29 de outubro de 2018

A VELHICE




             - Tais Luso de Carvalho

      Ontem à tarde, assentei meus olhos em uns escritos sobre a velhice, de Marco Túlio Cícero, filósofo de escrita elegante. Mas, encontrei algumas coisas com ímpetos um pouco patéticos, muito comoventes em relação aos velhos e à morte. Foi um tanto desconfortável, e fiquei a refletir.
Confesso que algumas coisas me abateram, é difícil admitir que a perspectiva de morrer seja natural para os velhos. Não por acreditar na nossa perpetuação, somos finitos, mas por ter a consciência de como e em que circunstâncias os velhos se aproximam do fim. Nenhum velho desapega-se da vida de uma maneira natural, aceitando conformado o que lhe é arrancado com brutalidade. Eles calam, silenciam, encobrem. Mas eles pensam, sentem e, quando a sós, choram... E isso é tenebroso de vermos.
Enquanto estiver existindo lucidez, existirá o instinto de conservação, o apego à vida. A esperança.
Não contradigo, no entanto, que os velhos não possam perceber a morte, porém não com resignação, mesmo acreditando-se que possa existir outra vida.
Fiquei algum tempo a pensar na morte, o que não me foi nada agradável, pois sou uma pessoa alegre e otimista. Mas isso se deu pelas minhas primeiras perdas, já que nunca tinha me deparado com tal sentimento, com esta situação dilacerante da perda de alguém tão próximo. E aos poucos.
Penso que o ato de morrer deveria vir como um presente, como uma dádiva D'Ele, sem sofrimento e sem dor, tanto para os que vão, como para os que ficam. Até como recompensa por nossos velhinhos terem sido corajosos, por terem trilhado caminhos difíceis ou vivido, alguns, numa festança quiçá equivocada. Seria um ato de misericórdia. Sei que estou sendo utópica, mas se assim fosse, amenizaria um pouco nosso sofrimento.
Ver e sentir tal dor de perto e achá-la natural não existe, o que existe é um conformismo. Acredito nisso. E surgem as perguntas - algumas já conhecidas. E nenhuma resposta.
O ser humano sempre precisou acreditar na perpetuação da vida através do espírito. Não importando o caminho. Confesso que eu ainda não sei de nada, até gostaria de acreditar em muitas coisas. Desde sempre o homem procurou acreditar em um Deus. Ter fé é como ter um coringa; é sorte e um privilégio.
Os homens sempre foram em busca de um Deus, seja em Cristo ou venerando o Sol, a Lua, como no princípio da vida, ainda nas cavernas. Enfim, o homem sempre acreditou em vários elementos onde um ser superior pudesse ser representado com grandeza e perfeição para atenuar nosso morrer ou nossa 'passagem'.
Porém, se ao ter lido aquele trecho de Cícero fiquei com uma sensação desconfortável, mais tarde recuperei-me com a paz e a doçura de Gilberto Freire quando diz:
"Venha doce morte... Não, a morte não é doce, mas peço a amarga morte que ela venha docemente..."
Seria um sonho se assim fosse: tanto para os que têm fé como para outros que ainda buscam encontrar a sua paz.
Espero, no entanto, quando meu dia chegar, quando meu olhar tiver o brilho opaco da despedida, que eu tenha a doce ilusão de que a morte não me venha tão amarga, que me toque docemente e, sobretudo, com compaixão.

_____________________________


Esse texto foi escrito  após o falecimento de meus pais - o que muito me custou. Muito difícil de entender o  real sentido de tudo. Ter visto, sentido tão de perto...



52 comentários:

  1. Penso que esse é o desejo comum a todos os idosos. Meu pai faleceu com 92 anos. Até aos 90 ele sempre disse que sabia que ia morrer um dia, mas que a morte teria que o levar à força de vontade ele não ia.
    Depois a doença final, as dores eram tantas que o que ele mais desejava era exatamente o alívio da morte. Pedia-me a chorar que lhe trouxesse os medicamentos para a mesa de cabeceira e fosse dar uma volta, durante duas ou três horas.
    Depois já no hospital durante a noite retirou o soro com o medicamento que lhe estava acoplado, o cateter, e deixou-se morrer. Pelo menos foi o que nos disseram as enfermeiras.
    Abraço e uma boa semana

    ResponderExcluir
  2. Boa Noite, querida amiga Taís!
    Você escreve com tanta suavidade que li seu post com delicada empatia pelo que escreveu:

    "Penso que o ato de morrer deveria vir como um presente, como uma dádiva D'Ele"...

    Estou saindo de um momento orante e, ler seu texto, foi um presente para meu coração.
    Todos os que entramos ou passamos pela casa dos sessenta, vivemos momentos de reflexão neste sentido.
    Estou nesta fase e meu pai amado morreu em meus braços...
    A morte não pode ser assim tão cruel, meu Deus!
    Peço a Ele também que nunca me falte a fé pois seria a minha morte ainda que viva, querida.
    Vou me calar pois sua postagem merece ser refletida no coração com silêncio profícuo.
    Deus a abençoe muito!
    Bjm fraterno e carinhoso de paz e bem

    ResponderExcluir
  3. Bela reflexão... Eu peço pra não ficar sem o Kiko..Quero ir antes dele! E também que tão logo eu perca a dignidade e independência, seja levada...Tomara assim seja! bjs praianos,chica

    ResponderExcluir
  4. Por ser um mistério, prefiro não desmistificá-la. Que seja breve, é o que peço.
    Finados chegando - o fim de todos nós - Que eu não sofra nos aparelhos... Sei lá?!
    Abraço.

    ResponderExcluir
  5. Minha querida Taisamiga

    Regressados do cruzeiro pelo Mediterrâneo eis-me de volta à blogosfera da qual apesar da ausência ter sido pequena já tinha saudades…

    A mini viagem decorreu lindamente tudo rodou sobre esferas, no caso à superfície de águas salgadas…, exceptuando o catering que para a Raquel e para mim foi uma… merda o que deve ter sido uma raridade pois não ouvimos queixas dos restantes 3.879 passageiros. Mas também tenho de dizer que não fiz nenhum inquérito…

    Deu para descansar, conviver com novos amigos e sobretudo para ler. Pela minha parte em nove dias “devorei” quatro livros o que me parece uma média aceitável. No final, chegámos mais cedo a Lisboa pois fugimos ao Leslie, viva o comandante Giuliani Bossi!

    O nosso Carlos Drummond de Andrade (porque é do Brasil mas é também de Portugal) quando conversei com ele disse-me uma frase que apontei e guardo religiosamente. Na altura eu tinha 38 anos, hoje 77 e cada vez a considero e amo mais: Há duas épocas na vida, infância e velhice, em que a felicidade está numa caixa de bombons.

    E agora uma nota de preocupação. O Senhor Jair Messias Bolsonaro é o novo Presidente do Brasil. E agora?🤷‍♂️

    Muitos qjs do teu amigo portuga e admirador
    Henrique, o Leãozão🦁

    ResponderExcluir
  6. O mais horrível é viver em sofrimento fazer esse sofrimento contagiar quem nos cerca.
    Ou morrer em isolamento como tem acontecido com demasiada frequência.
    Beijos, boa semana

    ResponderExcluir
  7. Também desejo que venha docemente!!! Bj

    ResponderExcluir
  8. Um boa reflexão que provoca desconforto. Pelos amei e partiram. E subscrevo:
    "Venha doce morte... Não, a morte não é doce, mas peço a amarga morte que ela venha docemente..."

    Beijos, querida Taís.

    ResponderExcluir
  9. Your blog is great. I read a lot of interesting things from it. Thank you very much for sharing. Hope you will update more news in the future.
    geometry dash meltdown
    the happy wheels games
    animal jam play wild

    ResponderExcluir
  10. Leído con muchísima atención el tema de hoy porque me atañe: tengo ochenta y cuatro años. Me quedo con las palabras de Gilberto Freire y confieso que trataré de no olvidarlas:

    ""Venha doce morte... Não, a morte não é doce, mas peço a amarga morte que ela venha docemente..."

    Esta frase es tan clara, tan lúcida y asombra la verdad que comunica.

    Es lo que le oí decir a mi madre muchas veces. No empleaba las mismas palabras que Freire pero su significado era el mismo. "No deseo sufrir para morirme, quisiera acostarme y no amaanecer". Por extraño que parezca, lo consiguió. Se acostó una noche y ya no volvió a ver la luz del día. Se debió morir cuando soñaba porque amaneció con una sonrisa, la última que nos regaló.

    Soy, como buena abuela, muy aficionada a contar cosas. A mi la muerte no me asusta lo que me pone en contra de una vida tan prolongada es que el final está lleno de dificultades y todas estas dificultades guardan relación con problemas de salud que florecen como las amapolas en primavera.

    Un abrazo.

    ResponderExcluir
  11. Bonito o seu texto. Temo a velhice... :(

    Bjos
    Votos de uma óptima terça-Feira

    ResponderExcluir
  12. Bom dia, querida Tais
    Suas crônicas sempre nos trazem à reflexão.Quantos textos e pessoas nos afirmam que a terceira idade é boa.Sempre discordei disso, pois é nesta altura da vida que passamos a pensar na morte, não que a almejemos, mas porque sabemos que estamos um pouco mais próximos, se formos pensar em idade.Tive experiências com a morte de meus pais, ainda sinto a dor do momento. Falei a uma amiga que não estou preparada para a morte, aí ela me encheu de conversa, que falta a fé. Com isso, perdi até meus argumentos,penso que nunca estarei preparada para este momento, mas como você registrou, quero que quando ela vier que seja doce.
    Beijos, amiga!

    ResponderExcluir
  13. Boa tarde Taís!
    Assim espero também em acreditar que receberei a morte bem,sabendo que aqui estamos somente de passagem.
    Belo texto.
    Bjs-Carmen Lúcia.

    ResponderExcluir
  14. Adoro seus textos! Faz refletir, sem ser piega. ♥♥

    ResponderExcluir
  15. Bello este testo, que fea es la vejez, pero así es y será para todos.
    Un gran abrazo Tais.
    Feliz noche

    ResponderExcluir
  16. Um texto muito reflexivo, minha Amiga Tais. A morte faz parte da vida. Não digo o mesmo do sofrimento… O seu texto fez-me pensar.
    Um beijo.

    ResponderExcluir
  17. No te agites por la muerte a tu edad, apreciada Tais. ¡Qué queda para los que tenemos más de 80! Y sin embargo sabiendo que no debe estar muy lejos de mi, todavía no me provoca una inquietud demasiado profunda.

    Abrazo.

    ResponderExcluir
  18. Taís:
    nadie quiere ser viejo, pero tampoco morir.
    Beijos e abraços vivos!

    ResponderExcluir
  19. A velhice é um tema que provoca arrepios. Palavra carregada de inquietação e angústia, ela também representa uma realidade difícil de capturar. Quando é que se fica velho? Aos 60, 65 ou 70 anos? Confesso que não sei, pois tenho visto velhos ainda jovens, e jovens, muito velhos. Quanto a morte, que venha no momento certo... sem pressa , e´claro. Muito bom te ler Tais! Como sempre! Grande beijo.

    ResponderExcluir
  20. Amiga Tais, que texto lindo tu escreveste sobre o desconfortável tema da velhice e consequente morte.
    Imagino o quanto te custou escrevê-lo.
    Concordo contigo, os velhos sentem a chegada da morte, sim! "Eles calam, silenciam, encobrem. Mas eles pensam, sentem e, quando a sós, choram..."
    Durante o último ano de vida da minha mãe vi o desencanto nos seus olhos e ouvi o desalento no seu silêncio. Soube que chorava quando eu me afastava, mas ela nunca soube que eu chorava também. Escondia ela, escondia eu, a morte amarga aproximava-se.
    Ninguém está preparado para a sua morte, nem para a de entes queridos.
    Eu não a temo mas... que venha tarde e docemente!
    Deixo-te duas frases de poetas que, sei, gostas muito:
    “Todos nós sabemos que morremos; todos nós sentimos que não morreremos." - Fernando Pessoa.
    “A morte pode vir quando quiser: trago as mãos cheias de rosas e o coração em festa; posso partir.” - Florbela Espanca.
    Beijo, amiga.


    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Eu sei, querida, já falamos de nossos pais... acho que ficaria com a Florbela Espanca. Pra aguentar o 'tranco', só com o coração em festa...
      Como dói, não?
      Beijo!

      Excluir
  21. Olá Taís, sei bem o que se passa e bem como
    dói esta perda.]Que bom seria ser levado no meio de um sono com apenas um suspiro.
    Ser idoso e ter esta consciência de finitude
    Que a semana esteja bela eleve e alegre Taís.
    Beijo amiga.

    ResponderExcluir
  22. Olá, amiga cronista.
    «...é difícil admitir que a perspectiva de morrer seja natural para os velhos.»
    Acontece que, felizmente, é assim mesmo, Amiga.
    O ser humano tem uma capacidade imensa de adaptação.
    O corpo vai perdendo gradualmente força e energia, os amigos vão partindo, os idosos conformam-se com a inevitabilidade...
    Muitos entram em depressão, mas a maioria continua a ir ao médico, a tomar medicamentos, a fazer os exercícios físicos recomendados, a enxotar a cara feia da morte por mais algum tempo, porém, estão adaptados à verdade e isso é muito bom...
    Agradecem terem chegado tão longe...
    Estou consigo e digo frequentemente: não devia ser assim! O fim de vida devia ser uma passagem serena, um corolário glorioso...
    CChaplin brinca dizendo que a vida devia ser ao contrário: «devíamos morrer primeiro para nos livrarmos logo disso»... vivendo em sentido inverso terminaríamos no útero materno e finalmente (explodíamos) com um bom orgasmo dos pais.
    Que nos seja concedido a todos uma morte pacífica, mas se não acontecer assim, pensemos nas crianças que falecem diariamente vítimas de doenças prolongadas.
    Gostei desta abordagem e reflexão.
    Continuação de dias aprazíveis e inspirados.
    Abraço afetuoso
    ~~~

    ResponderExcluir
  23. Una tarde de lluvia, como la que tengo hoy aquí, es muy propicia para leer y filosofar un poco en las cosas más trascende te de la vida.
    La vida y la muerte forman parte de nuestra existencia y a menudo vivimos como.si nunca nos fuéramos a morir.

    Besos

    ResponderExcluir
  24. Não somos educados para a morte, mas como se fossemos eternos.
    e no entanto o direito a uma morte digna é tão importante como o direito
    a uma vida digna!

    0 "probleminha" é que, cada vez mais, nem vida, nem morte dignas.

    sempre inteligente e profunda nos seus temas, minha amiga

    beijo

    ResponderExcluir
  25. Querida Vizinha/Escritora, Taís Luso !
    Lindo texto reflexivo !
    A perpetuação da vida, creio, reside na
    transferência das células, e tudo mais,
    aos nossos descendentes.
    Nos somos os depositários das vidas que
    passaram. É como uma "corrida de bastão".
    Com esta simplicidade, consigo entender a
    morte, em todos os reinos.
    Um fraterno abraço, Amiga.
    Sinval.

    ResponderExcluir
  26. Mais uma excelente crônica, cujo tema nem sempre é fácil de ser enfrentado, pois o ser humano gosta mais do que é divertido e otimista.
    A tua crônica, "A Velhice" não nos leva a um paraíso no qual nos divertimos e sentimos a leveza do mundo, como em outras crônicas tuas. Essa nos faz refletir, pensar. Por outro lado é com a velhice que se chega à sabedoria. No mundo atual há uma demanda por parte da indústria e do comercio que inclui as pessoas de mais idade, como clientes em potencial, como se vê nas estações de veraneio, nas viagens a outros países e no próprio em que vivem.
    O final da crônica emociona, pela paz, pela suavidade e pela realidade que transmite, mesmo num tema tão duro.
    Beijinho - daqui do lado.

    ResponderExcluir
  27. Tais,
    Sua publicação é reflexiva
    e a forma como a afetou é a forma
    correta de encarar a morte.
    Não é para apreciar mesmo, nós não fomos
    feitos para perecer. ou para nos alegrar
    que nossos queridos nos deixem.
    Bjins
    CatiahoAlc. do Blog Espelhando

    ResponderExcluir
  28. Querida Taís
    O tema desta tua excelente reflexão é bastante desconfortável para a maioria das pessoas.
    Pessoalmente acho que, com o decorrer dos anos, vamos aceitando com mais conformismo a inevitabilidade da morte, o que não significa que a aceitemos de bom grado.
    Mesmo pessoas de muita fé, que encaram a vida na terra apenas como uma passagem obrigatória para uma outra vida, melhor, na companhia dos deuses em que cada um acredita, etc., etc... mesmo essas acredito que, se pudessem, adiariam a data da partida para esse tal local maravilhoso...
    Porque o instinto de sobrevivência é dos mais fortes no homem ele apega-se à vida mais do que a qualquer outra coisa.
    "Que a amarga morte venha docemente" é o que também desejo... 😉

    PS - Como amanhã é Dia de Finados (mais logo vou ao cemitério) este tema torna-se bastante contundente...

    Continuação de boa semana.
    Beijinhos
    MARIAZITA / A CASA DA MARIQUINHAS

    ResponderExcluir
  29. Apesar de natural, a morte nunca é encarada com naturalidade. Mesmo para os que têm fé e que acreditam na vida para além da morte.
    Gostei do seu texto. Reflectir acerca da morte é uma coisa natural...
    Taís, continuação de boa semana.
    Beijo.

    ResponderExcluir
  30. A morte é uma agressão, querida amiga Taís! Sempre pensei assim, desde muito moço.
    Beijo.

    ResponderExcluir
  31. Texto reflexivo, pois é, entendo bem como é de ter de se despedir dos nossos pais, eu os perdi faz muito tempo, mas tenho sempre as palavras deles refletindo em minha mente, "viva, viva sempre tudo o que puder, pois quando a morte chegar, os que te cercaram em vida poderão chorar, mas por pouco tempo, por perceberem que você viveu"!
    Aí minha amiga, eu sempre vivo tudo o que for bom no meu viver, sem nem pensar em sofrer, se eu tiver de sofrer, sofrerei, pois há coisas que somente temos de enfrentar, com coragem!
    A Vida passa, tudo passa, somente hoje é o que há, de vez em quando também me vejo diante do medo, não de morrer, mas como morrer, mas viver o hoje, sempre e sempre!
    Estou de volta, agradeço o carinho lá no meu espaço, sua amizade me é rica querida amiga, ah, voltar pra casa, nossa, isso não tem preço, gosto até de pensar, mesmo utopicamente que, morrer pode até ser isso, "voltar pra casa"?!
    Não sou religiosa, não fico presa nisso, mas nada contra os que ficam, tenho fé sim, mas na vida, acredito que ela sim, a vida, é que é de tamanha sabedoria!
    Abraços bem apertados!

    ResponderExcluir
  32. Sim, desde o dia que nascemos estamos destinados a morrer. esta é a única certeza humana, mas negada por todos. Pouco se fala sobre. A velhice nos "aproxima" da morte" como um estreitamento do tempo, o que poderia ser um estímulo maior para perseguirmos com mais urgência nossos sonhos.Amanhá é dia dos mortos e cada cultura homenageia os seus de uma forma, para algumas faz festa, por aqui rezamos, oferecemos flores, entre outros rituais. Gostei da sua crônica reflexiva.

    ResponderExcluir
  33. Gostei muito do texto
    Muito reflexivo, muito real, muito importante
    A minha mãe tem 70 anos e diz-me às vezes que tem medo de morrer, que lhe custa adormecer, que pensa muito nisso.
    A mim custa-me muito saber que as pessoas sofrem em silêncio esse medo, que muitas estão completamente sozinhas, acho que nenhum idoso deveria estar sozinho... Fico angustiada de pensar na solidão, no medo e no vazio que sentem...
    Gostava de poder mudar essas coisas, eles merecem mais, não merecem?
    Os meus sentimentos pelos seus pais. Pai e Mãe são insubstituíveis. Muita coragem.
    Obrigada pela partilha
    Beijinhos

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigada pelo seu carinho, amiga, realmente há coisas tristes, mas temos de olhar pelos nossos pais, por nós que também estamos mudando de faixa, avançando...E colocar em nossas vidas coisas alegres e sonhos, se possível. Mas pensar em todas as etapas é uma coisa inevitável, não depende de nossa vontade, a vida avança, o tempo avança para todos nós. Mas correr atrás de coisas alegres e estar junto de outras pessoas só faz bem, é preventivo.
      Beijo, um bom fim de semana.

      Excluir
  34. Um texto real, bem o sei, despedi-me de meus pais, de dois irmãos, de meu marido, tornei-me uma pessoa que traz a tristeza no olhar, mas temos que seguir avante, driblar a tristeza mergulhando na rotina e valorizando cada momento, beijos

    ResponderExcluir
  35. Um texto muito reflexivo... e que nos faz pensar... mas eu não consigo associar a morte a velhice... mas antes a falta de saúde... em qualquer idade... pois quando o meu pai faleceu, uma das minhas primeiras e mais marcantes perdas... ele era bem novo, ainda... e a progressão da doença e do seu sofrimento... é que foram mais terríveis de acompanhar... mas ele nunca se entregou... cinco minutos antes de falecer... ainda estava fazendo planos para o mês seguinte... para ir começar com um novo tratamento...
    E num tempo em que os tratamentos oncológicos, estavam bem menos adiantados do que hoje... ainda batalhou 7 anos...
    E no entanto... há tanta gente que entrega os pontos em vida... bem antes da sua hora...
    E a sociedade, também idolatra demais a juventude... acentuando ainda mais a clivagem entre quem é jovem, e quem "supostamente" deixa de o ser... começando logo a adicionar a quem não é... uma espécie de peso ou culpa... uma carga emocional... que nem todos sentem, felizmente... ou a que nem todos se rendem...
    Na minha forma de pensar... a morte faz parte da vida... e talvez seja uma passagem para outro ciclo... e talvez um renascimento, num outro tempo e espaço... só me atemoriza o sofrimento, apenas... não a morte em si mesmo... se nos transportar de novo... para aquele lugar de onde toda a gente vem, antes de nascer...
    Oi, Tais! Finalmente passando por aqui!... Saudades!!! E com um regresso em bom... também com um tema que me diz tanto... também porque vou acompanhando o envelhecer da minha mãe... os seus sucessivos problemas de saúde... e uma das suas queixas mais recorrentes... "Não gosto nada de ser velha!!!" Sim, porque eu acredito, que nem sempre, em todas as horas, os idosos, se sentem de facto idosos... sempre haverá uma memória, ou um acontecimento... que os deixe mais leves... e os transporte, por vezes a momentos mais felizes...
    A sociedade... os outros... é que nos lembram a toda a hora... que a velhice... é o principio do fim... por cá... gosto sempre de pensar, no realizador de filmes, Manoel de Oliveira... e toda a sua obra... a maior parte, desenvolvida quando já era idoso... sempre foi um exemplo para mim...de que a velhice... às vezes, está no espírito... e muitos... recusam-se a ser velhos... porque simplesmente, ocupam tanto o seu tempo... que ele nem chega, para ficar a pensar nisso... eu... acho que também vou querer ser "inconsciente" assim... e não lhe dar mais tempo, por antecipação... do que ela pretende ter... :-))
    Um beijinho grande! Para lá de bom, estar de volta a este cantinho!...
    Feliz fim de semana!
    Ana

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Ana, eu presumo, se somos finitos, não há o porquê passarmos 'panos quentes' numa situação lógica. Comecei a sentir esse peso quando meus pais foram envelhecendo, e tão ativos que eram. Amenizar esse nosso longo andar, torná-lo mais leve, mais otimista é a minha maneira de pensar, falar no assunto também não me furto. Confesso que não gostaria de ter essa ilusão de juventude eterna que nos vendem pela vida afora. Sei que a falta de saúde em jovens e crianças acontece muito, doenças atacam a todos, mas a resistência, a pouca defesa dos mais velhos já é bem mais significativa.
      A verdade é que quanto mais velhos, a tendência é o corpo baixar suas defesas. O tempo é poderoso e a vida é curta! Quando já idosos somos mais 'vulneráveis', os cuidados devem ser constantes. Mas isso tudo não quer dizer que não possamos ser pessoas felizes. A verdade, Ana, é que tudo isso nós sabemos, mas a dificuldade maior é aceitarmos. A perpetuação é o sonho maior da humanidade.
      Um Beijo, eu também estava com saudades de você!

      Excluir
  36. Tais: obrigada por esta reflexão! É para mim difícil falar sobre este assunto.... Tenho uma fé, confiança profunda de que o meu Marido está junto de Deus!!!
    Quando uma amiga (que também perdeu o Marido) me perguntou :" Graça, como rezas pelo teu Marido?" Respondi rapidamente:" Eu não rezo por ele! Eu rezo com ele!!" E assim o faço todos os dias, exactamente como o fizemos durante 51 anos!!

    ResponderExcluir
  37. Querida amiga Taís, a despedida de quem amamos é sempre muito dolorosa, pai e mãe, mais ainda sofre-se muito. Machuca,
    Às vezes fico pensando em tudo que fazemos durante a vida e que de repente se torna inútil e vazio, com a chegada da morte. O que pensávamos o que fazíamos, só ficarão na lembrança de alguns durante algum tempo. É uma verdade inexorável, um dia ninguém mais vai lembrar que existimos.
    A morte é a certeza implacável que tenho na vida.
    Acredito em outras vidas depois desta morte, e outras mortes, são caminhos de aprendizagem, e evolução.
    Não tenho medo da morte, tenho raiva da morte, pelo simples fato dela existir.
    Amei seu texto, Muita coragem e paz.
    Beijinhos, Léah

    ResponderExcluir
  38. Um dia ficamos orfões todos . Não percebo uma pessoa que" diz tenho medo da morta "
    beijinhos

    ResponderExcluir
  39. Todos nós sabemos que Vida e Morte são irmãos do mesmo sangue, seguem caminhos paralelos e ninguém os pode dissociar do percurso que faz a vida em direcção ao fim inevitável.
    Se é penoso ver a morte lenta da velhice que nada mais tem a esperar se não que ela chegue mansa e sem sofrimento? Claro que sim, mas quem pode escolher a hora e o processo? Ninguém!
    Assim como não há quem tenha escolhido nascer, sem sofrer nem ter provocado sofrimento. O acto de nascer e morrer assemelha-se e, salvo algumas excepções, para todos é igual.
    Nisso a natureza foi imparcial!

    Imagino o quanto lhe deve ter sido preciso apelar à sua coragem para, escrevendo, exorcizar essa dor da perda dos seus entes queridos. Conseguiu, Tais? Não creio!
    Mas creio que aliviou. Faz bem deitar cá para fora as inquietações que atormentam a alma.

    Beijinhos e bom fim-de-semana.

    ResponderExcluir
  40. Particularmente no pienso en la muerte me resulta un pensamiento que me da inseguridad miedo más bien podría decir con lo cual lo dejo fuera de mis pensamientos.
    Comprendo tu texto y sé lo que se siente cuando se pierden a personas muy próximas y siempre uno se dice " ha dejado de sufrir".
    Que pases un feliz domingo alegre.

    ResponderExcluir
  41. Las fechas invitan a reflexionar sobre el tema y unas culturas la afrontamos de una manera y otras de otra.
    Da la casualidad que por estas fechas son los aniversarios de mis padres.

    Saludos.

    ResponderExcluir
  42. Gosto muito daquele pensamento de Omar Al Kayam : "Todos sabem que meus lábios nunca murmuraram uma oração.Nunca procurei dissimular os meus pecados. Ignoro se existe realmente, um céu e um inferno e uma justiça ou uma misericórdia. Mas se existirem não me desespero delas, pois eu fui sempre um homem sincero." O problema é pensar assim, pois quando me dá uma dor de cabeça eu já me agarro a todos os santos... A vida é boa e se existe outra melhor ainda, ninguém tem pressa para chegar nela! Bela crônica! Parabéns!

    ResponderExcluir
  43. Minha querida mãe viveu 90 anos, sendo que os 3 últimos vegetou em cima de uma cama, trocando a noite pelo dia. Minha irmã, que cuidava dela era a maior sofredora, pois além do trabalho, sofria ao vê-la naquelas condições. Minha sogra tem 91 anos e vegeta sentada numa cadeira de rodas e deitada numa cama. Não conhece ninguém e é totalmente dependente, sendo cuidada por minha cunhada, com a ajuda da minha mulher, que passa a maior parte do tempo na casa dela.

    Eu, particularmente, estou com 76 anos e já falei para todos que não pretendo dar trabalho para ninguém, pois antes disso darei um jeito de partir.

    Bela crônica amiga Taís. Parabéns!

    Beijos e uma ótima semana para ti e para os teus.

    Furtado
    PS: Perdoe-me se não apareci antes, é que o meu parceira (PC) teve que ser submetido a um transplante. Rsrs.

    ResponderExcluir
  44. Morte e velhice, águas incertas da vida do homem. Castelos movediços. É atravessar o oceano e mirar-se nos exemplos. Meu pai se foi numa alegria. Esbaldou-se no aniversario durante o dia, e à noite nos deixou. Sabemos que se despediu-se da vida e de todos como gostaria de fazê-lo... Mas... Por enquanto vou navegando, vou indo sem perder-me no azul do tempo... pensando, sobretudo depois desta crônica tão bem escrita...
    Beijos,

    ResponderExcluir
  45. Boa tarde, Taís
    Peço a Deus que me leve e não me deixe sofrer.
    Linda e reflexiva crônica.
    Um beijinho de
    Verena.

    ResponderExcluir
  46. Boa noite Tais.
    A morte já me aterrorizou ,ameaçou a minha paz, me desanimou, É até tentei fugir dela. Nem pensar nela eu me permitia. Até que chegou um dia ao qual eu fiz as pazes com ela. Tive uma longa conversa com a morte. E lhe disse que nunca estaria preparada para aceitar com alegria o meu fim. Mas saberia aceitar que um dia o meu corpo se cansaria e minhas forças me deixariam e quando não tivesse mas forças e vontade de lutar saberia que meu fim estaria próximo. É vivi durante anos e anos feliz sem temer a morte. Até que um belo dia eu perdi a vontade. A força e nesse dia lembrei desse longo diálogo que tinha tido com a morte e pensei chegou a minha hora. Mas como eu sabia que tinha chamado ela. Eu resolvi ter uma nova conversa e pedi a ela para me levar mas deixasse a minha filha viver pois eu já tinha experimentado a vida e vívido intensamente todos os dias permitidos por Deus . Os dias foram passado e minha filha sobreviveu e a morte voltou a me visitar dessa vez ficou bem próxima e eu lhe perguntei posso lhe pedi um favor me permita viver mas um pouco rsrs. Resumindo nunca vou aceitar partir tão cedo. Mas quê seja feito a vontade de DEUS . Quê espero que seja me dando mas uns anos de vida. Sinto muito pela perda dos seus pais. Sei quê é uma dor eterna é uma saudade que surge em vários momentos inesperados. Beijos amiga.

    ResponderExcluir
  47. Olha... Muito denso! Pois é, quando meninos, época que existe um dia no calendário, que importe, o dia do nosso aniversario, pois bem, no dia, cantam: "Parabéns pra você nessa data querida, muita felicidade, muitos anos de vidaaaa" Mas, a gente nem tá ligando pra isso, tá doido que terminem de cantar logo, pra comer o bolo. Depois dos trinta começamos a nos preocupar com a velhice. Só vive muito quem envelhece, ou senão faz feito o ignorante do Kurt Cobain, que deu um pipoco na cabeça e se matou e deixou escrito num trecho da carta suicida: "Quer morrer bonito, morra jovem", foi o que ele fez. Acho que deveríamos pelo menos, ao envelhecer, permanecer com a carinha de vinte, e não ter nem uma dorzinha sequer, por toda vida, desde que nascesse, nem um resfriado banal, já basta a saber da morte, desvantagem de ser racional, continuando, um dia qualquer, com todo vigor, jogando futebol, tomando umas cervajinhas com os amigos, no meio de uma festa, pulando carnaval, sem pensar bulhufas, na dita cuja, desmaiar, desmaiar seria sempre morrer. Apagar feito uma lâmpada. Ou como dizia um poeta das antigas popular, de nome pomposo, J.G. de Araújo Jorge:

    NUNCA MORRER ASSIM...

    Nunca morrer aos poucos, devagar,
    (a Vida a se extinguir como um lamento)
    - sem mais nada fazer do que esperar
    que a brasa esfrie sob o frio vento...

    Nunca morrer assim... ao sofrimento
    que, como um polvo de insondável mar,
    nos abraça e nos tolhe ate o momento
    em que, não mais podemos respirar...

    Morrer, - por certo ! – em pleno vôo, em pleno
    prazer, sem medo e dor, forte e sereno,
    num tropeço imprevisto de quem corre,

    como a criança que cai, a rir, contente,
    como a luz que se apaga de repente...
    - Morrer assim, sem se saber que morre!

    J. G. de Araújo Jorge

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Concordo com você, é duro morrer! Não me dobro aos encantos de que vamos para um paraíso ou reencarnamos num condor - livre e belo!
      Quanto ao 'Jorge G. de Araújo Jorge', o conheço muito bem, fez parte dos meus estudos... rss
      Beijo, Fábio!

      Excluir

AOS AMIGOS

Muito obrigada por deixar seu comentário, se necessário for, deixarei resposta a alguma pergunta.
Abraços a todos
Taís