11 de março de 2012

O PASSADO É LOGO ALI


O PASSADO É LOGO ALI

por  Pedro Luso de Carvalho


De que valeu a luta travada no decorrer do tempo? Refletia o homem soturno. Era só isso que tinha a vida sonhada? Pensava nos muitos sacrifícios que tivera, renúncias impensadas, para esse viver oprimido. Viu apenas que percorreu o caminho errado; seus olhos ficaram opacos na altura em que se bifurcavam as estradas, encruzilhada de enganos. 

Chegou até aqui, mas deixou almas marcadas pela dor; deixou saudade oprimindo peitos plenos de amor.

Como unir esta solidão aos risos que ficaram no leito da estrada palmilhada? Como seria bom o retorno à inocência, infância perdida.

Seus olhos então refletiriam o brilho que não soube ver. Poderia voltar a sentir o perfume das macieiras no verde pomar amadurecendo; ouvir a suave melodia das águas do riacho escondendo-se entre os arbustos; ver a lua brilhar na noite por entre as árvores; árvores que durante o dia acolhiam o menino protegendo-o do sol e da chuva; cama para o descanso nas tardes quentes que lhe aquecia o coração; mãe-árvore enfeitando com a sombra de seus ramos o frágil corpo do menino envolto em sonhos; som do vento e das cigarras transportando-o para mundos inimagináveis.

É salvo pelo passado, que é logo ali. 
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26 comentários:

  1. Excelente e poética reflexão, madura, competente e de grande valor literário. Parabéns para o autor que pelo nome deve ser teu irmão talvez.
    Abraços, JAIR.

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  2. Oi, Jair, obrigada pelo seu ótimo comentário.
    Esclarecendo sua dúvida, Pedro Luso é meu marido.

    Abraços.
    Tais

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  3. Taís eu sou leitor do Pedro e o admiro muito. Essa reflexão,o desfecho que busca no passado a felicidade perdida, a pureza ingênua da infância...
    Muito bonito, síntese difícil própria de quem escreve bem!
    Um abraço para o casal

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  4. Tais,
    Quando o futuro já não parece promissor, quando o cansaço das lutas chega ao limite, quando se descobre que o viver é morrer, geralmente encontramos no passado o nosso refúgio.
    Não é à toda que os velhos esquecem as coisas atuais e voltam aos tempos mais remotos e felizes. Nosso cérebro é uma caixinha que por vezes nos protege de nós mesmos. Um bela reflexão sobre o cansar na caminhada e o retorno mental à infância, onde se pode repousar nas lembranças.
    Beijokas doces

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  5. Pausa doída em cada lamento, refletida nos arrependimentos e multiplicada pelos sonhos desfeitos, mas ainda assim carrega em si a lembrança de confortantes passados que intercalam dor e riso na distante inocência.
    Na prosa-poética, o autor , entrelaça conflitos e oferece o bálsamo.
    Muito linda__pausa das horas.
    Bjos, Tais,
    Calu

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  6. Belíssima reflexão. É interessante constatar que em quase todo lamento de quando se retorna à infância,há uma referência à natureza, neste texto o autor se refere à uma macieira , ao riacho e à lua. Como sobrevivemos com a ausência dessa paz, ao nos tornarmos adultos aprisionados pelo progresso cinza das cidades?Saudade do que, terão os jovens de hoje,se não saborearam maçãs colhidas no pé, nem ouviram o barulho de um riacho, nem se abrigaram sob as árvores.Mesmo doendo a saudade temos a cura pela lembrança que nos acalenta. E é como disse Mário Quintana."A saudade que dói mais fundo-e irremediavelmente- é a saudade que sentimos de nós.". Parabéns.ao seu marido Taís e a você.
    Um braço.Lourdinha Vilela.

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  7. Olá!Bom dia!
    Bela reflexão...na caminhada, uma parada, para lembrar da pureza da infância...a lembrança que acalenta...
    Parabéns ao casal!
    Boa semana!
    Beijos carinhosos!

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  8. O passado é, por vezes, um recurso abstracionista instigante de se reviver, mas ao se transportar para a concretude da realidade dá um sentimento de perda inexplicável...
    Tais, dê os meus parabéns ao seu marido; belo texto. (tocante)

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  9. Belo texto....Podia ser a árvore do largo da minha Terra...!!adorei
    Beijo

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  10. Refletir poeticamente é um presente para quem escreve e para os que leem.
    Parabéns ao seu marido, o texto é muito bom!

    Um abraço.

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  11. Linda crônica do teu marido. Família de escritores!Legal! beijos,chica

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  12. OI TAIS!
    JÁ HAVIA LIDO OUTRAS POSTAGENS DO
    PEDRO LUSO, QUE AGORA SEI SER SEU MARIDO.
    QUANTO AO TEXTO, ME PARECEU,UMA REFLEXÃO SOBRE UMA VIDA QUE NO MOMENTO DA ESCRITA ESTAVA EM CRISE
    MAS ACHO QUE A VIDA ISTO,FAZEMOS
    IDEALIZAÇÕES, QUE VÃO SE PERDENDO PELO CAMINHO, NÃO TEM COMO NÃO AS
    CONSTATARMOS,MAS TEM COMO FAZERMOS DELAS SÓ SAUDADES, COMO TÃO BEM O FEZ O AUTOR.
    LINDO TEXTO.
    ABRÇS
    Zilanicelia.blogspot.com
    Click AQUI

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  13. PARA ZILANI:

    Oi, Zilani, essa prosa poética 'O passado é logo ali', do Pedro, nada mais é do que uma criação literária - um texto de ficção. Ele criou o personagem, um homem maduro, tendo como modelo mais de uma pessoa que ele conheceu no exercício da Advocacia.

    Portanto, o texto é de ficção.
    Beijo pra você.
    Tais

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  14. Um casal brilhante nas letras!!!
    Muito bom, Pedro!!!
    Beijos aos dois amigos!!!

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  15. Olá Taís,
    Primeiramente, obrigada pela visita ao blog.
    O texto refere-se a uma reflexão que muitos de nós fazemos, no decorrer da vida. O querer voltar no tempo, quem sabe, à infância que já vai longe é bem próprio dos que fizeram, talvez , a escolha não muito certa dos caminhos que todos precisamos escolher.
    Um belo e muito bem escrito texto! Parabéns ao Dr. Pedro.
    Amiga, convido-a a conhecer meu novo blog, o RECANTO DA POESIA, no qual "engatinho" no quesito poesia, poemas e afins (risos). Ficarei muito honrada e feliz com sua presença por lá. Espero que gostes.
    Um grande beijo,
    Maria Paraguassu.

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  16. É minha amiga, a vida é bela, mas é curta. Daí o porquê de aproveitá-la o máximo, seguindo sempre o caminho certo para que mais tarde, não venham os arrependimentos. Belo texto.

    Beijos e ótima semana pra ti e para o Pedro.

    Furtado.

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  17. Olá, Tais!

    Percorrer um caminho, por vezes já longo,para no fim dele descobrir que foi a escolha errada...é realidade dura, desesperante: já que não se pode voltar atrás, nem haverá talvez tempo para um novo tentar percorrer...

    Muita gente fará esta reflexão, aqui lindamente ilustrada em texto muito bem escrito.

    Um abraço.
    Vitor

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  18. Nossa Tais uma crônica que nos faz pensar, é logo ali, no passado que não volta, resgatar é quase impossível e muito doído, parabéns a
    você e ao autor que pelo que li no comentário é seu marido, beijos Luconi

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  19. Excelente texto, uma divagação pelas memórias do nosso passado. Ainda hoje há certos cheiros e ruídos que me levam a divagar até aos meus tempos de menina, nessa altura o passado está realmente logo ali. Parabéns aos dois.
    Bom fim de semana
    Beijinhos
    Maria

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  20. Bom Dia
    Justamente,logo ali,e essa prosa poética nos remete aos santuários da nossa infância,que tristemente não temos como partilhar com nossos seguidores num futuro bem próximo...
    Tão lindo quanto triste...

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  21. Sinto-me humilde diante de talentos como o seu e o de seu esposo, conforme constatado nesta prosa poética aqui compartilhada. Aprendo muito com vocês, capazes de presentear seus leitores com uma literatura madura, superior sob muitos aspectos.
    Não tenho muito o que falar sobre o texto, está perfeito! E o conteúdo dele não poderia ser mais inteligente e verdadeiro: o passado é logo ali, e muitas vezes nos salva das maiores dores da alma.

    Registro aqui meu carinho e admiração por vocês, querido e talentoso casal! Beijos.

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  22. Anônimo14:43

    tais gostei muitos de sua cronicas toca no profundo de nossos coraçoes, que DEUS te abençoe e te de mais sabedoria para voce escrever essas cronicas maravilhosas

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  23. Anônimo14:43

    tais gostei muitos de sua cronicas toca no profundo de nossos coraçoes, que DEUS te abençoe e te de mais sabedoria para voce escrever essas cronicas maravilhosas

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  24. Anônimo14:45

    Tais gostei muito de suas cronicas que sao maravilhosas

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  25. TAIS gostei muito de usa cronicas sao maravilhosas

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  26. Para os dois últimos anônimos e Pedro, 'alunos da professora Clari Cossettin', esta prosa-poética 'O passado é logo ali', é de autoria de Pedro Luso, meu marido.

    Um beijo pra vocês, queridos.
    Tais

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