20 de setembro de 2021

Crônica - MAGNÍFICA IDADE ?

 

Beatriz Milhazes - Sinfonia Nordestina / 2008     aqui: Das Artes    



                       - Taís Luso de Carvalho


Magnífica Idade! Foi o que escutei de uma profissional da saúde, num programa de televisão, ao apresentar algumas de suas novidades em tratamentos dermatológicos para pessoas idosas. Lógico que levei um susto. Não pegou bem, pois ela estava falando de pessoas de uma faixa etária específica. Sim, para as idosas da Magnífica Idade!! Que coisa falsa.

Constatei seu encantamento com uma frase exagerada referindo-se às mulheres da Terceira Idade. Magnífica Idade ganhou o prêmio de Mau Gosto. 

Há anos escutamos Terceira Idade, depois veio a Melhor Idade, e agora escuto a Magnífica Idade? Não é subestimar a inteligência das pessoas? Por que tantos rótulos? Idosa, Idoso ou Terceira Idade não está bom?

A natureza é de uma generosidade ímpar, mas calma lá, amiga, Melhor Idade e Magnífica Idade não dá, não encaixa em nossas vidas, em nossas pretensões. Será que pessoas idosas, já com algumas doenças, sentirão estar na sua Magnífica Idade? Entendi que ali foi um agradinho, mas adultos dessa idade querem ser tratados com honestidade, com verdade.

Estamos trilhando caminhos desconhecidos, muitas pessoas enfrentarão as adversidades da vida com lucidez, tratamentos de saúde que darão bons resultados, mas não exagerem no ato de agradar os outros na venda de produtos e procedimentos. 

Não existe Melhor Idade e nem Magnífica Idade. O que existe são momentos de muita felicidade e outros de muita tristeza, e em todas as idades: na infância, na adolescência, na idade adulta e no envelhecimento.

Do espelho, deste amigo que um dia me deu a certeza da juventude, peço que me dê a clareza suficiente para ir aceitando as marcas do meu andar. Mas não me venham com presentes de consolação;  que não  tirem a lucidez das pessoas. Tratem a criança como criança; o adulto como adulto; e o idoso como idoso. Tudo com muita naturalidade. 

E sendo assim, não haverá erro.



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Il Divo - Hallelujah 

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12 de setembro de 2021

Crônica - PESSOAS INTROMETIDAS


Juarez Machado / Brasil



              - Taís Luso de Carvalho


Temos uma vida inteira para nos sentirmos incomodados com certas intromissões – que não pedimos, mas sempre andam entre nós todos. Mas vamos ao assunto, a vida é bela e a gente dá sempre um jeito de melhorar  alguns relacionamentos.

Para algumas pessoas, basta abrirmos a boca e dar uma opinião sobre qualquer coisa para que venha uma intromissão alheia: não, faça assim, faça assado... Mas alguém pediu? Que nada, não precisa pedir se tivermos por perto uma criatura com pouca sensibilidade ou com outro problema qualquer.

Mas ao observar muito essas pessoas pude ver que fazem isso com todas as pessoas, são viciadas em palpites, pitacos na vida dos outros. Fazem um tipo de oposição sistemática na vida alheia. Muito desagradável.

Todos somos um pouquinho influenciáveis, percebo, se não fossemos assim, as mídias não fariam tanto alvoroço para venderem esse arsenal infinito que todos os dias visitam nossas casas, entrando pelos vários meios de comunicação, tentando nos vender alguma coisa e nos aconselhar sobre tudo.

Pelo telefone, tentam até a venda de jazigos, porque "a hora vai chegar". É isso mesmo, incrível, mas existe, já corri com uma vendedora opinando ser algo muito "normal" – como ela me disse após o falecimento de meu pai. Que horror.

Quantas vezes aconselhamos uma amiga ou um parente dizendo que uma tal coisa seria melhor para ela? Ao dar errado o sutil conselho, ficaremos com a culpa para nós, e talvez com uma animosidade. Vale a pena o risco? Por que não darmos à pessoa o brilho da escolha, a sensação plena da vitória? Sim, porque aquele que aconselha, um dia dirá: "Viu, se não fosse eu você teria feito lambança, não estaria onde você está!" Isso é terrível.

Depois de tudo, de todos os sacrifícios, escutar isso não será nada prazeroso. É bom largar de lado algum resquício de insegurança, arcar com o resultado de nossas decisões, sejam nossas perdas ou ganhos, e tomar a dianteira de nossa vida. Isso é a melhor decisão, em qualquer idade adulta, desde que estejamos lúcidos.

Trago um maravilhoso exemplo de meus pais, já falecidos: mesmo já idosos, e meu pai com grave doença, tomavam todas as decisões de suas vidas, os filhos, estavam sempre por perto, mas jamais dissemos o que deveriam fazer, o que seria melhor para eles. Nós "perguntávamos" o que queriam que fizéssemos! 

Eles permaneceram no leme do barco até o fim de suas vidas.

É esse o exemplo que quero guardar para sempre.




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Abraços aos Gaúchos pela ' Semana Farroupilha - 1835 / 1845 '

Rio Grande do Sul

<  12 a 20 de setembro  >

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Gaúchos - RS / Brasil




5 de setembro de 2021

A VIDA É UM LABIRINTO

 



                     - Taís Luso de Carvalho


Ando tão enfadada de política, tantas fake news no celular, que cheguei no meu limite. Estou com uma vontade louca de ir me embora para Pasárgada. Apesar das alegrias da vida, meu espírito pede por mais sossego.

O que farei com essa montanha de notícias online que recebo diariamente?

O que farei com esses políticos e seus exaustivos seguidores, que não dão um pouco de descanso, e que a cada dia aparecem  coisas  um tanto estapafúrdias?

Como escapar desse mundo, se vivo num pedaço do planeta cheio de ódio, com enorme desigualdade social, vendo o pobre puxar sua carrocinha de reciclados e ao seu lado passar uma BMW tinindo na buzina,  sem paciência alguma

Quando nasci, já ouvia promessas e palavras lindas como amor e fraternidade. Não aguento mais essas palavras tão vazias de sentido. Não digo que todos nossos governantes sejam iguais. Não; há bons e ruins. E há uns muito piores, inimagináveis! 

       Ainda escuto alguém por aí dizer que sou pessimista, que a vida será bela se cada um cuidar de si. Ai, meu Deus, dai-me forças para não ouvir mais isso.

A vida é maravilhosa sob o ponto de vista da existência. Mas nesse viver nem tudo é belo, basta haver essa desigualdade de cão para que a maioria das pessoas não ache tão bela; basta haver inúmeros preconceitos para a vida não ser nada bela; basta a fome e a doença para a vida não ser bela. Basta haver um egoísmo e uma inveja surreal para a coisa descambar. E outras tantas deformações de caráter para muita coisa virar num lamaçal.

 Estou cansada de ouvir todas as lambanças dos nossos governantes, muitas ditas como se fôssemos palhaços e mal informados. As maluquices se transformam em "piadas", e como somos um povo muito extrovertido e criativo, haja mais desgraça. Gargalhamos pela extravagância, depois choramos pela desgraça. 

Para a vida ser bela na sua "totalidade" seria preciso um verdadeiro milagre.  

          Portanto sem ilusões. Essa é a Realidade.

 



Vídeo Maravilhoso!

 
  Amira Willighagen 

 "Once Upon A Time In The West" 



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29 de agosto de 2021

SENTIMENTO DE FRUSTRAÇÃO


Parque Farroupilha - Porto Alegre / Brasil



                           __Taís Luso de Carvalho__


Um domingo muito ensolarado, daqueles dias com ares de primavera, as crianças passeando, gente sorrindo com os olhos. Os cachorros caminhavam na guia e olhavam para seus donos como se quisessem contar da sua felicidade. Lá estávamos nós no parque, aproveitando momentos simples da vida, porém lindos e intensos. Muitas pessoas de máscara, e alguns sem máscara, expondo uma certa ignorância e egoísmo.

Estamos aprendendo a pedir pouco, um domingo maravilhoso bastou para ficarmos felizes. Como estamos ainda no inverno, aquele dia de domingo deixou o inverno desmoralizado, 25 graus, mesmo assim fui de botas. E caminhando entre as árvores, não me dei conta e afundei meu pé num formigueiro! Fiz um rebuliço na casa das amigas, e aquilo não tinha perdão, foi como um terremoto. Olhei para aquele formigueiro desorientado e logo consegui ter a dimensão do nosso comportamento no mundo atual. As formigas são conhecidas pelo seu trabalho, pela sua organização e disciplina, cada uma delas sabe de sua tarefa. Conosco já não é bem assim. Mas bastou a invasão de uma bota desconhecida para ficarem desnorteadas. Eu, Inimiga!

E assim também estamos nós, um tanto sem rumo, evitando as pessoas e as aglomerações. Mas, às vezes, fazendo bobagens.

Na volta do parque, entramos no supermercado, vi que todos que lá estavam tiveram a mesma ideia, naquela hora o supermercado estaria mais vazio! Negativo. Pedro ficou ansioso para sair o mais rápido possível. Quando olhei, o homem estava chegando na fila dos caixas! Fiquei meio desnorteada, não sei fazer nada na pressa: peguei alguns temperos, peguei um vidro grande de champignons, o conhaque, fui pegando, rapidamente, os outros ingredientes que estavam naquele corredor. Estávamos como aquelas formigas do parque, desorientados. Saímos bem rápido.

Chegamos em casa, guardei as compras e comecei o estrogonofe, as tirinhas de filé já estavam cortadas, tudo já preparado. Abri o vidro de champignons e… não eram champignons! Era um vidro com ovos de codorna! Como estava no mesmo lugar dos champignons, peguei sem conferir.

Pronto, acabei com o estrogonofe! Um prato que idealizei para ser gostoso... deu "Zebra". 

Tive de improvisar um não sei o quê!! 






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21 de agosto de 2021

Crônica - A ESTUPIDEZ HUMANA



 

 __Taís Luso de Carvalho__                    

                 

Há muitos anos, escutei várias previsões de que o mundo acabaria no ano de 2000. Entrei no ano de 2000 faceira da vida, não morri. Mas tinha a esperança de viver num mundo melhor. Sei lá, não tinha muitos motivos para acreditar nisso, mas a vontade me fez acreditar numa discreta melhora. Nada, o negócio piorou.

O que está acontecendo no mundo, e falo mais do meu país, é difícil de entender, uma vez que estamos atravessando uma pandemia difícil de prever seu final. Há muitas pessoas honestas e equilibradas, mas também há muito maluco espalhado pelas nossas Instituições.

Não poderia haver tanta crise política e ideológica no Brasil. Crise entre as Instituições, agora? Estamos preocupados e inseguros pelo número crescente do vírus covid 19 e de suas variações; estamos preocupados e sentidos por mais de 575.000 mortes, e juntar mais uma crise política, mais uma bomba? Terrível, é nitroglicerina pura!

O ser humano surpreende a cada dia. Chegamos ao máximo do embrutecimento. Não se tem a dimensão da  estupidez humana.

Aqui, como em outros países, há uma sede inacreditável de poder, a mais louca vontade de se perpetuar. Seria de bom tom se essas criaturas, tão estranhas, se dessem conta que a vida é breve, que esse poder, que tanto almejam, não lhes farão imortais. O povo é o primeiro que se desintegra nessa disputa de poder, nessa falta de estabilidade de nossas Instituições.

Mas com esperança e um andar ainda feliz, substituímos nossos projetos por coisas mais seguras, passeios no bairro, um lanche num Bistrô, passeios pelos parques e as idas e vindas das compras nos fazem retornar à vida, até pouco tempo, impossível. Sentir a vida pulsar lá fora, junto à natureza, não tem preço. Porém, com tristeza, não podemos prever quando passará, em definitivo, esta crise vivida em razão da pandemia. 

Quanto à política do Brasil, podemos antever, de forma quase exata: se alguma coisa mudar agora, no atual governo, ou no futuro próximo, essa melhora, certamente, não será grande coisa para o nosso povo. 




IL SILENZIO -  um pouco de paz...



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11 de agosto de 2021

CRÔNICA - RETRATO DE MULHER

Tarsila do Amaral - Auto-retrato 1923

 


                     __Taís Luso de Carvalho__


Apesar de sermos uma miscelânea de sentimentos, vistas como explosivas, sensíveis, briguentas, ciumentas, apaixonadas, solidárias, rancorosas, inteligentes, capazes, fortes de tudo um pouco, somos reconhecidas, também, como o sexo forte. A força das mulheres está no espírito. Na garra.

Estamos felizes no amor? Estamos felizes no nosso trabalho? Então já temos o mundo. A paz! Nosso emocional está equilibrado, não perdemos o prumo. Se nossa vida afetiva está bem, com boa vontade e tempo arrumaremos o que falta.

Além de nossa profissão, seja ela qual for, ao chegarmos em casa temos as tarefas domésticas e familiares, e são muitas. O dia só acaba quando vamos dormir. Mulher não descansa nunca, além das consultas médicas da família inteira, além dos cuidados diários com os bichinhos de estimação, além dos presentes de aniversário da família inteira, além dos cuidados com as festas de Fim de Ano, com mil problemas com a parentada "amiga", com o vazamento do apartamento da vizinha de cima  e com o conhecido papo cabeça no colégio dos nossos filhos, na tentativa de provar que o guri não é maluco, mas apenas distraído. E isso é muito para as mães.

Quantas lembrancinhas de Natal para levar nosso reconhecimento a quem trabalha para nós! Deus que me livre se eu esquecer da lembrancinha da cabeleireira que me dá uma “levantada” o ano inteiro! Fico sem cabelo.

E mais: recebemos, via e-mail, as 100 dicas (urgentes) para sermos bem-sucedidas na sociedade! Somos metralhadas para frequentar uma academia de musculação, para ficarmos com tudo em cima... Só? Não, tem mais: temos de aprender a sorrir, e não gargalhar! Esta é uma nova dica de sedução que li num portal de Boas Maneiras: sorria com um ar um pouco tímido! Virgem Maria, ainda existe isso!

Após levarmos 500 anos para sermos mais soltas, agora está na hora de puxarmos a corda, travar a gargalhada e sorrir com timidez, é chique!! Deu pra entender? Loucuras! Nada mais gostoso do que uma boa gargalhada, ou um ataque de riso, daqueles que custam a parar e que leva  todos a rirem também. 

Mas, apesar de tudo, é gratificante os elogios sinceros aos que, finalmente, conseguiram desvendar nossa alma. É bom dizer que não vivemos para a beleza, que isso não é o essencial, embora exista um padrão de beleza estipulado pelos centros da moda: ser bela, alta e ossuda - não coma muito! 

É bom que as coisas  sejam ditas e que fique tudo mais leve, não queiram entender muito a cabeça de uma mulher!  Somos assim, plenas. E fortes!  

"A Mi Manera".



A Mi Manera - Maria Martha Serra Lima

                              




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3 de agosto de 2021

UM APRENDIZADO NA PANDEMIA


Árvore carvalho - Carolina do Sul / EUA


   __Taís Luso de Carvalho__ 

          

Estamos em agosto do ano de 2021. Mas foi no ano passado, no início da pandemia covid 19, que comecei a dar menor importância para coisas que pesavam muito. A dor ensina a gemer.

Mais de um ano se passou, mas parece que estamos em alto-mar, atravessando tempestades e furacões. Tudo muito inseguro, ainda. E por tudo isso, é que pensei em mudanças nos alicerces da minha vida. E comecei a refletir sobre nossos caminhos, sobre as pessoas, sobre as coisas que quero junto de mim. O que antes tinha muita importância, agora já pergunto: mas que importância tem isso?

pessoas que merecem minha profunda admiração e carinho, outras não;coisas que merecem meu interesse, outras não mais.

Por que levar a sério leviandades ou dar atenção às maldades dos outros? Não é mais tempo de carregarmos essa preocupação conosco. Não vejo sentido, uma vez que esse tipo de gente veio ao mundo para se perpetuar. Quero ficar imune, também, a esse vírus detestável que provoca, em nós, os sentimentos mais primitivos. Senti a minha vulnerabilidade e não mudarei o mundo. Pois então que pensem, que falem... esse é o nosso mundo.

Passei a enxergar melhor a luta pela vida, aprendi, com maior exatidão, a separar o joio do trigo. E o nosso futuro, que chamam de Novo Mundo, será o mesmo velho mundo de outrora. E as minhas perguntas serão as mesmas:

Que importância tem isso?

Que importância tem essa pessoa em minha vida?

Muitos infernos deixarão de ser vividos, pois só quando estamos diante do perigo é que pensamos em mudanças, pensamos em preservação das nossas vidas e de nosso bem-estar.

Há situações em que oferecer o nosso perdão altera alguma coisa em nós, mas pode não alterar nada no caráter do perdoado. Perdão é para quem merece ser perdoado. A paz não depende só de nós, vivemos num mundo em que muita gente nociva anda solta por aí. E assim como vão, voltam. Podem estar nos relacionamentos familiares, no trabalho, no grupo de amigos. São aquelas pessoas que sentem prazer em infernizar a vida dos seus semelhantes, causar o mal é o alimento para o seu ego.

Então, parafraseando Vinícius de Moraes, olharei pela minha paz,  darei a ela as condições para que... 

Seja infinita enquanto dure.




Belíssimo vídeo

Richard Clayderman -"Feelings"

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24 de julho de 2021

UM MUNDO DE PRECONCEITOS



                    __Taís Luso de Carvalho__   

                 

Passa o tempo e continuo a ver as tristes histórias vividas por aqueles que sofrem pelas suas diferenças, e que nada mais é do que o velho e conhecido preconceito. Contudo, por mais contundentes que possam ser as interferências em suas defesas, não penso que um dia as coisas entrarão nos eixos; que os homens cairão em si, que deixarão sua visão um tanto obscurantista e que estarão prontos para pensar, aprender e sentir a pureza dos sentimentos. Estarei errada? Tomara. O que está fora dos padrões idealizados pelas sociedades vira chacota ou repúdio. Difícil de entender a cabeça dos agressores.

Será que ainda não aconteceu com você, ao entrar num supermercado, à procura de um produto, e ouvir:

Vá por esse corredor, e quando chegar lá no gordinho vire à direita!”

" Senhora... os temperos ficam no fundo, passando aquele senhor careca..."

Os gordos, os carecas, os negros, os pobres, os idosos, os LGBT, os indígenas, entre outros, são referências apontadas. São vítimas da vaidade, da arrogância, da maldade alheia. E da violência!  Não importa se forem gênios! O que está enraizado é o ato de esculhambar com o dito diferente - que na verdade não é diferente. Mas os que não estão nos padrões ditos pelas mídias, são bombardeados.

Há leis, no Brasil, feitas para protegerem as vítimas dos preconceitos, mas isso é apenas punição. Depois, as coisas se repetem porque a leis são brandas e antigas. Capengas.

Contudo, os ataques preconceituosos não deixarão de existir num canetaço, nem através de punições - embora sejam necessários.

Posso sonhar com um mundo melhor, pois somos dotados de bons sentimentos e esperança, mas não tenho o direito de iludir-me mais. Temos muitos resquícios de bárbaros, ainda. Basta olhar os confrontos no Oriente Médio, atrocidades e terrorismos em pleno século XXI, com bombardeios e massacres, em massa, onde inocentes estão morrendo em prol de ideologias e interesses de minorias. Então não preciso de mais visões para que se dissipem minhas ilusões.

Não é pela evolução tecnológica, pelas maravilhosas descobertas em beneficio da humanidade, ou porque o mundo inteiro está conectado que terei outro pensamento. Falo de sentimentos. Portanto pensar num tempo em que todos os homens se conscientizarão, e que a fraternidade tomará conta do mundo? Uma coisa é eu querer, outra é acontecer.

O mundo continuará a medir forças, o mal poderá diminuir, mas só no dia em que os corações forem tocados e que as mentes forem menos doentes e mais saudáveis.

E são quase oito bilhões de inquilinos fervendo nesse condomínio chamado Terra. Um caldeirão em permanente ebulição. Muito difícil lidar com humanos.



Pura emoção!  

                
Agradeço a  amiga Fernanda  (FÊ)  por esse vídeo maravilhoso visto  no seu 

Blog  -  Só te peço 5 minutos  

< What a Wonderful World > 

               


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17 de julho de 2021

OS CICLOS DA VIDA - IMIGRAÇÃO


                   

                         - Tais Luso 


"Estou pensando seriamente em deixar o Brasil ou me mudar de região!"

Não; não é nada comigo! Na verdade, essa frase corre o Brasil inteiro, dita por pessoas aposentadas e que buscam uma vida tranquila. Também dita por jovens com ótima saúde e sonhos mil. Mas para os que gostam de aventura, o Brasil é o lugar certo! É adrenalina pura! 

Tenho acompanhado, pelas inúmeras Lives que assisto, a imigração de muita gente que sonha com Portugal, Itália, Alemanha entre outros países. Vejo que essa mudança não é fácil. Vejo muitas surpresas, pois a adaptação é difícil, a língua, a cultura, os costumes e as regras sociais são outras. Certamente os imigrantes levam junto um eterno lembrete: esse país não é o meu, não estou em casa! E aí começa a bater a saudade e a certeza que "galo em terreiro alheio não canta". Sinto muito isso na narrativa dos brasileiros.

Também sonhei, há muitos anos, em morar noutro lugar, no interior do meu Estado, cidade serrana linda, tranquila, segura, junto à natureza. Um sonho mais perto... Mas ficou no sonho. A família crescendo, a vida me amadurecendo, hoje não penso em sair de onde moro, apesar das coisas no meu país não estarem nos trilhos. Mas eu sei, e muito rápido, onde estão as coisas e as pessoas; onde nossa vida acontece. E como ela funciona. Isso é muito importante!

O amadurecimento nos dá, entre tantas coisas, uma boa estabilidade emocional. Pelo menos se presume que assim seja. Chega um tempo que a vida deixa seu recado:

"Ou você amadurece ou vai se danar!"

E o primeiro sinal desse amadurecimento aparece nesse sossegar. Amadurecer é querer o necessário, é largar as fantasias e os fricotes. Sonhar, sim, mas com o possível, com o realizável. Mas chega um tempo em que há de se respeitar os ciclos da vida.

Não acho ruim que os mais jovens busquem outra vida, tentem um outro lugar, pode dar certo, sim. Estão com tempo para novos projetos, para guinadas ousadas. E se necessário for, haverá tempo para um recomeço, seja onde for. 

Vejo nas Lives gente saindo, e gente voltando. Então, deixar um país é muito relativo. Há muito para pensar, mas é bom ir com a imagem de que o trabalho noutro país, não é leve e nem cai do céu!

Conversando com uma amiga sobre isso, dois de seus filhos mudaram-se com suas famílias para outro Estado, resolveram tentar numa cidade pequena e calma da costa brasileira. Achei que ela e o marido também iriam, tal a insistência dos filhos. Mas ouvi dela palavras que me surpreenderam:

Taís, nós não vamos, nosso lugar é aqui, árvore madura não se transplanta! Tudo tem seu tempo certo. O nosso trabalho é aqui.

Fina sabedoria.




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11 de julho de 2021

POR FAVOR, ME ESCUTE !

 

Di Cavalcanti / Mulheres 1962


               

                  - Taís Luso de Carvalho 


Há tempos, passei umas horas com uma amiga que estava com a alma em frangalhos por ter perdido o irmão  tragicamente. Estava fazendo força para não ser engolida por uma depressão. Fiquei preocupada e disse a ela que voltaríamos a conversar, mas que ela precisava sair, e que não trancasse suas dores, pois é saudável quando dividimos as alegrias, mas também as tristezas.

Mas Taís, as pessoas não querem saber de ouvir, elas querem é falar de suas coisas!

Ela tinha razão: muito difícil alguém parar para ouvir o que precisamos falar. Emprestar um pouco de sua generosidade. Algumas não estão nem aí pra escutar. Aliás, só escutam o que querem; o que possa lhes interessar. É difícil desabafar uma dor. Difícil aliviar a alma.

Será que hoje só existem amigos pra servir de acompanhantes para um cineminha, para jantar ou ir ao teatro? No cinema não se fala; no teatro não se fala; no restaurante estamos de boca cheiaFalar onde?

Será que alguém tem de pedir: "hei… pelo amor de Deus, você pode me escutar? Pode me dar uma forcinha básica?"

Há anos senti desconsideração numa reunião social. Fiquei com a frase no ar, dependurada e com uma cara de cachorrão enquanto a criatura olhava para todos os lados à procura de algo mais interessante. Senti que estava num monólogo. Que situação desagradável. Levantei e saí. Além de ter sentido o desinteresse por parte dela, não houve jeito de dar continuidade ao assunto. Mas passei por tal constrangimento em nome de minha "sociabilidade", enquanto ela foi antissocial.

Mas descobri que deparar com alguém desfavorável - de difícil conversa - o melhor é não gastar saliva e ficar calada. Melhor o silêncio, já que a conversa não é obrigada a partir de mim ou de você. Mas é preciso reciprocidade. Essa pessoa jamais ouvirá alguém, não terá interesse em ouvir nada que fuja de seu mundo. Nasceu sem empatia – aquilo que é fundamental para sermos apreciados: mostrar interesse pelo que o outro fala ou sente. Ou no mínimo escutar. Ser apenas educado.

E se não for assim é melhor a gente desistir! Não tem o porquê investir na pessoa errada.




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4 de julho de 2021

AS EMOÇÕES COMANDAM A VIDA - BRASIL!

 

Aos  verdadeiros  Heróis - nossa gratidão!


                   __ Taís Luso de Carvalho __


Não tenho dúvidas que nosso emocional é o carro-chefe de nossas vidas.  São as emoções que comandam nossas alegrias, nossos sorrisos, as tristezas, as lágrimas e o terrível medo das perdas, atualmente. 

As emoções comandam a vida.

    Quando as emoções são fortes demais, a garganta tranca, as lágrimas não descem e a dor permanece.  Nem uma via para escoar a tristeza e a angústia. E o coração explode.  Tenho medo.

Como aceitar que filhos percam seus pais, e que pais percam seus filhos sem o último beijo de despedida? Sem o último adeus? Que coisa brutal! Como manter o equilíbrio e uma mente saudável com tanta agressão e ameaça?

Saio de casa para comprar o básico e a maior preocupação é a aglomeração, o gel, a máscara... E como quero respirar 100%, volto rápido para casa.

Sim, já são mais de 532.000  mortes no meu país. E amanhã? Outros tantos problemas nos sufocam, problemas políticos que não poderiam existir nesse momento, que só crescem diante de um futuro exaustivo e cujo governo está em plena campanha para reeleição presidencial em 2022. Isso agora é um desastre, sem  nenhuma importância. O importante é salvar vidas. São coisas inimagináveis o que estamos vivenciando. A coisa errada no momento errado.

Acompanhamos o drama de Manaus, pessoas que morreram sem oxigênio, no seco, enquanto a novela das vacinas se espraiava em angustiantes passos de tartaruga. São 215 milhões de brasileiros! E para fechar com chave de ouro,  a grande "preocupação" do governo para com o povo, foi quando faltaram os medicamentos para a sedação, usados no processo de intubação. São os analgésicos e relaxantes musculares. Que loucura aquilo!

As únicas lembranças que ficarão para contarmos a história no futuro, sem sentirmos profundas náuseas, serão as lembranças de nossos médicos e enfermeiros da linha de frente, a dedicação, o amor, a luta para salvarem vidas.

Tantas coisas erradas... tão pouco-caso, tanto abandono! Nem para filme de terror essas atitudes vividas aqui serviriam. É nauseante demais.

Grande país, mas pobre do povo brasileiro.



O Mio Signore - Texto de Gioacchino Veneto
Obrigado a amiga Teresa Dias pelo envio do vídeo -  emociona.

A letra da  música é uma
 prece a Deus pelo fim de tanta tristeza. 


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