2 de fevereiro de 2010

CECÍLIA MEIRELES - CANÇÃO A CAMINHO DO CÉU




Foram montanhas? foram mares?
foram números...? – não sei.
Por muitas coisas singulares,
não te encontrei.


E te esperava, e te chamava,
e entre os caminhos me perdi.
Foi nuvem negra? maré brava?
E era por ti!


As mãos que trago, as mãos são estas.
Elas sozinhas te dirão
se vem de mortes ou de festas
meu coração.


Tal como sou, não te convido
a ires para onde eu for.


Tudo que tenho é haver sofrido
pelo meu sonho, alto e perdido,
e o encantamento arrependido
do meu amor.


____________________________


CECÍLIA MEIRELES apareceu no mundo literário do nosso país no ano de 1922,
com publicações nas revistas Árvore Nova, Terra de Sol e Festa, no período de 1919 a 1927, nos quais escritores católicos defendiam a renovação das letras brasileiras na base do equilíbrio e do pensamento filosófico. O aparecimento da poetisa deu-se, portanto, por coincidência, na época em que eclodia o movimento modernista (1922), no qual os escritores nele envolvidos representavam uma outra tendência.
A premiação em 1938, pela Academia Brasileira de Letras, de Viagem, significou o reconhecimento de um empenho monacal no estudo de nossa tradição literária e na assimilação dos recursos expressivos da arte verbal. Com esse livro ingressava Cecília Meireles na primeira linha dos poetas brasileiros, ao mesmo tempo que se distinguia como a única figura universalizante do movimento modernista.
Segue o poema Canção a caminho do céu, de Cecília Meireles (In Meireles, Cecília. Flor de poemas. 3ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1972, p. 93):



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