10 de novembro de 2017

DENTISTAS – VENCENDO O TRAUMA


          - Tais Luso

Lembro do dia que escrevi a cronica Fobia por Dentistas. Foi uma fase em que só na marcação da consulta eu já ficava baleada. Fobia tem uma explicação: é um grande trauma, que gera um grande medo.
Fui ao Google e vi uma legião de desesperados. Serviu para que eu me conformasse e não ficasse com vergonha de mostrar meu medo - o que me ajudou.
Recentemente, com a motivação de ver meus dentes alinhados e bonitos, fui atrás da solução. O dentista que escolhi inspirava-me confiança, pois já o conhecia. Já sabia da sua capacidade profissional e extrema dedicação.
No primeiro dia me senti como um caminhão desgovernado, ladeira abaixo. Mas me fantasiei de coragem. Eu precisava vencer.
Adentrando no título dessa crônica, quero dizer aos que têm o mesmo problema que tenho com dentistas, que ao decidir lutar contra meu medo e vencer meu trauma, foi um dos dias mais fortes para minhas emoções. Ao vislumbrar o primeiro resultado, ao me olhar no espelho, ainda no consultório, não consegui manter minhas emoções no equilíbrio certo, e minhas lágrimas se juntaram à gratidão e ao carinho com que fui cuidada.
Sim, 'Dr Luis Artur Zenni Lopes', o senhor não cuidou apenas dos meus dentes que ficaram ótimos, mas cuidou das minhas aflições, das minhas dores, do meu trauma sem que eu notasse! Não senti as anestesias, nem brocas e nenhuma intervenção que me angustiasse; o senhor não olhava, sequer, para as tantas horas contínuas que ali ficava. E ainda me passou um parabéns! Não, Dr. Artur - o parabéns é seu pela sua sensibilidade!
Digo aqui que temos como virar o jogo. No tempo certo a gente encontra dentistas ou médicos que se interessem pela pessoa e não só pela doença ou intervenção. Existem profissionais especiais, sim. São esses que sentam, que nos escutam e que tentam sempre uma solução. Esses não deixam o problema do paciente para os terapeutas resolverem, entendem a linguagem técnica e a do coração. Sendo assim, aproveito a oportunidade para, na pessoa do meu dentista, 'Dr. Luis Artur Zenni Lopes' - de Porto Alegre -, homenagear todos os profissionais que se superam não apenas na técnica, mas também na humanidade com que tratam os seus pacientes.

Minha gratidão, sempre.


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3 de novembro de 2017

MULHERES VAZIAS



              - Tais Luso
Hoje escreverei não sobre a mulher guerreira, forte, que tem o instinto para acolher e apaziguar. Não vou falar daquela mulher madura, vencedora e que faz por merecer a honra que carrega. Não quero tratar hoje da mulher culta, da responsável, da trabalhadora. Dessas já falei noutra postagem - aqui - como um ser muito especial.

Quero abordar uma outra mulher que, gostando ou não, faz parte do nosso Universo. E lastimo por ser de difícil digestão. É ela que se deixa levar por uma mídia, cujo objetivo é vender beleza para seduzir e provocar em tempo integral; falo de um ser vazio. Não quero dizer que sejam desleixadas com sua aparência. Não é isso. Mas há anos observo um declínio na maneira de ser de muitas mulheres. Há grande obsessão pelas academias, com o foco em definir toda musculatura feminina para algo mais pesado, de uma estética nada delicada. Também de usufruir de vários procedimentos cirúrgicos – que nem haveria necessidade. Já são bonitas. Mas é uma neura por ter um corpo sarado e provocativo. Não aplaudo essa forma de ser.

Mulher não é só corpo; mulher é espírito, delicadeza, companheirismo, atitude e inteligência. E sedução, na hora certa. Silicone nos seios virou sinônimo de mulher poderosa – a expressão é delas.
Então, lá vão elas com um decote generoso, exibir a nova comissão de frente; lá vão elas com um bumbum novo, enxertado, que lembra aqueles puxadinhos de casa de pobre que vão emendando as peças pequenas; lá vão elas com os lábios de Angelina Jolie que por não ser natural, fica um repolho sem formato; lá vão elas com uma cinturinha tão fina que mostra que o bisturi andou por ali tirando alguma costela. Quanto sofrimento!
Numa entrevista na televisão, com várias dessas mulheres artificiais, uma delas ainda não satisfeita, mostrou vontade em aumentar mais os seus lábios. E a boquinha da figura já estava um gamelão! Essas são as mulheres que se acham poderosas. Confesso que até gostaria de ver seu novo bocão com dentes brancos como a neve. Como era um programa de televisão, veio a pergunta da apresentadora:
Mas vale a pena tanto sacrifício?
Ah, só vale, a gente sente a autoestima lá em cima, os homens adoram!
Putz, isso é de uma pobreza e de um servilismo tão doentio que me nego a comentar mais. Quando a coisa afeta os neurônios é porque a causa está perdida. Então, nada mais resta a dizer.
Mas é certo que um dia, no crepúsculo de suas vidas, essas mulheres entrarão em profunda depressão, não encontrarão mais sentido em suas vidas vazias, até o dia que tudo se vestirá de pó. Que pena.



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28 de outubro de 2017

O MUNDO EM QUE VIVEMOS


           
            - Tais Luso

Minha caixa de e-mails lota com mensagens de paz, de solidariedade, de amor. Aqueles 'PPS' bonitos. Será o mesmo mundo em que vivo? Gostaria, mas não é o mundo em que vivo. Meu mundo, na primeira  encrenca, o sarrafo já desce, os afetos vão para o brejo e mergulhamos no mundo das críticas. O meu mundo tem incêndios criminosos, tsunamis, ódio, crimes, invejas, retalhações, corrupção, escravidão, terrorismo... E tudo vemos através das telinhas.  Quanta ternura e tolerância recebemos em forma de mensagens, um mundo que daria gosto em morar! No meu mundo real também tem um pouco de amor, mas não o suficiente para ser tão belo como essas mensagens que todos internautas recebem.
Na verdade, no meu mundo as pessoas perderam a confiança umas nas outras. Tornaram-se seres desconfiados e agressivos.
No meu mundo as pessoas se matam, se explodem em nome de religiões, futebol e ideologias. Poderíamos ter mais tolerância: se for ótimo para alguém ser cristão ortodoxo, evangélico, ateu, espírita, budista ou maçônico... maravilha! Está fazendo bem pra você, vá lá meu irmão, e seja feliz! A vizinha gosta de assistir programas de televisão apelativos? O que temos eu e você a ver com isso? A casa é dela, a televisão é dela! Como é bom evitarmos bate-bocas. Ou indiretas.
No meu mundo as diferenças físicas incomodam,  o bullying massacra, mata ou deixa marcas. No mundo em que vivo, somos cobrados pelas nossas posturas, ideias e comportamentos. Quem tem ideias incomoda;  quem não as tem, também incomoda; se brigamos, somos tiranos; se deixamos as coisas rolarem, somos um bando de bundões. É difícil acertar o passo.  Ser autêntico não nos dá nenhuma imunidade de ficarmos fora do rolo, porque ser autêntico também incomoda. E as vezes bem mais.
Então é de perguntar: mas o que 'não' incomoda? Nada, no meu mundo não existe essa paz. Está na genética dos humanos serem metidos e encrenqueiros, embora possamos ser, também, alegres, afetivos, solidários e amorosos.  Mas não é a regra principal. A regra mais forte é sermos juízes, é uma característica da nossa espécie, julgar!
Por tudo isso, tenho lido belos poemas, todos cheios de graça, de sonhos e saudosos da infância. Significa que queremos resgatar um mundo mais feliz.
E contudo, outorgamos a outras pessoas, através do voto, todas nossas vontades, carta branca para agirem em nosso nome, mas acontecem  coisas muito estranhas, fazem tudo às avessas. Mas guardo  esse sonho para as gerações futuras: que possam elas viver num país liberto e reconstruído na sua essência e na sua lisura. 
Nada mais. 

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20 de outubro de 2017

A CIDADE - POEMA DE GRAÇA PIRES

Cidade do Porto / Portugal



                - Graça Pires
           
            Improvisamos a palavra adequada
            para dizer a cidade, alheia e imprevisível.
            Todas as histórias do dia-a-dia se precipitam,
            gradualmente, na estrangulada identidade
            dos habitantes urbanos.
            É por comodidade que saltamos por cima
            dos odores, do lixo, da multidão, da indiferença
            e contornamos a evasão de um tempo arruinado,
            onde nos dizemos ecológicos e solidários,
            e nos indignamos, e coleccionamos protestos
            com que nos agredimos nas horas de ponta.
            Somos, na cidade, os viciados
            de um pseudo-conforto que nos inibe de sonhar.

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Do livro POEMAS ESCOLHIDOS.
Graça Pires nasceu na Figueira da Foz/Portugal. Licenciada em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Livros publicados: Poemas 1990/ Outono: lugar frágil -1993 / Ortografia do Olhar - 1996 / Conjugar Afectos - 1997 / Labirintos - 1997 / Reino da Lua - 2002 / Uma certa forma de errância - 2003 / Quando as estevas entraram no poema - 2005 / Não sabia que a noite podia incendiar-se nos meus olhos - 2007 / Uma extensa mancha de sonhos - 2008 / O silêncio: lugar habitado - 2009 / A incidência da luz - 2009 / Uma vara de medir o sol - 2012.

Com inúmeros prêmios recebidos, Graça Pires tem a sensibilidade fina e original, talvez a amargura de uma Sylvia-Plath, aliada a um rigor e contensão que dão à sua poesia o necessário equilíbrio. Pela beleza depurada da sua imagética, pela tonalidade melancólica, pelo tratamento profundo de grandes temas como o tempo e o amor, este livro vai decerto contribuir para a plena afirmação do seu talento.
        (Urbano Tavares Rodrigues).


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  Ortografia do olhar   / Blog de Graça Pires




13 de outubro de 2017

POR QUE TANTOS FERIADOS NO BRASIL?



                        - Tais Luso

Não sei se somos os únicos, mas brasileiro ama feriado e adora emendar um feriado com o final de semana – feriadão. Se um feriado cair na sexta-feira, na verdade a debandada para o litoral já começa na quinta-feira à tarde! Os que ficam nas cidades fazem o mesmo programa: shoppings! Lugar bom para  torrar a minguada grana.

Não entendo por que se diz, por estas bandas, que feriado é bom para encurtar o ano. Fico a pensar o porquê dessa neura de encurtar o ano. Eu não tenho nenhuma pressa de encurtar coisa alguma.  Gostaria é de prolongar o ano, teria a sensação de viver por mais tempo, gostaria de dizer que daqui não saio, daqui ninguém me tira – tipo criança birrenta. E como tal, também não tenho essa pressa para dar adeus ao ano velho. Talvez esteja aí meu aborrecimento com festa de Ano-Novo: o adeus!

Tenho a plena convicção de que aqui está bom, mesmo entre escombros e tsunamis. Mesmo com os enfrentamentos de  maracutaias bandidas numa luta deveras inglória. Mas quero vida-longa. Mar, sol, futebol, samba, cerveja é tudo que brasileiro gosta. Por isso somos vistos como um povo alegreo que não quer dizer que sejamos felizes 24 horas por dia.

Trabalhar é bom, mas é sufocante para os que são mal remunerados. Muita notícia preocupante; muita conta para pagar, planos de saúde cobrando alto e oferecendo pouco. Milhões de Precatórios trancados - governo se fazendo de esquecido do que deve. E mesmo assim somos um povo sonhador, corajoso. Entendo a razão de tamanha alegria com tais feriados: o povo se alegra, esquece da dureza, da política,  fica bonzinho e não faz arruaça nas ruas.
         
Nero, o antigo imperador de Roma, entusiasmava o povo com uma boa combinação de pão e circo. Serão esses tantos feriados uma boa maneira para acalmar e levantar o ânimo dos brasileiros? Tenho visto o contrário, pessoas de saco cheio com tantas necessidades básicas e esses feriados que param o país. Não aliviam nada, ao contrário, uma batelada de lojas e restaurantes estão fechando suas portas diariamente neste Brasil!

No momento atual estamos com a paciência esgotada. Somos um povo alegre, mas não burro. Enquanto o povo trabalha pra valer e muitos ganham uma merreca e pagam impostos altíssimos, nossos representantes trabalham a metade e ganham dez vezes mais! Sem falar nos ladrões que roubam milhões e milhões de reais por mês.

Acho que está explicado por que o povo ainda gosta de tantos feriadões.
Pensem aí.


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7 de outubro de 2017

A GERAÇÃO DOS INFORMATIZADOS NA HISTÓRIA




            - Tais Luso

É obvio que daqui a muitos séculos, os habitantes desse planeta serão outros, não mais esses 7.500 bilhões de inquilinos. Mas seremos muito vasculhados por cientistas políticos, historiadores e filósofos. Ficarão nossas lembranças, nossos feitos, principalmente de uma época curiosa onde se desenvolveu a era informatizada. Seremos o pano de fundo para muitas dúvidas. O porquê de tudo será a pauta de grandes eventos, e quem sabe onde!

Estudarão nossas mentes, hábitos, cultura e política. Estudarão gerações inteligentes, mas muito estranhas e solitárias. Saberão que enlouquecíamos se ficássemos sem Internet, sem WhatsApp por algumas horas.  Saberão o que significam as Redes Sociais e seu alcance.

Perguntarão que mistério envolvia aquelas gerações que criaram um alfabeto de símbolos que lembravam os Hieróglifos usados pelos egípcios durante 3.500 anos? Perderam o hábito da escrita? O que aconteceu? Por que tantas abreviações e emotions? Por que caminhavam por todos os lugares falando ao celular e não largavam um tal de Facebook? Que esquisita aquela gente; estariam doentes, mudos, analfabetos? pensarão eles.

Possivelmente, bem adiante, o mundo terá outra divisão devido aos terremotos, aos ajustes das placas continentais e às armas bélicas que sairão de cabeças enlouquecidas e que explodirão no planeta determinando os limites de tudo e de todos. Para muitas perguntas não encontrarão respostas, apesar de exaustivas pesquisas que farão sobre nós.

Não tenho dúvida que seremos lembrados pelas nossas façanhas. Talvez alguém no futuro, com neurônios superiores, encontre respostas para tantas manobras circenses. E também escavarão nossas tumbas, para estudarem nosso DNA, adormecido num jardim de paz debaixo de luxuosas esculturas, na tentativa de nos entenderem, de compreenderem nossas relações virtuais e solitárias.

Não faremos parte de um novo mundo, mas  seremos um tanto misteriosos para a História. Seremos as Gerações dos Informatizados: dos emotions, dos aplicativos, do WhatsApp, das redes sociais e das manobras políticas nada ortodoxas.

Mas também ficaremos na História com nossas descobertas, nossas virtudes e nossos grandes pecados - sem dúvida.

hieróglifos  egípcios
Essa é a linguagem contemporânea - WhatsApp e Redes

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29 de setembro de 2017

O DIA ESPECIAL



                         - Tais Luso 

Hoje abordo um assunto que sempre chamou  minha atenção. Ter mais idade tem lá algumas vantagens, ficamos mais acesos, mais seletivos. As bobagens, certas futilidades tendem a desaparecer. Se assim não fosse seria sacanagem! A vida não pode ser madrasta, pode dar uma de mãezona: 'cuide ali, vá por aqui, não entre em frias...'
Lembro de um amigo nosso que possuía uma boa adega, por onde andava  comprava excelentes vinhos. Mas guardava os de melhor safra  para tomar com amigos e  parentes, sempre numa data especial. Uma data que merecesse aquela bebida dos deuses. Os melhores eram reservados para um Dia Especial!
Um dia esse amigo faleceu e os seus melhores vinhos ficaram para serem tomados por outros; pelos amigos e parentes. Mas não mais por ele  naqueles dias tão especiais. Cada  parente  levou algumas garrafas. 
Da mesma forma, há muitas pessoas que compram as coisas para usarem num futuro, como roupas, sapatos, bolsas, perfumes... também esperam essas datas especiais para usá-las.
Um dia, olhando meu roupeiro, vi que eu estava imitando minha mãe: tinha lá roupas de 2 anos, ainda com etiqueta, sem uso. Roupas para serem usadas num dia especial, presumo. E pensei: por que isso? Até saíram de moda.
Passou um tempo, minha mãe faleceu e fui à sua casa arrumar e dar jeito em tudo. Ao abrir seu roupeiro senti tanta pena, fiquei tão machucada... quanta coisa que compramos juntas nas nossas idas aos shoppings; quantos momentos de alegria passamos escolhendo tudo aquilo! Mas estavam lá guardadas, intocáveis, e até laços cor-de-rosa enfeitavam as bonitas blusas dobradas com capricho; as roupas especiais. Mas faltou-lhe tempo!
Por que guardar as coisas para um futuro incerto? Por que não beber o melhor  vinho num dia que nos apeteça?
A partir desse fato, mudei. Hoje uso a bolsa que mais gosto nos dias mais comuns; coloco as roupas que mais gosto nos dias que quero. Comemos e bebemos  o que nos apetecer, porque o Dia Especial é aquele em que estamos vivendo. Meus dias são todos iguais. Amanhã, não tenho certeza de nada.

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                                  Juarez Machado aqui: Das Artes (Tais Luso)



22 de setembro de 2017

LIÇÃO DE UM PESCADOR



          

            - Taís Luso


Hoje vou contar uma história que escutei ontem,  dividir  com vocês, amigos.
Estava um pescador a descansar numa rede defronte sua casa. Seu barco, ali ancorado, estava repleto de peixes recém-pescados no mar. Não faltava muito tempo para sua freguesia começar a chegar, e como sempre, vendia tudo o que pescava. No entanto, sempre deu tempo para um bom descanso, entre uma saída e outra para o mar. Curtia, desfrutava muito daquela praia que tanto amava. Um lugar paradisíaco.
Num certo momento, um homem que passava viu os peixes no barco e o pescador descansando em sua rede – feliz da vida. O homem sentiu-se incomodado e parou para falar com o pescador:

— Amigo, vejo seu barco cheio de peixes e você aí deitado na rede! Se colocasse mais barcos no mar e empregasse mais gente, certamente ganharia muito dinheiro; em pouco tempo teria muitos barcos pesqueiros e gente trabalhando para você!! Teria tempo para descansar muito e curtir a vida, olhando o mar.
— Meu caro, o que você acha que estou fazendo agora? Estou descansado sem os incômodos que teria! Não está bom assim?
— Mas você pode ficar rico!!
— Pra quê? Sou  feliz  assim!
O homem partiu sem dizer mais nada.

Pois é, e muitos agem assim, aumentam o número de empregados, triplicam os negócios da empresa viajando muito, compram mansões na montanha e na praia, apartamento em outro país, pulam de cá para lá atrás das melhores aplicações financeiras, e muito mais. Formam um império. Um império, maravilhoso! Empresários de sucesso!!
Passado alguns anos, sempre com muitos incômodos e preocupações, essa gente precocemente envelhecida, gasta boa parte desse dinheiro com tratamentos de saúde e internações. A fortuna vai ser desfrutada, então, por aqueles que nunca precisaram trabalhar: os herdeiros! 
 Porém, cada um tem suas prioridades e sabe de si. Mas penso  nisso.




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15 de setembro de 2017

TEXTOS: CURTOS OU LONGOS ?

Alice Williams - EUA / 1990

        - Taís Luso

Faz muito tempo quando resolvi participar de concursos literários. Minha escolha caiu em crônicas. Mas uma das exigências era o tamanho do texto. Foi nessa época que aprendi, o tamanho, o tanto de laudas que eu tinha de obedecer nas crônicas. Nada longo. Foi uma das observações que segui à risca. E hoje, em meus blogs, tenho mais ou menos um padrão certo. Sigo com naturalidade, mas sempre me policiando em conseguir dizer sem me estender muito, a ‘enxugar’ o texto, isso significa tirar tudo que não interessa ao leitor, para que a leitura não fique cansativa. Dispersiva. Para que tantos adjetivos e penduricalhos? Vejam um exemplo de um texto, que preparei, onde conto um passeio no campo:

O cavalo era baio, de crinas compridas e desparelhas, uma cruza de um belo garanhão chamado Arcônios com uma égua branca chamada Cigana, que vieram da Argentina – país frio ao sul do Brasil -, celeiro de raças puras e fortes, dirigidas mais para o esporte hípico...

Viram que saco? Que importância tem as crinas compridas e desparelhas? O nome do pai e da mãe do cavalo não tem importância, só enche linguiça! São detalhes que não interessam numa crônica. Essa descrição só pode interessar a quem pretende comprar um cavalo. Ver sua genealogia, seu pedigree.
Procuro descrever um personagem com poucas palavras e trabalhar o principal. Encher linguiça é uma expressão usada que significa enrolar no sentido de falar no que não tem importância. 
Uma das coisas que mais aprecio é colocar a ideia no computador e depois dar forma e cortar os excessos. Cortar, cortar sem medo. Mas aprendi isso graças a inúmeros cronistas e contistas que li e continuo a ler. A poesia também me ensinou muito, sintetiza a ideia, e ajuda a dar ritmo e harmonia ao texto. 
Mario Quintana conta, no seu livro Caderno H, pg. 154, que seu professor, nos tempos de ginásio, disse aos alunos na aula de redação: ‘Não adianta escreverem muito, meninos, porque só leio a primeira página, o resto eu rasgo’.
E foi dessa maneira 'delicada' que Quintana ficou eternamente grato ao professor Major Leonardo Ribeiro; ‘foi a melhor lição de estilo, obrigando-nos a reter as rédeas de Pégaso e a dizer tudo nas trinta linhas do papel almaço’.
Também fico grata ao nosso querido poeta Mario Quintana!




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