8 de abril de 2020

ÉRAMOS FELIZES E NÃO SABÍAMOS

Um novo caminho...



___Taís Luso ___


Há tempos que eu vinha chateada com aqueles bichinhos que chamamos de cupins, que comem nossos móveis, portas, janelas, quadros, molduras, livros... Até ganharam um poema de Pedro Luso. Tive grande envolvimento  com essa praga, colocava o 'remedinho' de um lado, eles apareciam do outro e eu enlouquecia quando via seu rastro ao pé dos armários, prateleiras, livros etc. Resolvemos atacar por etapa, entregamos a cozinha, área de serviço e a dispensa para uma dedetização completa, e nós ficamos com as outras peças, fechamos as portas, abrimos todas as janelas e mesmo assim foi um horror!

À noite ficavam todas as janelas abertas. Dormir com janelas abertas? Jamais, apesar de ser andar alto. Uma semana de olhos esbugalhados e cansados. O pior é que hoje estou com saudades dos meus cupinzinhos!! Eles não me agrediam,  queriam, apenas, conviver conosco e comer sua comidinha, nada mais. Aiaiai... se eu tivesse sido mais condescendente e os tivesse perdoado! Na verdade são inofensivos. 

A vida tem disso, quando ela se mostra ótima, calma e alegre não pensamos que um dia tudo poderia virar! O mundo está de pernas para o ar com uma pandemia absurda que mudou nossas vidas. Mas, hoje ainda existem alguns 'cupinzinhos' por aqui, deixam seu rastro, mas não enlouqueço mais, aprendi o real valor das coisas. O grande perigo em nossas vidas não são os comedores de madeira; são vírus muito estranhos.

Atualmente estamos em quarentena, com essa loucura do Covid 19  que  ninguém sabe ainda muita coisa. O inimigo adora a invisibilidade. Essa expectativa, essa possibilidade que temos em contrair esse vírus é muito preocupante. Não faço drama, porém não sou uma otimista que diz ter o corpo fechado, o tal do pensamento positivo. Sou realista, levo medo ao ir ao supermercado, farmácia, elevadores, carros... Falar com alguém na rua é como ver um fantasma; ninguém para, mil acenos (gestos) com as mãos. Não são todos que conseguiram máscaras. O forte da pandemia, segundo o ministro Henrique Mandetta, da Saúde, será nesse mês de abril. É, estamos assim. Confusos.

E nessa hora do caos, e sentindo toda a realidade e um medo paralisante e disfarçado, é que podemos pressentir uma melhora da humanidade. Mas mudaremos; uns mudarão para melhor, serão pessoas mais espiritualizadas e mais equilibradas;  outros não terão essa conscientização em vida e continuarão por aqui...do mesmo jeitão, aquelas coisas...

Iniciaremos, depois de tudo passar, outro ciclo da vida, espero que sejamos todos bem mais felizes. E os governos mais responsáveis.





_____________________//___________________








31 de março de 2020

OS HERÓIS EM TEMPO DE PANDEMIA

 Os Heróis...



___Taís Luso___

Tantas coisas graves acontecendo, tantas conversas de palpiteiros, tantas notícias chegando a todo o momento que uma hora percebo o estresse a caminho, devido a essa pandemia pouco entendida, ainda. Notícias reais e também montões de Fake News deixam-nos confusos nesse momento vulnerável que acomete o mundo.

Não é hora de disputas políticas, de partidos medirem forças ou governo e oposição em queda de braço! Ninguém quer saber de política nesse momento, só queremos saber o que fazer e quando fazer. Carreatas e buzinaços fazem parte das manifestações democráticas. Somos um povo festeiro e afetivo, mas aprendemos a dizer 'Não'.  E politicagem  agora não; respeitem nossa dor; esqueçam um pouco as disputas e eleições e cuidem da nossa saúde!! Cuidem do povo!

Muitas vídeos de artistas e palestrantes de várias áreas estão surgindo no YouTube a todo o momento  com a intenção de minimizar as inquietações e angústias do povo em quarentena. Todos nós estamos vivendo na sombra da incerteza e do medo. 

Sonhamos com o dia em que voltaremos a nos abraçar; sonho com o dia em que uma emissora de televisão não se alegrará mais em mostrar a infelicidade e angústia atual dos brasileiros nos seus Jornais e programas de domingo. Ficou feio... Muito! Fora de contexto... A ordem é quanto pior melhor!! 

Lindo é ver pessoas mais jovens que colocam nos elevadores pequenos cartazes dividindo com os vizinhos dos prédios a sua vontade de ajudar, solidariedade aos idosos  para que não saiam de casa. Fazem as compras da casa, dos remédios e para o que precisarem. Essa generosidade é de ouro e comove.  É grandeza de espirito.

Mas, aos nossos bravos médicos, enfermeiros, cientistas, que enfrentam com angústia e muita coragem esse vírus Covid 19, o nosso mais sincero e profundo  agradecimento e nosso eterno carinho. Sabemos o que estão fazendo por nós, sabemos quantos médicos já morreram na sua missão de salvarem  vidas. Triste  saber da morte de um médico!
Mas estão aí os verdadeiros heróis do Brasil, de Portugal, da Espanha, da Itália, da França, dos EUA, do mundo inteiro.

Acredito que sairemos dessa pandemia mais enriquecidos, mais solidários, mais humanos, mais humildes, mais condescendentes e com grande espírito comunitário, a verdadeira solidariedade.  Está na hora de rever nossos valores. Dar uma arrumadinha na nossa 'casa'...

Cuidem-se, meus amigos.





_________________//_________________









23 de março de 2020

A CRÍTICA FERINA



___Taís Luso___


Se existe algo doentio no meio em que vivemos são alguns críticos de plantão: como gostam de baixar o sarrafo! Eles existem por todos os cantos; possuem uma crítica ferina, lançam suas supostas verdades  e desmancham trabalhos e sonhos. E isso acontece no meio político, nas artes, no meio cultural, no esporte, no meio social, nas famílias...  Estas pessoas se acham no direito de falar tudo o que pensam, pouco importa o sacrifício dos outros. Ver a arrogância e a petulância  de perto é coisa muito irritante. Triste.
Essa desgraça de criticar  tudo o que os outros constroem, em nome de uma crítica 'construtiva', acho lamentável. Deve ser sensacional colocar uma criatura pra baixo do tapete e pisá-la  para que ela se reinvente! Deve ser maravilhoso, sem dúvida. 
Pois bem...  Está postado, no meu outro blog, Das Artes, a segunda parte do meu texto sobre Cândido Portinari, os momentos finais de sua vida. Optei por mostrar a amargura de um homem diante das críticas; a tristeza de um homem que tinha amor por pintar sua pátria e sua gente. Não incomodava ninguém com o seu trabalho (ou incomodava!?). Era admirado e querido, mas tentaram destruí-lo. A crítica chamada de profissional e os novatos que trilharam o caminho aberto pelo mestre Portinari diziam que ele estaria ultrapassado, era a 'hora' do Abstracionismo. Muitos queriam que ele mudasse seu estilo.
É difícil lidar com  gente que se coça para amargurar a vida dos outros em nome de seu falso altruísmo. E de sua inveja.
Não sei de onde essas pessoas  tiram tamanha força a ponto de incomodar tanto. Conviver com gente assim é estressante. Essas pessoas desmontam,  numa bicada,  o que muitas pessoas levam anos para construir.
Quantos relacionamentos se acabam! Quantos empregos se perdem; quantas amizades se desfazem; quantos relacionamentos familiares vão pro brejo; quantos de nossos sonhos não alçam voo por críticas sem fundamento lançadas pelos reformadores do mundo que se julgam no direito de criticar!!
Peguem no batente, criaturas, pintem uma obra de arte digna de ficar na história; escrevam um poema de primeira linha; escrevam um romance digno de ser lido; um conto, uma crônica; naveguem com Amyr Klink numa noite de tempestade; subam o Everest num dia de inverno... 
Mas larguem do pé,  tanta coisa pra fazer...




________ Aqui:   Portinari - Dias de Tristeza / Das Artes_________
       
Cuidem-se, amigos, ficar em casa é a melhor maneira de se prevenir!




11 de março de 2020

FELIZ NA MATURIDADE




___Taís Luso ___

Temos duas etapas na vida muito distintas e de grande liberdade: a juventude e a maturidade. Mas é na maturidade a nossa última chance de sermos felizes. Agora, é pegar ou largar!!
- Eu só quero paz e saúde! - dizem os gurizinhos e guriazinhas de 60, 70, 80 anos...
Só isso? Mas isso é tudo!! Sim, tem uma explicação: esses gurizinhos e as guriazinhas são mais suscetíveis às doenças, normal. Então a paz de espírito é fundamental para um bom funcionamento da mente e do corpo. Uma vida estressante e conturbada é inimigo potencial para gerar uma série de desequilíbrios físicos  no pessoal mais maduro.
Há muitos anos, lá atrás, eu já tinha sentido a importância dessas palavras,  já que os jovens não ligavam (e não ligam muito )  para  a paz e saúde. Esses são mais ligados em desafios, em superação! Ainda há muita lenha para ser queimada: montanhas para escalar, mares profundos, plataformas para voar. Adrenalina aos montes! E muitos sonhos. E tudo isso dá um trabalho de cão! Mas foi uma fase nossa, saindo da adolescência. E continua nos filhos e netos.
Começamos a perceber e a sentir o real sentido dessas duas palavras quando já percorremos metade da estrada; quando já passamos por muitas realizações, frustrações, encantos e desencantos. Quando passamos boa parte de nossas vidas preocupados com nossos filhos. E também, quando já vivemos perdas significativas.
No andar da vida madura o que mais pedimos é paz. Mas não falo na ausência de conflitos bélicos; nos acordos mundiais e interesses políticos. Falo numa paz interior, aquele sossego do dia-a-dia, numa sincronia de pensamento e ação. Ter o poder sobre nossa vontade. Paz é um estado de espírito difícil de encontrar. E quando a encontramos  já é muita felicidade!
A ausência de sossego nos leva a uma desordem interior, uma agonia, um grande desafio para continuarmos a caminhada. As prioridades mudam, o tempo já pede um olhar mais atento. É um ótimo momento para baixarmos as armas e deixar a tropa passar; ignorar tudo aquilo que poderá nos causar danos. Um desajuste emocional  é coisa difícil de ajustar. Dá trabalho...
Sim, porque 'surtar' nesse mundo maluco é coisa bem fácil, está ao alcance de todos. O difícil vai ser olhar para trás e poder dizer:
Eu fui feliz, valeu a pena!


____________________//____________________







7 de março de 2020

UM DIA PARA A MULHER E NADA MAIS ?





___Taís Luso___


Pois é, ele está de volta, o Dia Internacional da Mulher – 8 de Março. Já escrevi bastante sobre esse dia. Dá para variar um pouco o assunto, mas a essência é a mesma: a luta das mulheres pelo reconhecimento, pela capacidade, pela igualdade e pelo preconceito existente.

Estive lendo uma ótima postagem sobre o 'Dia Internacional da Mulher' no Blog Xaile de Seda, da amiga Olinda Melo, e gostei muito. Lá está uma passagem de José Saramago que diz:

"Como é que pudemos viver assim tanto tempo condenando metade da humanidade à subordinação e à humilhação? "

Pois é, o problema não está na mulher, está no homem! Existe um 'Dia Internacional do Homem?' Confesso que fui pesquisar, andei muito e vi de tudo. Existem centenas de dias comemorativos e não existe um dia especial para o homem. Existe o  Dia da Tartaruga, o Dia do Vendedor de Livros, o Dia do Desbravador, Dia da CozinheiraDia de Santo Antonio - o santo casamenteiro. Lembro de uma conhecida que  colocou o santinho dentro de uma mala, debaixo de sua cama e lá ficou  de castigo por muitos anos, não estava resolvendo o problema para seu casamento. Existem 'dias' para todos os gostos. Coisas Inacreditáveis. Mas o 'Dia Internacional do Homem'... não existe. Ou não é conhecido.

Encontrei o dia do Goleiro, o Dia da Madrinha, o Dia do Conservador - que fofo! Encontrei também o Dia do Gato, Dia do Boi!! E depois de pesquisar muito, encontrei o Dia Internacional do Homem - 19 de Novembro!!  Sim, é vero, existe, mas não é comemorado. Não é conhecido!

Poderia ser um dia comemorado para exaltar as virtudes desses mesmos homens que nós, mulheres, educamos. Poderiam  estar mais presentes  na defesa dos direitos das mulheres; poderiam ajudar a diminuir muito mais o preconceito e maior combate a esse horror do feminicídio que está se alastrando no mundo inteiro.

Dia da Mulher para quê ? Para continuar a lutar e a pedir o que há muito já é lei ? A discriminação e o preconceito são crimes! É só aplicar a lei, com rigor.




___A Mi Manera___




_______________________






29 de fevereiro de 2020

ONDE ESTÃO NOSSOS ÍDOLOS ?

                                                   daqui: Das Artes


___Taís Luso___

Quando vejo como somos frágeis diante das doenças e das grandes epidemias, passo a refletir o que estamos fazendo com nossas vidas e o pouco valor que damos a ela.
Quantas brigas compramos; quantas vezes colocamos as mãos em vespeiro ao falarmos sobre política ou qualquer outro assunto que seja nitroglicerina pura? Brigamos de graça! Um estresse que podemos evitar para nosso próprio bem.
Pouca coisa basta para um abalo nas relações entre amigos, parentes, pais e filhos. Muitas coisas por bobagens, outras muito desgastantes em defesa de alguém que não merece.
Ao longo do caminho perdemos  oportunidades e não nos damos conta de como a vida poderia ser maravilhosa se agíssemos com um coração mais dócil e uma mente mais aguçada para  deixar passar muitas bobagens - o estopim para  brigas e afastamentos. E, quando nossos entes queridos partem, quando a saudade aperta, ficamos a pensar, o quanto poderia ter sido diferente nosso relacionamento se não fossemos tão duros em nossos julgamentos. Mas o tempo passou.
No fundo não sabemos lidar com a felicidade, nem com as tristezas e muito menos com as contrariedades. Dizemos, muito, que estamos aqui de passagem, mas para onde pretendemos ir? Não aprendemos a viver aqui e sonhamos com outra vida? Quando, onde?
Anos atrás os relacionamentos familiares eram mais valorizados; os amigos eram leais e tínhamos em nossos ídolos  uma grande inspiração e enorme admiração. 
Hoje, parece que tudo evaporou, outros valores tomaram o lugar de nossos ídolos, e esses também ficaram raros.
Nós mudamos, as famílias mudaram, a sociedade mudou.
Todos perderam.


____________//_______________





22 de fevereiro de 2020

PISEI NA BOLA... QUE GAFE!



                                                  ___ por Taís Luso___




Quando cometemos gafes temos duas saídas: rir ou carregar uma mala de culpa por um certo tempo. Como tenho consciência que gafes fazem parte de nossas vidas, sigo a vida rindo ou padecendo. 
O povo brasileiro é muito expansivo. Isso se nota dentro do próprio país, sendo o nordeste brasileiro ainda mais diferenciado, mais extrovertido do que o sul. Fugimos um pouco de certas formalidades. Diria que somos mais soltos; mas nem melhor nem pior do que ninguém. É uma característica dos brasileiros.
Gostamos e achamos simpático quando um Chefe de Estado quebra as regras do  protocolo. Por que será que gostamos tanto disso? É que no fundo todos gostam da simplicidade. Mas também não quero dizer que devemos sair por aí aprontando feito loucos.
Ontem eu  cometi uma gafe  e fui tomada por um ataque de riso, aquela coisa meio histérica que acontece quando pisamos na bola (fazer ou dizer bobagem). 
Fui dar um telefonema de felicitações à minha comadre e perguntei quantos aninhos ela estava fazendo. Coisa chata para aquela hora.
Disse-me a idade, mas não fiquei quieta:
— Ops... Mas você está enxuta!
Esse 'mas' pesou! Foi um elogio infeliz, como se a criatura tivesse de estar numa pior. Ela estava ótima, sim, mas ainda não parei por aí! Tenho uma mania de tudo que descubro e que é ótimo,  passo aos outros, mas fui de uma infelicidade sem tamanho. Lá pela metade do papinho sobre sua saúde, encaixei uma bomba:
— Olha, quando você precisar de uma dentista, que arranque dente com destreza, fale comigo, descobri uma que é Di-vi-na! Uma mão de anjo!
— Mas PÔ!!! Tô fazendo aniversário e você vem me dando nome de dentista pra arrancar meus dentes? Pô...
— Não... Péra! Eu quis dizer caso você venha a precisar! Mais adiante, bem mais!!
Vi que o negócio ficou pior e não teve arrumação!  Senti a mancada horrorosa que dei. Minha intenção era dizer que nunca tinha encontrado uma dentista tão boa! Só que  disse na data errada! E passei o telefone para o Pedro.
— PÔ, Pedro, a tua mulher está com algum problema? Tô de aniversário e ela fala em arrancar meus dentes!
Não havia mais nada a fazer com aquele episódio dramático, ele apenas disse que eu estava com muita dor de cabeça.
— Mas... O que tem a ver uma coisa com a outra? Perguntou ela.
— Pois é, também não sei! Quando ela está com dor de cabeça acontece isso...
Que triste, a comadre é tri de vaidosa! Não deu para arrumar, mas levei uma lição: felicitar aniversariante por telefone é uma coisa que farei e sairei correndo! Não temos muito mais a acrescentar nessa data querida do que muitas felicidades, saúde e muitos anos de vida!
 E flores, se não houver uma festinha...






_____________________//______________________

(reedição)



12 de fevereiro de 2020

SONHOS E ILUSÕES




___Taís Luso___

Mesmo que a maioria dos habitantes do planeta estejam vivendo na linha extrema da pobreza, uma minoria ainda é bem festiva, abraçam o luxo e os excessos sem problema nenhum. Os descomedidos, fazem muito alarde com suas coisinhas extravagantes e de alto luxo. A desigualdade sempre reinou nos quatro cantos. O sentido da  palavra desigualdade é tão velho quanto o mundo. Mas está sempre na moda.
Em geral as pessoas mais comedidas tentam se enquadrar em atitudes menos ostensivas, mais discretas, pois ganhar dinheiro honestamente, não é crime algum.
Para os menos favorecidos é difícil ter cautela diante de tantos apelos da mídia, a coisa vai virando uma bola de neve e os que não sabem das consequências vão se enterrando - como dizemos aqui no sul do Brasil. Muitos se perdem nessa euforia perigosa do consumismo e da ostentação.
Vivemos numa sociedade com um pouco de tudo. Nosso mundo é uma selva onde impera a lei do mais forte, e esse dita as regras. E de tantas ofertas viramos ótimas presas, frágeis como um castelo de areia.
Programas de televisão nos vendem sonhos e ilusões. Quantas mulheres se deixam influenciar pelas cocotas siliconadas vistas em programas de televisão? Estas  passam a ideia de que tudo o que fazem as tornam felizes.

Aparecem algumas com um bocão que juramos que o cirurgião estava de porre. É surreal aquilo! Mas plástica virou vício. Querem ficar com a cara da fulana - 30 anos mais jovem e que já nasceu feita.
Enquanto isso, outra turminha corre atrás de tudo o que é top, quer tratamento vip por serem o fulano, filho do beltrano e neto do sicrano! São os famosos carteiraços. Enquanto isso, os miseráveis esperam uma moedinha na beira da calçada. Não destes riquinhos, isso não existe.
Tem gente por aqui vendendo seus jatinhos para que o povo não fale, querem evitar um desconforto nas próximas eleições.
Essa gente não consegue pensar que todo esse excesso vai ficar por aqui! Iremos todos pro mesmo lugar; com as mesmas flores atiradas no mesmo buraco, é o único lugar onde existe igualdade.
Mas, a dolorida verdade é que um dia seremos águas passadas. E tudo será deixado por aqui. Talvez aos herdeiros.
Então digo: viver é ótimo, mas se não acertarmos o passo no início, vamos passar  um trabalho de cão!


______________//______________







4 de fevereiro de 2020

COMER OU NÃO COMER?

Churrasco Gaúcho


            __Taís Luso__


Voltando à minha infância, lembro que meus familiares, eram fortes e corpulentos. E naquela época, gente encorpada pensava que os magros estavam doentes, morrendo de inanição, então dê-lhe fortificantes nos filhotes! Meu tipo físico não combinava em nada com minha família, e isso os preocupava. Parecia que todos vendiam saúde e eu, a magrinha, estava indo pro brejo. O negócio era abrir o meu apetite, mas isso de nada adiantou. E não sei como estou viva com tantos fortificantes.

Cresci, casei, tive meus filhos e peguei alguns quilos, acho que fiquei normal, pois ninguém mais falou que eu estava magra. Mas é no Brasil que mora a neurose da mulher contemporânea. A moda é malhar até a exaustão para ficarem musculosas, malhadas, com corpo que faz páreo a jogador de futebol. Está difícil saber o que é normal.

Mas, falando em saúde...
Lembro de alguns alimentos que eram bons e depois passaram a vilões: os tomates, os abacates, queijos, ovos, chocolates, carnes, camarão, massas, bolos, café, iogurtes... tudo era bom! O suco de tomate para os homens era considerado ótimo, e atenta à prevenção de doenças, e  já casada, fazia suco de tomate para os homens da família. Também prescrevi para meu pai o questionável chá de alho para a gripe, falei das propriedades terapêuticas etc. e tal, e fiz um para ele. Ficou horrorizado, exalando alho pelos poros  mandou-me passear! Tá bom, larguei o estilo 'mamãe sabe tudo'. A gente amadurece e muda muito; para pior ou para melhor. Mas mudamos.

Anos depois as regras da boa alimentação também mudaram: o tomate foi desmistificado: não servia pra coisa alguma, a não ser para molhos. O saudável abacate virou vilão – gordura! O uso do vinagre, causava anemia, passei a usá-lo como limpador de carpetes, restaura a cor – Divino! Truques da minha mãe.
A carne vermelha deveria ser menos consumida. Mas Gaúcho não se preocupa com isso, churrasco é tradição, é nossa cultura. O camarão, nem pensar, o colesterol vai nas alturas!

O pão? Só o integral, aquele com gosto de sola de sapato! Massas, pizzas, embutidos de salames etc.? Nem pensar. Doces? De vez em quando até me permitia, mas comia com uma culpa de cão, e depois ficava com ideias suicidas (risos).

Por algum tempo fui considerada pela família, a rainha da macarronada, era bem temperada e apimentada, um show! Mas com o tempo fiquei rotulada como a vilã da família. Falavam que nesse meu tranco usando  pimenta eu mataria a família inteira do estômago! Então, em nome da paz e da saúde familiar abandonei as pimentas e a macarronada. Mas hoje, continuo sem entender, voltou tudo novamente:

O vinagre, aquele vilão limpador de carpetes, passou a ser ótimo para quem tem problemas com glicose. Comer Três ovos por dia é saudável. O abacate faz subir o colesterol HDL (o bom), e o tomate deu a volta por cima, anda em alta, beneficia a próstata. O Churrasco... agora dizem que nosso cérebro precisa de gordura! Vá entender!!

A desgraçada da pimenta – que fez de mim uma homicida familiar – hoje previne o câncer e virou um ótimo analgésico. A maléfica e antiga gordura animal (a banha) hoje está em alta, não sofre transformação ao ser submetida ao calor, e tem lá seus benefícios. Os óleos vegetais viraram vilões. E o queijo? Beneficia quem tem osteoporose, mas as coronárias não o aprovam muito.

Confesso que estou farta desse pode não pode; come, não come. Com todos esses cuidados, e seguindo inúmeras tabelas, acho que vou morrer cheia de saúde! Estou começando a duvidar de tudo...


saladas
macarronada com pimenta 

Churrasco nos pampas








25 de janeiro de 2020

NÓS, MULHERES !

daqui Das Artes



__Taís Luso__



    Se todas nós fôssemos  belas, simpáticas e bem-humoradas; se fôssemos ótimas esposas  e profissionais bem-sucedidas; se cuidássemos dos filhos, do marido, da casa, do jardim, da sogra, da empregada, dos cachorros e ainda fizéssemos parte de algum voluntariado…aleluia! Seríamos fantásticas! Uma perfeição.
Pois é, mas somos humanas, não estamos com toda essa bolinha apesar de sermos bombardeadas diariamente por uma mídia que apela para sermos a Mulher-Maravilha,   não esquecendo de exibirmos, também, um corpinho perfeito, custe o que custar. 

Mesmo assim, sem muita estrutura para aguentarmos tal imposição, saímos desatinadas à procura da Academia mais próxima e de uma Clínica que nos ofereça o pacote milagroso da eterna juventude. E assim  alimentamos a Indústria da Beleza. Uma obsessão que muitas seguem de olhos fechados. Um martírio. Eu fora!
Malhamos como loucas, e, muitas vezes, saímos da academia com a sensação de termos virado uma Barbie (um pouco envelhecida), mas com uma musculatura bem definida, como tenho visto.  Não falo na importância dos exercícios saudáveis, isso  é outra coisa.
O cuidado com nosso corpo é necessário, mas parece que muitas  mulheres perderam o sentido da  estética. Muito silicone que altera medidas equilibradas e às vezes uma dose exagerada de Botox que nos impede de gargalhar, travando nossa expressão facial. Porém os homens também aderiram ao Botox , tá feito o pacote!
Enfim, nós mulheres estamos uniformizadas; parece que fazemos parte de uma única escola, tudo vai bem para todas. Mas nada contra a Lipoescultura ou Botox: falo do exagero. E falo daqueles peitinhos exagerados, que carregam frágeis criaturas parecendo embuchadas. Não existe  harmonia  nas formas. 
Depois de estarmos belas e satisfeitas, de termos comido o pão que o diabo amassou, saímos a desfilar na companhia do nosso barrigudinho. Mas sendo homem, tá feito o embrulho; maravilha, nada a falar. E não tem jeito: haverá sempre um atenuante para eles, pois mulher quando gosta, deixa passar. É uma atitude singular, trazemos por toda a vida  aquela coisa de mãe: gostamos e ponto final.  E por isso é que muitos andam tão à vontade, tão descuidados; com chinelo havaiana e uns bermudões dois números acima do normal. Verão é  verão!
Porém conhecemos também o contrário: a mulher está obesa e tem namorado? Bah… O cara  tá doente!  Todos conhecem as piadas das loiras bonitas.  Vá entender isso... Ou uma coisa ou outra; ou bonita ou inteligente! Deus dos céus...
Mas, apesar dessas firulas, podemos nos orgulhar diante da nossa história. É uma luta constante, seja na Política, na Literatura, na Medicina, Direito... Somos um exército avançando e tomando posse do que nos é devido. Nada mais justo.
PORÉM…
Bom seria se fôssemos reconhecidas pelo que fazemos, e não por termos lábios carnudos, peitos enormes e bumbum empinado.
Bom seria se fôssemos reconhecidas como profissionais capacitadas nas áreas técnicas com o mesmo reconhecimento e remuneração dispensada aos homens.
Bom seria se, após uma vida de trabalho, não sentíssemos o desconforto por estarmos aposentadas e o vazio de uma vida vista como improdutiva.
Bom seria se, na velhice, fôssemos cercadas de atenções, de paciência e de amor.
Bom seria, se tivéssemos o reconhecimento dos filhos, como mães amorosas que tentaram acertar.
Mas ótimo seria se, na condição de mulher, não precisássemos matar um leão por dia para provar do que somos capazes.


___________________//___________________
edição em 2014