17 de fevereiro de 2019

A BLOGUEIRA MAIS IDOSA DO MUNDO

"O maior desafio do ser humano é superar seu próprio medo".

      - Taís Luso

Dagny Carlsson está com 106 anos, é um exemplo de mulher, leva sua vida com alegria e determinação! Pesquisei bastante sobre ela, andei pelo seu blog (traduzindo para o português/Brasil) e hoje a trago aqui para que meus amigos também a conheçam. É uma lição de vida o seu otimismo, a sua garra.

Nasceu na cidade de Kristianstad, na Suécia em 8 de maio de 1912 - quase 107 anos. E como é esperta! Tem opinião, fala de tudo, e o que a move é a curiosidade. Bojan - é como assina suas postagens no blog.

Dagny, ainda jovem, começou a trabalhar como costureira numa fábrica. Mais tarde estudou em um instituto têxtil em Norrköping. Porém, o que a tornou famosa foi o fato de se tornar uma blogueira, quis ser uma voz para defender a dignidade dos idosos na sociedade, com seus textos e suas opiniões. Dagny vive no apartamento de 99 metros quadrados há mais de trinta anos, mora sozinha depois que seu marido Harry faleceu em 2004, aos 91 anos. Ela não teve filhos,  tem sobrinhos - 70 e 65 anos. 

Ganhou seu computador dos familiares, aos 99 anos. E daí para a criação foi um pulo! Aos 104 anos de idade, Dagny Carlsson ganhou status de celebridade na Suécia.
Fala dos direitos dos idosos, dos desafios da velhice, do tempo em que não havia telefone, geladeira e por aí afora. Uma volta ao tempo muito pessoal, muito bom de se ler. 

"Os idosos não são estúpidos como a sociedade pensa. É preciso mudar esse conceito. As pessoas mais velhas são tratadas, em geral,  como se fossem crianças  ou como se fossem idiotas. Dizem aos idosos, ‘você não entende isso’, ‘meu velhinho’ e coisas assim. Eu digo que os idosos merecem mais respeito” -  desabafou Dagny.

Com alegria conta que as crianças a escrevem, que leem seus textos. Atualmente vive em Estocolmo, e diariamente passa algum tempo no computador vendo as novidades no mundo, e tudo feito com alegria, porque segundo ela, a vida não acabou, vive com intensidade e comunica-se com os amigos distantes. Adora comentários - deixei um numa de suas postagens. Dagny Carlsson mexeu comigo, com minhas emoções e, certamente, mexerá com a de vocês, também! 
Maravilha!! Dê uma olhada na nossa blogueira no vídeo abaixo.
Adorei conhecê-la!
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Blog: aqui     (posts 2019)     
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Aqui com 106 anos
no computador
Com o Rei  Carl  Gustaf  e  a rainha Silvia.
                        foto quando jovem
Parabéns, Dagny Carlsson, adorei conhecer você!
Que belo exemplo!




9 de fevereiro de 2019

O MAU USO DA PALAVRA 'TIA'

 



         - Taís Luso

Na minha geração a palavra Tia era uma coisa;  Professora , outra. Professora era a mestra que ensinava, que exigia disciplina, que era respeitada, que cobrava o saber, os deveres de casa, os trabalhos de pesquisa;  Tia era aquela parente que amava e mimava os sobrinhos e que estava sempre presente nas festas familiares. Bem separada eram as funções de uma e os vínculos afetivos da outra.
Na geração dos meus filhos a coisa mudou: começou a esquisitice de chamar a professora de  Tia para logo alçar voo e cair no uso do guardador de carro, do mendigo, do vendedor de pastéis, dos malabaristas dos semáforos, dos vendedores de picolé e de qualquer um que fosse chegando - sem saber chegar. E nesse compasso  viramos abençoados tios! Sou tia de criaturas que nunca vi na vida!
- Hei, tia, tem algum trocadinho aí?
Ficou  enjoativo  chamar a professora de tia ou o professor de Tio, pois se estendeu das salas de aula  às ruas. E tudo virou aquilo, colou como chiclete, embora muitos tios fiquem de cara feia pela suposta intimidade daqueles que nunca viu na vida. Piorou a chance de alguém conseguir uns trocos ou vender seu picolé, pastel, seja o que for.
Somos respeitados quando usamos o respeito e consideração para tratar os outros; quando usamos o  senhor, senhora, professora,  doutor, moça, moço
Infelizmente foi aceito esse tipo de tratamento que começou como se fosse algo carinhoso, como se o carinho fosse próprio só das tias: 
- Vai com a tia, filhinho, mamãe volta logo pra te buscar!
Pronto!!  Não se deram conta de que o filhinho cresceu, virou marmanjo e  a  Tia  virou vício de linguagem. 
Estava lançado o pilar das salas de aula dos cursos fundamental e médio, o que só serviu para tirar a autoridade, uma vez que essa intimidade, fora do espaço familiar, gerou bagunça e desrespeito.  Largar esse vício de linguagem é difícil.
Ainda não  perceberam que escola e família são duas coisas distintas. É bom para o aluno sentir firmeza numa professora, não numa tia. Eu tive ótimas professoras, e como foi saudável para minha formação respeitá-las. Tive orgulho em tê-las como minhas professoras. Era ótimo quando levantávamos o braço para pedir a palavra. Não havia bagunça porque havia distância e respeito. Sempre foi assim e deu certo.
Ninguém vai para uma escola arrumar suas carências afetivas, vamos pra aprender, para conviver com nossos colegas, aprender a ter disciplina no estudo, concluir os anos e ter a alegria de receber  o Diploma. Depois,  poder levar na lembrança a imagem da professora querida que cumpriu seu papel de Mestre. Não de Tia. 


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1 de fevereiro de 2019

COMIDAS MUITO ESTRANHAS



      - Taís Luso
Hoje trago umas comidinhas diferentes. Se a chamada exótica gastronomia do planeta dependesse de gente como eu - estaria com os dias contados.
É ótimo conhecer países diferentes: seu povo, sua cultura e sua gastronomia, porém, certas coisas ficam 'difíceis'. Mas é assim;  vão se acostumando com a ideia: o homem come o bicho, o bicho come o homem, e quem ri por último ri melhor!
Ao dar uma voltinha lá pela China, através dos documentários, percebi que os chineses adoram espetinhos de qualquer coisa: besouros, lagartas, bicho-da-seda, marimbondos, cobras, escorpiões... aquelas coisas estranhas para os  ocidentais. Os espetinhos são vendidos na rua. Fora às frituras, existem comidinhas mais saudáveis, como a lagarta ao molho (foto acima), não entope as artérias, deve ser uma sensação maravilhosa mastigar lagartas. Superação!
Os indianos, por sua vez, adoram suas lacraias e baratas gigantescas fincadas no espeto. As baratas me deixam muito aflita, são enormes, horrorosas, fico alteradíssima, tenho uma enorme fobia por baratas e coisas semelhantes, bichos que se escondem. Eles mexem terrivelmente com meu sistema nervoso. Mas, longe deles sou equilibrada. Podem crer.
Em Taiwan, vi um prato da pesada: testículo de porco - Nossa Senhora!! Pegam pesado. Na Tailândia a coisa é  mais leve, eles comem o bicho-da-seda, em espetinhos ou ensopado, deve ser uma gostosuuuura!
Mas, fiquei impressionada foi com o Japão: lá, existe um peixe chamado Fugu. Esse peixe possui um veneno mais forte do que o cianeto. Este prato tem de ser preparado por cheffs, com 4 anos de curso especializado no corte. Aprendem a retirar uma bolsa venenosa, perto das brânquias – órgão respiratório. Além desta bolsa, há veneno na pele e no fígado. Contudo, 70% dos candidatos - os fugu cheffs - são reprovados. Comer Fugu não deixa de ser uma roleta russa. É um prato muito solicitado justamente por ser excitante, desafiador, como se fosse um esporte radical. Dizem que seu gosto não é lá essas coisas... O importante é a adrenalina.
coisas que não se consegue transmitir num texto, jamais conseguiria transmitir minhas náuseas ao ter visto uma pessoa comendo um polvo vivo, ou seja, o San nakji, na Coréia do Sul. Ao ver aquilo fiquei mal! Vejam como se come esse negócio:
1- Pegue o polvo da tigela que é levada à sua mesa;
2- Estique os tentáculos do polvo para baixo; pegue a cabeça do bicho e molhe num molho de sua preferência e vá empurrando goela abaixo, lutando contra as pernas do bicho, pois elas se negam a descer. Ficam se debatendo fora de sua boca. Esse é o ponto máximo da náusea gastronômica.
Mas, se você quer comer direitinho,  pegue o bicho, enrole todo num pauzinho, abra a boca e mande! Desce que é uma beleza. Porém, para os que não são chegadinhos num polvo, o ensopadinho do bicho da seda desce melhor...
Também temos, aqui no Brasil, um prato exótico para saborear: o Turu! Esse molusco comprido e molengão, hospeda-se em árvores podres na ilha de Marajó e no interior da Amazônia. Também é comestível... (foto). Deve ser delicioso!
Casu marzu, é um queijo produzido na região da Sardenha, Itália. Coisa fina, produzido com leite de ovelha. É chamado de queijo podre, devido ao seu processo de maturação, feito com larvas vivas de moscas. É considerado tóxico quando as larvas morrem. Portanto só pode ser consumido com as larvas vivas, passeando lá por dentro... Mas por ter sua fermentação exagerada (estado de decomposição), o governo italiano proibiu sua comercialização por motivos de saúde. Porém é encontrado no Mercado Negro.
Encerrando, no final de tudo, tomem uma cachacinha ao molho de serpentes! Todas essas maravilhas devem ser um sonho de consumo de muitos turistas, em busca de superação!


espetinhos de escorpiões etc...
sopa de escorpião
aranhas fritas
macarrão
Sushi decorado
sopa bicho da seda
queijo Casu marzu
formigas saúva - Amazonas / Brasil

                    Turu / ilha de Marajó - Brasil                          peixe Fugu  - Japão                           
cachaça ao molho serpentes e ervas


24 de janeiro de 2019

QUERO COMPRAR É VIDA!

Ovo cósmico / obra de 2000  - Surrealismo de Vladimir Kush  

         - Taís Luso de Carvalho
Há muito tempo que o celular tornou-se, também, um aparelho inconveniente: vendas, propaganda eleitoral gravada, ajudas para entidades carentes (nunca se sabe a veracidade), e outras coisas de cunho duvidoso. E o celular nos alcança nas 24 horas do dia. Eficaz!
Estou aqui no meu pc, puxando minhas emoções para escrever sobre Vida e toca meu celular. Mesmo sem conhecer aquele número, atendi.
Sra. Taís?
Sim...
Aqui é do Crematório... Pela nossa agenda estamos vendo que a senhora usou de nossos serviços há uns anos, certo?
Certo; há muitos anos para meus pais, mas algum problema? Fiquei devendo alguma coisa?
Não senhora, está tudo bem. Como vai a senhora de saúde?
Olha... muito bem, obrigada! (quanta delicadeza - pensei.)
Dona Taís, queremos agendar uma visita em sua casa para quando chegar a hora, que infelizmente chega para todos...
CUMEQUIÉEE??
A senhora sabe que isso é natural, um dia todos vamos partir e queremos lhe oferecer o nosso plano...
Moça, não me leve a mal, isso é natural  pra você que lida todos os dias com defunto, mas pra mim é antinatural! Não está na hora e nem nos meus planos mexer com esse tipo de coisa... Por enquanto estamos todos aqui pensando numa vida infinita! Na hora certa procuro esse tipo serviço

Acho que não fui muito cordial, tranquei o papo, agradeci  e desliguei. 
Deus dos céus, por um momento tive a sensação do meu fim! Confesso que fiquei olhando para o retrato de meus pais - na prateleira, acima do meu pc. Que sensação desconfortável,  comprar o meu velório!?  
Quem disse que quero comprar jazigo, caixão, ser cremada ou conhecer algo do gênero? Quem disse que penso em morrer? Não decidi nadinha, ainda, moça! E não inventem de telefonar no meu aniversário me desejando muitos anos de vida; sentirei a falsidade. Enquanto eu tiver vida quero comprar felicidade!
Penso que isso não é serviço que se ofereça por telefone. Se o negócio é vender caixão, cremação ou jazigo que anunciem lá nos quintos, não para meu telefone, que coisa esdrúxula.
Sei que morrer é inevitável, mas é algo delicado e dramático para venderem com tanta naturalidade! Isso nunca foi um desapego natural. Enquanto houver vida, haverá luta. Na verdade muitas vezes indago sobre o sentido da vida. E tento  logo esquecer o assunto, deixo esse quesito para os filósofos refletirem durante séculos se assim quiserem e  gostarem.  Quanto a mim...
Tenho visto muitas partidas, e sinto - cada vez mais - o encanto de ficar.


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14 de janeiro de 2019

AMIGOS PARA SEMPRE




- Taís Luso
           Quando vamos às cidades da Serra Gaúcha, amamos a delicadeza e a educação do povo nas ruas, nas faixas de segurança para atravessarmos. Há sempre um simpático Bom Dia em todos os lugares. Acho que o pessoal tem tempo de ser educado. Como sou da capital,  esse ‘detalhe’  dos que moram no interior,  me encanta.
Nos dias em que passamos na Serra  almoçávamos, muitas vezes, num restaurante cuja comida era deliciosa. Também havia uma turminha que  sentava sempre na mesma mesa: eram 6 homens. Deveriam ter entre 70 e 80 anos,  com vigor e disposição, uns de origem alemã e outros de origem italiana. Assim é toda nossa Serra, ao norte do Estado, colonizada pelos italianos e alemães – no Rio Grande do Sul.
Na medida em que a turma ia chegando davam um O festivo e se acomodavam na mesa. E naquela mesa rolavam os mais diversos assuntos da semana. Menos doença! Homens não falam de suas doenças. 
Achei tão linda aquela integração que uma crônica foi se  formando na minha cabeça. Mas o meu problema eram as fotos! Como ser discreta? Uns ficavam de frente para nossa mesa. Eu queria tanto marcar aquele encontro! Soube que eles se encontravam ali há três anos! Fosse com o celular ou máquina, eu teria de levantar e pegar o ângulo todo. Tentei fotografar sentada, com muita discrição, mas não deu em nada. Fotografei a mesa, o balcão, o assoalho, a porta menos as criaturas. Sim, eu estava nervosa, aquela coisa quando se faz algo escondido, né?
Porém, a finalidade deste texto é poder contar o tanto que esse encontro era saudável e fazia bem àquela turminha. Sem queixumes, sem tristezas e todos integrados na reunião-almoço, um antídoto contra a depressão e a solidão.
Ninguém é feliz sozinho: ter amigos é necessário em qualquer idade: são eles que nos aconselham; são eles que nos fazem sorrir, são eles que nos consolam. E amigo a gente escolhe!
Que vivam assim por longos anos. Que dividam suas tristezas e multipliquem suas alegrias. Um dia desses, quero rever a turminha, quero sentir que estão vivendo e lembrar que em qualquer idade a gente pode negociar com a felicidade.
Foi bom eu ter adestrado o meu olhar para ver certas coisas com mais otimismo; de ver que nosso aprendizado só termina quando a vida terminar.

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7 de janeiro de 2019

AS CASAS E SEUS MORADORES






- Taís Luso de Carvalho


Na medida em que vou mudando de idade, as reflexões vão aumentando. Para algumas coisas haverão de servir. Caminhando pelo meu bairro, vou olhando para as casas. Adoro olhar para as sacadas e os jardins floridos, penso nos seus habitantes e, conforme a exuberância das flores, imagino gente muito feliz. Quanto mais flores, mais felicidade! Será? Não; não procede essa minha conclusão sonhadora. Entre as  flores, há muitos espinhos. E são nessas caminhadas que penso como é bom levar uma vida normal, ser um feliz anônimo e poder observar e viver um cotidiano que nos é agradável - comparando com celebridades altamente expostas. Mas isso é questão de gosto e de disposição.

Nessas minhas caminhadas, há uma casa que me espanta, que me aflige. Tem apenas um morador, dizem que  tem por volta de 60 anos, e raramente é visto.
A casa dá medo por parecer abandonada há muitos anos. Com altas grades, não bate sol, é coberta por árvores e centenas de folhas mortas pelo chão. Nunca a vi aberta. Poderia ser muito bonita, mas é feia, sem cuidados, e com um carro velho, enferrujado e sujo, que há anos não sai da garagem. Apenas  uma  janela lateral, no andar de cima,  é que avisa ter morador. Todos os dias essa casa faz parte do meu trajeto; tenho de passar por ela, e olhar se o homem abriu a janela!  Gostaria de ver o tal  homem. Talvez num dia de sorte! Mas por que quero ver o habitante dessa casa -  perguntariam  alguns. Porque o homem dessa casa é muito falado no bairro, e sem ser conhecido.

Num outro edifício, uma velhinha bate ponto, sempre na mesma janela; fica lá, olhando a rua. Faço um aceno caloroso  pra ela. Acho que viramos amigas. Sua vida se resume naquela janela.

No mesmo edifício, no andar de cima, a vida se mostra mais ativa: a faxineira se estica e se retorce para limpar o canto da janela – se despencar de lá, já era... Mais adiante, um edifício todo gradeado e com cerca elétrica mostra os sinais de tempos violentos. Outra sacada, sem tela, um gatinho na marquise, tomando sol, chamou minha atenção: como não se atira de lá? Pois é, coisas tão simples chamam minha atenção. E fiquei pensando o jeito que vemos as coisas simples. Talvez a velhinha seria mais valorizada pela sociedade se saltasse de paraquedas; se o gato tivesse uma cabeça de rato, seria manchete de jornal; se a faxineira caísse da janela e se esfacelasse, ou se o homem esquisito fosse um criminoso procurado pela Interpol virariam assunto da 'pesada'. Contudo, vou caminhando, olhando e pensando nas cidades, na vida complicada das pessoas que, queiram ou não, são a mola para  romances, contos, crônicas e poemas.
Gostaria de escrever sobre a vida do homem esquisito, mas creio que acabaria o mistério  do bairro, e as minhas caminhadas como detetive não aconteceriam mais.


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30 de dezembro de 2018

POBRE DA MONA LISA …


Mona Lisa 77 cm X 53 cm / Leonardo da Vinci - 1503 a 1506 - Louvre 



       - Taís Luso


     Encontrei  com uma 'conhecida' que estava de malas prontas para Paris, em férias.  Como já estive lá, falei em alguns pontos obrigatórios a ser visitado. E o primeiro foi o Louvre, claro. Falei de belíssimas obras de arte e disse-lhe que não deixasse de ver Mona Lisa, de Leonardo da Vinci, a obra mais conhecida de todos os tempos. A popularização máxima, em escala mundial, de uma obra de arte.
A criatura não era muito ligada às artes, e por isso quis ajudá-la - meti o bedelho - coisa que não aconselho  ninguém a fazer. Falei de algumas obras lá expostas e blábláblá - o que notei pouco entusiasmo. Logo notei que estava falando para as paredes lá do restaurante, onde a encontrei. Não mostrava-se nada interessada em arte, pintores, movimentos, coisa e tal. Mas achei ótimo quando me disse que já tinha visto ‘a tal Mona Lisa’ em documentários.
Ao regressar de Paris, nos encontramos no mesmo restaurante do bairro, e aproveitou para contar-me suas experiências. Perguntei-lhe se tinha gostado do Louvre, e quais as obras que mais a impressionou. E, em especial, o que achou da Mona Lisa, de seu sorriso enigmático...
- Mona Lisa?? Virgem... Não sei como tem gente que fica louca por aquele 3 x 4!!
- Cumequié?
- É... Cheguei lá, à procura de um grande quadro, à altura da fama, e não encontrava. Então fui onde estava um aglomerado de gente e lá estava ela, bem menor do que eu imaginava! E muito gordinha... Fofa.
- Péra... Gordinha, fofa? Quem gordinha?
- A Mona Lisa, Taís!
- Ahhhh?! A Mona Lisa, gordinha, fofa... Sim, agora entendi! Mas você queria que Da Vinci tivesse pintado a Gisele Bündchen em 1503?
Fiquei tão decepcionada e meio abobalhada que inventei uma desculpa para sair logo, encerrar o papo que me desencantou. Pobre da Mona Lisa...
Mas, contra absurdos não há perguntas e nem  explicações. Melhor dar o fora. Desci as escadas e fui respirar no parque.

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Um pouco sobre Mona Lisa: No meu blog Das Artes  - 




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Um Feliz 2019 para todos os  queridos amigos!
 <  Juntos em 2019  >







14 de dezembro de 2018

NATAL... SAUDADES




      - Taís Luso
     Na medida em que fui amadurecendo, as ilusões e o encanto foram perdendo  espaço, só pareciam reais na idade da inocência. Mas, ainda consigo sustentar minhas doces lembranças, o que me garante uma noite feliz, embora sem muitas  emoções. 

Na minha infância sempre fui meio invocada com um grande armário fechado que havia na garagem da nossa casa.  Chegou um dia que eu transgredi, tinha de ver o que havia dentro daquele estranho armário de largas portas. Por que o ano inteiro trancado? Peguei uma chave de fenda e, com astúcia de mestre, consegui abrir as portas - isso aconteceu lá pelos meus 8 anos.
Consegui abrir a primeira porta: só cacarecos! Mas minha mãe não trancaria três  portas para esconder cacarecos! Parti para a segunda porta e dei de cara com as bolas, guirlandas, laços, fitas e  penduricalhos de nossa árvore de Natal. Ah, que saudades!!
Mesmo eu sabendo que estava fazendo algo de errado, não parei, fui na terceira porta, e aconteceu o inesperado!! Dei de cara com uma roupa vermelha, longa barba branca, cinto e botas. Estava ali a minha inocência, minha infância, a ilusão mais querida. Um nó na garganta e uma lágrima teimosa se misturaram a uma terrível decepção... Fechei a porta deixando lá dentro todo o meu desencanto. Começou ali minha intimidade com a mentira do mundo em que eu vivia.
Por quê? Foi triste a ideia de arrombar aquele armário que guardava uma imagem de amor, de ternura e de bondade! Com o tempo eu entendi a intenção de meus pais de me pouparem de um mundo de hostilidades, de prolongar minha infância, de me darem lindos sonhos. Foi-se meu Papai Noel. Ali, naquele momento, tive a sensação real de ficar despojada de sonhos. Tive ali uma pequena mostra do mundo que me esperava.  Não gostei da minha descoberta  prematura. Foi tão triste! 
Peguei a roupa vermelha, o cinto, as botas, a barba e deixei tudo em cima da cama de meus pais, com um bilhetinho:
'Mãe, daqui pra frente eu não quero mais  Papai-Noel ! '
Meus pais quiseram  conversar, mas eu não quis ouvir nada; eu acabara de destruir a mais  querida das ilusões! Saí de onde estava e fui para meu quarto chorar. Foi dura aquela descoberta. Depois daquele Natal, passei a sair com minha mãe para comprarmos os presentes da família. Era muito divertido, mas um outro Natal, consciente, comercial.  Nossa dupla funcionou por décadas, até o dia em que eu a perdi... Sinto muito sua falta,   a criança que nela habitava nessa época era muito feliz.
Hoje, eu sei que a magia do Natal é apenas um sonho, um toque no coração, uma vontade enorme de ver a humanidade feliz. Se isso for ilusão, que seja, faz bem ao nosso espírito, ora carente, ora alegre e com  uma vontade enorme de sair pulando para fazer algum bem aos outros. Por isso, os sentimentos mais fortes dos meus Natais  se resumem na palavra saudade

Naquela época parecia que o mundo tinha mais amor, mais solidariedade. Havia a Missa do Galo à meia-noite. Hoje, penso como adulta,  justamente pelo dia seguinte, quando  tudo volta ao normal. Mas quando vou dormir, dou boa noite à criança que ainda mora em mim. E que por anos  pôde sonhar.



Desejo  Boas Festas aos meus queridos amigos, que tenham muitas alegrias e muita  paz. A todos vocês, meu muito obrigada pelo carinho da convivência nesse ano que está chegando ao fim. 
Até breve! 
Beijos 
💚