13 de abril de 2019

CECÍLIA MEIRELES – Mulher ao Espelho




                MULHER AO ESPELHO



Hoje que seja esta ou aquela,
pouco me importa.
Quero apenas parecer bela,
pois, seja qual for, estou morta.

Já fui loura, já fui morena,
já fui Margarida e Beatriz.
Já fui Maria e Madalena.
Só não pude ser como quis.

Que mal faz, esta cor fingida
do meu cabelo, e do meu rosto,
se tudo é tinta: o mundo, a vida,
o contentamento, o desgosto?

Por fora serei como queira
a moda, que me vai matando.
Que me levem pele e caveira
ao nada, não me importa quando.

Mas quem viu tão dilacerados,
olhos, braços e sonhos seus,
e morreu pelos seus pecados,
falará com Deus.

Falará, coberta de luzes,
do alto penteado ao rubro artelho.
Porque uns expiram sobre cruzes,
outros, buscando-se no espelho.


_________________________________

Flor de Poemas – 3ª ed / Editora Nova Fronteira 1972 – pag 127


Descendente  de família açoriana de São Miguel,  Cecília nasceu em 1901 no Rio de Janeiro e faleceu em 1964, aos 63 anos.

Seu pai, faleceu 3 meses antes de seu nascimento, aos 26 anos. Aos 3 anos Cecília perdeu sua mãe. A tutela ficou com sua avó.
Seguiu a carreira de professora primária, mas paralelamente desenvolveu intensa atividade literária e jornalística, escrevendo nos principais jornais da imprensa carioca.
Em 1938 lançou 'Viagem', conquistando o prêmio da Academia Brasileira de Letras. Em 1965, pós-mortem, a Academia Brasileira de letras concedeu-lhe o Prêmio Machado de Assis pelo conjunto da obra. Foram 22 livros escritos. 'Ou Isto ou Aquilo' foi a última obra que Cecília publicou em vida. Porém sua obra conta em torno de 22 livros.
'Eu canto, porque o instante existe e a minha vida está completa.'

_______________________________
Uma feliz Páscoa a todos os amigos! 💙




7 de abril de 2019

O DIA EM QUE CHOREI EM AMSTERDÃ


      
      
         - Tais Luso 


Foi um dos dias mais tristes de minha vida: dia chuvoso em Amsterdã, Holanda. Um país lindo, cheio de tulipas, diques, moinhos, bicicletas e com uma arquitetura lindíssima, própria dos Países Baixos. Terra de Rembrandt, Vermeer, Van Gogh... Ah, Holanda!! Poderia ter sido um sonho... mas não foi.
Uma família sem muitos recursos, morava num barco: pai, mãe e um filhinho de 3 anos. Apesar de viverem com muita dificuldade, pareciam felizes. Tinham sonhos. Acreditavam em dias melhores.
Eram brasileiros que foram viajando sem rumo, descobrindo um caminho menos doloroso para viverem. Com as economias que levaram do Brasil, compraram um pequeno barco. E aportavam um dia aqui, outro ali, voltavam e partiam à procura de emprego. Vida dura.
O barco tinha um fogãozinho, pequena cama, mesa... tudo organizado para dar a ilusão de um lar, o sonho do casal. Até guardanapos de croché tinha. Todos os dias, em meu caminho, eu parava e falava com Jane, dava uma olhada na criança, levava algumas coisas para eles. Sentia lá, minhas raízes de brasileira.
Porém, um dia receberam uma notificação de que não poderiam continuar onde estavam: lá - onde ancoraram -, não era lugar para moradia. Sei lá, eu não estava a par das leis, do permitido naqueles canais de Amsterdã. Mas senti o desespero do casal.
No dia posterior à notificação, Nando, o marido de Jane, saiu para ver o que conseguiria, para onde iria com a família. À tardinha passei para ver o que Nando tinha conseguido, como tinham ficado as coisas.
Jane, sem parentes, sem amigos, abraçou-me e desabou num choro compulsivo, dolorido. Afeiçoei-me muito àquela família, eram como se fossem meus parentes, minha irmã. Eu a ouvia; ela me ouvia. Trocávamos experiências, conselhos e afetos. Difícil lidar com a saudade... Apesar dos pesares, somos um povo sentimental, coração mole e solidário. Somos latinos.
Quando consegui falar, perguntei à Jane o que tinha acontecido para aquele desespero, aquela coisa tão dramática. Estranho aquilo, nunca a vi assim...
Deu-me para ler uma carta de Nando; uma carta de despedida; não voltaria mais para o barco e nem para a família. Tentaria sobreviver noutras bandas. Cada um que seguisse sua vida. Simples assim, um bilhete pesado, cruel e sem muitas delongas.
Mas e agora? O que seria de Jane, sem o marido, com filhinho pequeno, sem dinheiro, sem emprego, sem lugar para o barco, e num país que não era o seu? Como poderia eu ajudar Jane e Ricardinho? Ficamos abraçadas chorando: chorando pela falta de tudo, pelo futuro impreciso e solitário, pelo desconhecido e talvez pela nossa separação. Não estava achando solução, eu morava na Casa do Estudante.
Que destino estaria reservado para minha amiga, que apesar de pobre não tinha mágoas da vida, me confortava quando batia a saudade do Brasil. Aquela amiga que me convidava para comer o pouco que tinham nos finais de semana. Eu precisava fazer algo! Debatia-me entre tristeza e ódio.
Toca o relógio! Arre, que noite de cão... Meu maxilar parecia de um Pitbull... Acordei com uma incrível enxaqueca. Qual a razão desse estúpido pesadelo? Não quero nem saber.
Só sei que fico muito feliz em dizer que eu nunca estive em Amsterdã; nunca morei numa Casa do Estudante, nunca tive uma amiga chamada Jane, e jamais vi um barco zanzando pelos inúmeros canais de Amsterdã!
E muito menos conheci um cafajeste chamado Nando.



_____________________________
(reeditado)





31 de março de 2019

IDENTIFIQUE-SE

Victor Hugo Porto / RS - Brasil



                      - Taís Luso


 Para qualquer lugar onde vou, seja para consultas médicas, algumas clínicas e sei onde mais, tenho de identificar-me. Parece que sou uma forasteira dentro do meu país. Na entrada desses serviços pedem minha carteira de identidade e também tiram uma fotinho! É... aquela mesma fotinho medonha, a famosa 3X4 que, quando não saímos com cara de bandido, saímos com cara de doentes! Não conheço ninguém que goste de sua 3X4. Depois me dirijo ao elevador com a ideia de que estou fichada. Além de ficar com a cara trancada, fico irritada, ninguém pergunta se quero ou não tirar uma foto! E tiram a horrenda foto do computador, e minha cara é uma só: de presidiária!

Na Carteira de Motorista e de Identidade não dá para esboçar um simples sorriso, nem aquele discreto e simpático sorriso da Monalisa – de Leonardo Da Vinci. É na dureza. É para complexar. Triste. Saio dali, e acredito que uma sessão de psicoterapia de 'apoio' me faria bem, evitaria uma crise existencial, do tipo 'quem sou'?  Olho para Pedro e pergunto: sou eu mesma? Ele pergunta o mesmo para mim. Pelo menos há um pouco de solidariedade e uma certa cumplicidade. Voltamos os dois com a sensação de que a vida está se vingando, só pode ser. Perguntei ao rapaz do computador se não daria para tirar outra...

- Dá, mas pode ficar pior!!! E não podemos tirar a terceira foto!
- Não, moço, então deixa assim, estou satisfeitíssima!

Coisa desagradável também acontece nos Bancos, aquela maldita porta giratória tranca, e eu com uma bolsinha que de jeito nenhum cabe uma metralhadora, fico exposta ao ridículo. Escuto o segurança pedir para tirar os metais: as chaves, o celular, os óculos...tudo porque a porta tranca. Deu? Não, não deu! Que será mais? Os brincos? Correntinha no pescoço? O segurança percebe minha indignação e destranca a porta manualmente. Notou que minha bolsa tinha fivela de metal! Mas confesso que estou acometida de uma neurose bancária. Será que tenho cara de guerrilheira? Eu não...!

Será que olhando para mim, não percebem que sou boazinha e de boa família? Que não estou com intenções de explodir o Banco e nem metralhar o povo?

Mas no fundo,  acho que essa atitude se justifica pela conjuntura do país ao longo de anos, tentarei entender e entrar no 'clima' de paciência. Tentarei respirar fundo e farei força para lembrar o que fui fazer no Banco. A última vez não consegui; só me restou voltar para casa. E espero que a confiança, a ordem e a segurança um dia se restabeleça nesse meu país.


____________________//____________________





25 de março de 2019

O MENTIROSO COMPULSIVO





       - Taís Luso

Não há coisa mais infame e desgastante do que lidar com mentirosos compulsivos; confesso que tenho muita dificuldade,  tolerância zero. Meu defeito de fábrica, talvez.
É lógico que os compulsivos são pessoas doentes, mas quando a coisa é demais, quando estou convicta de que uma pessoa está deitando e rolando, incomodo-me muito. Não consigo ser condescendente, deixando que a criatura se espraie muito. Minha reação é mostrar-lhe o absurdo, mas como isso não leva a nada, apenas afasto-me. A gente aprende que não adianta dar murro em ponta de faca. 
O mentiroso tem o dom de exercer um desconforto grande, quer por onde esteja, é mestre em caluniar,  difamar e intrigar. Isso é terrível.
A mentira pode nascer na infância, quando a criança mente para fugir das culpas, dos castigos e para conseguir o que quer; pode nascer na adolescência, para fugir do controle dos pais e conquistar a sua liberdade, e daí só vai...  na idade adulta, o vício de mentir torna-se grave a ponto de desbordar para a calúnia, para a injúria, para difamação, podendo levar o mentiroso a responder judicialmente por tais delitos. Acontece aos montes, principalmente no meio político onde já fizeram escola. 
O mentiroso mente sobre tudo, é o raio da compulsão, começa com besteiras: um filme que nunca viu, diz ter visto; um livro que nunca leu, diz ter lido; uma viagem que nunca fez, diz ter feito. Uma pessoa de quem não é amigo, diz ser íntimo. Que mão de obra ter de sustentar  e provar  mentiras - se for o caso.
O mentiroso diz tudo o que quer, é um artista na arte de parecer: fala mal da mulher do amigo como se a conhecesse há anos; fala de seu chefe com a liberdade dos intrometidos; fala da secretária como se dela fosse íntimo, acabam com o emprego dos colegas, e tudo o mais com muita sutileza. É a compulsão de falar do inexistente. É um fantasioso nocivo. No meio familiar, essa conduta causa grande desarmonia. O mentiroso tem uma enorme capacidade de persuasão, de transformar mentira em verdade.
Para o mentiroso não importa a dimensão da mentira, como não importam as consequências de seus atos. Ele tem a capacidade de destruir, de intrigar, de colocar gasolina na fogueira e esperar pela explosão do lado de fora.
Não falo daquelas mentirinhas bobas, quando nos ligam na hora de sair: 'hei, diz aí que não estou, fui ao shopping...' E a gente escuta a voz da cretina. Mas falo daquele que mente porque necessita; quer ver o circo pegar fogo, quer ver você se danar na vida, pois ele já é um fracassado. E um fracassado só vive melhor se você está no chão. E o mentiroso, na verdade, não é amigo de ninguém.
Infelizmente é assim.

____________________//____________________
Para aliviar... deixo  essa maravilha: Praia da Ursa / Sintra - Portugal
Daqui, do blog amigo / Ângela:   Portugal-Re decouvertes 
______________________________________________________________________________
Last Kiss Goodnight by Kevin MacLeod is licensed under a Creative Commons Attribution license
(https://creativecommons.org/licenses/...)
Source: http://incompetech.com/music/royalty-...
Artist: http://incompetech.com/
____________________________________________________________




17 de março de 2019

CILADA VERBAL - Affonso Romano de Sant'Anna

Sofrimento / Francisco Brennand        (Das Artes)           




                     CILADA VERBAL  


Há vários modos de matar um homem:
com o tiro, a fome, a espada
ou com a palavra
envenenada


Não é preciso força.
Basta que a boca solte
a frase engatilhada
e o outro morre
na sintaxe da emboscada.

_____________________________________
                 Poesia Reunida 1965 / 1999 - L&PM 2004 / pág 87

Affonso Romano de Sant'Anna nasceu em Belo Horizonte MG/Brasil - 1937. Poeta, crítico e professor de literatura e jornalista. Ainda pequeno, muda-se com a família para a cidade de Juiz de Fora, Minas Gerais, onde inicia seus estudos e se aproxima da literatura ao frequentar as bibliotecas públicas. Começa a carreira jornalística em 1953, publicando críticas de cinema e teatro no Diário Comercial e na Gazeta Mercantil. 

            De família protestante, em 1954, viaja por diversas cidades mineiras pregando o Evangelho em favelas, hospitais e presídios. Em 1962 o bacharela-se em letras neolatinas na Universidade Federal de Minas de Minas Gerais e publica seu primeiro livro de ensaios, O Desemprego do Poeta. Organiza, com outros poetas mineiros, a Semana Nacional de Poesia de Vanguarda, em Belo Horizonte, em 1963.

Em 1964 obtém o grau de doutor pela UFMG, com apresentação de tese sobre o poeta Carlos Drummond de Andrade (1902 - 1987). Casa-se com a escritora Marina Colasanti, e em 1970, vai residir no Rio de Janeiro. Ministra cursos na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro - e na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Como professor convidado, dá aulas de literatura e cultura brasileiras em universidades da França, Alemanha e Estados Unidos. Assume a presidência da Fundação Biblioteca Nacional em 1990. Um ano depois, cria a revista Poesia Sempre, importante veículo de divulgação da poesia nacional no exterior. É nomeado, em 1995, para o cargo de secretário-geral da Associação das Bibliotecas Nacionais Ibero-Americanas. Também colaborador assíduo da imprensa em toda sua carreira jornalística, escreve textos para os jornais O Globo, Folha de S. Paulo, Jornal do Brasil, Jornal da Tarde, Correio Brasiliense e O Estado de Minas. Tem poemas traduzidos para o espanhol, inglês, francês, alemão, polonês, chinês e italiano.



________________________________________







10 de março de 2019

MULHER É ASSIM...


Sobre Fernando Botero  no  Das Artes 

              - Taís Luso

Mulheres e homens são bem diferentes, e consumir em demasia é mais próprio das mulheres. Estamos deprimidas, chateadas, brigamos com o marido, algo deu errado e a tal viagem não saiu? O filho tá de chantagem? A sogra vem acampar? Nossa Senhora do Suplício, vamos comprar! Vamos aliviar a barra!
Desde criança, aprendemos a compensar: mulher sabe que comprar compensa frustrações. Então, saímos à procura de qualquer coisa que possa amenizar nossas amarguras; nem falo em coisas de grife, o foco é caminhar, olhar, consumir, mesmo o baratão. Pode ser até umas quinquilharias das lojas '1.99': uma bandejinha, duas bandejinhas... Na saída, pegamos uns pacotes de bolachas, temperos, uns plásticos de fabricação duvidosa, umas tigelinhas horrorosas... enfim, tudo o que ninguém precisa.
E pronto: saímos espalhando felicidade com a conhecida sacolinha branca, com a cacarecada misturada sem saber pra quem dar. E se formos com uma amiga, melhor ainda: sentamos na primeira cafeteria e aproveitamos pra descarregar. Pra falar mal da vida, fazer uma sessão de psicoterapia gratuita. É o Dia do Descarrego!
Caso a voltinha no 1.99 não tenha resolvido alguns de nossos problemas, tem a cabeleireira! Essa é fatal. Cabeleireira é psicoterapeuta de grupo. Mechas ou pintura? Limpeza de pele? Unhas? Massagem? Saber da vida alheia? Uma tarde de Cinderela! E retornamos numa boa, pelo menos para os próximos dias, até passar a tal da TPM - coisa horrorosa para algumas mulheres. Bem que algumas abusam: botam fogo no mundo e tudo em nome da queda dos hormônios. Assim não dá, gente, calma!
Mas mulher é assim, tudo é motivo para o consumo: tristezas, alegrias, comemorações, despedidas, saídas e chegadas, mulher adora comprar lembrancinhas. Quando viajam a mala volta estourando. Os homens são mais comedidos - me parece. Bem que os homens não podem ver eletrônicos, celulares e similares que ficam vesgos.
Há muitos anos, eu me considerava a rainha dos balaios de liquidações. Os balaios me fascinavam, principalmente o tal do 'Porto Alegre Liquida'. Remexia, remexia... Quanta porcaria! Era só refugo. Eu só pegava o que ninguém queria: as calças do tempo das cavernas. Cheguei à conclusão que não sou boa em balaios: sou atraída para o esdrúxulo.
Cansei de comprar sapatos um número menor, quando não tinha o meu número,  com a esperança de que no inverno meu pé diminuísse. Só pra aproveitar o precinho; pra aproveitar a liquidação! Mas o mimoso está aqui guardado. Há tempos andei com ele e por pouco não tive gangrena. Não entendo como ainda está aqui, o desgraçado. Deve ser um problema sentimental com o sapato, Freudiano! Devo amar o tal do sapato, tenho uma culpa que não consigo resolver. Não consigo soltá-lo!
Bem, o tempo anda e  muda nossos valores. Abri meu armário e tirei trocentas coisas inúteis. O armário ficou limpinho. Minha diarista adorou. Nunca esteve tão disposta pra limpar o roupeiro.
Mas o ponto crucial continua sendo a famosa Feira do Livro. Ah, meu Deus, tantos balaios, tantos caixotes... Quanta tentação, tanta festa! Contos, crônicas, poesias, romances, arte... Um mundo mágico que não me controlo.
Sempre olho para aqueles balaios como quem examina a anatomia de um corpo; há tanta coisa esquisita, e eu tão indecisa... Mas preciso ir atrás de poesia: não por ser liquidação ou por haver balaios em profusão, mas porque poesia é uma flecha que encanta, que vai direto ao coração.
E não posso deixar que a poesia passe em branco, afinal, 'eu passarei e todos passarão'; mas 'ELE'...(Quintana) Passarinho!


_______________//____________







4 de março de 2019

ESTRESSE NA VIDA MODERNA



              - Taís Luso 

Estava numa loja de acessórios para cortinas, quando lá pelas tantas percebi que uma senhora surtou ao ver um rapaz com herpes labial. Perguntou-lhe se gostaria de uma cura espiritual, de uma oração focada para o 'herpes' do camarada sumir. Caramba! Como há esquisitices nesse mundo! Que coisa mais invasiva!
Fiquei a olhar de esguelha e pensei, naquele instante, como as pessoas pegam sarna para se coçarem! O que ela tinha a ver com o herpes da criatura? Colocou a mão no ombro dele e fez lá sua oração dentro da loja. Enfim, tem louco pra tudo.
Mas tudo bem, evito discutir religião e  política – estou livre e  leve. O ponto chave de conseguir paz é observar e conseguir ficar fora de discussões; conseguir dominar nossos ímpetos é maravilhoso. Quanto mais vivo, mais aprendo.
Muitas doenças de pele, como a do rapaz, são de fundo emocional, uma vez que a pele é a proteção do corpo, mas é vulnerável às emoções. Fadiga, angústias, remorsos, raiva, 'mágoas', insatisfações e cobranças pessoais se manifestam em alguma parte do nosso corpo.
As doenças vitiligo, a psoríase, o herpes, infarto, AVC  são muitas vezes consequências de um sistema emocional em pane, pedindo pelo amor de Deus uma providência. Sim, o estresse faz grandes estragos. Quando a carga é pesada demais, o corpo grita; pede ajuda.
Hoje o estresse e a depressão estão em alta. Estamos sempre atarefados, preocupados em fazer e concluir mil tarefas! E muitas vezes infelizes e solitários. A vida mudou muito.  O que se vê de gente nervosa por aí, valha-me Deus! Relevamos poucas coisas. 
Trabalhamos como loucos porque a mídia nos empurra de tudo e temos de exibir o máximo nas redes sociais. Não conhecemos muito bem o gerente do nosso Banco porque não passamos de uma peça de engrenagem; desconfiamos do advogado, do dentista, do médico, do mecânico, do eletricista... e precisamos consultar mais profissionais para confirmar se o primeiro diagnóstico está correto! Estamos muito mais desconfiados do que tempos atrás. Lembro, quando criança, que não escutava nada sobre estresse. Nossos pais tinham tempo e prazer em trabalhar – não lembro de meus pais ficarem aloprados pelo trabalho ou coisa qualquer. Tudo se resolvia com mais tranquilidade. Sem barracos.
É difícil viver num mundo de cobranças: temos de explicar a razão de gostarmos ou de não gostarmos das coisas; temos de explicar o porquê somos cristãos ou ateus; de esquerda ou de direita; temos de comemorar todas as festas do ano porque todos comemoram; temos de ir onde não queremos para não gerar encrenca familiar ou de outra ordem. Mas que mão de obra!! As pessoas não fazem convites, elas intimam, elas querem mandar nas nossas escolhas! E se não aceitamos ficam contrariadas. As discussões acaloradas nunca terminam bem, isso é desperdício de saúde. 
O estresse está presente em nossas vidas diariamente e ataca nosso sistema imunológico. E nossas defesas vão pro brejo. Evitar agressões é alongar a vida. E nossa saúde agradecerá.  Não levar as coisas muito a sério, é uma medida inteligente, afinal, nada sabemos o que há além da vida. O que vem depois, um dia saberemos.
Por enquanto  nosso bem maior é nossa vida. Mas o estresse reina bonito! 
E estraga boa parte da jornada.

________________//________________





23 de fevereiro de 2019

OS NOVOS RICOS...

Juarez Machado / Brasil



        - Taís Luso

É muito divertido  ver as extravagâncias dos novos ricos. Mas o mais curioso é que alguns emergentes nos dão a impressão de que tudo o que ostentam vem de berço, como se eles fizessem parte de uma Dinastia. Sendo assim, a coisa fica bastante animada de descrever algumas coisinhas  que vejo por aí.
Os cachorros dos novos-ricos são diferentes dos meus; frequentam manicura, pedicura, tosa e modelista. As fêmeas andam de fitinhas e jóias no pescoço. E se forem pequeninos andam no colo da madame, tipo Nenê da Mamãe!
A casa do novo-rico tem de ser top: um decorador - já conhecido no mundo das celebridades - é que irá  decorar a nova morada, e com muito luxo. Mas como bom gosto não se compra com dinheiro, as extravagâncias andam soltas.
As empregadas andam na goma: uniformizadas dos pés à cabeça, passam a falar baixinho e adquirem um comportamento misterioso, principalmente ao telefone: falar com a madame torna-se algo mais difícil do que falar com o Ministro das Comunicações. Mas faz parte, a madame é muito ocupada no seu mundo!
As Novas Ricas têm interesses diferentes, um deles é explodir nos céus da pátria amada como uma pessoa vista como refinada e isso requer estudo e  dedicação se a Diva não foi criada no meio. 
Para os homens valem outras coisas: o carro top, com cem luzinhas no painel  lembra a cabine de um Boeing supersônico. Isso deixa os novos emergentes alucinados. Também entra na lista deles o Laptop mais avançado do mercado; o celular mais afinado, caneta de ouro, relógio Rolex, Patek Phillipe... e bebida! E na bebida, a maior exigência fica por conta do vinho. E o bom emergente faz questão de anunciar o preço de seu vinho... Aliás, fazem questão de gritar o valor de tudo. É questão  de status, prestígio.
O emergente metido a enólogo tem um envolvimento com o vinho como se fosse a sua eleita, e fica aloprado ao entrar numa adega. Para alguns deslumbrados, o vinho tem de ser degustado e seus mistérios desvendados! Olhem que coisa romântica! O ritual do vinho só perde para o chá dos japoneses - com horas de preparo. Beber com um emergente nunca será um prazer, será um estresse.
Mas, continuando com a originalidade dos novos ricos, a temperatura do vinho tem de ser exata: o excesso de temperatura poderá deixar o vinho agressivo, pouco agradável, como o inverso fará com que o vinho adormeça, neutralizando o aroma e o seu sabor.
É da maior importância que o vinho seja da melhor safra, da melhor uva, e da melhor vinícola - procurada com ansiedade no rótulo da garrafa. Faz parte da sua cultura geral.
Mas tem mais: o melhor cálice é o de cristal sem emenda, liso e com silhueta de tulipa, para poder girar o vinho, pois é assim que solta os seus delicados aromas. E não param de cheirar a bebida dos deuses. Estão entendendo o espírito da coisa?
Então sigo...
A idade do vinho é importantíssima: sendo vermelho rubi, é um vinho jovem; vermelho acastanhado, vinho mais envelhecido. Então você decide se quer um  véio  ou um novinho,  frutado ou amadeirado.
Você tem de amar o vinho! Ser-lhe fiel! Beber pensando nele: sentir se é encorpado ou leve; se generoso, aveludado, rascante... Mas se for um vinho filante (doente), o cara surta! O estudo técnico de um vinho é como um processo de software; é muito importante, você precisa entender isso! Ou aguente o estresse.
O vinho sempre será algo de extrema importância nas rodas sociais,  e você  aprenderá sobre as uvas sauvignon, merlot, pinot-noir, pinotage, chardonnay, gewürztraminer... E não somente isso; também será importante falar na rolha, no sabor, no perfume, na uva, na cor, na acidez, na idade e a procedência! Ah...e no abridor que veio do  outro lado do mundo!
Nesse delicioso papo talvez você descubra o sexo da bebida, uma vez que uva é feminino e vinho é masculino. Ando confusa com isso. 
Mas então é isso aí, gente; foi só uma introdução pois o assunto é infinito e as extravagâncias são inúmeras. 
Os homens não compram uma bolsinha Louis Vuitton, não enfeitam os cachorros, não colocam uniforme nas empregadas, não enchem a casa de cristais, mas quando emergem ficam loucos por coisas que ninguém entende. Até por uma taça de tulipa, sem emenda!
Mas no final, tudo isso é a cara do Brasil!  Mas o que vale é que os novos-ricos devem se divertir um bolão; e eu, só em escrever, também!

  O  tal   'Nenê da Mamãe'...





17 de fevereiro de 2019

A BLOGUEIRA MAIS IDOSA DO MUNDO

"O maior desafio do ser humano é superar seu próprio medo".

      - Taís Luso

Dagny Carlsson está com 106 anos, é um exemplo de mulher, leva sua vida com alegria e determinação! Pesquisei bastante sobre ela, andei pelo seu blog (traduzindo para o português) e hoje a trago aqui para que meus amigos também a conheçam. É uma lição de vida o seu otimismo, a sua garra.

Nasceu na cidade de Kristianstad, na Suécia em 8 de maio de 1912 - quase 107 anos. E como é esperta! Tem opinião, fala de tudo, e o que a move é a curiosidade. Bojan - é como assina suas postagens no blog.

Dagny, ainda jovem, começou a trabalhar como costureira numa fábrica. Mais tarde estudou em um instituto têxtil em Norrköping. Porém, o que a tornou famosa foi o fato de se tornar uma blogueira, quis ser uma voz para defender a dignidade dos idosos na sociedade, com seus textos e suas opiniões. Dagny vive no apartamento de 99 metros quadrados há mais de trinta anos, mora sozinha depois que seu marido Harry faleceu em 2004, aos 91 anos. Ela não teve filhos,  tem sobrinhos - 70 e 65 anos. 

Ganhou seu computador dos familiares, aos 99 anos. E daí para a criação foi um pulo! Aos 104 anos de idade, Dagny Carlsson ganhou status de celebridade na Suécia.
Fala dos direitos dos idosos, dos desafios da velhice, do tempo em que não havia telefone, geladeira e por aí afora. Uma volta ao tempo muito pessoal, muito bom de se ler. 

"Os idosos não são estúpidos como a sociedade pensa. É preciso mudar esse conceito. As pessoas mais velhas são tratadas, em geral,  como se fossem crianças  ou como se fossem idiotas. Dizem aos idosos, ‘você não entende isso’, ‘meu velhinho’ e coisas assim. Eu digo que os idosos merecem mais respeito” -  desabafou Dagny.

Com alegria conta que as crianças a escrevem, que leem seus textos. Atualmente vive em Estocolmo, e diariamente passa algum tempo no computador vendo as novidades no mundo, e tudo feito com alegria, porque segundo ela, a vida não acabou, vive com intensidade e comunica-se com os amigos distantes. Adora comentários - deixei um numa de suas postagens. Dagny Carlsson mexeu comigo, com minhas emoções e, certamente, mexerá com a de vocês, também! 
Maravilha!! Dê uma olhada na nossa blogueira no vídeo abaixo.
Adorei conhecê-la!
________________

Blog: aqui     (posts 2019)  
Blog home
Facebook



Aqui com 106 anos
no computador
Com o Rei  Carl  Gustaf  e  a rainha Silvia.
                        foto quando jovem
Parabéns, Dagny Carlsson, adorei conhecer você!
Que belo exemplo!