23 de maio de 2015

AS MÃES DA PRAÇA DE MAIO



          - Jaime Vaz Brasil

Elas chegam e pedem por seus filhos
que sumiram num tempo desumano
quando espadas forjaram soberanos
e o expresso da morte ganhou trilhos.

Quando aportam na praça dos lamentos
como barcos perdidos na neblina
a esperança navega, clandestina,
mas Caronte transporta seus rebentos.

Nessas madres loucas
o vazio replanta
a semente morta das esperanças tantas.
Suas vozes duras
quase em desatino
clamam por justiça,
choram seus meninos.

Elas rezam e renovam suas sendas
num protesto refeito a cada instante
onde a crença, já quase agonizante,
nas vigílias constantes de remenda.

O poder, aninhado em mãos tiranas,
inseriu dentro delas os seus gumes
e nas dores que guardam, se resume
a história latino-americana.

Essas madres loucas
a erguer retratos
são do povo triste
um espelho exato
e seus lenços brancos
aves peregrinas
a voar, imóveis,
sobre a Argentina.

______________________   Punhais do Minuano, WS editor - 1998 (pg 40)

Jaime Vaz Brasil, nasceu em Bagé - 1962, é psiquiatra e escritor gaúcho. Diretor técnico e docente do Instituto Fernando Pessoa. Possui seis livros publicados e recebeu vários prêmios literários e em festivais de música. Dentre eles, o Prêmio Açorianos de Literatura e o Prêmio Felippe d'Oliveira. Alguns dos poemas foram musicados, e há dois livros com os poemas em cd: "Os Olhos de Borges", musicado por vários compositores, e "Pandorga da Lua", musicado por Ricardo Freire. 



18 de maio de 2015

COMEMORAR O DIVÓRCIO



- Tais Luso

Será que a moda pega? Sei lá, não sei mais se é melhor rir ou chorar para desabafar situações de elevado estresse. Ando confusa com tantas coisas  às avessas. Mas comemorar um divórcio  com alegria é melhor do que entrar em depressão ou se achar coitadinha e pular do 10º andar. Não tenho dúvidas.  O que não dá é conviver lado a lado com uma frustração. Com um desencanto. Pra que levar adiante um quadro de desespero e de desolação??

Casamento é muito bom quando dá para levar ao pé da letra o que o padre pediu para repetirmos: prometo estar contigo na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza até que a morte nos separe. Sempre achei isso bonito. Vejo assim o verdadeiro casamento. Creio ser um pouco à moda antiga. Mas  foi assim que me fiz.

Uma americana chamada Wendy Lewys, resolveu comemorar seu divórcio cravando seu vestido de noiva com uma descarga de metralhadora. Que saúde! A moça, antes cheia de amor pra dar e planos pra sonhar, agora virou mulher metralha. Entendo a alegria, mas virar guerrilheira e esburacar o vestido é hilário, não sei até que ponto é válido.

Os casamentos  mais antigos quando chegam ao fim são desfeitos com mais discrição, talvez com um ataque de nervos, uma depressão que preocupa todos os familiares, um sumiço temporário da vida social ou uma viagem para colocar a cabeça no lugar e dar a volta por cima. Mas sempre é uma barra pesada desmanchar sonhos.

Mas já existem muitos relacionamentos por aí que comemoram seu término com intensidade e vigor: comemoram com um esporte super-radical, idas à casas noturnas, shows de Strip-tease, saltos de paraquedas ou fotos na Playboy - como fez a cunhada do piloto F-1 Schumacher. Já existe nos Estados Unidos empresas que recebem pedidos de comemorações para o divórcio. Dá pra ficar feliz, mas não é necessário ostentar tamanha felicidade para o ex. Nunca se sabe o que vai no coração ou na cabeça do outro. E se houver filhos... é triste. Filhos não se divorciam.

Acredito que todo o fim de um relacionamento é dramático, mesmo com atitudes extravagantes. O que preocupa é quando precisamos mostrar que a vida daqui pra frente será uma festa de arromba. Mentira: todos continuarão com seus altos e baixos; com acertos e erros, ora felizes, ora infelizes. Não existe um estado de plenitude infinito. Tudo tem seu momento específico.
Mas creio que ainda virão  muitas comemorações extravagantes, outras corajosas e muitas outras, cômicas. É só esperar.







13 de maio de 2015

POR FAVOR, ME ESCUTE!

Paul Gauguin / 1891 Museu d'Orsay


- Tais Luso de Carvalho


Passei a tarde com uma amiga que estava com a alma em frangalhos por ter perdido o irmão, tragicamente. Estava fazendo força para não ser engolida por uma depressão. Fiquei preocupada e disse a ela que voltaríamos a conversar, mas que ela precisava sair, e que não trancasse suas dores, pois é saudável quando dividimos as alegrias, e muito mais, dividir as tristezas.

- Mas Tais, as pessoas não querem saber de ouvir, elas querem é falar de suas coisas!

Ela tem razão: muito difícil alguém parar para ouvir o que precisamos falar. Não estão nem aí pra escutar. Aliás, só escutam o que querem; o que possa lhes interessar. É difícil desabafar uma dor. Difícil dar alívio à alma.

Será que hoje só existem amigos pra servir de acompanhantes? Pra pegar um cineminha, jantar? Ir ao teatro? No cinema não se fala; no teatro não se fala; no restaurante estamos de boca cheia...Falar onde?

Será que alguém tem de pedir: 'Hei... pelo amor de Deus, você pode me escutar?   Pode me dar uma forcinha básica?'

Há anos senti desconsideração numa reunião social. Fiquei com a frase no ar, dependurada e com uma cara de cachorrão enquanto a criatura olhava para todos os lados à procura de algo mais interessante. Senti que estava num monólogo. Que situação desagradável. Levantei e saí. Além de ter sentido o desinteresse por parte dela, não teve jeito de dar continuidade ao assunto. Mas passei por tal constrangimento em nome de minha 'sociabilidade', enquanto ela foi anti-social.

Mas descobri que. topar com alguém - de difícil conversa -  o melhor é não se gastar saliva e ficar calada. Melhor o silêncio, já que a conversa não é obrigada a partir de nós. Essa pessoa jamais irá ouvir alguém;  não terá interesse em ouvir nada que fuja de seu mundo. Nasceu sem empatia – aquilo que é fundamental para sermos apreciados: se interessar pelo que o outro sente. 
Ou no mínimo escutar. Ser solidário, ou apenas educado.

E se não for assim, é melhor a gente se mandar. Não tem o porquê  investir na pessoa errada.




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11 de maio de 2015

DE ORGANIZADA À BAGUNCEIRA!




- Tais Luso

Não sou uma pessoa de perder as coisas dentro de casa, mas existe, sim, muita gente bagunceira. Às vezes é um tanto desesperador quando temos um compromisso com hora marcada e não encontramos o que devemos levar. Aí vira um tormento de última hora. Pobre família.

Aqui em casa a pergunta de praxe é: você não viu Olhem a sutileza da coisa! Claro, conhecendo os meus, sei por onde as coisas vão pipocando. Mas nada entrego na mão, só digo que está ali (coisa bem de criança...).

Onde? – pergunta meu marido.
Ali! – E fixo o olhar na coisa.
Onde, onde?
Se você não olhar nos meus olhos não vai achar!!
Báh, você é o máximo, encontra tudo!

E sai contente com a parafernália. Mas no dia seguinte tudo se repete, e encontro o tesouro perdido em um minuto. Até gosto da brincadeira. Aplico meu senso pedagógico.

Mas lembrando que um dia é da caça e outro do caçador, fiz algo que fiquei desmoralizada. Meu marido foi ao supermercado comprar algumas coisas, mas esqueceu a lista de compras em casa. É normal.

Logicamente discava para o meu celular e nada de eu atender. Então comprou o que lembrava de cabeça. Naturalmente faltaram algumas coisas, vieram outras – parecia que não era para nossa casa.

Jurei de pés juntos que o celular não tocou.
Tocou…
Mas nunquinha, sempre está comigo…
Liguei 4 vezes!

Diante de tanta certeza fui ver as chamadas no meu celular. E não encontrei o aparelho!

Putz, será que Pedro tem razão? Procurei e nada de achar. Desisti; uma hora a geringonça aparece – pensei.

Fui à cozinha beber um suco, abri a geladeira e… lá estava meu celular! Sim, meu celular dentro da geladeira, na prateleira de cima. Lembrei que estava com ele na mão quando fui pegar a jarra de água… É, pois é!

Atualmente tá difícil de recuperar meu prestígio de cidadã organizada. Virei bagunceira. E só por causa de uma coisinha, de um celularzinho esquecido dentro da geladeira…
Gente injusta.


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6 de maio de 2015

A GRANDE MURALHA DA CHINA



  - Tais Luso

O solo muito fértil do norte da China, no Vale do rio Amarelo, atraía a cobiça de vários povos. Os ataques e saques eram constantes. Assim, os Chineses tiveram de se defender dos inimigos construindo muralhas e torres de vigia ao longo de suas fronteiras do norte. Mas o interessante e curioso de saber sobre essa fantástica Muralha, é que não foi construída numa única estrutura como se pensa, mas erguida em diferentes etapas por quase dois mil anos, com diferentes materiais, como tijolo, granito e calcário, e depois unida. Em várias partes a Muralha atinge 16 metros de altura.

Durante a dinastia Chou (1027 a.C) foram criados vários Estados governados por famílias diferentes. Tornaram-se muito independentes do poder real e passaram a lutar entre si para conquistar mais território e poder. Finalmente, apenas sete Estados tinham força suficiente para continuar na disputa: as dinastias Chi, Chu, Chao, Wei, Han, Yen e Chin. Ficaram conhecidos como os Estados Guerreiros.

Quando, finalmente Chin venceu todos os outros Estados e fez da China seu Império, as fortificações principais foram unidas, formando a Grande Muralha. O Estado de Yueh continuou independente até a dinastia Tang.

Milhares de homens trabalharam nessa tarefa onde muitos morreram durante a construção, trabalhando até a exaustão. Durante a Dinastia Han (206 a.C a 220 d.C), todos os homens entre 23 a 56 anos de idade eram obrigados a servir o exército durante 2 anos.

A princípio as Muralhas da China foram construídas com a criação de 44 acampamentos fortificados e interligados por um calçamento primitivo. A obra só foi concluída em 1368 na Dinastia Yuan. Portanto 1588 anos de construção! A grande Muralha tem 8.850 quilômetros de extensão, da China até a Mongólia onde começou a ser erguida no século II a.C. pelo primeiro Imperador Tchi-Huang-Ti, defendendo-se dos Mongóis e Manchus. Em certos pontos atinge 16 metros de altura por 7 metros de largura, o qual passavam as tropas com facilidade e rapidez. As torres para os soldados possuíam portas, estábulos para os animais, depósitos de suprimentos e armas.

A Muralha da China é uma das poucas construções que pode ser visto da lua. As outras são as Muralhas de Pedra de Yangtzé (China) construída no delta do rio do mesmo nome e as ilhas artificiais The Palm (Emirados Árabes).





Fonte: Povos do Passado / Os chineses – Círculo do Livro S. Paulo

1 de maio de 2015

NÃO SOU AMIGA DE PANELA DE PRESSÃO


Rosinha


         
        - Tais Luso

Não acredito em alguém que diz não ter uma fobia ou um medo exagerado. Ah, só uma, vá lá, seja companheira(o)!

Eu tenho algumas medos bem pronunciados: baratas, alto-mar, mata fechada (muito misteriosa) e panela de pressão. O coração faz um tuc-tuc descompassado. Naturalmente alguma história traumática houve por trás dessas fobias.

Fobia por baratas é o clássico entre as mulheres, e me encontro no rol, sou companheira. Navio, em alto-mar, além de enjoar muito, pensaria no troço afundando e eu sem chão, tipo morrer raciocinando, consciente. Não me atrai sentir a morte por etapas. Não quero morrer a prazo, ir descendo, descendo e me deparar com tubarões. Que seja num vapt-vupt.

E panela de pressão me traz lembranças de infância, e com infância a gente não brinca, a coisa cala fundo; pior do que chiclete em pata de cachorro. Não sai nunca.

Lembro que nossa empregadinha voou! Vi só o resultado, cheguei atrasada: a criatura sentada no degrau da porta da cozinha, com os cabelos chamuscados. Apavorada. O fogão retorcido, os armários despencando e a tampa da panela na copa, ao lado.

Naturalmente eu tenho panela de pressão, mas quando ela começa com aquele fuzzzzzzzz inicial, saio da cozinha e volto 40 minutos depois, meio agachada (como se adiantasse…), lembrando daquela criança de 8 anos. Desligo e saio. Coisa de maluca? Tanto faz, o pinhão tá pronto. Já me viram regressar meio agachada e ninguém entendeu. Ficaram me olhando... Perguntaram se eu estava com cólicas. Ora…  é espírito de sobrevivência, aprende-se nas guerrilhas urbanas, a televisão ensina…

Ah, esqueci de dizer, a panela tem nome... é Rosinha. Coisa mimosa para amenizar meus medos e acalmar a criança que ainda existe. São métodos que encontro para tentar a cura, mas a Rosinha parece não entender: o milagre não aconteceu. Ainda.

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24 de abril de 2015

TRADUZIR-SE / Ferreira Gullar

                        Obra -  Ferreira Gullar


Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo. 

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão. 

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira. 

Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta. 

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente. 

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem. 

Traduzir uma parte
na outra parte
— que é uma questão
de vida ou morte —
será arte?




Como crítico de arte e pensador, Ferreira Gullar está entre os mais lúcidos escritores da atualidade. Seus textos têm clareza e a sagacidade dos que indicam caminhos e denunciam falácias que se revelam em discursos políticos ideológicos como também nas bienais de arte. Sua poesia é fruto de uma sensibilidade erudita, lírica e social. Sua poética é capaz de traduzir, além das angústias do homem contemporâneo, os fecundos silêncios que alimentam seus próprios conflitos, inquietações, tristezas e alegrias. 




(Jiménez, Ariel - Poetas Brasileiros - Entrevistas (2013)
"O importante não é ter razão: é ser feliz!"

Ano de 2010


12 de abril de 2015

LIÇÃO DE VIDA





     
 - Tais Luso de Carvalho

Moro num lugar alegre e arborizado, e mesmo assim faz parte da minha vizinhança um dos maiores hospitais da América do Sul. Onde moro tenho, de graça, fatos e fotos que só me acrescentam: tenho aulas sobre valores, atitudes, solidariedade, metas, realidade, futilidades, sonhos desfeitos... Tudo me é dado de graça: uma amostra do muito e do pouco que posso ser como pessoa.

Desço e vejo uma criança paraplégica, com a mãe ao lado, cobrindo seu filho de carinho, e que dependerá a vida toda de alguém. Ela me olha e eu baixo a cabeça. Senti-me constrangida, não pelo fato em si, mas pelo seu sofrimento presente e futuro. Por saber que aquela 'dor' será para sempre. Evitei de falar com os olhos.


Vejo pessoas idosas, já na última instância de suas vidas nostálgicas e sem sonhos, apenas esperando... Vejo gente lutando para sobreviver, clamando por mais um tempinho de vida; vejo, nas minhas andanças - perto do hospital -, crianças saindo da quimioterapia, gente acompanhando seus doentes. Tenho essas amostras, de luta pela vida, todos os dias. Tenho sempre o que aprender dia-após-dia. E isso, sem querer, vai me dando outra visão das coisas, da vida e das pessoas. E posso traçar parâmetros para mim. Isso faz com que eu dê valor unicamente ao que tem valor.


Saio de uma realidade e vejo a outra: gente discutindo e se incomodando por um armário de cozinha que ficou com um tom acima do idealizado, dando um valor excessivo à matéria. Vejo gente falando do pedigree de seus cães querendo desmerecer os outros animais; vejo gente que se descuida em ser mais ética; vejo brigas enormes em inventários, com pessoas achando que estão sendo logradas; pego o carro e vejo pessoas discutindo porque o outro fez uma manobra infeliz. Vejo de tudo um pouco. E aí lembro do hospital, meu vizinho.


Só não aprendi, ainda, a lidar com a dor física sem chorar muito e achar-me injustiçada. Nenhum ser deveria passar por dor física e, muito menos ser submetido à torturas devido à ideologias políticas ou religiosas. Quanto desperdício de vida.



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20 de março de 2015

PROTESTO NO BRASIL - 15 / 3 / 2015



- Tais Luso

Nunca imaginei em ver o que estou vendo agora no meu país. Cenas chocantes, caóticas, inacreditáveis, vergonhosas e que saem em todos os principais jornais do mundo. Eu tenho vergonha na cara, sou brasileira. E gostaria de viver num país saudável, sério – no mínimo.

Sufoquei as lágrimas ao ver aquele povo imenso na manifestação do dia 15 de março em várias cidades do país. Um milhão de pessoas na Av. Paulista / São Paulo e mais milhares no resto do país. Por que será que muitos foram às lágrimas? De vergonha, de indignação? Ou um patriotismo abalado, humilhado? Não sei dizer.

Jamais imaginei ver tantas caras-de-pau roubando e confessando ter roubado - sob pressão -, mas tranquilos, como se estivessem passando uma receita de bolo no programa da Palmirinha, estampando um ar meio abobalhado em seus rostos.

Com cara de quem estava por fora de tudo, um dos tantos milionários da Petrobras respondia às perguntas na CPI como se fosse inocente, enquanto que o outro, no dia seguinte, entrou  mudo e saiu calado. E o povo com cara de cachorrão. Caído e pobretão.

E as críticas, das mais pesadas, aliás como tudo que está acontecendo, e tendo como berço esplêndido, a rica Petrobras, agora moralmente desvalorizada. O povo na rua é o único orgulho que resta à Nação. Temos de 'pelear' – como dizemos aqui no Rio Grande do Sul, resgatar nossa soberania, nosso orgulho.

Estou numa neura de cão com esses noticiosos e CPIs. Tinha jurado em não ver mais nada. Pra quê? Caso eu fique louca, tenho motivos, me tratem com carinho! 

Cada dia temos mais novidades. Nossos políticos são criativos e dissimulados. Alguns estão abrindo a boca porque levarão vantagens na tal delação premiada. Muitas vantagens. Por outro lado, estamos conhecendo toda a turma dos irmãos Metralhas.

E da Presidenta, só escuto dizer que a corrupção veio de governos anteriores... Mas isso não interessa, minha senhora, seu partido está há 12 anos com a faca e o queijo na mão! Só falta dizer que essa  corrupção toda, que se alastra como sarna, chegou com as caravelas em 1500. E como tal, nada se pode fazer - de tão crônica. 

Não surgiu até agora nenhum remédio que combata essa praga; sequer uma vacina para essa vergonha nacional que há muito tempo estamos aguentando. E o blá-blá-blá vai longe, ninguém consegue entender  o mais difícil quebra-cabeça do mundo!
Sou povo brasileiro,  protestando pacífica e democraticamente.


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14 de março de 2015

UM CASO DIFÍCIL


      - Tais Luso

A vida é feita de histórias. Umas hilárias, outras tristes, esdrúxulas, trágicas e outras... Outras não sei como classificar. É só pensarmos em alguém e lá tem uma história de vida. E essa que contarei é uma história de uma conhecida; das tantas que encontro na minha rua quando passeio com meu cachorro. Todos somos vizinhos de quarteirão. Uma hora em que os cachorreiros se encontram e contam as novidades. E desgraças.

Essa minha conhecida tem um filho: o anjinho tem 35 anos e uma namorada, cujo relacionamento já tem 2 anos. Porém, ele adora uma sala de Chat, até que deu de cara com uma moça da Hungria. É, lá do outro lado... Mas na Internet tudo fica perto.

Ficaram muito amigos, contou-me a conhecida. Todos os dias se comunicam pelo Face, ele mostra o Brasil, ela mostra a Hungria. E a amizade foi crescendo… E virou outra coisa, que minha conhecida temia.

Bem, já faz 6 meses e a garota quer vir ao Brasil para conhecer o tal moço e por aqui morar algum tempo, e talvez com ele! Mas o caso é que a sua namorada daqui, está montando apartamento para morarem juntos. E está grávida!

O que está neurotizando essa minha conhecida, é que a moça da Hungria já está com a passagem na mão! Claro, o rapaz não bate bem das bielas, e não fica em emprego nenhum. Está desempregado. E resolveu enlouquecer a mãe. Não sabe o que fazer a não ser entrar em crises.

- E agora Zé? - disse a minha conhecida olhando pra mim.

Dizer o quê? Esconda a namorada numa toca ou  pegue uma mala e fuja? Cruzes.

O rapaz está passando por descompromissado, pois a moça da Hungria não sabe que o anjinho em breve vai ser papai!

Minha conhecida também está em crise: está pensando em mudar-se e deixar a bomba explodir no front. Enquanto o trio se vira, ela some.

Está pensando em pegar todas as suas roupas e tralhas pessoais e se mudar para um apart-hotel, longe da zona de conflito... afinal, a coitada é cardíaca. 

Aliás, acho que eu faria a mesma coisa, afinal, o mimoso tem 35 anos,  fez um filho que ainda não nasceu e não aceita conselhos!

Espero que a gente se encontre por esses dias; quero saber o rumo das coisas. Toda história tem um final, e essa minha curiosidade também faz parte da vida. 
Normal.






7 de março de 2015

CONVERSAR OU SMARTPHONE?




            - Tais Luso 

Não faz muito tempo, combinei um encontro com uma amiga, para colocar a conversa em dia. Até umas fofoquinhas básicas poderiam rolar. Falo em fofoquinhas básicas, e não de desmonte! Bem, combinamos um sorvetão, daqueles que vem com tudo, que fica uma montanha, e que engorda 2 quilos.

Sentamos, felizes pelo encontro. Após dez minutos de conversa, minha amiga pegou seu Smartphone para me mostrar o que tinha recebido no seu Facebook. Nada de novidade, eu já tinha visto nos blogs e recebido tudo por e-mail, visto nos portais etc e tal. Tudo, ou quase tudo o que está no Face, com exceção de fotos particulares, está também no mundo da blogosfera.

Olhava para o Face dela e para o meu sorvete - que já não era mais o mesmo. Uma colherada e uma olhada nas novidades, naquela telinha minúscula. Não disse nada, mas notei que eu já estava comendo alguma coisa mais do que cremosa... Mas fazer o quê? Não gosto de ser indelicada, afinal, ela estava encantada, mostrando as coisinhas e não seria um sorvete que acabaria com a festa da criatura. Mas viciado é assim. O canal 40 da Globo News, e estudos especializados de revistas médicas, mostram pesquisas  a respeito de vícios desse tipo, já com tratamentos sérios na tentativa de trazer o viciado à vida normal.

Não faz muito que precisei trocar meu bom companheiro, um troço que falava, escutava, mandava torpedo, e-mail e uns faroletes mais – caso eu quisesse. Mas meu marido encasquetou em me dar um Smart. Tanto ele como a vendedora não entendiam que eu queria apenas um celular que mandasse e recebesse o básico; que não estava nos meus planos sair com Internet, e várias pessoas me acompanhando até para comprar um sapato! Cada e-mail que chegasse na caixa, o troço avisaria. Putz, que horror. Que neura. Mas a vendedora me convenceu da utilidade. E meu marido também embarcou na canoa.

Hoje, digo pra vocês que desativei todos os aplicativos e Internet; está funcionando apenas como um telefone comum, e assim ficou bom. Senti uma agonia de cão, à procura do meu  antigo 'eu'

Ah, esqueci... Meu sorvete virou sopa! E fiquei com pena por não ter tido capacidade suficiente de prender a atenção de minha amiga. Nem com uma fofoquinha básica, concreta, pra alegrar a tarde. Perdi para um Smartphone... Benza a Deus!

Mas vou me reinventar: nosso próximo papo será por telefone, linha residencial. Só quero falar e ouvir. Tenho certeza que colocaremos o papo em dia; afinal, a gente merece um pouquinho de vida real.




28 de fevereiro de 2015

COMERCIAIS: AMAMOS OU ODIAMOS




        - Tais Luso

Enlouqueço quando aparecem na televisão alguns comerciais barulhentos, chatos e poluídos. Uma gritaria só, e pouco se absorve. E a empatia vem no primeiro dia: é amar ou odiar, deixar correr ou tirar o som. Ou aproveitar o intervalo e dar uma espiada noutro canal?

Quando entram as propagandas, o som da televisão vai para as nuvens, coisa que dá a impressão de sermos todos deficientes auditivos. Quando nos damos conta, a família está completamente esquizofrênica. A primeira atitude é de raiva, a segunda é de não comprar o produto. Mas parece que as emissoras não sacam esse tipo de coisa.

Existem comerciais lindos, verdadeiras pérolas. Não agridem a visão nem os tímpanos. Até tocam o coração, acariciam nossos sentimentos. 

Uns marcaram época: o magrão do Bombril, o baixinho bigodudo da cerveja, a menina do primeiro sutiã, a sensual morena chamada Verão - que faz comercial de cerveja. Um comercial antigo, dos cobertores Parahyba, anda pelo YouTube como algo singelo de uma época. Meigo. Muitos publicitários são geniais, e destaco o meu preferido, Washington Olivetto, com seu criativo comercial sobre a PAZ, entre tantos outros. 

Existe atualmente um comercial de um produto para matar baratas que me deixa alucinada. Quando vejo aquilo penso em suicídio! Torço pela barata!! Confesso que tenho fobia por baratas, mas nunca gritei daquele jeito, nunca saí em disparada, nunca fiquei histérica. Ao contrário, vou pra cima do bicho, com o coração a 130 batimentos, mas bem menos espalhafatosa e dramática. Entro pro duelo, com alguns urros, certamente, mas perto daquelas duas criaturas do comercial, acho que sou normal. Mente sã! Posso falar desse comercial porque ele entra dentro da minha casa, e grito de mulher é coisa apavorante. É tipo morte anunciada.

Mostro abaixo, um comercial da Tigre, sobre reunião de condomínio. Sensacional, engraçado e criativo. Passei a pensar em todas as reuniões que fomos e do porquê das pessoas participarem cada vez menos dessa coisa cheia de trambiques e conflitos que chamamos de reunião de condomínio. Ali se apresenta uma das piores partes do ser humano, quando ele cuida exclusivamente de seus interesses. Claro, tem outras piores... sem dúvida.

Há outro comercial - numa rádio - que desperta em mim os mais primitivos instintos - como dizia um político desse país. Não entendo o motivo de um narrador de futebol se esganiçar tanto na hora do gol. Mas já é de praxe aquela gritaria compulsiva e enlouquecedora. Fico quase em coma. Mas assim sou eu. E tenho certeza que assim morrerei.


Adorei esse comercial...




Clique aqui, no Comercial da Barata (mas volte!)



21 de fevereiro de 2015

A PESTE NEGRA NA IDADE MÉDIA


Em meados do século XIV o continente europeu ficou marcado como uma época de grande sofrimento. Em 1347 a Itália era próspera, populosa e atraia muitos forasteiros.
A mais terrível peste que abateu a Europa e dizimou um terço de sua população foi a Peste Bubônica, também chamada de Peste Negra devido às enormes manchas escuras que se faziam presentem por todo o corpo dos infectados.
A praga, espalhou-se pela Europa vinda da Ásia central que transitavam pela rota da seda, de regiões isoladas da China e Índia, num processo de interação comercial entre Oriente e Ocidente.
Na Sicília, no porto de Messina, os mercantes italianos, que retornavam do mar Negro, já se encontravam contaminados, devido aos ratos que eram hospedeiros das pulgas infectadas.
Num clima de fanatismo religioso, desolação e resignação, e já no ano de 1350, o papa Clemente VI, anunciava o Ano Santo instruindo os peregrinos a rumarem na direção de Roma, onde receberiam o direito ao paraíso sem passar pelo temido purgatório. A convocação causou um enorme êxodo e contribuiu ainda mais para o alastramento da peste, uma vez que muitos já estavam infectados.
Em 2 meses a peste se espalhou pela Itália, Espanha, Inglaterra, França, Áustria, Hungria, Suíça, Alemanha, Escandinávia e países bálticos.
Os ratos estavam contaminados com a bactéria Yersinia pestis, porém na época nada sabiam sobre isso. E as pulgas destes roedores transmitiam a bactéria aos homens através da picada. Nada era capaz de interromper a voracidade com que a pandemia se disseminava. A peste era voraz, atacava os nódulos linfáticos, a virilha e pescoço. Febre alta e o aparecimento de bolhas, pus, sangue e vômito provocavam a morte em menos de 24 horas.
Estes roedores encontraram em muitas cidades europeias um ambiente favorável, pois estas possuíam condições precárias de higiene. O esgoto corria a céu aberto e o lixo acumulava-se nas ruas. Rapidamente a população de ratos aumentou significativamente.
Os abastados foram os primeiros a tentarem fugir da peste, abandonando os locais onde havia maior infecção. O clima era de terror, fazendo com que muitos se exilassem em seus próprios lares. Advogados se esquivavam de fazer os testamentos dos moribundos; clérigos se esquivam a dar a extrema-unção; trabalhadores fugiam dos campos para outras cidades; cidadãos se evitavam; parentes mantinham-se distantes.
Esfomeados, adoentados e fracos, os europeus não mais enterravam seus mortos, que eram milhares por dia. Os corpos iam-se avolumando nas ruas, fedendo de forma insuportável e atraindo cada vez mais ratos, e insetos proliferadores de doenças. Imigrantes, viajantes e peregrinos nenhum desses eram bem-vindos em meio à turbulência causada pela praga.
A violência tornou-se evidente. Não havia dúvida que a discriminação e a perseguição com outras etnias também eram evidentes. Tinha de haver culpados e bodes expiatórios. E cometiam-se injustiças. Barbáries.
Relatos da época mostram que a doença foi tão grave e fez tantas vítimas que faltavam caixões e espaços nos cemitérios para enterrar os mortos. Os mais pobres eram enterrados em valas coletivas, apenas enrolados em panos.
Vendo esse cenário, e vencendo sua própria dor, fome e doença, um homem resolveu minimizar o problema, passou, mesmo contra a visão da igreja e dos homens, a incinerar os corpos caídos nas ruas. Promovia imensas fogueiras que, com o gás natural dos corpos, atingiam proporções alarmantes. Essa queima dos corpos diminuiu consideravelmente o cheiro nas ruas e afastou os ratos causadores da peste. Com essa determinação, esse homem devolveu aos homens a vontade de lutar.
O homem que incinerava os corpos chamava-se Lázaro, posteriormente canonizado pela igreja católica. A morte de um terço da população europeia, resultou em escassez de mão de obra e provavelmente contribuiu para profundas mudanças sociais e sensíveis melhorias.
No ano de 1351 a Peste Negra cedeu; a Europa dilacerada, após 5 anos de horror, levou séculos para se refazer. O medo pairava, fecharam-se para visitantes - atitude justificada pelo medo da volta de uma nova pandemia.


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