16 de janeiro de 2011

ENCHENTE: POBRE BRASIL!

  
Fúria sobre São Paulo


 - Tais Luso de Carvalho

O cenário é de guerra. Após ver o caos, o estrago, a vingança que a natureza está fazendo em algumas regiões do Brasil, em especial São Paulo e Rio de Janeiro, mais precisamente com a região Serrana, Petrópolis, Teresópolis, Nova Friburgo e outras, é impossível não ver que a culpa é do homem. O que mais se ouve, mas não se dá a mínima, é que estamos destruindo o planeta. Virou chavão. Taí o resultado. Porém onde tem grana tem poder, onde tem poder existe a arrogância e o descaso com a coisa alheia.

O que mais chamou minha atenção, foi a cena do resgate de uma mulher; cena barbaramente chocante em que a mulher, ao ser resgatada tentou salvar seu cachorrinho - o que não conseguiu. 

O que emociona, também, é a solidariedade do povo, que mesmo no caos estende sua mão. É sofrimento demais perder casa e familiares soterrados em minutos. Que mortes trágicas. Até esta data são mais de 600 mortes, fora os desaparecidos, ainda. E olhando tudo isso, sem possibilidade de salvamento, é que me fez pensar o tanto de coisas inúteis que se faz nesta vida, e pra nada.

Estou tão acostumada com a violência humana, com a crueldade, com o destrato entre as pessoas e com os animais, que esqueci da força destruidora da natureza; o tanto que nada somos comparados com ela; o tanto que somos pequenos diante desta foto acima. Uma mega cidade como São Paulo, com seus prédios de luxo, com dinheiro escorrendo pelas mãos dos magnatas, mais parecia uma cidade de tijolinhos numa imensidão sem fim. Um brinquedo nas mãos de uma natureza forte e revoltada.

Um cenário sombrio, com nuvens escuras que mais parecem jogar seu ódio sobre um mundo que não está nem aí para a natureza. Um cenário de horror como uma guerra perdida.

Porém sabemos que vai haver uma trégua; mas talvez no próximo ano esteja tudo de volta: mais desmatamentos, as construções desenfreadas, o aquecimento do planeta, o lixo nas ruas - que entopem o escoamento -, o descaso dos governantes deixando tudo acontecer... 

Visto isso, penso como somos pequenos e incapazes diante da natureza; fizemos dela um joguete em nossas mãos, mostrando como somos arrogantes e pretensiosos diante de uma finitude que é certa. Como vivemos mal; pensamos em lucro e não suportamos frustrações; queremos ter, parecer, disputar... Para no final morrer de maneira brutal: velhos, doentes e infelizes. Pra quê?

Aquela foto da imensidão da natureza, fazendo pouco caso de nós, fez com que eu parasse um pouquinho para pensar o que realmente vale a pena nessa nossa curta vida. A solidariedade que vi comoveu-me: gente que perdeu tudo ajudando os outros. Pobre ajudando pobre é o que mais se vê. 

Lá, naquela montanha de escombros, onde tudo se desfez em segundos e num cenário de terror senti pena, um nó na garganta, mas ao mesmo tempo senti orgulho do nosso povo. Pobre povo. E é esta a imagem que quero guardar dos brasileiros: imagem de bravura, de luta, de lágrimas não contidas. Mas não por lágrimas e sorrisos que se juntam por vitórias esportivas,  mas lágrimas pela sobrevivência, lágrimas pela vida. 

Talvez esta seja a razão - desde criança - de minha admiração pelo corpo de Bombeiros cujo único objetivo é o de salvar vidas, colocando as suas vidas em jogo. Coisas sérias, sentimentos nobres. Ainda acredito em algumas coisas.

A verdade é que o ser humano é dotado de um sentimento lindo, e nada é tão sublime como esquecer um pouco da gente e fazer o bem aos outros.

Foi esta a emoção que atingiu o Brasil inteiro. Que isso sirva, ao menos, para que nossos governantes comecem a colocar suas cabeças para pensar mais no povo e menos nos lucros. Que façam o povo mais feliz evitando estas tragédias. Tomara que estas lágrimas toquem um pouco no coração desta gente que há anos nada faz quanto a estas tragédias que se repetem ano após ano.
Só vemos um empurra-empurra... Jogo de quem nada faz.


 Veja o vídeo:
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21 comentários:

  1. oi amiga, vc se comoveu com a tragedia, eu me comovi com seu dasabafo, desabafo esse mais que verdadeiro, justo, chorando junto com os que choram, alegrando-se junto com os que se alegram,
    quisera que todos os brasileiros tivessem seu pensamento, o pior de tudo é que tem alguns que nem se importam com tanto sofrimento.
    estou solidária contigo, aceit meu abraço fraterno. bjus tere.

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  2. Acho que todos os assuntos giram em torno desse caos que se istalou sobre o Rio de Janeiro.É lindo ver a solidariedade,mas muito triste o descaso dos governantes e do nosso próprio descaso com a mãe natureza...Beijos amiga...Boa semana pra voce....

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  3. Obrigada Taís, por esta crônica!
    Você disse tudo que eu gostaria de dizer, mas não tenho esse dom de escrever que você possui.
    Bjs.

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  4. Situação lamentável, amiga! Muito triste!
    Desejo nesta semana...
    Paciência para as dificuldades
    Tolerância para as diferenças
    Benevolência para os equívocos
    Misericórdias para os erros
    Perdão para as ofensas
    Equilíbrios para os desejos
    Sensatez para as escolhas
    Sensibilidades para os olhos
    Delicadezas para as palavras
    Coragem para as provas
    Fé para as conquistas
    E amor para todas as ocasiões

    UMA FELIZ SEMANA PRA VOCÊ!!!
    Beijinhos, muitos!
    Sônia Silvino's Blogs

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  5. Olá, Taís.
    É mesmo uma tragédia que está nos tocando a todos. Como dói! E não podemos fazer nada, e ficamos esperando, e ficamos rezando, e ficamos agoniados... Até quando?
    Um grande abraço.

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  6. Olá Tais
    Infelizmente todo ano a estória se repete, sem que as autoridades tomem nenhuma medida preventiva, a não ser na hora da tragédia, passado o tempo, tudo cai no esquecimento.
    Bjux

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  7. Taís,

    É duro mesmo ver todo o santo ano o povo passar por isso. Enquanto isso, as contas desses políticos só engordando, e eles dizendo as falácias de sempre... Isso é uma máquina de moer gente, Taís. Todos se alimentam dessa desgraça. os jornais vendem bem, as televisões batem recordes de audiência... E as repórtes continuam a perguntar, de microfone estendido, frente à mulher em pranto copioso, que perdeu maridos e três filhos: "Qual foi o pior momento para a senhora?".

    Urubus, Taís, Urubus.

    Para mim a imagem que mais me marcou nesse ano foi a de um homem segurando uma caixa com fotos. Ele dizia: "só me restou essa caixa, moça, perdi meus filhos, minha mulher, perdi tudo, tudo, só tenho essa caixa..."


    bjo
    Cesar

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  8. O meu abraço solidário.

    Beijo.

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  9. Oi Taís, junto-me a mais esta indignação. Tem duas coisas (além das já corriqueiras que não suporto mais) que estão me tirando do sério: é quando ouço falar de desenvolvimento sustentável, onde um laudo ambiental (sei lá se comprado) permite tudo e a tal de responsabilidde social. Essas duas coisas para mim são um mero eufemismo para o cinismo dos poderosos. Estão aí os trágicos resultados. Meu abraço. Paz e bem.

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  10. Olá Taís! Passando para agradecer pela honrosa visita e o gentil comentário deixado com tão belas palavras. Estou retornando de um merecido descanso, e gostaria de continuar contando com a sua valiosa atenção e colaboração, para que possamos juntos caminhar e produzir durante todo o ano que se inicia. Muito obrigado de coração pela sua amizade.

    Quanto ao post, o que está acontecendo, nada mais é do que o reclamo da natureza, ela chora pelos maus tratos que lhes são impostos pelo homem. Resta-nos somente pedir a DEUS que transforme as autoridades (in)competentes em povo, para que elas possam estender as mãos ao povo, que passará a ser seu semelhante.

    Beijos, uma ótima semana pra ti e para os teus, e que DEUS nos abençoe.

    Furtado.

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  11. Pois, é minha amiga!

    No Rio e nas cidades próximas é difícil não encontrar alguém que não tenha amigos ou parentes morando ou veraneando nas região serrana. Quase todo mundo conhece alguém que está vivendo esse drama.

    Ano passado, vivemos tragédia semelhante principalmente em Niterói que dista
    aproximadamente13 km do Rio, via
    Ponte, e cerca de 50 km da cidade onde vivo.

    Nem sei mais o que dizer... Entra governante, sai governante, - todos eles assistem durante seus mandatos a alguma versão da mesma tragédia, e nem bem entra o outono e já está tudo esquecido. São anos e anos assistindo a esse mesmo filme.

    Nem dá para pensar apenas nas vítimas da tragédia de agora... Se somarmos essas ao número de vítimas em eventos parecidos que vem ocorrendo há décadas talvez encontremos um número semelhante ao número da população de alguns países...

    Mostra-se muito boa-vontade durante a fase mais difícil, faz-se muita promessa e, no ano seguinte,... tudo outra vez.

    Sem dúvida, o que mais me irrita é essa mania de colocar a culpa única e exclusivamente, nas alterações climáticas e na ignorância do cidadão que constrói nas encostas. E basta um olhar nem tão demorado para constatar que não apenas os pobres sem acesso à educação constroem nas encostas ou ao pé delas. Desta feita, assistimos ao vivo e em cores mansões e pousadas luxuosíssimas enterradas sob a lama.

    Além disso, não é responsabilidade do poder público a educação, a informação de qualidade, as ações eficazes de prevenção contra tragédias como essas?

    Eu mesma, você sabe, conheço pessoas que estão em meio a esse drama. E estou como qualquer outro cidadão consciente,... vivendo aquele sentimento doloroso que se situa entre a impotência e a revolta.

    Um grande beijo, amiga. Inté!

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  12. Tem toda razão em suas ponderações. Assino embaixo. Só não entendo como um povo tão bom elege gente tão ruim.
    beijos

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  13. Você tem toda razão, amiga. E aquela cena da mulher sendo resgatada, realmente foi muito chocante (ou emocionante, ainda não sei definir). Pensei muito no cachorrinho... não tem como não pensar. Se eu estivesse no lugar dela, penso que teria como pior recordação, não a sua quase morte, mas a perda do cachorro naquelas condições. Triste, muito triste. Um abração!

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  14. Puxa Tais, diante desse teu relato, as coisas que ainda estavam por vir á tona...Vieram.
    Estou aqui parada, não sei se o que me faz chorar é mais o texto ou o vídeo.
    Acho que os dois.
    Um abraço!
    Izildinha

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  15. Oi Tais...
    Vim aqui te agradecer pelas palavras reconfortantes que deixou em meu blog. Realmente você tem razão. A imagem que ficou dela não é a do último dia. E sim das vezes que seu sorriso e sua fibra me contagiaram.
    Abraço!

    Quanto às recentes tragédias no Rio eu fiquei também bastante triste.

    Por natureza já sou emotivo. Então ao ver aquelas imagens da dor das pessoas eu não podia controlar as lágrimas.

    Na semana passada liguei para amigos que tenho em Teresópolis e soube da esposa de um amigo que perdemos. Essas coisas acontecem todo ano. Todo verão se repetem. E tentam culpar "La niña"; quando a culpa é do próprio homem que destrói, desmata e suga da terra, sem repor, tudo que ela tem de bom.
    Um abraço!

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  16. Tais.
    Que boa a sua crônica.
    Oportunidade para mostrarmos indignação.
    A natureza já a faz, desde há muito tempo, e cada vez mais severamente.
    Creio, modestamente, que é preciso mudar a face de nossas cidades, com planejamento urbano que primeiro respeite o bem estar da pessoa humana. Isso em todo o Brasil. Mexer nos códigos de obras, que por sua vez mexe no bolso de muita gente de alta grana. Isso se resolve nas eleições municipais que para mim são mais importantes do que as outras. Entretanto, os municípios ficam esquecidos e o povo crê nas medidas federais e se envolve com muito mais paixão nessas eleições. Gestão municipal. É com elas que devemos nos preocupar mais porque é nelas que residem os ralos e bueiros, que alagam as casas. É claro, não estou isentando os Estados e a União das responsabilidades com a nação, mas acredito que deveria haver uma orientação melhor à população sobre os quesitos necessários aos candidatos a cargos eletivos municipais. Que os debates continuem na imprensa de modo geral para que o povo desperte a essa realidade, pois se depender de programas educativos do Município, do Estado e da União, as tragédias continuarão aumentando. A maioria das nossas cidades é parecida umas com as outras: cheias de prédios altos no centro. Todo mundo copia todo mundo: pra fazer mais pontes, viadutos, desapropriações. E parece que o povo gosta de candidatos que fazem essas promessas, ao invés de planejar de maneira diferente os municípios, pensando no futuro. Isso, porque não existe orientação à população para quando chegar a hora do voto.
    É de causar indignação. Como você está. Como nós estamos.
    Um abraço.

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  17. Sempre dizemos que a natureza é sábia, mas nos esquecemos disso quando a tratamos com descaso e só acordamos quando ela se vinga.
    Triste tudo isso que está acontecendo. A única coisa que nos conforta é saber que os homens ainda sabem qual o significado da palavra solidariedade.

    bj

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  18. Boa tarde, querida amiga Taís.

    As imagens são tocantes... A realidade é brutal.

    Seu texto já diz tudo. Que os políticos tenham a sensibilidade de se colocarem no lugar daquela gente, e que arregacem as mangas, para trabalharem em função do povo.

    O pior é que falta sensibilidade e honestidade quanto ao uso do dinheiro público, e sobra ignorância, quando liberam obras invasivas que resultarão num desastre futuro.

    Obrigada pela honra da sua visita.

    Beijos no coração.

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  19. Oi Taís
    Também me emocionei com aquela cena.
    Tanto sofrimento, pessoas que perderam o que passaram a vida construindo, que perderam conhecidos, membros da família.
    E o governo federal e os estados disponibilizando dinheiro para amenizar e cobrir parcialmente os gastos com os estragos da tragédia. Dinheiro esse que poderia ter sido aplicado em obras de infra-estrutura, em projetos de habitação e urbanização de favelas. Mas que por não terem visibilidade a curto prazo e por falta de pulso e boa vontade política, não acontecem em larga escala.
    O resultado é esse aí. Resta tentar amenizar a perda, para muitas pessoas, irreparável.

    Muito bonito ver como nós brasileiros nos unimos quando mais precisamos. Muitos lugares como as polícias militar e rodoviária, cruz vermelha, postos e supermercados recebem doações. Água potável, alimentos, roupas, cobertores, colchonetes e itens de higiene pessoal, como sabonete, pasta de dente e fralda descartável, entre outros. Não custa ajudar.

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  20. Alô Taís, mais uma de suas corajosas crônicas me faz parar para reflexão.
    Eu e Loyde lemos juntos o seu texto e concluimos, como você concluiu, que o nosso povo é bravo, é bom, é amigo! Apesar de estarmos reféns das máfias aboletadas no poder, ainda nos resta uma reserva de humanidade!

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  21. Infelizmente, vem a minha mémoria o seguinte provérvio "o povo tem o governo que merece", pois se cobrassemos mais, isto não estaria tão ruim...

    E ainda vai ficar un seis meses as vitimas desta calamidade precisando de ajuda.

    Fique com Deus, menina Tais Luso.
    Um abraço.

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