24 de setembro de 2011

COLISEU - A MORTE POR DIVERSÃO

Coliseu / Roma


- Tais Luso de Carvalho

Na Roma antiga, para desviar a atenção da plebe da real situação governamental, instituiu-se a política do pão e circo, onde o Coliseu recebia uma multidão por dia para apreciar os sangrentos duelos entre os escravos fortes, obtidos em todas as colônias romanas, ou entre feras trazidas da Africa. 

Além da conhecida história que dando ao povo  espetáculo e a alimentação, gratuita, não haveriam revoltas ou questionamentos, a plebe adorava transitar entre os poderosos senadores e até mesmo perto da corte imperial romana.

Aos gladiadores cabia sempre a incerteza de saírem com vida da arena, pois tudo dependia de lutar bravamente, não se deixar ferir brutalmente e receber um positivo do imperador. Caso o sinal fosse negativo ele seria morto instantaneamente pelo outro gladiador.

Soterradas desde o século V, as masmorras subterrâneas eram o local onde gladiadores se preparavam para os combates mortais, como também os leões e tigres. Ficavam ali, também, os indivíduos destinados às execuções públicas.

Não só os gladiadores lutavam na arena, como também era o lugar onde os cristãos eram lançados aos leões para serem devorados. Para a inauguração, oito anos depois do início das obras iniciadas  em 70 d.C., as festas e jogos duraram cem dias, durante os quais morreram mais de 9 mil animais e 2 mil gladiadores.

As atividades inaugurais do Coliseu foram a peleja entre os animais, as execuções dos criminosos e o combate entre gladiadores, alternados entre os períodos da manhã e tarde.

Esta barbárie durou quase 500 anos e muitos foram mortos para a alegria de uma multidão ensandecida e alienada.

O Coliseu de Roma foi construído durante o Império Romano, sobre o lago da casa de Nero, a Domus Áurea e ficou conhecido como Colosseo (Coliseu) porque ali foi achada a estátua gigante do imperador. Foi construído entre 70 e 80 da nossa era. Iniciado por Vespasiano e concluído por Domiciano - filho mais novo. Em sua construção foi usado mármore, ladrilho, tufo e pedra travertina.  

As arquibancadas dividiam-se em três partes: o podium, para as classes altas; a meaniana, destinado à classe média; e os pórticos, para a plebe e as mulheres.

Para evitar problemas nos términos dos espetáculos, os arquitetos projetaram oitenta saídas. Em menos de três minutos, o Coliseu podia ser totalmente evacuado. Suas arquibancadas tinham capacidade para 50 mil pessoas, sentadas.

Embora esteja agora em ruínas devido a terremotos e saques, o Coliseu sempre foi visto como símbolo do Império Romano. Foi utilizado para entretenimento durante muitos anos tendo sido o último registro no ano de 523 d.C. E eleito como uma das Sete Novas Maravilhas do Mundo em 2007. Patrimônio da Humanidade – conferido pela Unesco.

No subsolo, podem ser vistas as masmorras.


Os romanos não achavam mais graça em meras exibições de proezas atléticas; já era pouco. Então passaram a exigir - até dos pugilistas -  que enrolassem nas mãos tiras de couro cheias de ferro ou chumbo.
As lutas entre gladiadores não eram absolutamente novidade, mas assumiram um carácter muito mais requintado de crueldade. Armados de lança ou de adaga, os dois gladiadores lutavam com o acompanhamento de gritos selvagens e pragas do público. Quando um dos combatentes caía ferido, incapaz de prosseguir na luta, era privilégio da multidão decidir se devia ser poupado ou se a adaga adversária deveria cumprir o papel e mergulhar no coração do vencido.

Se a arena ficasse muito embebida de sangue, era recoberta com uma camada de areia e o odioso espetáculo continuava. O Imperador Cômodo, indigno filho de Marco Aurélio, entrou na arena várias vezes, requestando os aplausos da multidão. Muitos gladiadores pertenciam à classes respeitáveis, não apenas escravos e execráveis.

Jean Leon Gérôme / 1872 - óleo sobre tela
Ave Caesar / Jean Leon Gérôme - 1872      clique foto

Ave, César, os que vão morrer te saúdam!

Fontes:
História da Civilização ocidental – Edward McNall Burns ed. Globo
Curiosidades Históricas – Rogério Sidaqui, Ibrasa, SP.

22 comentários:

  1. Taís,
    hoje em dia os programas de rádio, televisão e a imprensa dedicam um vasto tempo e espaço para exibir os crimes que ocorrem a cada dia.
    Nós sabemos que esse trabalho é necessário enquanto informação.
    Mas o que vemos é que um grande número de pessoas desfruta das notícias sangrentas que são exaustivamente repetidas de forma sensacionalista! Resquícios da maldade - que já foi pior - mas que ainda assusta!
    Como sempre uma bela crônica.
    Beijos do atelier

    ResponderExcluir
  2. Oi Tais,

    Uma verdadeira aula. Vou voltar amanhã para ler com o meu filho.

    Abraços

    Leila Rodrigues

    ResponderExcluir
  3. A sede pela catarse humana continua nos espetáculos midiáticos para fazerem abrandar a loucura que vivemos no mundo do trabalho, não mais escravo , mas não menos expropriador de nossas vidas que continuam alienadas. Viva o Rock in rio, o carnaval e o futebol. rsrs. Abração e ótima semana, Tais. paz e bem.

    ResponderExcluir
  4. Tais,
    Excelente postagem, você deu uma pincelado muito boa no Coliseu e na história romana. Gostei da maneira franca e direta que você abordou esse assunto que muito falado e pouco conhecido. Parabéns, JAIR.

    ResponderExcluir
  5. Visitando seu blog pela primeira, o achei muito interessante pois suas postagens são variadas e bem esclarecedoras.
    Ficaria feliz se também visitasse o meu se gostar que também seguisse, será uma alegria a sua presença no meu espaço.
    Tem selinho de presente pra você, está abaixodo meu perfil.

    Deixo o endereço para visita:

    http://frutodoespirito9.blogspot.com/

    http://discipulodecristo7.blogspot.com/

    Ósculo Santo!

    ResponderExcluir
  6. Taís que aula amiga.
    Parabéns muito valioso este texto.

    Bjos e obrigada.

    ResponderExcluir
  7. Taís
    Acho que tudo que acontece no mundo ocidental hoje já aconteu em algum momento da vasta história da Roma antiga. Pena é que não aprendemos muito com nossos erros...
    Como sempre, bela análise!

    ResponderExcluir
  8. Tais,

    Saudades. Obrigada pelo incentivo la no meu blog.

    Excelente texto. Sucinto, esclarecedor, uma aula.
    Gostei muito tb do complemento da Suely Galacci.

    Muitos morrem hoje em dia de forma injusta e sem
    explicacao, pelo menos racional.

    Me vem uma pergunta: Pra onde caminhamos???

    Um beijo...Parabens!!

    ResponderExcluir
  9. Tais, sou apaixonada por História, não fosse meu amor pela Literatura, essa teria sido minha segunda opção para a graduação. Mas penso que eu não teria na universidade uma aula tão esclarecedora, vinda certamente de ótimas fontes, integralmente confiáveis.

    Seu título, subtraindo-se a palavra Coliseu, poderia tranquilamente abordar muito do que se vê em nossos dias. Culturas que se divertem com a crueldade dos animais, jovens que brincam de atear fogo naqueles que eles consideram animais ou uma espécie diferente da sua, famílias que se desfazem da maneira mais traumática, muitas vezes com inocentes banhados no sangue dos adultos que não souberam se entender e agiram como se estivesse na arena (refiro-me aqui ao relato de amiga que vive no Arizona, EUA, onde em seu próprio bairro ela teve notícia, ontem, de pai e mãe que mataram um ao outro diante da filha de 1 ano, que foi encontrada em prantos mergulhada na poça de sangue deixada pelos dois 'gladiadores').

    Infelizmente, o Coliseu está bem perto de nós, e a história de barbárie, que deveria restar no passado, renova-se diante de nossos olhos impressionados!

    Você foi brilhante na escolha do assunto a ser pesquisado, como sempre, amiga!

    Beijos.

    ResponderExcluir
  10. Olá, parabéns pelo lindo blog, já estou seguindo e aproveito para convidá-la à participar do meu blog. Me add tb no facebook, estou como Bolo Doce Bolo Buffet.Bjs e sucesso!!!

    ResponderExcluir
  11. Eu agradeço sua visita
    A vida sempre une as pessoas no momento certo.
    Que eu seja digna da sua amizade.
    Nos momentos de aflição dividirmos nossas dores e pensamento
    Que seu sonho e os meu sonhos seja abençoado por Deus.
    Com nossa amizade e união possamos alcançar as estrelas.
    De mãos dadas não terei medo da estrada a ser percorrida.
    A minha fé iluminara nossos caminhos ,
    E assim juntos seguirmos até onde existir vida.
    Uma abençoada quarta feira.
    Deus abençoe seu carinho.
    Bjs no coração.
    Evanir
    Você é um Anjo minha Amiga.

    ResponderExcluir
  12. Seus textos são sempre perfeitos. Difícil não fazer uma analogia, ainda que imperfeita, entre aqueles tmpos e os de hoje. Não consigo entender a sensação de prazer que a maldade pode despertar. Nem os artifícios que os poderosos usam para distrair a atenção do povo, de forma que fiquem ausentes da realidade à qual deveriam estar atentos.

    Bjs.

    ResponderExcluir
  13. Querida Thais, acredito que hoje a história não esteja muito diferente. O mundo atual é uma grande arena, e as pessoas não são mortas por escravos nem por leões, mas pelos criminosos sem camisas, pelos criminosos de colarinhos brancos, pelo modernismo, pela tecnologia e pela falta de Deus no coração... Beijos, minha linda.

    ResponderExcluir
  14. Querida agradeço o generoso comentário que deixastes no meu Blog.Adorei! Obrigada!
    Resgatar a história dos espetáculos Romanos que ocorriam no Coliseu, nos faz voltar ao tempo e as barbáries da época.Infelizmente hoje, de maneira e métodos diferentes, cada vez mais convivemos com a morte e a maldade.
    Gosto das tuas crônicas.Escreves lindamente.Tens o dom de tornar qualquer assunto, por mais banal que seja, em algo cativante e instigante.E é isto que te faz uma escritora reconhecida. Querida tenha uma semana iluminada e feliz.bjs Eloah

    ResponderExcluir
  15. Muito Bacana seu Blog !! Textos muito legais !!
    Parabéns !! Visita o meu Blog também !! Abração
    Sinueh Treslen

    http://gotasdeelixirsagrado.blogspot.com/

    ResponderExcluir
  16. Bom dia Tais perdoa a demora em vir, é uma correria danada, mas não me esqueço de blogs bons como o seu, menina que era vergonhosa para a nossa humanidade, execrável, a que ponto o ser humano é capaz de chegar, hoje em dia usam uma verniz para disfarçar a animalidade, mas eles ainda existem, eles ainda estão por aí, que pena, gostei muito da matéria excelente, beijos Luconi

    ResponderExcluir
  17. Voltei com tempo Tais, e foi a melhor escolha, pq teu texto, acrescido pelas observações da Sueli, foram uma revisão de história - que me faz pensar nas modalidades novas de tortura, desatino e desajustes...

    Sempre bom passar aqui.
    Bjo com afeto, um ótimo domingo pra vc!

    ResponderExcluir
  18. A maldade nunca esteve alienada á humanidade!
    Lendo tua crônica sobre o Coliseu,senti que o que existem hoje,são resquícios dessas sangrentas batalhas...Cruéis e estupidamente cultivadas!
    E que o senso do bem é uma pedra bruta a ser lapidada no decorrer dos milênios.
    Estou pasma!
    Não sei se aquilo que chamamos de violência hoje são frutos de uma violência aplaudida e estupidamente emburrecida do passado.
    Um abraço de tua amiga e fã.

    ResponderExcluir
  19. Taís, e no final se queimava incensos e borrifavam águas perfumadas com essências para disfarçar o cheiro do sangue e dos corpos, quando queimados. Era uma crueldade com muito requinte...
    Bjs.

    ResponderExcluir
  20. Anônimo18:10

    o coliseu de roma e a mancha negra na historia da apezar que essa pratica diabolica ainda existe nA nossa humanidade.

    ResponderExcluir
  21. Anônimo20:31

    Seu texto é ótimo, e usei como base em meu trabalho.

    ResponderExcluir
  22. Anônimo15:52

    Se depender de mim, essa poçilga sangunária seria implodida. Falam tanto em "respeito" "Paz" "democracia" e ficam reverenciando um chiqueiro onde as pessoas eram mortas só para a diversão de meia duzia de sádicos ditadores malucos.

    ResponderExcluir

QUERIDOS AMIGOS:

1 - Este blog não envia nem recebe comentários anônimos ou ofensivos.

2 - Entrarei na página de comentários quando alguma resposta se fizer necessária.

3 - Meus agradecimentos pelo seu comentário, sempre bem-vindo.


Meu abraço a todos.
Taís Luso