10 de agosto de 2014

O QUE É A VIDA?




       - Tais Luso de Carvalho

Nas conversas do dia a dia, com familiares, amigas, vizinhas, fulanas e beltranos, e observando bastante a vida da nossa sociedade é que dá para ir pegando alguns temperos que servem para aplicar na minha vida. É melhor aprender vendo os erros dos outros do que sofrer na própria pele. Dá menos trabalho.

Examino o tal custo-benefício: o que vale a pena? Tudo complica quando a cobiça e a ostentação se fazem presentes, essa praga que gera a insatisfação humana e que revela o tamanho das diferenças sociais. O ser humano é exibido e paga por isso. Vê-se nas redes sociais um exibicionismo exacerbado – que não deixa de fazer parte de um mundo real.

Bem, moro num bairro em que as pessoas ainda têm o hábito de baterem papo na calçada, vão chegando e se encaixando na conversa. Os animais de estimação se encontram e seus donos se aproximam; enquanto os amados bichinhos reforçam seus laços sociais, os donos falam das últimas notícias: falam de futebol, dos seus condomínios, das eleições, da segurança e de política – quem roubou o quê. E quanto. Os noticiosos estão aí mostrando todos os dias o lixo do mundo – coisa que nos incomoda bastante.

São nessas conversas de calçadas que observo que todos nós – ao amadurecermos –, também vamos tomando consciência como é bom a certa altura da vida podermos ficar um pouco de papo pro ar. Desacelerar.

Li, em ZH, de Porto Alegre, e não faz muito tempo, sobre o Clube do Nadismo: dizia a nota, que o Nadismo representa uma importante transformação cultural, significa tomar consciência de que o tempo de fazer nada também é valioso. Aprendendo a aproveitá-lo, se vive melhor. Taí… Simpatizei com a coisa, com o Clube do Nadismo. Não confundam com o Clube do Nudismo, pelo amor de Deus.

Conversando com minha vizinha, aposentada recentemente, soube que ela abrirá uma boutique. Está aposentada há quatro meses, mas já está se coçando, sente uma certa culpa por não produzir alguma coisa. O desacelerar, o diminuir as atividades ainda numa idade produtiva, há muitos anos que não é bem visto. E até hoje em dia gera uma culpa do cão. Milhões de pessoas não conseguem aprender o que fazer com elas mesmas numa tarde chuvosa e livre. Ficam paranoicas, infelizes. Loucas pelo dia de amanhã para voltarem à vida!

A vida? Mas o que é a vida? É uma resposta difícil. Antonio Abujanra sempre encerra seu programa - Provocações - com essa pergunta: o que é a vida pra você? E os entrevistados pensativos mostram dificuldades em responder. Pois é, a vida…

Eu também não sei o certo, mas me arrisco a dizer que a vida é um longo percurso que nos desafia a ultrapassar o maior número de barreiras sem sentir culpa.
E, talvez um dos mais felizes encontros que podemos ter, o  encontro conosco mesmo.



31 de julho de 2014

O MEU HERÓI / Para o Dia dos Pais




              - por Taís Luso de Carvalho


 Todos temos heróis, e quase sempre eles se apresentam quando somos ainda crianças. O meu herói sempre esteve muito perto, em casa, e, como todo herói, não tinha defeitos, embora eu o contestasse. Naquela época eu já tinha perfil para ser da oposição.

Meu pai era um homem de porte atlético, bonito e culto. Lembro-me que, lendo o meu Livro do Bebê, que ganhei ao nascer, logo no início dos apontamentos da primeira página  meu herói escreveu que sonhava em ter uma princesinha (assim escreveu), já que meu irmão veio primeiro. E escolheu meu nome de um clássico, Meditação de Thaís – de Massenet. Só que o meu ficou sem o agá. Mas nunca me interessei em saber a razão.

Sempre fomos companheiros, e eu adorava estar com ele. Andava metida em lugares de gente grande, me enfiava nas livrarias – coisa que ele adorava. Também ficava em seu consultório até tarde, desenhando ou lendo gibis, enquanto ele concluía os eletrocardiogramas dos pacientes. Saía do colégio Sevingné e ia direto para o seu consultório - no Centro. Era bem perto.
Na minha ingênua infância eu achava que ninguém morreria em suas mãos. E me orgulhava de ver meu herói de jaleco branco, atendendo os pacientes e estes saindo confiantes de seu consultório. Era o legítimo médico de família, hoje extinto. 

Mas o tempo foi passando, fui perdendo a inocência, entrei na idade das contestações, das contrarrazões e das discussões para provar não sei o quê. Tudo bobagem. Nada que fosse relevante, em vista do que somos e do que representamos nessa imensidão. Muito pouco.  
Mas já bem longe daquelas ilusões de criança, a vida mostrou-me, com frieza, o quanto que eu deveria  entender o seu real sentido. O tempo passou e vi que não tinha mais o direito de sentir e sonhar como uma criança, e tampouco ter um herói naquelas circunstâncias. De ter o meu super herói.

No período de minha adolescência continuamos companheiros, praticando esportes, junto com minha mãe. Lembro-me que os dois admiravam a minha garra, mas aquela garra vinha do entusiasmo e do apoio que eu recebia deles.
Cresci. Fiquei adulta, namorei meu marido, casamos, e formamos nossa família. O tempo foi passando e troquei a fantasia do meu herói: continuei a vê-lo  como o pai que eu amava, que eu contestava, que eu  aplaudia. Mas guardei aquela fantasia do meu herói envolta em ilusões da infância, num cantinho só meu, para nunca esquecê-la, já que foi uma fase muito especial.
Muitos anos se passaram e chegou o momento da retribuição e do meu agradecimento por tudo de bom que tive. Do carinho com que fui abraçada pela vida que eles me proporcionaram.
Lembro-me quando tive de acompanhar  meu herói  à emergência de um hospital. Apoiando-se em meu ombro, meu pai caminhava com dificuldade para chegar ao carro, com passos lentos e com a resignação dos que não têm mais forças e nem vontade para continuar… Antes de chegar ao carro, com seu caminhar já envergado, sentou-se num banco do jardim para descansar, e eu, discretamente, fiquei a olhar suas mãos trêmulas e seu olhar que já me dizia tudo… Ainda sôfrego, disse-me com dificuldade:
- Minha filha, isso logo vai terminar… 

Aquela frase e aquele olhar foi uma punhalada. Eu sabia, mas não queria ouvir daquela maneira. Eu não conseguia aceitar. Não queria que ele tivesse aquela noção e a certeza do seu final. E desconversei, precisava poupar-lhe. Disse-lhe umas bobagens para iludi-lo, mas foi em vão, ele pressentia. E de fato,  não demorou muito para seguir seu  caminho solo. Foi seu último ato de coragem e resignação que presenciei.

Agora, já madrugada, encontro-me aqui sozinha a recordar tantas coisas significativas da minha vida, porém, com uma vontade imensa de chorar… Amarga saliva, saudade e uma tristeza inexplicável.
Contudo, acredito que esteja muito bem, tenho certeza de que está num lugar onde não encontra hostilidade, perigo e insegurança: está num lugar onde encontra só amor: está no meu coração. 
Para sempre.

Para meu pai - meu herói. Saudades. 
(Escrito em 27 de agosto de 2007).



20 de julho de 2014

NÓS, MULHERES!


Mulheres / Obra de Erico Santos 

       - Tais Luso de Carvalho

Se todas nós fôssemos belas, simpáticas e atraentes; se fôssemos ótimas amantes e profissionais bem-sucedidas; se cuidássemos dos filhos, do marido, da casa, do jardim, da sogra, da empregada e ainda fizéssemos parte de algum voluntariado poxa vida, seríamos fantásticas!
Pois é, mas não estamos com toda essa bolinha apesar de sermos bombardeadas por uma mídia que apela para sermos a Mulher-Maravilhacuste o que custar. Mesmo assim, sem muita estrutura para aguentarmos tal imposição, saímos desatinadas à procura da academia mais próxima e de uma clínica que nos ofereça o pacote milagroso, ou seja, a promessa de virarmos um mulherão, pelo menos em termos de beleza.
Malhamos como loucas, e, muitas vezes, saímos da academia com a sensação de termos virado uma  Barbie: mulher tem de ser magra, esquelética, mas com a musculatura definida nas pernas, tipo jogador de futebol, o legítimo samba do crioulo doido. E não adianta contrariar, há anos que já estamos com a cabeça feita.
Está tudo à nossa disposição, desde umas aulinhas cafonas, ensinando como sermos mais sensuais, até um festival de implantes de silicone. Mas sensualidade não se aprende, é algo espontâneo. Cada mulher tem a sua peculiaridade; se não agradar aos gregos, agradará aos troianos. Que aflição!
O cuidado com nosso corpo é necessário, mas parece que perdemos o sentido exato das coisas. Estamos parecidas com robôs: cabelos iguais, lisos e repartidos; barrigas à mostra de todos os tamanhos e formas; muito silicone alterando medidas equilibradas e uma boa dose de Botox nos impedindo de sorrir, travando nossa expressão facial. Então fica uma coisa meio desfolhada, prestes a despencar.
Enfim, estamos uniformizadas; parece que fazemos parte de uma única escola, tudo cai bem para todas: o que a magra veste, a gorducha abocanha. E mais: temos ainda como opção, a lipoescultura. Essa intervenção nos dá, de imediato, o contorno corporal adequado. Fantástico. Mas nada contra a lipoescultura: falo do exagero. E falo daqueles peitinhos horrorosos, exagerados, que carregam frágeis criaturas parecendo embuchadas. Não há harmonia. Difícil esse quesito.
Depois de estarmos belas e formosas, de termos comido o pão que o diabo amassou, saímos a desfilar na companhia do nosso barrigudinho. Mas sendo homem, tá feito o embrulho; maravilha! E não tem jeito: haverá sempre um atenuante para esses lindos barrigudinhos, pois mulher quando gosta, fecha os olhos. É uma atitude singular. Somos diferenciadas: trazemos à nossa vida amorosa, aquela coisa de mãe, gostamos apesar de. É uma virtude. E por isso é que muitos andam tão à vontade, tão descuidados.
Porém o contrário raramente ocorre: A gorducha, meio obesa, tem namorado? Bádeu! O cara pirou, tá doente!
Mas, apesar dessas firulas, podemos nos orgulhar diante da nossa luta pela emancipação. A nossa verdadeira história é marcada a ferro e fogo à procura de mais espaço, seja na política, na literatura ou em outras áreas. Somos um exército avançando e tomando posse do que nos é devido. Nada mais justo.
Porém
Bom seria se fôssemos reconhecidas pelo que escrevemos ou falamos e não por termos lábios carnudos, peitos enormes e bumbum empinado.
Bom seria se fôssemos reconhecidas como profissionais capacitadas nas áreas técnicas com o mesmo reconhecimento e remuneração dispensada aos homens.
Bom seria se, após uma vida de trabalho, não sentíssemos o desconforto por estarmos aposentadas e o vazio de uma vida vista como improdutiva.
Bom seria se fosse reconhecido o nosso espírito de abnegaçãomuito presente nas mulheres.
Bom seria se, na velhice, fôssemos cercadas de atenções, de paciência e de amor.
Bom seria, se tivéssemos o reconhecimento dos filhos, como mães amorosas que tentaram acertar.
Mas ótimo seria se, na condição de mulher, não precisássemos matar um leão por dia para provar do que somos capazes.




13 de julho de 2014

PRECONCEITO À VISTA!



              - Tais Luso de Carvalho

Não faz muito que assisti uma entrevista no programa Provocações, do Antônio Abujamra. Dentre muitos assuntos o que mais chamou minha atenção foi quando o repórter saiu às ruas para colher alguns depoimentos sobre a ambição. E pegou um flagrante triste de se ver: abordou uma jovem senhora, que mais parecia uma metralhadora falante, e perguntou-lhe se ela era uma pessoa ambiciosa:

Já fui ambiciosa, hoje já não mais: gosto de dividir tudo o que tenho com as pessoas que amo, com as pessoas mais humildes, como a minha secretária, uma pessoa muito simples, humilde, mas honestíssima. Maravilhosa.

O que ela faz na sua casa? perguntou o repórter.

Arruma a casa, cozinha, cuida de tudo!! Da família inteira, é uma secretária maravilhosa.

A senhora tem algum problema em dizer que ela é sua empregada doméstica?

Após alguns segundos de constrangimento...

Sim: porque ela é minha secretária. Merece mais. Ela é uma pessoa que está comigo há 7 anos e gosto muito dela; é minha amiga e merece tudo de bom. Tenho o maior respeito por ela. É minha secretária. repetiu a ansiosa metralha.

É claro que ela ficou numa situação muito embaraçosa. Foi flagrado o preconceito diante de milhares de pessoas, e isso a incomodou bastante. Uma atitude velada que partiu da patroa. Usa alguém que desempenha esse serviço doméstico, mas discrimina a profissão. O repórter tocou num ponto nevrálgico, desnudou o preconceito.

Mas é isso aí. Acabei entendendo que a pessoa que trabalha como empregada doméstica não pode ser honesta, maravilhosa, humilde e amiga, mas uma secretária pode! Então tá. Está aí  mais outro preconceito: empregada não pode ter virtudes e nem ser maravilhosa, mesmo trabalhando como uma mula.

Tenho certeza que o dia em que a tal secretária se mandar do emprego, a coisa vai mudar: quem deixará o emprego será a empregada desonesta, inimiga e abominável; vai ser amaldiçoada.

Que coisa feia foi isso, hein madame? Agiu como se um status melhor - segundo sua ótica - pudesse moldar o caráter de alguém. Cada dia as pessoas tornam-se mais criativas, dissimuladas e interesseiras.

Bem, tenho de fechar essa crônica porque amanhã, bem cedo, receberei minha nova faxineira… Estou um pouco apreensiva, vá lá que bata à minha porta uma pessoa honestíssima, amiga, maravilhosa e bilíngue querendo fazer a minha faxina... 

Não saberia lidar com a língua; preciso colocar meu inglês em dia: minha  frase de boas-vindas seria The pencil is on the table!! 

Pra engolir essa coisa grotesca, só levando na brincadeira. 
Foi terrível. Triste. 





3 de julho de 2014

COPA - SELEÇÃO / 2014



       - Tais Luso de Carvalho

Tenho assistido alguns jogos da Copa, embora não seja uma Expert em futebol. No entanto, sou brasileira, vivo no país que abriga a festa, numa cidade que se virou em quatro para receber muito bem todos os convidados, o que lhe valeu uma medalha da Fifa, que, aliás, lhe fez justiça ao exaltar o acolhimento aos turistas e às Seleções. Ótimo, fiquei contente pelo reconhecimento da nossa hospitalidade. Não há dúvidas que todo o Brasil se comportou muito bem. Vi uma Porto Alegre muito feliz nesses dias. O Estádio Beira-Rio, à beira do Guaíba, abençoado pelo lindo pôr do sol, cumpriu sua missão.

Apesar dos atropelos e das discussões, saiu melhor do que esperávamos, saíamos às ruas com segurança, pois havia policiais por toda parte, com suas enormes motos, que chegavam a meter medo. Vivemos momentos de felicidade, principalmente no quesito ordem e segurança. Como nunca! Quem dera que as coisas continuassem assim, com segurança padrão Fifa. Mas não, a realidade é outra. Esse é o problema.

Não entendo de futebol, mas acho que entendo de gente. E me parece que nossa seleção está muito conturbada, nunca tinha visto tanto homem chorando pelos cantos na tal decisão entre Brasil e Chile. Nosso time entra preocupado, pesado, carregando toneladas de esperança   nas costas. Naquele jogo, tive a impressão que íamos pra guerra, uma sessão de despedida, de adeus. Lacrimejei vendo o nosso goleiro chorar antes, durante e depois. Bem, aí misturei todas as bolas. Não sabia por que aquele baita homem estava chorando tanto. Todos tensos! Acabados. Mas resolvi chorar junto, não sei por que e nem por quem.

Mas por quê? É um jogo de futebol!!! A Pátria amada não estava em risco; não íamos ser invadidos, os familiares estavam bem… Então, por que, Senhor? Dai-me compreensão, é tudo meio difícil pra mim, tratando-se de futebol.

Não estarão aqueles  abastados  jogadores sob uma enorme pressão? Penso que seria uma atitude técnica do Felipão desafogar um pouco esses guris, que, afinal, só estão disputando e participando de uma festa esportiva. Ser menos paizão, talvez. Pai, às vezes, é visto como uma figura autoritária,  pesa demais e pode gerar culpa antecipada, já que tudo lá é uma família só. A Copa por ser no Brasil trouxe uma responsabilidade muito maior, as expectativas ultrapassam as fronteiras da normalidade.

A seleção do Brasil não é a única boa, ou que deveria ser boa, né? Outras seleções estão muito bem, surpreendendo  e lutando pelo título tanto quanto o Brasil. Mas não sei o que acontece, o Brasil tem de ganhar sempre, é uma neura. É algo angustiante, caso de vida ou morte. Escuto  um tititi por aí que poderiam ter sido escalados alguns excelentes jogadores que ficaram de fora. Sei lá, não me levem muito a sério, é só uma opiniãozinha... Talvez com um ajuste psicológico, tirando a pressão da panela a coisa melhore, não exploda! Exercitar os músculos da face, puxar um sorriso, jogar com alegria!

Amanhã joga Brasil e Colômbia. Vou tomar um Rivotril, não por medo de uma derrota, mas com medo de uma possível tristeza Nacional. Uma convulsão! Não gostaria de ver o nosso povo chorar. Já rolam lágrimas suficientes nesse país.
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Em 04 de julho de 2014: Brasil e Colômbia:

Final de jogo, Brasil venceu. E Neymar, com a vértebra fraturada pelo 'delicado' colombiano! Fraturar coluna pode; quebrar joelho pode; cotoveladas pode; entrar no calcanhar pode... Mas 'morder' não pode! 
Aquela mordidinha valeu ao uruguaio um castigo dos infernos. Tudo desproporcional. Não entendi! Mas não é de se gastar tentando entender árbitros e  FIFA!   Está tudo dentro do 'padrão'. 
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Em 08 de julho de 2014: Semi-final Brasil e Alemanha:

O maior vexame da história do futebol brasileiro!! 
Uma goleada, o  desencanto na Copa das Copas... 7x1 
Parabéns, Alemanha, jogou um bolão  vai para a final! 
E por aqui..

"...o riso não veio/ não veio a utopia / e tudo acabou / e tudo fugiu / e tudo mofou / e agora José?"

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Em 12 de Julho de 2014: Brasil e Holanda:

Nova decepção, só espero que apareça um tempinho para cuidarem  do Brasil depois desses bilhões gastos e de muito enrolação que não convenceu ninguém: levamos 10 gols em dois jogos de finais, difícil esquecer essa Seleção!!
Desejo paz e alegria a todos porque a vida continua. Tudo passa.
Fui!




25 de junho de 2014

FIM / COMEÇO DOS TEMPOS



       - Affonso Romano de Sant'Anna 

Porque o século ia acabar
fizemos a última guerra
comemos o último banquete
colhemos a última orquídea
bebemos o último cálice
amamos pela última vez
e saudamos o último crepúsculo.

Porque o século ia começar
saudamos a primeira aurora
amamos pela primeira vez
bebemos o primeiro cálice
colhemos a primeira orquídea
comemos o primeiro banquete
e fizemos a primeira guerra.
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Poesia Reunida 1965 – 1999 L&PM 2004 pg 309



15 de junho de 2014

SAUDADES DAS ENCICLOPÉDIAS IMPRESSAS



 Tais Luso de Carvalho -     

Impossível alguém não ter consultado uma enciclopédia na sua época de estudante. Trago algumas delas para recordar. Também, como curiosidade, posto a primeira enciclopédia a aparecer na história, no ano de 1751, séc 18,  e que teve nos franceses Denis Diderot e Jean D'Alembert  os pais do invento.

Com base nos ideais iluministas, caracterizado por profunda crença no poder da razão humana e da ciência como forças propulsoras do progresso da humanidade, ambos resolveram compilar e tornar acessível todo o saber da ciência. Juntar informações importantes, ordenadas e organizadas em um compêndio, era o objetivo de Diderot e D'Alembert, pois acreditavam que o cidadão esclarecido, com acesso ao conhecimento, seria a força motriz que proporcionaria desenvolvimento e transformações sociais e que, também, pudesse ser consultado conforme a necessidade de cada um.

O primeiro volume chamava-se Encyclopédie ou Dictionnaire raisonné des sciences, des arts et des métiers (Enciclopédia Dicionário das Ciências, Artes e Ofícios).

Denis Diderot – 1713/1784, foi um filósofo e escritor francês. Essa enciclopédia, considerada sua obra-prima, tinha 28 volumes e demorou 21 anos para ser editada.

Jean D'Alembert- 1717/1783, também foi um filósofo, além de físico e matemático francês, conhecido pela sua participação na produção da primeira enciclopédia e seus feitos mais notáveis foram na área da astronomia e da matemática.

Reuni algumas das mais significativas enciclopédias que tiveram sua época de ouro no Brasil antes da época da informática, antes de uma enciclopédia online nos chegar às nossas mãos.

A primeira edição da enciclopédia BARSA  foi editada em 1964. Tinha tudo o que se queria de uma enciclopédia brasileira: informação, beleza e confiança.  
Saudades, bons tempos... 
Primeira Enciclopédia: por  Denis Diderot e Jean D'Alembert - 1751


Uma das mais elitizadas enciclopédias foi a Encyclopedia Britannica, 33 volumes, lançada em Edimburgo, na Escócia, entre 1768 e 1771. Continha a 'essência' do pensamento científico e filosófico apresentada por pensadores como Diderot, D’Alembert, Voltaire, Rousseau ou MontesquieuAo longo de 246 anos, outras 14 edições foram publicadas. Após 1990, começou a decair devido à Internet.
Agora está surgindo em formato online. 

Tesouro da Juventude, publicada inicialmente na década de 1920 e reeditada em 1958. Fez parte da educação de milhares de pessoas. O Tesouro da Juventude, editado por W. M. Jackson, Inc., com sede em São Paulo, era obra originalmente inglesa.  Com introdução de Clovis Bevilaqua, para atestar a qualidade, possuía um texto admirável, e a seleção de temas e autores apontava para uma comissão editorial, de constituição não revelada, de alta categoria.

Delta Laurousse 
A grande e conceituada enciclopédia que nasceu em 1970.
MIRADOR: possui 20 volumes e 11.565 páginas. 
Publicada em 1976, ela foi composta e impressa 
pela Companhia Melhoramentos de São Paulo.







CONHECER: foi publicada no Brasil pela primeira vez em 1966 pela Abril Cultural. Primeiramente a enciclopédia era publicada em fascículos organizada por temas. A Conhecer acabou por tornar-se uma referência para trabalhos escolares. Alcançou treze edições em trinta anos.


Quem lembra desta coleção?? Foi um sucesso.
Eduquem as crianças e não será preciso castigar os adultos!
(Pitágoras)

Denis Diderot  & Jean D'Alembert
Primeira enciclopédia.



(Variedades)

7 de junho de 2014

NÃO LIGUE, APROVEITE A SUA VIDA!


                - Tais Luso de Carvalho

Basta a gente se indignar com certas coisas para ouvir a célebre frase:
Não ligue, amiga, aproveite a sua vida!
Mas como assim, como será esse aproveitar a vida, esse bem viver? É muito relativo, tem gente que aproveita a vida viajando até se estafar; outros aproveitam se empanturrando de churrasco e cerveja até enfartarem; e outros, correm atrás de superação se atirando de paraquedas, escalando o Everest etc e tal. Mil coisas para se alegrar.
Mas juro que vou ficar no aguardo, um dia descobrirei o que é esse aproveitar. Talvez eu esteja fora do contexto, vivendo ainda no séc 18. Mas por falar  em viver bem...
Tenho aversão a brigas; sei que certas coisas até pedem um barraco de tanto que nos enlouquecem, mas não é o ideal, não deixará ninguém mais leve. Há muito que constato que paz é algo muito difícil uma vez que dependemos uns dos outros. Sempre. E principalmente na dor. Na fragilidade. 
Como espero que meu espírito vá para uma dimensão mais evoluída (se existir), depois do apagão, então o que me resta por aqui é escolher caminhos mais floridos. O saudável é entrar pra turma do Não Discuto. Não tenho dúvidas dos benefícios e da qualidade de vida que se ganha. Mas não é coisa fácil, é um exercício diário, porque tem o outro lado da moeda: o prevalecimento das pessoas e um certo destrambelhar que contagia.
Ter qualidade de vida não é só fazer exercícios, comer grãos e frutas. Já me entupi de grãos e nada aconteceu. Mas penso que qualidade de vida é ter a liberdade de escolher e tomar decisões, sem culpas. E decidir é sempre difícil. Pode-se levar anos numa indecisão ou decidir  em 10 minutos algo que não se quer. Depende da cabeça do freguês.
O que acontece  é que vivemos numa sociedade que cobra demais, mas cada um tem sua maneira de resolver as coisas, de ser feliz. Sofremos cobranças diariamente: a luta por status econômico, status cultural, e a poderosa indústria da beleza - para manter uma juventude eterna - mesmo que toda deformada - é terrível. 

É difícil acreditar que essa bagunça planetária seja apenas uma passagem, que depois dessa tem outra. Uma vida plena.  Tomara que tenha, porque esse estágio aqui é barra pesada. 
É fácil ver muitas pessoas se retraírem, não por serem antissociais, mas por não terem mais fôlego para encarar inúmeras cobranças e julgamentos. Você é puxado para ser outra pessoa,  embora lute para ser você. 
Se cada um cuidasse de si, maior felicidade sobraria para dividir, e menor seria o fardo dos infelizes. Não estou me referindo a movimentos sociais, políticos ou reivindicatórios em defesa de direitos coletivos. Isso é outro departamento. Parto do individual: mais autonomia,  mais paz,  mais calma,  menos cobranças e mais simplicidade não estariam dentro desse conceito de aproveitar a vida ? 
Antes isso do que me atirar das alturas à procura de liberdade momentânea.
Atirar-se das alturas é loucura, mas que deve dar uma sensação de liberdade, de desafogamento, ah dá!! E pensando bem, deve ser isso que muitos querem sentir: um alívio de tudo, quem sabe um aproveitar.




29 de maio de 2014

ENVELHECER COM DIGNIDADE



               - Tais Luso de Carvalho

Ontem tive meu dia um pouco estragado. Mas a vida é assim, ora rosa, ora um cinza sujo. Nauseante. Infelizmente não sou lá muito otimista para achar que o ser humano é virtuosíssimo, maravilhoso. Há um ponto de oscilação, muitas vezes ficando um pouco abaixo do esperado. E tal decepção deve acontecer aos montes.

Segundo Darwin, embora tenhamos a capacidade de amar, somos selvagens. Basta ver o que acontece no nosso país, na nossa cidade, no prédio onde moramos, nas famílias e no mundo virtual – onde a exposição é grande. Atrocidades por minuto. Todos os humanos se matando.

E para se viver num clima desses, oscilando entre alegrias e tristezas, amores e ódios, mesquinhez e calúnias é preciso ter sangue de barata, pois o contraste entre o bem e o mal é alucinante, faz perder o ânimo e a crença nos homens de boa vontade.

Minha náusea se deu quando saí para comprar um presente. Entrei numa loja, que há anos compro, e a filha dos proprietários (ele com 95 e ela com 92 anos) veio ao meu encontro. Conversa vai, conversa vem, acabou contando-me que há dois meses seus  pais estão numa casa geriátrica, tipo meia-boca, sem jardim, sem médicos, sem fisioterapeutas. O quartinho mal cabe a cama do casal, que até então moravam no seu apartamento de um andar inteiro. A filha, que me recebeu, descreveu a tal casa de idosos como muito precária. E falou da vida triste dos pais, inclusive sem plano de saúde, que os próprios filhos suspenderam. Pois é...

O casal passa o dia inteiro no quarto, já que não podem mais andar sozinhos. Os velhinhos, até há pouco, viviam andando pelo bairro, acompanhados pela cuidadora. Paravam sempre para conversarmos.

Lá pelas tantas perguntei como estava o pai, com toda essa situação, já que a mãe está mais debilitada.

Olha… o pai usa de um mecanismo para fugir da realidade, não quer sofrer mais com a situação atual. Ele se nega a falar.

Juro que custei a entender aquele horror. Os filhos, todos com curso superior, bem de vida, suspenderam o plano de saúde que o casal pagou a vida inteira para ter uma velhice digna. Tiraram os pais do apartamento alegando que não podiam cuidar deles; que os remédios custavam muito caro, o plano de saúde, a faxineira, a cuidadora... Mas caramba, o casal tem vários apartamentos, tem bens, tem dinheiro! A velhinha sentia-se feliz rodeada dos bisnetos.

Como os conheço  há muitos anos, o coração apertou; meus olhos revelaram o que eu senti. E até hoje não consegui entender as explicações. Ou melhor, entendi tudo. Com certo esforço, entendi.

Os velhinhos choram. Mas não há mais forças para tocarem o coração dos filhos. Eles já deram o que tinham de dar, agora estaria na hora da colheita, não por obrigação, mas por amor.

Essa é uma das tantas histórias tristes da vida, cujos personagens pertencem a uma classe social privilegiada. Eu tenho pena de velhinhos. Eles sentem, pressentem, choram. E tentam esconder... Mas quem de nós está preparado para lidar com tanta decepção e mágoas?

Acho que fui uma testemunha ocular... Nem o mordomo faz falta nessa história, já que ingratidão, desamor e mesquinhez não tem mordomo que supere.

Mas os humanos são assim, uns com suas virtudes e outros canalhas, cheios de trampas e esquemas. E desses, esperar o quê? Sou mais uma a aumentar a fila dos descrentes.
Mas todos envelhecem… É só esperar.