Tenho certeza que hospedar alguém é uma tarefa árdua, se não fosse não haveriam tantas regras para os anfitriões e mais outras para os hóspedes.
Eu, por exemplo, detesto me hospedar na casa de quem quer que seja; gosto da minha liberdade e me constrange tirar a liberdade de alguém, ainda mais dentro de sua própria casa. Já me hospedei, sim, há muitos anos, mas hoje não mais. Existem hotéis e pousadas de todas as categorias, para todos os gostos.
Lógico, entendo que nem todos podem se dar a esse luxo. Mas meu enfoque é outro: o transtorno que um hóspede pode vir a causar na casa de um coitado. Lembrei disso devido aos feriadões, festas de fim de ano, férias e praia – a época em que as pessoas se amontoam na casa dos outros. Conheço várias pessoas que estremecem em época de férias com suas casas de praia... Virgem Maria.
Lembro de ter ouvido de uma pessoa que hóspede é como peixe, no terceiro dia começa a 'cheirar'. Bem que guardei, também, uma outra versão: hóspede é como uísque: dá dor de cabeça quando é ruim e deixa alegre quando é bom. Mas que hóspede nos daria tanta alegria? Amigos, amigos... negócios à parte.
Já é sabido que um só hóspede é o suficiente para atrapalhar a vida do anfitrião e de sua família. Quando estamos hospedados na casa de alguém saímos de nossa normalidade; muitas vezes ficamos subservientes porque estamos de favor. Ou, deitados e espaçosos: algo inadmissível na casa dos outros. É ruim para os dois lados.
O hóspede que eu pediria a Deus - se eu tivesse algum pecado por pagar - seria o 'hóspede invisível'. Minha maior preocupação com os meus hóspedes foi sempre recebê-los com carinho, preparar ótimos quitutes e ser sempre gentil. Fazer vistas grossas para as gafes. Lógico que após a partida das maravilhosas criaturas e de seus acompanhantes voadores, eu estava a fim de uma clínica para repouso absoluto acompanhada de vários 'lexotan'. E tenho consciência que meus anfitriões também, em alguma época, pensaram o mesmo.
O manual do bom anfitrião salienta que temos de ter muitas preocupações: não dá pra deixar o pessoal se empilhar sem conforto. Ah, e tenha paciência ao encontrar coisas esquisitas esquecidas no banheiro, escova de cabelo na sala...
Ao hóspede é bom lembrar umas regrinhas: leve um 'mimo' para seu anfitrião, é algo muito simpático, como se dissesse: 'hei, lhe trouxe uma lembrancinha porque vim encher seu saco!'
Se você vai para passar 4 dias ou 1 semana... Não altere para mais, sempre para menos!! Fará a alegria de muitos.
Ao ir embora, deixe um bonito arranjo de flores com um bilhete de agradecimentos, gesto delicado que causará ótima impressão e uma lembrança mais leve e menos dolorosa.
Mas é isso aí, gente: se tudo estiver bom pra seu anfitrião; se tudo estiver ótimo pra você é só deixar rolar e curtir essa linda amizade.
Esse, é seu amigo de verdade: guarde do lado esquerdo do peito!

































