30 de julho de 2020

POR QUE TANTA PRESSA?





               - Taís Luso de Carvalho
Quando se é jovem parece que o tempo que se tem pela frente é infinito, aquela coisa do 'dá e sobra'. Sobra tempo pra se correr atrás do supérfluo, da fama, do belo, de dançar, nadar, estudar, praticar esporte, viajar para os lugares mais exóticos do planeta e conhecer gente muito diferente, tão diferente que talvez nem exista! Haja fôlego.
Porém, um dia a gente pega mais idade e encara o que a vida não esconde. Com o tempo a coisa fica diferente, mas num ponto bom, como os melhores vinhos. Não dá para nos amarrarmos à juventude eterna como se nela morasse toda a felicidade. Ela é rápida, tanto quanto a vida.
Conheci uma pessoa que ao aposentar-se entrou na onda de viajar. Claro, por que não? Tinha em mente conhecer o mundo, e lá se foi ela com uma amiga mais jovem,  com outro pique de vida. Passou um mês batendo canela pelo continente asiático, mas tudo um pouco apressado. Foi a muitos lugares, mas, na verdade, pouco viu de toda aquela beleza. Pouco desfrutou. Voltou muito cansada, não aguentou o tranco. Sua viagem deveria ter sido feita com mais calma, mais estudada e menos alucinante. A melhor viagem é aquela que traçamos dentro do nosso ritmo e do nosso gosto.
A rotina assusta muitas pessoas. A calmaria é confundida com tédio. Vejo pessoas da  Idade se mexendo como adolescentes: nadam, dançam, viajam, estudam  num ritmo pesado. Não leva muito tempo para sentirem-se demolidas, mas não desconfiam da causa. Calma, amiga! Que montanha-russa! Para onde esta gente quer ir com tanta pressa?
Com o passar do tempo deu para perceber que não quero isso pra mim, e nem aguentaria tal tranco. Quero ter calma e poder ver na rotina algo saudável, como realmente é. Não sei por que a rotina é tão mal falada; ela tem seus encantos, já é nossa velha conhecida, não há muito desgaste. 
Lembro de uma vez que fizemos uma dessas viagens estabanadas com uns amigos, fomos em três carros para a Argentina e Uruguai, ambos países ao sul do meu estado. Tudo foi muito divertido e também cansativo, um frio imenso! Teria sido uma ótima viagem se feita no nosso ritmo e mais programada. 
Também temos de pensar com quem viajar, isso é fundamental.














22 de julho de 2020

DÚVIDAS E SUPOSIÇÕES




                   - Taís Luso de Carvalho
         
     Hoje, em plena pandemia do coronavírus, no ano de 2020, lembrei de uma pergunta que escutei no final do ano 2000:
Mas e o fim do mundo que não veio, hein!?”
Essa era a pergunta feita em todos os cantos. Foi mais uma das tantas profecias que encalharam. O fim do mundo seria em 2000!? Tanta expectativa, tanta gente esperando, fazendo piada com o ‘novo fim do mundo’ desacreditado. A espera virou piada no Brasil.
Mas será que alguém ficou chateado porque o mundo não acabou? Parece que não se tem nada a fazer a não ser esperar que o mundo acabe.
Escutei, na época, alguns ‘especialistas’ no assunto que disseram que um dia o planeta teria o seu fim. O dia chegará. Serão tempestades solares; o sol irá se expandir e os raios atingirão as órbitas dos planetas mais próximos, destruindo-os, mas isso daqui a 5 bilhões de anos! Ah... Cinco bilhões! Pô, fiquei muito preocupada. Mas esqueci a bobagem e pensei que, na verdade, o fim do mundo são outras coisas:
Fim do mundo é o que o Brasil gasta, há décadas, construindo obras faraônicas e absurdas com o dinheiro do nosso povo.
Fim do mundo é a corrupção, a violência e os crimes que norteiam meu país.
Fim do mundo é a crueldade praticada contra os animais no mundo inteiro, são as toneladas de lixo jogado nos rios e mares.
Fim do mundo são pais e filhos brigando por causa de partidos políticos e por ideologias políticas. Também acabam-se as amizades.
Fim do mundo é quando o povo paga altos impostos e quando mais precisa do retorno, como saúde, segurança, educação, esse retorno falha.
Mas cá estamos nós, mais vivos do que nunca. Acredito que coisas bem definidas fazem parte da natureza humana: queremos desvendar mistérios, achar respostas para todas as nossas inquietações e entender, uma vez por todas, o sentido da vida. Tudo isso porque não concordamos com a finitude.
Se fôssemos infinitos, não pensaríamos em nada, a não ser em viver. Seríamos eternamente mais felizes, não teríamos de compreender e aceitar os mistérios da morte.


22 Maio de 2020 - Pandemia coronavírus / hospital Varsóvia

O tenor polaco Leszk Swidzinski , da Ópera Real da Polônia e o grupo de médicos Medicantus, comoveram médicos e enfermeiros quando apareceram num Hospital de Varsóvia e fizeram uma interpretação de uma Ária da ópera Turandot, de Puccini.
No final disse "Vencerei". Muito comovente!!


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15 de julho de 2020

O MEDO É UMA DEFESA

TROLLTUNGA - a montanha mais temida / Noruega

             
                   
                   - Taís Luso de Carvalho

Ter medo é necessário, serve como alerta às bobagens que costumamos fazer. Pessoas arriscam-se ao enfrentar o desconhecido ou dedicando-se, com mais força, aos esportes radicais. Deve ser maravilhoso esse desafio, uma dose de sei lá o quê, com uma pitada de loucura.
E pensando nisso, me veio à mente alguns medos que justificam uma perplexidade, um assombro, uma taquicardia a ser superada.
Recordo que minha primeira viajem de avião foi frustrante; só fui comer do outro lado do Atlântico; atravessei o oceano enjoada e calada. Romântico foi o fato de me ver sobre as nuvens e com o Atlântico aos meus pés, poeticamente.
Lembro do momento, antes do voo, em que a aeromoça mostrou, com muito charme, a porta de emergência, o salva-vidas e várias recomendações para qualquer problema no mar. E pensei: caracas, o que eu vim fazer aqui? Fiquei paralisada e pensei: se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Não dava mais para descer do avião.
Deu medo, sim. E se o comandante falhasse? O computador, o motor, a torre, um raio Que Deus me receba em seus braços - pensei. Já estava voando.
Lá embaixo o oceano, tão lindo! Quantos poemas inspiram Mas tenho fobia, não sou amiga dos mares e oceanos, embora tenha aprendido  a nadar no mar. Mas aquela imensidão que cruza a linha do infinito me deixa desconfortável. Jamais cruzaria oceanos em transatlânticos. Mas nada contra o lindo mar, o problema está em mim.
Outros medos que mexem muito conosco, são coisas penduradas nas alturas: passarelas nos penhascos, pisos em vidros e nas alturas, pontes que balançam e que tiram a segurança. É uma sensação horrorosa de impotência, de conscientização de que não somos nada, um grão diante da natureza. E  isso mexe com toda a estrutura psíquica de gente que tem algum problema com altura. Já andei em 'Montanha Russa' em Disco Mexicano, em Roda Gigante e o charme desses brinquedos são os gritos apavorados. É a vida por um fio.
Mas o ser humano é assim, quando está numa calmaria, diz que a vida está monótona; quando entra numa 'fria', estufa o peito, grita e murcha.
E seja o que Deus quiser!

     

Observando a paisagem
Passarela na China com fundo de vidro
Piso de vidro
Limpando vidros nas alturas...





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7 de julho de 2020

INFÂNCIA - DIFERENTES GERAÇÕES



         - Taís Luso de Carvalho


Dizem que ser criança é uma maravilha! Depende,  estão falando de quais crianças? Da onde? Criança normal sente dor, chora, tem medo e inseguranças. Crianças  vivem no planeta Terra. Não num paraíso. Mas ser criança é muito bom quando elas não sofrem, quando são amadas e cuidadas!
Toda criança tem medo de perder os pais, eu tive esse medo;  medo que eles morressem num acidente  de avião.
Hoje, educar é mais complicado, há mais liberdade, começando pela Internet. Educar é uma missão difícil. Os pais precisam ter uma mente de  investigador. Criança não vive num mundo encantado, se assim fosse, não haveriam psicólogos. Vivem mais expostas e portanto maior é o perigo.
O que as crianças de gerações passadas tinham de melhor era uma infância real: brincadeiras na chuva, nas árvores, bonecas, bambolês, carrinhos, muitos joguinhos, livros infantis, pé no chão... A menina colocava batom e o salto alto da mãe para imitar uma linda mulher. Mas não havia nada de sensualidade, e sim a vontade de ser gente grande, trabalhar e pagar suas contas, ter sua família e liberdade. Mandar e desmandar como os adultos.  Mas tudo era sonho e a vida se fazia calmamente.
A minha infância foi aquela que dormia no embalo de historinhas do bicho-papão; do boi da cara preta; da rosa que morreu despedaçada; do cretino que atirou o pau no gato; do lobo mau que comeu não sei quem. Era tudo que fazia uma criança sonhar! Canções infantis muito carinhosas! Mas a gente gostava.  E ainda tínhamos os olhos de nossas mães arregalados para ficarmos comportados na casa dos outros. Não éramos largados e nem esquecidos.
Mas, crescemos e estamos aqui, de vento em popa, com a geração dos nossos filhos bem criados, administrando suas vidas. Missão cumprida.
Penso que hoje as crianças são mais rebeldes, principalmente nos shoppings. Sim, porque quando a criança de hoje quer QUER!! Aí entra uma conversinha na base do papo-cabeça, cheio de psicologia para não deixar traumas no anjo. Sim, hoje qualquer coisa vira trauma! Não fiquei nada traumatizada com minha educação.  Fiquei  educada. 
Nesse tempos atuais muitas crianças são criadas dentro de apartamentos, em frente a uma tela de computador ou no celular. Dormem ao som de noticiosos ou embaladas ao som de novelas com personagens psicopatas. Almoçam e jantam assistindo noticiosos mostrando violência e os pais ficam com medo de que andem nas ruas sozinhas.  A minha geração não tinha medo de sair, brincávamos  na rua à noite, de esconde-esconde.
É difícil este processo atual de educar, o mundo é outro. Mas ainda o amor, os cuidados, mesmo que excessivos, ainda são grandes aliados. Melhor pecar pelos cuidados exagerados  do que pela omissão.


Mudamos...





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1 de julho de 2020

VIDA: ROSAS E ESPINHOS




              - Taís Luso de Carvalho

Tenho uma certa dúvida com gente que se mostra sempre muito feliz. Parecem celebridades de Museu de Cera - sempre iguais.  Aparentar um quadro de tristeza, de insatisfação, de fragilidade é coisa difícil para essas pessoas.  Gosto de gente que mostra seus sentimentos. 
Falo isso hoje, talvez por ter lido alguns textos tristes, por ter arrumado minhas caixas de fotos e feito um balanço da minha vida. Olhei fotos de meus pais - parte de mim que se foi -, e bateu-me muitas saudades mesclada com  tristeza.  Quero ter a liberdade de poder me sentir um pouco bagunçada por dentro. Não vou escarafunchar em busca dos porquês de minhas reações, pois me conhecendo bem, sou capaz de ir caminhando por uma autoterapia e chegar nos problemas emocionais da minha bisavó. Sim, comigo a coisa se estende.
Li, há pouco, uma reportagem muito triste: o filho, num hospital, em estágio terminal, recebe a visita de seu pai. Há 18 anos não se viam! São retratos de família? Por certo. A foto mostra os dois se olhando, de mãos entrelaçadas, olhos marejados que diziam tudo da vida que não viveram; da cumplicidade que não tiveram. Para um entendimento, é tarde. O tempo restante é apenas para a despedida. Muito triste. 
Depois dizem que a vida não é madrasta... Mas como não, se até Manuel Bandeira num de seus belos poemas chora e diz  que a vida lhe é madrasta! Como não acreditar? Poetas não mentem, trabalham com o coração. O que mente é a razão! 
Famílias em longos desacertos como se a vida fosse infinita e nos desse um enorme tempo para a reconciliação. Ao ver certas situações  pergunto o real valor dos sentimentos e dos nossos laços afetivos, esse sentimento tão falado, tão sentido e preservado.
Trilhar nosso caminho, aceitando que a vida é uma dádiva e que todos devem se amar? Não; as pessoas não funcionam assim. Utopias não funcionam e panos quentes não cicatrizam feridas antigas de ninguém.
A vida é assim, cheia de sentimentos contraditórios; alegria, tristeza, força e fraqueza, amor e ódio. E nesse meio é que dançamos.
Quero poder curtir minhas alegrias e tristezas, refletir e chorar, pois  as lágrimas me farão amadurecer e me darão o real sentido de tudo que me rodeia. Só assim terei meu verdadeiro andar. E se tiver sorte, um longo andar...
Deixo aqui Que c'est triste Venise, com Charles Aznavour, porque se for pra sofrer que o serviço seja completo! 
A música é triste, mas é linda. 


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23 de junho de 2020

A FALSA VIAGEM DO CASAL




                    - Taís Luso de Carvalho                 

Li um excelente conto do saudoso  Moacyr Scliar, médico e escritor gaúcho, membro da Academia Brasileira de Letras. O título do conto é  'Os Turistas Secretos', e do qual não dá para esquecer! 
Trata-se de um casal que não tinha condições financeiras  para viajar como os seus amigos. Sentiam-se, o marido e a esposa, um tanto desconfortáveis. O primo pobre do grupo.
Pois bem, esse casal pensou numa saída para suas frustrações e um certo desconforto: contaram a todos os seus amigos que iriam viajar no mês seguinte para a Europa. E veio um óhhh!!! Aquela coisa gentil, coisa de turista para turista; aquela forcinha básica para elevar as criaturas.
O marido e a mulher despediram-se dos amigos, fizeram compras no supermercado para 30 dias  e passaram um mês, trancados dentro de casa,  assistindo a muitos documentários dos  países que fariam parte da rota escolhida. Nada, se via naquela casa: nem luzes, nem ruídos, nem sombras! Ficaram isolados por um mês.
Passados os 30 dias abriram as janelas, as pesadas cortinas e telefonaram aos amigos,  com a típica alegria de chegada,  avisando do retorno!! 

Saudosos, os amigos foram se reunir na casa do casal para saber das novidades. O feliz casal começou a contar toda a viagem que não existiu; contaram sobre os museus que visitaram, teatros e passeios. Dessa maneira resolveram seu problema,  e  ficaram em igualdade! Emergiram!!
Esse tipo de gente não existe apenas no conto de Moacyr Scliar: o mundo está cheio delas. Muita gente, quando volta dos quintos dos infernos,  conta aos amigos e parentes que estiveram no paraíso. E loucos para postarem as novidades no Facebook! É preciso passar um encantamento, um certo valeu a pena.
Conheci, há anos, um casal em que a mulher tinha um sonho de consumo:  andar de gôndola sobre as águas de Veneza! Lá foram eles para Veneza realizar o sonho da deslumbrada criatura. Na primeira voltinha a beldade enjoou tanto que vomitou o mundo! Tiveram de descer; o tal sonho acabou em dois toques. Porém, contaram aos quatro ventos que foi tudo maravilhoso, um passeio de gôndola inesquecível!
Muitas pessoas viajam com a esperança de mudarem algumas coisas em suas vidas, em suas cabecinhas. Mas não; uma viagem não muda ninguém, todos voltamos iguaizinhos! Voltamos tão iguais como partimos: com os mesmos problemas, as mesmas dúvidas, as mesmas fraquezas, as mesmas virtudes  ou as mesmas inseguranças. Viajar não é psicoterapia; é lazer, é conhecimento,  e traremos uma bagagem cultural excelente, sem dúvida.  E valerá sempre. 
Mas de uma coisa tenho certeza: eu adoraria ter participado da reunião  pós-viagem  daquele casal do Moacyr Scliar, quanta coisa não aprenderia sobre o ser humano? E a diversão seria certa, inesquecível!

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Instrumentista Katica Illényi


O Theremin é um instrumento eletrônico controlado sem qualquer contato físico pelo músico. Seu inventor foi o russo, Léon Theremin em 1928. Consiste de 2 antenas de metal que percebem as mãos do músico e controlam as oscilações de frequência, percebe o volume e a amplitude, sem toque algum. É maravilhoso!

A história do Theremin, aqui.


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17 de junho de 2020

O NOSSO ENVELHECER





                       ___Taís Luso de Carvalho___

Primeiro temos de esperar acontecer a descoberta da vacina para o covid 19, depois sairemos dessa pandemia, exaustos, sofridos, alguns mais pobres, outros mais ricos; alguns mais gordos, outros mais magros; uns equilibrados, outros mais neuróticos. E a vida seguirá.

Mas cada um de nós sairá desse isolamento com alguma coisa que aprendeu,  certamente. Porém o que temos no momento é uma montanha de preocupações com uma boa instabilidade no nosso país. Segundo o nosso vice-presidente, Hamilton Morão, não temos uma instabilidade Institucional, temos no país é uma grande instabilidade emocional.  Concordo em parte, mas a desarmonia é grande, cada amanhecer  é uma caixinha de surpresa, mas vamos nos animar, pessoal! Um dia tudo irá para o lugar certo, assim espero.

Além dessa atual pandemia há uma exaustão política; estamos intranquilos, inseguros e meio desorientados. Estamos preocupados, queremos viver com tranquilidade, ver a beleza nas coisas mais simples; queremos nos comprometer com um futuro que nos dê segurança, saúde e educação. Depois exigimos o resto...

A gente vai sacando, que pouca coisa tem importância, por isso, que com o passar dos anos vamos nos desapegando da cacarecada inútil de fases que passaram. O foco agora é outro. O presente é esse, temos de arrumar é o nosso futuro!

É bom esquecermos daquela palavrinha chula de 'melhor idade', essa ilusão em nossa vida parece brincadeira. Quando eu tiver 90 anos, por certo não chamarei de minha melhor idade, mas será uma fase da minha vida que viverei com a intensidade que puder. Existem excelentes momentos em todas as fases da vida. É questão de adaptação, estarmos vivos é maravilhoso.

Quero ter o meu silêncio, quero conservar os meus sentimentos e poder chorar descansada para manter a leveza da minha alma.

Lembro de uma frase na  parte final de um texto de Oswaldo Montenegro que diz  assim:

"A gente vai sacando que não tem importância e que pouca coisa no mundo tem importância, isso primeiro frustra, depois vai dando alívio e liberdade."

 "Vale a pena! Se puder, envelheça”.






8 de junho de 2020

O PÓS-PANDEMIA





                   -Taís Luso de Carvalho



Não; não vou pintar o quadro cor-de-rosa ou falar que estou otimista, que tudo vai ficar ótimo e que Deus colocará suas mãos sobre um novo mundo pós-pandemia Covid 19. 

Não sei, Ele já criou as suas criaturas: Adão e Eva - não saíram lá grande coisa. A criação ficou mais complicada com Caim e Abel que também não deram certo, Caim matou Abel. Depois disso foi dada a largada, e cada um por si escolheu seu caminho com seu Livre Arbítrio. E assim segue a humanidade.

La atrás,10.000 anos, surgiram as pandemias causadas pela domesticação de animais e a invenção da agricultura. Foram várias pandemias. Mas foi no século 14, em 1346 que a humanidade conheceu a mais mortal das pandemias, a Peste Negra que matou um terço da população européia. Depois veio a Cólera em 1852, a Gripe Espanhola em 1918, a Gripe Asiática 1956, a AIDS em 1976 e a Covid 19, em 2020 - entre outras menos agressivas no passado.

Bem, com tudo isso, o homem continua o mesmo Bárbaro, basta recordarmos o assassinato de George Floyd há 14 dias nos Estados Unidos, um homem negro de 46 anos que teve o pescoço brutalmente pressionado pelo joelho de um policial, por mais de oito minutos.  Racismo! Essa é a explicação.

Também cito a violência nos jogos de futebol, quando torcidas se agridem e se matam! Não vou trazer outras tantas tragédias que nós, Bárbaros, somos os protagonistas, como as duas Grandes Guerras Mundiais, Holocausto etc. O que mudamos? Não seria a hora?

Recordo de uma festa que deixei de gostar: o Natal! O mês de dezembro é o mês mais lindo do ano, dá vontade de sair na rua abraçando o mundo inteiro. Sim, é um sentimento diferente que temos no mês de dezembro. Todos muito alegres e solidários, uns com os outros. Nada de brigas, rancores e ódios. Um paraíso construído no coração de cada um de nós. Mas em janeiro? O amor continua a fluir? Não, esse sentimento é esquecido, mas no ano seguinte  ele volta, fantasiado de ternura e de amor. É sempre assim.

Então não tem como acreditar em mudanças no dito Novo Normal, até porque o normal que tínhamos não era grande coisa. Mudaremos, talvez, nas coisas práticas, seguras e bem mais simples! Acredito nisso, mas simplesmente porque teremos de aprender a conviver com o Coronavírus por muito tempo! Mesmo com as vacinas seremos seres temerosos. Vulneráveis, como agora.