14 de junho de 2024

MADRASTAS E ENTEADOS

 

Mary Cassatt 1844 - 1926 / Pensilvânia


MADRASTAS E ENTEADOS

                            - Tais Luso de Carvalho

  

      Coisa rara de se ver é um bom relacionamento entre madrastas e enteados. Não que ambos não queiram, mas porque existe uma mãe e um pai biológicos, e que nenhuma criança abre mão. Se, entre parentes que são sangue do mesmo sangue, já é difícil uma harmonia em tempo integral, fico a imaginar alguém ser obrigada a conviver com os filhos da outra, ou do outro. E uma criança aceitar conselhos da madrasta.

Na teoria parece que tudo será resolvido no novo lar, que haverá harmonia, carinho e compreensão. Mas não é o que acontece na prática. Na prática, é encrenca! É desafio. Quando tudo parece andar mais ou menos bem, o relacionamento degringola entre a mãe biológica, a madrasta e o ex-marido, ou seja, o pai da criança. E a festa de antes, já não parece mais tão alegre. Existe sempre, por parte da ex-mulher, um amor-próprio ferido. Uma cicatriz que não fecha. Não importa quem saiu do relacionamento, mulher não perdoa.

Não estou dizendo nada que não se saiba, o dito popular já inventou a dura palavra para uma das partes: (ma)drasta! É uma palavrinha chula e horrorosa. Significa inclemente, pouco carinhosa. Quem vai mudar isso se até Manuel Bandeira, num de seus belos poemas, chora dizendo que até a vida lhe é madrasta! Difícil, não?

E a palavra enteado(a)? É difícil, é como se a criaturinha levasse um néon na testa mostrando que não é a filha do novo casal, e sim a intrometida, a sombra da "Ex" fiscalizando a vida do pai e levando histórias mal contadas para fora de casa. Leva e traz sentimentos feridos. Porém há exceções: deve haver muitas enteadas e enteados amadíssimos, e muitas madrastas diferenciadas, carinhosas. A enteada já tem na ponta da língua o que está em seu inconsciente: "você não manda em mim, você não é minha mãe, é a intrusa; quem manda em mim é o meu pai e a minha mãe!"

Isso, enquanto é ainda criança; na adolescência o relacionamento já fica mais pesado. Mais punk! E depois da troca de amáveis palavras, o barraco pega fogo. O que prometia ser um relacionamento "mais ou menos", ficou no menos. Mas cada caso é um caso. No geral é uma mixórdia nos sentimentos de todos. É difícil haver um certo equilíbrio nesse convívio nada natural. Nada é natural diante de uma família que não é a de origem.

A madrasta, por si, não terá muita paciência com os enteados que já vêm de cabeça feita; que estão mais pra bagunçar, pra peitar a atual mulher do pai.

A princípio, a madrasta entra numa relação cheia de amor pra dar, com o objetivo de conquistar a família, a empregada, o cachorro, o periquito e tudo que circunda a vida do atual companheiro; esmera-se em quitutes, passeios e sorrisos. Mas, ao mesmo tempo passa a apitar e a mostrar que, quem manda no pedaço é ela. Pode dar certo? E se a enteada morar junto? Só muito equilíbrio e paz familiar para superar inúmeros problemas.

A madrasta tem uma obsessão: reeducar os enteados. Por outro lado, os enteados acham que tudo o que vier da madrasta, será para o mal deles, para implicar, cutucar com vara curta. É uma das relações mais difíceis de contornar, pois envolve carências, frustrações, sentimento de traição, abandono, culpas, perdas e desamor de várias pessoas problemáticas, e na qual cada um quer resolver o seu problema. Envolve uma família desfeita, que foi pro brejo, que infelizmente não deu certo. E, quando não dá, talvez a separação seja o melhor, algo menos sofrido do que ver agressões entre os pais, onde as atitudes destemperadas e violentas certamente respingarão na formação dos filhos.

Ao meu ver, para tantos problemas entre madrastas e enteados só resta uma conversa franca e sem agressões no novo núcleo familiar. Ou uma terapia de apoio com um profissional da área. Cada caso é um caso. Talvez dê para apagar o fogo do barraco e salvar alguma coisa. Reconstruir algo melhor, uma convivência mais pacífica, deixar o coração falar. Deixar que a alma se vista de ternura, de tolerância, de compreensão e de amor, pois afinal, de que vale levar uma vida nessa amargura?

Quando se ama, vale tentar. Acredito que o amor supere todas as barreiras; uma incrível superação! Mas que valerá muito!



     - Editado:

4 de junho de 2024

OS NOSSOS HÓSPEDES !



    OS NOSSOS HÓSPEDES

                                                                          - Taís Luso de Carvalho

 

Ops... me perdoem, mas esse é um assunto que dá pano pra manga, pois hospedar alguém que não seja bem próximo, é uma tarefa árdua, se não fosse não haveriam tantas regras de etiqueta para  os hóspedes e também para os anfitriões - para não entrarem em colapso.  Se você é quem convida é outra situação. Falo daqueles que se convidam, dos encostos... É dureza. Porém, há gente que gosta de hospedar, sim. Conheço uma.

Não gosto de incomodar, mas infelizmente também já fiz essa bobagem há muitos anos - algo que me arrependo - mesmo a convite.  Gosto da minha liberdade e me constrange tirar a liberdade de alguém, ainda mais dentro de sua  casa. Mas  têm  pessoas que gostam de ir chegando, assim, meio à vontade... Quando nos damos conta, a mala já está dentro da sala, parece que só veio passear. Mas a noite vai chegando...  

Conheço várias pessoas que estremecem em época de férias, com suas casas de praia que mais parecem pensões ou pousadas, com amigos ou parentes mais distantes, chegando cheios de amor pra dar. Fora algum amigo do parente que cola junto pra aproveitar a boquinha.

Lembro de ter escutado de uma pessoa  que hóspede é como peixe, no terceiro dia começa a cheirar mal...  É duro, irmão, mas que hóspede nos traria tanta alegria se a empregada se manda e sobra pra nós um trabalho de cão? A empregada inventa que a mãe está morrendo justamente quando o hóspede vai chegar! A minha sempre foi muito criativa.  

Recentemente perguntaram a uma pessoa muito conhecida e badalada no Brasil, e que ri feito louca, se ela preferia ser anfitriã ou hóspede. 

- Hóspede, sem dúvida! 

E ela, com duas empregadas e com a grana do Tio Patinhas.

Minha  preocupação com os meus hóspedes foi sempre recebê-los com simpatia e mostrar uma alegria de Rei Momo, para dar prosseguimento ao clima festivo da chegada. Lógico que após a partida das criaturas, eu pensava numa clínica de repouso e uns 'Rivotril'. 

Mas, se você está a fim  de receber, mude seus hábitos por um período e deixe o samba tocar... Não dê bola para as escovas de cabelo espalhadas, roupas na poltrona do quarto, o banheiro anarquizado, sacolas pela casa, vários copos na pia.  Feche os olhos para não entrar em crise e bola pra frente - não tem outra solução. Depois você coloca ordem na casa.

No final da história, hóspede e anfitrião soltarão a língua afiada.  O que foi feito com carinho será esquecido, mas não aquele  olhar  atravessado porque alguém fez 'xixi'  e esqueceu de dar a descarga no vaso... Cruzes, mas pode acontecer, ora. 

Mas ao querido hóspede é bom lembrar algumas regrinhas: leve um presentinho para os anfitriões, é algo muito simpático, como se você dissesse: 

'Hei, lhe trouxe uma lembrancinha porque vim  sujar sua casa,  fazer você trabalhar,  tirar seu sono e acabar com seu descanso'. 

E por falar em comida, cuide para não se apossar da geladeira da casa! Ela já tem dono. Não esqueça de arrumar um pouquinho o seu quarto, afinal você não está na casa da mãe Joana; nada é seu.

Mas é isso aí, gente; se tudo estiver bom para ambas as partes, então é só deixar rolar e curtir essa verdadeira amizade.

E 5 estrelas com louvor para esse anfitrião que é amigão! É gente pra guardar do lado esquerdo do peito!!!

Mas, eu fora.

 

 

                               

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25 de maio de 2024

NÃO SOU AMIGA DE PANELA DE PRESSÃO

 



- Tais Luso de Carvalho


     Não acredito em alguém que diz não ter uma fobia, um medo exagerado de alguma coisa; por ex., dentista!! Uma baratinha!? Ah, só uma coisinha, vá lá… sejam companheiros! Não gosto de bicho que se esconde.

Tenho alguns medos bem pronunciados: baratas, dentistas, alto-mar, mata fechada, panela de pressão, pitbull e mais algumas coisas. O coração faz um tuc-tuc descompassado. Naturalmente algumas histórias traumáticas aconteceram por trás dessas fobias.

Fobia por baratas é o clássico entre as mulheres, e me encontro no rol, sou companheira. Navio, em alto-mar, além de enjoar muito, pensaria no troço afundando e eu sem chão, tipo morrer raciocinando, consciente. Não me atrai sentir a morte por etapas. Não quero morrer a prazo, ir descendo, descendo e me deparar com tubarões - outra de minhas fobias.

Panela de pressão me traz lembranças de infância, e com infância a gente não brinca, a coisa cala fundo, pior do que chiclete grudado em pata de pit-bull.

Lembro a vez que nossa empregadinha voou! Vi só o resultado, cheguei tarde: a criatura sentada no degrau da porta da cozinha, com os cabelos chamuscados. Apavorada! E minha mãe ali não entendendo a coisa, mas atendendo a mocinha. Como foi acontecer aquilo, a panela com válvulas de segurança? Pois é, aconteceu, mãe!

O fogão retorcido, os armários despencando e a tampa da panela lá na copa, ao lado.

Naturalmente eu tenho panela de pressão, mas quando ela começa com aquele Fuzzzzzzzz inicial, saio da cozinha em disparada e volto 35 minutos depois, meio agachada (como se adiantasse…), lembrando daquela criança de 8 anos. Desligo e saio correndo. Coisa de maluca? Tanto faz, o pinhão já está pronto.

Já me viram regressar à cozinha meio agachada, e ninguém entendeu. Ficaram me olhando... perguntaram se eu estava com cólicas. Não… é espírito de sobrevivência, aprende-se nas guerrilhas urbanas, aprendi na televisão. Vivenciar o estouro de uma panela é terrível: pensaria sei lá o quê, diante dessa tragédia doméstica. Era só pavor diante daquela cena terrível que até as vizinhas mais próximas apareceram.

Ah, esqueci de dizer, a minha panela de hoje tem nome... é Rosinha, a vermelha abaixo. Coisa mimosa para amenizar meus medos e acalmar aquele trauma, aquela criança que ainda existe. São métodos que encontro para tentar a cura, mas a Rosinha parece não entender: o milagre não aconteceu; e nem vai acontecer. Não fico muito à vontade quando começa com o seu Fuzzzzzzzz... Fuzzzzzzzz!! Estou seriamente pensando em doar a panela!



Rosinha



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13 de maio de 2024

ENCHENTE - A TRAGÉDIA NO RIO GRANDE DO SUL

Centro de Porto Alegre  - invadido  pelas águas do rio Guaíba

 


            - Taís Luso de Carvalho

    É sempre muito difícil escrever sobre as tragédias que rondam a humanidade, nosso emocional junta-se às vítimas das guerras, dos terremotos, enchentes, ciclones que destroçam tudo, e acabam com milhões de vidas, sem compaixão.

Meu Estado, Rio Grande do Sul, localizado ao sul do Brasil, cuja capital é Porto Alegre, está atravessando a pior enchente de todos os tempos, tragédia nunca vista nesse imenso país tropical. Mas não escreverei a tragédia em si, esse relato está nas excelentes coberturas da mídia. Essa cobertura acontece ao longo dos dias, desde o início da enchente, por todo o Brasil  e pelo mundo afora.

Sentimento de muito medo, sem dúvida nos acompanha, mas também bravura e gratidão, sentimentos difíceis de descrever numa peleia desse porte. Quero falar é sobre o ser humano, quando dotado dos mais nobres  sentimentos, quando abraça, quando está presente nos momentos difíceis de nossas vidas. Isso comove  e não é hora para discussões, críticas, políticas e ideologias, o que seria massacrante num momento destes. Agora é tempo de trabalho, de união e de gratidão. 

Muita emoção ao ver, pela televisão, os aviões da Força Aérea Brasileira descendo dos céus no Aeroporto Militar da cidade de Canoas, para entregar toneladas de mantimentos ao RS, e  trazendo seus soldados para a nobre e difícil missão de salvar vidas, juntamente com nossa valorosa Brigada Militar  e voluntários.  Meu coração não se contém! Não esquecerei destas emoções e de tanto apoio do Corpo de Bombeiros  e também do apoio e solidariedade dos  países amigos.

Equipes especializadas em resgates difíceis, idosos em cadeira de rodas, todos resgatados com cuidados e bravura, choram agradecidos. E falo aqui, também, do resgate do cavalo Caramelo, ilhado sobre um telhado por alguns dias, no município de Canoas, (vídeo abaixo) e que emocionou todos que viram as imagens.

Milhares de famílias  sem água, sem luz, sem teto, sem  nada mais. Pais de família choram pelos seus filhos, e desolados olham para suas casas, no chão: só escombros! É o que  resta.

Muitos perderam seus entes queridos. Muitas lágrimas que brotam dos corações gaúchos, são acompanhadas de imensa tristeza. Por onde andará a alegria?

Contudo, haveremos de erguer o Rio Grande do Sul! Difícil de ver tantas cenas chocantes  e não chorar junto.

Fica aqui, então, nosso carinho, nosso abraço a todos os bravos heróis e  ao povo brasileiro com grande solidariedade e bravura.  O Rio Grande do Sul  jamais esquecerá tanta solidariedade e apoio.

Nossa Gratidão!


Mercado público / Porto Alegre (centro)

Bairro Mathias Velho / Canoas - RS - 

Centro Histórico - Porto Alegre / RGS

 Caramelo, símbolo da tragédia Gaúcha - 

Veja o emocionante vídeo da enchente e 'resgate do cavalo'.



Um abraço do Rio Grande do Sul! 🙏  

Veja vídeo, mais paz e leveza...



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26 de abril de 2024

APROVEITE A SUA VIDA!

 

Imagem da Internet


                   - Taís Luso de Carvalho


       Basta a gente se indignar com certas coisas para ouvir a famosa frase:  "Não ligue,  aproveite a sua vida!"

Mas como assim, como será esse aproveitar a vida? É muito relativo, tem gente que aproveita a vida viajando até se estafar; outros aproveitam se empanturrando de churrasco e cerveja até enfartarem; e outros, correm atrás de superação se atirando de paraquedas, escalando o Everest etc. e tal. Mil coisas para se alegrar. Aproveitarem a vida!

Mas juro que vou ficar no aguardo, um dia descobrirei o que é esse aproveitar. Talvez eu esteja fora do contexto, vivendo ainda no séc. 18. Mas por falar em viver bem, em aproveitar a vida, penso que a melhor maneira de aproveitar a vida é pensar antes de pular em campo minado, ou arranjar uma enorme confusão. Calcular o que se faz...

Tenho aversão à brigas; sei que certas coisas até pedem um barraco de tanto que nos enlouquecem, mas não é o ideal, não deixará ninguém mais leve. Há muito que constato que paz por longo tempo é algo muito difícil uma vez que dependemos uns dos outros. E principalmente na dor. Na fragilidade. É difícil  viver, mas conviver não é moleza.

Como espero que meu espírito vá para uma dimensão mais evoluída, depois do apagão, então o que me resta por aqui é escolher caminhos mais floridos. O saudável é entrar pra turma do Não Discuto. Não tenho dúvidas dos benefícios e da qualidade de vida que se ganha. Mas não é coisa fácil, é um exercício diário, porque tem o outro lado da moeda: as pessoas  que destrambelham, contagiam outros.

Ter qualidade de vida não é só fazer exercícios, moderar na comida, comer grãos e frutas.  Ter qualidade de vida é ter a liberdade de escolher e tomar decisões, sem culpas. E decidir é sempre difícil. Pode-se levar anos numa indecisão ou decidir em 10 minutos algo que não se quer. Depende da cabeça do freguês.

O que acontece é que vivemos numa sociedade que cobra demais, mas cada um tem sua maneira de resolver as coisas, de ser feliz. Sofremos cobranças diariamente: a luta por status econômico, status cultural, e a poderosa indústria da beleza - para mantermos uma juventude eterna - mesmo que toda deformada – essa pressão é terrível. Outras gerações envelheciam com paz e dignidade. Hoje...é uma tortura envelhecer. Que mundo louco!

É fácil ver pessoas se retraírem, não por serem antissociais, mas por não terem mais fôlego para encarar inúmeras cobranças e julgamentos. Você é puxado para ser outra pessoa, embora lute para ser você mesma.

Se cada um cuidasse de si, mais felicidade sobraria para dividir, e menor seria o fardo dos infelizes. Não estou me referindo a movimentos sociais, políticos ou reivindicatórios em defesa de direitos coletivos. Isso é outro departamento. Parto do individual: mais autonomia, mais paz, mais calma, menos cobranças e mais simplicidade não estariam dentro desse conceito de aproveitar a vida ? Para que tanto ódio?

Antes rever rever meus atos  do que me atirar das alturas à procura de total liberdade.

Atirar-se das alturas é ato de coragem, mas deve dar uma sensação enorme de liberdade, ah dá!!  E pensando bem, deve ser isso que muitos querem sentir: um alívio de tudo, e quem sabe lá, aproveitar alguns minutos dessa liberdade... Voando!

 

                                   





14 de abril de 2024

O SILÊNCIO QUE INCOMODA


   

                      -Tais Luso de Carvalho


     Não faz muito que escrevi uma crônica sobre as pessoas que não escutam, que só querem falar, falar... É difícil encarar esse tipo de coisa, mas também existe um tipo de silêncio que é devastador, terrível!  Achar o meio-termo numa conversa é uma arte.

Geralmente as pessoas falam coisa com coisa, mas outras soltam o verbo aos trambolhões e não dizem nada. Mas cheguei à conclusão de que na maioria das vezes o melhor são os que falam, seja de uma maneira ou de outra. E nestas circunstâncias, a gente acaba dando o desconto para certos exageros.

Existe um certo silêncio que é dureza, constrange. Pessoas trancadas, que não falam, desprovidas de sociabilidade nos deixam  numa saia justa.  Nada pior do que um silêncio inquietante entre vivos.

Deparar-nos com alguém que mora num casulo é pesado. Desconcertante. O  sacrifício é muito grande pra morrer na praia. Não houve empatia? Nunca haverá. Não há mais paciência para ser condescendente com alguns problemas que me rodeiam. É ótimo interagir, sermos agradáveis e educados. 

Não é raro, encontrarmos pessoas que falam com eloquência, que o assunto flui fácil, com entusiasmo, com ideias, com simpatia. Achamos que a pessoa é estupenda, o rei da oratória. Sentimos na hora uma pontinha de inveja, mas uma inveja boa, agradável; aquela inveja que nos leva a querer falar igual e não em exterminar a criatura. Essas pessoas são abençoadas por terem esse dom, são agradáveis de conviver.

Já ficou lá atrás, nossa fase de apenas grunhir. De lá pra cá começamos a articular outros sons, formar palavras,  transmitir ideias e sentimentos: falar  de nossas coisas, de nosso trabalho, de nossa família, de nossas férias, de cultura, de nossas necessidades. Falar, trocar ideias e se interessar em ouvir os outros, também. Uma troca.

Dentre tantos motivos das pessoas escreverem na Internet, um é esse: você diz tudo que quer sem ser interrompido. Aí tá bom. Você escreve sobre tudo, expõe suas ideias,  diz o que gostaria de ver ou de não ver; fala de política, de esporte, de religião, da vida. Acho delicioso poder dizer o que se pensa - sem ofender -, seja da forma escrita ou falada. Mas sem dúvida que a forma escrita nos traz paz.

Mas, ao vivo a coisa é diferente: tem de haver interesse e sintonia.  Conversar é uma troca. 

Porém, hoje mudei de lado: por que aguentar uma situação desconfortável por muito tempo?  Acho que pessoas  antissociais não  precisariam passar por tais sacrifícios. Quem sai de casa tem de ser um pouco sociável. Ou não vá em certos ambientes.

Então, dado a muitos episódios desagradáveis que já passei, creio que mudei de opinião: se não houver o meio-termo, prefiro alguém que matraqueie!

Juro que terão meu perdão! 

E minha simpatia.











4 de abril de 2024

APENAS UM AMIGO...



APENAS UM AMIGO...

                 -  Taís Luso de Carvalho


       Mais uma madrugada e mais outro amanhecer, sempre o mesmo ritual: a noite despedia-se enquanto surgia a tímida luminosidade do amanhecer.

Mariana permanecia no sótão da casa, entre telas e pincéis. Ali em seu atelier, ela dava vazão às suas emoções, colocando em cada pincelada um pouco de seu espírito, por vezes melancólico e solitário. Os suaves e disciplinados acordes uniam-se em melodias que lhe tocavam o coração: as Ave-Marias de Gounod, de Shubert, de Donati...

Não demorou muito para que ela largasse as telas e desse descanso aos pincéis. Já cansada, debruçou sua cabeça sobre a mesa e passou a refletir sobre sua vida, seus encantos, desencantos, seus afetos, seus amigos, sua família.

Simpatizante da filosofia Budista questionava-se, também, sobre a Reencarnação e outros tantos caminhos que levam a Deus. Mas até aquele momento não chegara a um consenso. Ao mesmo tempo em que estava sintonizada com a sua estética, estava em dissonância com  sua espiritualidade. E ali viu-se só.

A música inundava o atelier amenizando sua solidão. As tintas e os pincéis, antes deixados de lado, agora testemunhavam os abafados soluços de Mariana. O tempo foi cumprindo o seu percurso até que Mariana levantou a cabeça como se estivesse emergindo de profundezas. E fixou, ao acaso, seu olhar num quadro esquecido, dependurado e coberto por um pano,  quase diante de sua mesa, ao lado de objetos insignificantes.

Com curiosidade, levantou-se e removeu o pano que encobria um quadro que havia pintado há muitos anos. Um pouco surpreendida, ficou a olhar aquele rosto de expressão suave, olhos cheios de ternura e os cabelos castanhos caindo sobre o belo rosto, numa suave harmonia.

Voltou à mesa e dali ficou a observar aquela expressão tão singular: um olhar que não recriminava e lábios que não acusavam. Talvez ela tivesse descoberto, em algum recanto de sua alma, sentimentos de generosidade. E pintara um retrato comprometido com esse sentimento e com suas carências.

Já menos amargurada, levantou-se e substituiu a música: colocou Chanson d’enfance e enterneceu-se como se buscasse um afago; queria sentir apenas a alegria do momento, e ter uma paz que não oscilasse. E assim ficou por bom tempo, recostada no sofá, deixando-se conduzir pelos suaves acordes.

Mais tarde aproximou-se do quadro e fixou seus olhos na pintura:

- E agora Amigo? Estamos aqui sozinhos, frente a frente... Mas nada ouso Lhe pedir; retenho em minha memória a Sua Jornada... Mas procuro apenas alguém que me escute, que retorne comigo à infância, e que compartilhe de meus projetos; ainda que pequenos projetos, mas que na solidão de minhas madrugadas esteja presente...

Sinuoso, o sol invadiu o atelier deixando uma sensação de conforto. Mariana caminhou em direção ao quadro, beijou o meigo rosto e encostou a porta...

- Até amanhã, meu Amigo!

 


O   ' Amigo ' 

Aqui no meu   DAS ARTES

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24 de março de 2024

LUXO OU SIMPLICIDADE

 

Juarez Machado / Brasil    -   Aqui  DAS ARTES


    - Tais Luso de Carvalho                                      


Este assunto só veio à tona por eu ter dado com os olhos num programa de televisão, sobre “Mulheres Ricas”. Não quero falar do que vi, só me servi dele para fazer um parâmetro entre o "excesso e o necessário".

Mas, no mesmo dia, li uma matéria sobre a escritora e jornalista Danuza Leão - falecida em 2022 aos 88 anos, que foi casada com o jornalista e empresário Samuel Wainer. Conheceu e conviveu com pessoas importantes no mundo da política, da cultura e da moda.  Viveu com todas as mordomias e luxos numa época importante do nosso país. Porém, num certo momento de sua vida, não lhe importaram mais seus vestidos de Grife, suas bolsas e malas famosas. Caiu fora! Levou alguns anos para chegar à conclusão de que o melhor, para ela, era a simplicidade.

Danuza doou muitos de seus livros, se desfez de suas roupas, suas bolsas e sapatos de Grifes famosas. Vendeu seu luxuoso apartamento, seu carro e tudo o mais que possuía, não precisava de excesso. Foi morar num apartamento bem menor que simplificasse sua vida. Logicamente com bom gosto, o que tinha de sobra. Passou a se vestir com a maior simplicidade: jeans, tênis, camiseta, por aí.

Acordava, lia os jornais, caminhava na praia, e fazia questão de mostrar que se pode ser feliz abrindo mão dos supérfluos. Luxo para ela, na época, significa levar uma vida mais simples. Foi colunista da Folha de São Paulo, Jornal do Brasil e O Globo.

O importante é que se dizia feliz. Realmente fiquei impressionada pelo seu desprendimento. Em geral as pessoas tentam se enquadrar dentro de algumas atitudes mais normais, tentam fazer as coisas mais ou menos certas, mas é difícil diante de tantos apelos para se ter, o que não se pode, e aí, nesse ponto coisa vai ficando difícil, tudo vai virando uma enorme bola de neve.  Passa-se a dançar a música dos outros. E por aí, muitos se perdem nessa euforia perigosa do consumismo.

Vivemos numa sociedade consumista, opressora e de muita ostentação. Nosso mundo é uma selva, impera a lei do mais forte, que oprime e dita as regras. E de muitas ofertas viramos ótimas presas. Nesse ponto é que entra nossa boa estrutura para aguentarmos tais apelos. Programas de televisão nos vendem sonhos. Quantas mulheres não se deixam influenciar por artistas malhadas e cheias de silicone? E estas, passam a ideia  que isso tudo é felicidade.

Existem aqueles maratonistas atrás de tudo o que é TOP, querem tratamento VIP por serem o Fulano, filho do Beltrano e neto do Sicrano. E dê-lhe “carteirada” (gíria brasileira para obter vantagens devido ao cargo que ocupam). As mulheres pagam os olhos da cara para exibirem uma etiqueta Armani, Versace, Givenchy, Chanel, Prada e outras tantas famosas.

Precisamos ser muito autênticos para não cair na teia. Mas, como vivemos num mundo de muitas falsidades, existem aqueles que mesmo sem poderem, entram na roda e ficam devendo os olhos... E pagam alto preço por serem insaciáveis.

Descobrir o que é melhor para nós não é fácil, mas é um alívio quando se vive verdades. É a qualidade de vida que muitos sonham: viver bem sem grandes sacrifícios, com o conforto necessário. O que mata as pessoas é a ambição, a ostentação.

Por isso penso que todo excesso, pelos quais muitos se matam, vai ficar por aqui. Iremos todos para mesmo lugar: com as mesmas flores, a mesma terra preta. Ou cinzas. Como preferirem.

E dias depois já seremos águas passadas... Completamente esquecidos.








 

12 de março de 2024

A FORÇA DA FÉ

 

Deck of Meteora


                  -   Tais Luso de Carvalho

 

       Faz algum tempo que fui à Igreja, a mesma que meus pais frequentavam, a mesma igreja que me casei – Igreja Santa Teresinha. Sentei no banco em que meus pais costumavam sentar. Senti eles tão perto de mim que tive vontade de saber deles, como está a vida lá em cima, onde estão.

Anos antes do falecimento de minha mãe, havia pedido a ela que, quando “partisse”, desse um jeito de vir me contar como ela estaria lá do outro lado, isso rendeu muitas risadas entre nós duas. Ela brincava muito com esse assunto, pois não revelava medo da morte, afirmando que deveria ser melhor do que nessa bagunça onde vivemos.

Saudades, tanta vontade de ver meus pais, de abrir meu coração! Lembranças dos valores que passaram para minha formação. E sou grata a eles por tudo.

Meu pai era um médico de muita Fé, achava importante ter uma religião, uma crença. Ter Fé. Segundo os médicos, a Fé é de grande importância na vida das pessoas.

Porém, eu questionava muito e não via claramente o sentido em nascer, viver, construir uma vida inteira, dar vida a outras vidas e depois, um ponto final! Isso eu já questionava, ainda adolescente, nas aulas de religião no colégio das freiras. E meu pai me dizia: minha filha, isto não tem resposta, isto é FÉ!

Mas voltando à igreja Santa Teresinha, onde eu estava sentada, olhei para o lado, onde ficam os confessionários, ali onde os padres escutam os pecados do mundo, dão o perdão e a penitência que nos cabe e depois voltarmos a fazer tudo novamente.

Dali, onde eu estava, fiquei observando um velhinho que mal conseguiu chegar ao confessionário, arrastava-se com enorme dificuldade. Fiquei pensando na tristeza daquele ato; que difícil foi chegar e ajoelhar-se! Que pecado teria cometido aquele senhor, no crepúsculo de sua vida, já tendo a despedida tão próxima? Talvez ele sentisse a necessidade da presença do padre para interceder o perdão junto a Deus afinal, foi assim que aprendemos.

Depois disso voltou a imagem de meu pai. Se ele estivesse vivo, vendo essa cena comigo, certamente diria:

Minha filha, isso é apenas um ato de Fé, a mais pura Fé.




Roberto Carlos / Luciano Pavarotti

Ave Maria


 



28 de fevereiro de 2024

ENSINAMENTOS DO TEMPO

 

   Palmeiras Imperiais - Av. Osvaldo Aranha - Porto Alegre / Brasil      


                              - Taís Luso de Carvalho


Hoje pela manhã, estava vendo alguns vídeos da bela Veneza enquanto Charles Aznavour cantava "Que c'est triste Venise". Veneza e o Velho Mundo… tão linda! Nossas vidas são povoadas por expectativas, algumas tristezas, frustrações, mas também por muitas alegrias. Por vezes, certas coisas incomodam muito, mas fazem parte da nossa bagagem.

Mais tarde, dando uma volta pelo meu bairro, recordei minha infância, minha adolescência no esporte que abracei, meus queridos pais, o início do meu casamento, de meus filhos ainda pequeninos e pensando num futuro que nem imagino. Em pouco tempo estava com meu baú aberto revirando todas minhas lembranças, tudo ajeitado e algumas coisas já esquecidas. Parei defronte ao prédio em que morei com meus pais, e também pelo lugar onde meus avós moraram quando nasci – hoje um prédio de apartamentos. Muitos pensamentos me acompanharam no passeio, tantas árvores floridas, o belo parque da Redenção, a avenida com as famosas Palmeiras Imperiais e as inúmeras construções antigas, tão familiarizadas. Tive a sensação de que tudo era meu, mas que um dia deixarão de ser...

São pensamentos difíceis de serem dominados, que chegam sem pedir licença. Além disso, surgem alguns questionamentos como as revisões de páginas, um balanço da vida. Pensando bem, entrei numa de filosofar sobre minha vida e concluí que lembrar do passado é saudável, mas não viver dele. Apesar de viver um dia de cada vez, não me esquivo em pensar e recordar. Mas nada se desarrumou, pois minhas perdas já assimilei, e tudo se aquietou no velho baú.

Como já estamos bem informatizados, quem sabe a gente não aprende, sem muito esforço, a deletar alguns arquivos que não  fazem mais falta?

Os anos levam nossa juventude, mas não tenho dúvidas que nessa troca, o nosso reservatório de experiências conta muitos pontos. É preciso sempre colorir a vida de esperança, de alegria e confiança, o que é plenamente possível se tivermos confiança e determinação nos nossos atos.


 






 

17 de fevereiro de 2024

LIÇÕES DE VIDA

 

              O Nascimento De Um Novo Homem - 1943 / Salvador Dali -                  

OBRA: DAS ARTES



LIÇÕES DE VIDA

      - Tais Luso de Carvalho



Numa época da minha vida, lá pelos meus 14 anos, e lá se vão décadas, eu achei curioso uma amiga de minha mãe dizer a ela que estava em “crise existencial”. Eu escutei, estava perto. Adolescente gosta de tudo que é diferente. Mas logo aquela amiga, sempre alegre e divertida, em crise existencial? Aquela amiga de minha mãe me encantou ao desnudar sua alma, desvendar os porquês da sua vida e o que a deixava aflita. Estava muito sofrida. Complicadas e indecifráveis posturas na vida sempre despertaram a curiosidade dos adolescentes.

Muitos problemas nossos, que não conseguimos clarear, têm endereço conhecido: Terapeuta! Mas hoje estamos mais abertos a comentar nossos problemas com amigas e amigos. Naquela época não era costume abrirmos muito as comportas. Hoje a coisa está mais solta. Alguns problemas, resolvíamos numa boa, mas outros, ao não compartilharmos, era uma tristeza sem fim. Não é bom guardar problemas.

Atualmente, o Brasil também vive uma crise existencial, está à beira de um colapso, mas tudo continua lindo para muitos, desde que o sol brilhe, o mar amanse e o carnaval traga lindas ilusões: “reis e rainhas” felizes na passarela...

A enorme crise política, está longe de encontrar o fio da meada. E cada um vai vivendo, como pode, aos trancos e barrancos, com seu coração patriota em nome da Democracia.

Na verdade, a situação está bastante paranoica. Algumas pessoas dizem que pararam de ler jornais, de escutar rádio, de ver os noticiosos na televisão. Facilmente as conversas descambam e o “bom clima” acaba. Cada um tem seu político de estimação. E é em sua defesa que nasce o ódio do momento entre os eleitores.

Um pouquinho só de paz, mesmo em doses homeopáticas já faria diferença. Como estamos num ano de eleições é muito difícil ficarmos alheios a tudo, ainda mais quando as coisas estão explodindo.

A política é a arte de dialogar, de governar com responsabilidade e com sensibilidade para que o povo seja feliz! Infelizmente as demonstrações de aversão, ódio e ressentimentos, estão em alta, mas na verdade não agradam mais a ninguém.

Enquanto permanecer essa perigosa polarização, a paz fica difícil.









4 de fevereiro de 2024

COISAS DE TURISTAS

 

Coisas de Turistas



                      - Taís Luso de Carvalho   

Sem dúvida que conhecemos um turista de longe: um ser deslumbrado, feliz, vestindo um bermudão ou abrigo, tênis ou sandália com meia, camisa solta, rindo não sei de quê e clicando tudo. O nosso lado de turista é cômico: meu pai fotografou minha mãe ao lado do 'segurança' da Casa Rosada (Sede do Governo da Argentina). Achei cômico aquilo! Não acreditei. Acho que ela pensou que turista podia tudo, até levar uma lembrancinha dos Hermanos Gaúchos do Palácio do Governo. Sorte que o segurança foi simpático. 

Lembro que a cada cidade visitada  eu fazia planos para morar. Sonhava com uma casa num lugar maravilhoso, com exuberante natureza. Até hoje minha família não esqueceu daqueles meus delírios. Na verdade, eu acho que naquela idade o que eu queria mesmo era me mudar para um outro planeta, se possível fosse. 

É próprio do turista pensar que só existem maravilhas na terra dos outros. O turista já sai do seu lugar de origem com uma ideia preconcebida: longe está o luxo, o exótico, o fantástico, a bela Arte, belas praias... Tudo para ser admirado!

Não existe turista que não se entupa com as pequenas lembranças dos lugares por onde vai passando. Há muito tempo - nos meus 18 anos - viajei para a Europa. De Paris trouxe  alguns souvenirs do Louvre - uma imagem pequena do quadro da Mona Lisa - Leonardo da Vinci,  uma réplica da Torre Eiffel que se desmontou pelo caminho e outras coisinhas mais. A Torre deveria ter sido embrulhada com mais  proteção.

O mais hilário foi meu retrato de corpo inteiro e com um saquinho de batatas fritas, retratado por um artista da praça de Montmartre. Trouxe com tanto entusiasmo que parecia que eu estava trazendo uma obra de Renoir! O turista não tem idade, ele é o mesmo sempre. E, está no seu pleno direito, entrar num Louvre balança muito nossas emoções.

Certas coisas beiram o cômico, muitas pessoas trazem pedrinhas do Egito, folhinhas do Monte das Oliveiras etc.  Um jovem tenista trouxe um punhado de grama da quadra de tênis de Wimbledon.   Eu trouxe quilos de inutilidades, hoje, só conservo as fotos.

Aos domingos, aqui em minha cidade, almoçamos em restaurantes nas imediações de um lindo parque da capital. Lugares aconchegantes, onde artistas expõem seus trabalhos, antiquários vendem suas belíssimas peças, cantores fazem seu show na rua, os pets passeiam com seus donos, crianças felizes e muitos encontros entre  amigos, artistas e conhecidos. Se fosse em outro lugar, numa rota turística, seria algo fenomenal! No fundo todos somos iguais. Gostamos de desbravar o desconhecido

Bem, mas onde quero chegar com esta crônica? É óbvio que é prazeroso viajar. Mas temos uma mania fixa de valorizar a terra dos outros e esquecemos que o lugar em que vivemos e que assentamos nossas raízes, também é maravilhoso. O triste é quando o homem coloca a mão e destrói tudo; não fica pedra sobre pedra.  Naturalmente me emociono quando vejo o passado preservado.

O melhor de tudo é sentar numa praça movimentada e ficar observando as pessoas, o movimento das cidades, o pôr do sol na belíssima Orla do nosso rio Guaíba, e o vem e vai do cotidiano de vários lugares.  Percebe- se que a vida das pessoas  se parecem muito.

Lembro do momento em que  voltei da Alemanha para o Brasil,  o avião entrou em céu brasileiro - eu chorei; constatei a força das minhas raízes. Isso é muito forte e muito bom o amor que sentimos pelo nosso lugar.

Mas hoje, bem mais amadurecida, tenho minha cidade, minha Terra como o melhor lugar do mundo para mim, e peço a ela mil anos de perdão se algum dia vacilei por seus encantos.