Londres - dezenas de vezes. Uma vizinha, certo dia, perguntou se íamos para o Aeroporto. Sim, Juquinha era muito exibido e tinha uma certa altivez.
    Mas, tudo um dia acaba, e essa semana chegou o dia da despedida, Juquinha envelheceu, estava estropiado, o pobrezinho. E saímos com ele pela última vez, atrás de um novo carrinho. Pensei em doá-lo a um morador de rua, coisa leve ele ainda aguentaria carregar. Mas fiquei pensando: doar o Juquinha que tanto nos ajudou?
    Saímos de uma loja com um novo carrinho, mas Juquinha junto. Ao passarmos por um vendedor de livros usados, com sua banquinha na calçada, vimos que a solução estava bem perto. O vendedor de livros era um velhinho que gostava de arrumar seus livros, tudo caprichado. Pedro teve a ideia brilhante de oferecer-lhe o Juquinha!! O velhinho ficou numa felicidade sem tamanho! Pronto, dei uma última olhada para o carrinho e fomos embora. Caminhamos uns 20 metros e resolvi voltar para tirar uma foto de recordação. O velhinho o encostou na porta serrada da loja e bati a foto. Disse-me que cuidaria muito do carrinho. E seguimos com o nosso novo companheiro que terá uma boa vida, presumo.
    Com isso quero dizer que desapegos são necessários, mas doem um pouco. É difícil lidar com sentimentos, não sou apegada à matéria, mas sou grata a muitas coisas, até a um carrinho de compras!! Meus olhos, ao escrever essa crônica, revelam meu sentimento de gratidão.
   Emoção a gente não espera, ela brota de algum lugar, sem dia, sem hora. Para alguns, um motivo banal, apenas um carrinho, mas depende da maneira que enxergamos a nossa história. Alguns objetos também nos despertam sentimentos e por eles criamos carinho. Mexem com nosso lado afetivo. Lembrarei do Juquinha...

________________________________



20 de maio de 2018

RECEITA DE FELICIDADE ?





            
             - Tais Luso

Estendendo o olhar pelas aldeias, dá para ver o tanto de tempo que se perde, o tanto de vida útil que se joga fora. Nosso tempo não é grande assim.
Acredito em lugares onde a vida possa ser mais saudável, as pessoas, mais felizes. 
Um jabuti ou uma espécie de baleia da Groelândia vivem 200 anos; um molusco bivalve, da espécie Arctica islandica viveu 507 anos. Morreu em 2006 nas mãos de cientistas, numa tentativa de descobrirem os segredos de sua longevidade. 
Fiquei estarrecida! Desperdiço a minha vida ao participar de discussões, de bobagens, mas quem sabe lá esse molusco ‘bivalve’ não vire meu Guru? Calado, viveu 507 anos! Por certo não era um 'barraqueiro'! Mas é injusto, essa longevidade deveria ser nossa – seres pensantes, inteligentes e criativos.
Nossa vida útil é curta, mesmo assim arranjamos mil fricotes para falar dos outros e de todos os seus porquês. Isso que é colocar a vida fora! 
Lembro de René Descartes - ‘Penso, logo existo’. Esse deve ser o problema da nossa vida tão curta!! A gente pensa demais e vive menos! Faz burrice. Mas quem sou eu para achar alguma coisa do grande filósofo? Deixa assim.
Geralmente o conhecido tripé dos atritos está na política, no futebol e na religião - e é o bastante para mostrar nossos desatinos e contradições.
Quem vive mais? Logicamente são aqueles que se desgastam menos emocionalmente. Todas as boas ou más ações revertem em doenças psicossomáticas que todos conhecem: aquilo que nosso  emocional cria e aceita, o corpo abraça com fé e amor! Sim, elaboramos nossas doenças com muita garra, muita disposição e muita burrice.
Vejo muita paixão em certas conversas: enquanto o sicrano defende suas ideias, o beltrano se mata para dar um contra. Assim terminam as amizades em prol de gente que não está nem aí para nossas aflições.
Não teremos nossa saúde de volta, nem pela acusação e nem pela defesa de coisa alguma. Vejo diariamente - via TV - discussões tão acirradas que uns meses depois algum deles está no hospital. Pudera!
O coração não perdoa quando a carga é forte demais. Os nossos instintos mais primitivos sobem à cabeça.  Estamos em ano de eleições e a  zorra por aqui é total. Não há moderação! Só há olho no poder.
Religião? Nesse quesito abraço a liberdade de escolha, apoio o que nos dá paz e vida feliz, seja onde for. Religião é para fortalecer, não para disputas ou para doutrinar o outro. Há vários caminhos,  cada um que escolha o seu.
O que precisa ser unânime é a Justiça com suas leis fortes e que sejam cumpridas para separar o joio do trigo, moralizar essa bagunça em que vivemos. Provar que aqui não é a Casa da Mãe Joana. 
Contudo, o único animal pensante que cravou uma bandeira na Lua, que inventou a informática que une o mundo inteiro em segundos e tantas outras tecnologias incríveis, vive em média de 80 a 90 anos, se tanto. 
Infelizmente, nossa espécie também inventou alguns horrores; brinquedinhos de gente grande, como bombas atômicas, os foguetinhos do Kim Jong-un e outros milhares de disparates mortíferos. Mas trabalhar em prol da felicidade mundial e colher grandes louros é uma grande façanha. A  felicidade vem   conta-gotas, mesmo diante de tanta amargura.
Não é incrível isso?


__________________________________
Curiosidade: Molusco Bivalve