10 de fevereiro de 2009

TRAPALHADAS DO TEMPO

Botero


- tais luso de carvalho


Pois é, a gente vai vivendo, a vida vai passando, cada vez conhecemos mais pessoas que são amigas de outras pessoas... e o novelo vai aumentando. E as  mancadas  acontecem com muita frequência: de onde conheço esta criatura? 

Uma das piores coisas é quando encontramos com alguém e não sabemos quem é: a pessoa sorri, vem falar e não lembramos de onde surgiu, de quem é amiga, de onde nos conhecemos... Que situação! E o clima festeiro do encontro inevitavelmente cai. Minha tática é ficar enrolando até dar o clic. Mas, quando não dá? Bem, ai... 

Pergunto o que ela tem feito, se mora no mesmo lugar, como estão os filhos (que filhos?!), perguntas que possam me dar um indício. Quem é ela, pelo amor de Deus! - grita meu inconsciente. Não sei de onde tiro perguntas tão sem nexo. Não posso dizer que o tempo passou e que não a reconheço. O tempo nos transforma, é a vida. Mas, não posso ser indelicada. 

Existem pessoas que ao envelhecerem conservam os mesmos traços; pelo menos a fisionomia é a mesma: às vezes bem mais bonita, como é o caso de Caetano Veloso... Outras passam por uma metamorfose total: eram magras, agora são obesas. Aí a coisa fica difícil. E começa a minha agonia. 

Tenho uma tia incrível, a tia Isolda. Estávamos num supermercado, no recanto dos vinhos; ela é  chegadinha  num vinho do Porto. Vi, de longe, alguém lhe fazendo uma consultinha sobre vinhos. Tia Isolda falava, falava... E, estendendo a mão para agradecer a dica, a pessoa perguntou: dona Isolda, a senhora não está me reconhecendo? Tia Isolda, mais do que depressa gritou: Tais, olha só quem está aqui!! (até então ela não tinha a mínima idéia e jogou sujo comigo). 

Consegui reconhecer que era o antigo vizinho dela; tinha uma boca de peixe baiacú! Não tinha como esquecê-lo. Não sei o que acontece. Quando reconheço é pela boca ou pelos dentes! Acho que me daria bem trabalhando em um necrotério. 

Mas salvei a titia da enrascada, bem diferente do que aconteceu com minha amiga Claudinha. Minha melhor amiga!! Há muitos anos foi morar em Belo Horizonte. Casou-se, e perdemos o contato, coisas da vida... Mas com os filhos já grandes, a família resolveu voltar para Porto Alegre. E certo dia, numa confeitaria... 

-Oiiii, Taiiiis!!! (Fiquei olhando, já meio transtornada...)
- Não estás me reconhecendo?’
- Pois é... Não me és estranha...
- Sou a Claudinha!
- Bah, trocaste a cor dos cabelos, como te reconheceria? 

Mas não colou, foi um desastre. Ficou um clima de constrangimento... A mulher engordou uns 30 quilos e dei a desculpa dos cabelos! Não consegui contornar, e a antiga amizade ficou por ali... Infelizmente não deu tempo de salvar a situação.

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12 comentários:

  1. A pessoa até reconheço mesmo se estiver gorda, magra, careca, com cabelo furta-cor, muxibenta, desdentada, etc...o que cai no abismo negro do esquecimento é o raio do nome!

    Abraço.

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  2. Isso Patrick! Tenho o mesmo problema com um agravgante, lembro nomes completos de pessoas que estudaram comigo no ginásio mas não da cara delas e reconheço pessoas conhecidas a menos tempo e não tenho ma menor ideia do nome...

    Lembranças para a Tia Isolda e para a Claudinha... bem para ela não sei.

    Um abraço, Bruce

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  3. Mto legal essa crônica - ri mto, mto mesmo!
    Taizinha isso não acontece comigo,não me esqueço do rosto da pessoa, nem do nome, pode se passar 10/20/30 anos...não sei se isso tem haver c/meu signo, ou porque simplesmente sou assim mesmo. Lembro dos meus colegas desde o 1° dia que pisei numa escola,enfim...
    Outro dia fui ao Hortifruti - e quando cheguei lá encontrei uma colega do curso primário - e como vc disse totalmente diferente, meio gorda, casada, estava com marido, filhos, era outra pessoa, pois eramos coleguinhas- de 8/9 anos...mas não teve jeito, tive que falar com ela, pois ela não me reconheceu, e conforme fui relembrando aí ela lembrou de mim.
    Agora tenho alguns casos engraçados,um deles vou contar agora: Minha irmãnzinha caçula, é péssima de reconhecer as pessoas, então um dia a gente estava no muro de casa(Quando a gente era pequena)ela gritou: A tia esta vindo aí! Entramos correndo p/avisar pra mãe, e ficamos esperando a tia bater a campainha, só que o tempo passou e nada da minha tia...então corremos lá fora e constatamos que ela se enganou.En
    tão até hoje eu brinco com ela, que ela não pode ser testemunha de nada, pois confunde Pelé com Roberto Carlos.
    Um bjão.
    Walzinha.

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  4. Hua, kkk, ha, ha, pior que te entendo bem, pois eu fico indo para vários lugares e acabo esquecendo o nome de todo mundo que eu trabalhei, quando não a pessoa em si...

    Já teve caso deu eu desembarcar um dia depois da pessoa e "E ai fulano, embarcamos onde?", ai ele responde: "Estavamos na sonda até ontem", ai a ficha cai e percebo a "bola fora".

    Hua, kkk, ha, ha, pior que isso aconteceu mesmo.

    Fique com Deus, menina Tais.
    Um abraço.

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  5. Bela crõnica. Amei seu blog e suas palavras são de todos.
    Acho que todos os mortais já passaram pelo menos uma vez por isso.
    Lindo texto.
    beijos
    estarei lhe seguindo e, se gostar de poemas vá conhecer meu blog.

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  6. Tais

    Fui lendo e sorrindo, sobre esse problema. O rodar dos anos, provoca imensas mudanças de fisionomia. Sendo bastante previsto e de boa memória, também tenho por vezes poblemas
    Onde os encontro mais é, entre camaradas de quem fui amicissimo e passaram quarenta anos sem nos vermos. Os que pouco mudaram, reconheço-os imediatamente, pelo contrário alguns mudaram radicalmente. Esses, por vezes, são quebra cabeças.
    Daniel

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  7. Este assunto veio a calhar. Esta semana encontrei um amigo que não via a 20 anos. Reconheci no mesmo instante, apesar de estar acabado devido as bebedeiras e ainda por cima com duas muletas, pois tinha sido atropelado.
    O problema é que não me lembrava do nome do danado! Mas eis que surge um sujeito do outro lado da rua e grita: __E aí João! Você me persegue! Onde eu estou você aparece!

    Fui salvo pelo gongo!rsrsrs.

    Abraços!!

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  8. Ola quero te agradecer pela visita em meu espaço, e te dizer que esta crônica, tem tudo a ver comigo, pois sou um fracasso com fisionomias e nomes, e o engraçado é que sou um show com senhas guardo todas, e com muita facilidade. Pra você ter uma idéia, de como sou um desastre com nomes, já havia oito meses que eu estava casado e não conseguia gravar o nome da minha sogra, tinha que escrever na mão para não passar vergonha, quando á visitava, e este problema se torna maior por causa de minha profissão, pois, trabalho com assessoria política ai viu né, passo por diversos constrangimentos.
    Um forte abraço, e ate mais!

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  9. Olá Taís, vim agradecer tanta atenção que vc vem me oferecendo...Não consigo ainda realizar minhas atividades normais, como cuidar do meu blog e outras mais,após fatos tão dolorosos na minha vida, mas estou, aos poucos, voltando à realidade, e comecei vindo visitá-la, parabéns seu blog continua limpo, lindo, atualizado, impecável mesmo!!!! Um beijinho fraterno, boa semana!!

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  10. Tenho um problema semelhante em guardar o nome das pessoas. Muitas vezes atá tenho uma remota impressão de onde as conheço, mas o nome...

    Situação constrangedora é quando estou com um amigo ou conhecido e preciso fazer as apresentações.

    Boa crônica, parabéns.

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  11. Os meus parabéns por este excelente blogue!

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  12. Ah essas situações! Como são comuns... Fico num aperto... A minha mente deve rir de mim nesses momentos, certeza! hahahaha

    Excelente, Tais!

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