07/07/09

ROBERTO CARLOS E CAETANO VELOSO


- Tais luso de Carvalho

Depois de notícias preocupantes, de saber que a Argentina é o país que apresenta um dos maiores números de infectados pela gripe suína – e  é nossa fronteira  aqui no sul; depois de mais uma novela de corrupção,  espichada lá no Senado até não aguentarmos mais; depois da semana traumatizante para os fãs de Michael Jackson, que choram sua morte pelo mundo afora; depois de toda a 'roubalheira' que sabemos, e que jamais vamos deixar de nos estarrecer; depois de ver o Rio Grande do Sul jogado no lamaçal, com o episódio da governadora e de sua casinha básica de 1 milhão de reais, e que não consegue explicar de onde saíram os 'centavos'...

Depois dos crimes do dia-a-dia, taradices, cousas e lousas, ainda consegui ver algo de extraordinário: a entrevista com Roberto Carlos e Caetano Veloso, feita por Nelson Motta para o canal TV Globo News. 

Silêncio, para não perder nada; é difícil ver alguém sem agressividade e tão doce como os dois. Isso faz muito bem; vivemos numa época que precisamos de mais ternura. Falaram de suas músicas,  do triste exílio de Caetano, da parceria Roberto/Caetano, cantaram  'Teresa na Praia' , 'Debaixo dos Caracóis',  'Força Estranha'  e outras canjas. 

Um caminhão de simpatia, educação, respeito e charme. Tudo isso rolou entre os três. Cantaram, contaram. 'Debaixo dos Caracóis'  foi composta por Roberto para Caetano durante seu exílio em Londres.
Fica aqui esse vídeo,  que é histórico. 

29/06/09

O MELHOR DA FESTA


-tais luso de carvalho

Não adianta: a festa pode ser um primor, mas os comentários do dia seguinte... Abram alas! Dá pano... Ah dá. É coisa pra lá de boa de falar. É outra festa.

Ouvi um neurologista aconselhar para não levarmos a vida muito a sério, que o bom é brincar, conversar e ‘fofoquear’. Ops... Fofoquear, Dr? Então deixa comigo: já tô levitando...

Ontem fui a uma festa de casamento e lá encontrei antigas amigas: Aninha, Geny e Kika. Muitos conhecidos estavam na festa. Para a comida, bebida e anfitriã... Nota 1000! O meu negócio são os convidados.

No salão encontrei a Aninha, toda produzida em tons de azul: sapato azul, bolsa azul, vestido azul, laço azul, sombra azul... Toda combinadinha, um céu. Armando, marido de Aninha, é coberto de defeitos - segundo ela. Trabalha demais, o obstinado, mas tem como lazer cuidar de sua grande paixão: um velho Santana amarelão, relíquia. Passa horas lavando os pneus, tirando os bancos e desmontando o motor. Por fim, 'a coisa' entra no ‘brilho’ e vai direto para a garagem, o carango Imaculado. E Armando sai com o outro carro, que mais parece um tanque de guerra. Imagino a Aninha desfilando naquilo.

Geny, outras de minhas conhecidas, estava na mesa do outro canto, enfiada dentro de um vestido ‘verde periquito’ e escondida atrás de um enorme laço preto, preso ao pescoço. Jamais eu conseguiria comer ou dançar com aquela guilhotina no pescoço. Horrível. Está casada com o mesmo Geraldo; o mesmo coitado.

Lembro-me do dia em que fui visitá-la na sua casa da serra. Na porta (de sua casa) havia uma coleção de chinelos; uns 10 pares. De todos os números. Pensei logo no bom coração de Geny, como ajuda os pobres... Engano: a chinelada era para as visitas pouparem o assoalho. E para não dizerem que não falei de flores... Fiquei no jardim trinta minutos e fuuuui! A coitada é fanática por limpeza, e ficou lá com seu assoalho asséptico.

Outro casal que encontrei foi Kika e Mauro. Ela continuava a mesma criatura, com olhos arregalados, quase saltando das órbitas. Olho de peixe boi. Normalmente eram assim, mas diante daquela mesa farta, com os mais variados salgados e doces, Kika agia como um lagarto: com um olho nos doces e o outro nos salgados. Foi de vermelho, estilo ‘la compasita’.

Um dia, não lembro quando, nos encontramos em Gramado e resolvemos ir a um lugar gostoso para bater papo; mesas nas calçadas, toalhinhas em xadrez, lugar convidativo para um chopinho com fritas. Sentamos e começamos a exercitar o papo-cabeça: falar de tudo o que não tinha importância.

Minutos depois, vieram os dois chopes com as duas porções de batatas. Kika parecia um urubu em cima da carniça; fincava aquele palito pegando quatro batatas de uma só vez! Que ansiedade, que coisa mais animalesca foi aquilo! PÔ!!

No começo, eu fiquei no ‘charme’; batatinha por batatinha... Mas ao pensar que ficaria molhando o bico só no chope, sem as minhas batatas, um calorão se apossou de mim; esqueci de tudo e me atraquei naquelas malditas batatas deixando de lado o charme e a educação que recebera: ela pegava cinco; eu pegava cinco! E assim fomos indo numa disputa camuflada até limparmos o prato, sem, no entanto, deixarmos transparecer a competição que se instalara.

Logicamente eu saí mal, principalmente por constatar que meu processo educativo estava um tanto degenerado.

Porém, como nossos filhos eram amigos, após a festa de ontem tentei fazer uma nova aproximação com a ‘companheira’ Kika. Liguei pra ela:

- ALOOOOU! – era ela, com aquela voz de contralto.

Desliguei, sem nada falar. Aquele “ALOOOOU” não me descia mais. Lembrei de nossa última conversa por telefone quando liguei para lhe pedir um favor: ela falou um monte, contando de seus problemas. Fiquei estressada e coloquei o fone no gancho. Era a mesma Kika; não tive um espaço para qualquer articulação labial; ela não fazia uma vírgula, uma exclamação, nem tampouco uma interrogação. A mesma Kika! Então aproveitei a oportunidade e coloquei o que faltava: um ponto final.

A festa ainda não terminou: tem mais! Mais adiante voltarei com o capítulo II.

22/06/09

POR FAVOR, ME ESCUTE!


- tais luso de carvalho

Minha amiga estava com a alma em frangalhos por ter perdido o irmão, tragicamente. Estava fazendo força para não ser engolida por uma depressão. Fiquei preocupada e disse a ela que voltaríamos a conversar, mas que ela precisava sair, e que não trancasse suas dores.

- Mas Tais, as pessoas não querem saber de ouvir! Ninguém quer saber; as pessoas querem é falar!

Ela tinha razão: muito difícil alguém parar pra ouvir o que queremos contar. Não sei o que acontece, mas percebo que, cada vez mais, as pessoas só querem falar, falar... E não estão 'nem aí' pra ouvir. Aliás, só ouvem o que querem; o que possa lhes interessar. É difícil desabafar uma dor.

Será que hoje só existem amigos pra servir de acompanhante? Pra pegar um cineminha, pra ir dançar, ir ao teatro e academia? Será que alguém tem de pedir: 'hei... pelo amor de Deus, você pode me ouvir? Escuta... estou com problemas, eu preciso falar! Pode me dar uma forcinha básica?'

Poucos são os que se mostram dispostos a ouvir, e se alguém tem algo a dizer que seja rapidinho, né?! Vamo que vamoooo... porque o ouvinte não tem tempo!

Já senti isso, numa reunião social. Já fiquei com a frase no ar, suspensa, dependurada e com cara de trouxa, enquanto a criatura olhava para os cantos. Que situação... Isso é terrível. Além de ter sentido o desinteresse por parte do outro, não há como dar continuidade ao assunto. E me senti uma babaca, sem eira nem beira em nome de minha 'sociabilidade'.

Hoje não passo mais por isso; faço um estudo relâmpago das probabilidades de falar e de ser ouvida, ou fico ca-la-da. É aquela coisa: com os anos a gente aprende.

Foi aí que descobri que para manter um papo com alguém - de difícil conversa -, basta soltar a linha... Deixa-o falar; levante um questionário e desligue! Essa pessoa jamais vai ouvir alguém; já nasceu capenga, não terá interesse em ouvir nada que fuja de seu mundo. Nasceu sem empatia – aquilo que é fundamental para sermos apreciados: colocar-se no lugar do outro; ser capaz de saber o que o outro sente. Ser solidário, enfim.

É isso, falar não é tão importante quanto ouvir. E esse tipo de gente jamais irá encontrar 'alguém em casa' quando precisar. Mas por fim, essas pessoas - que não conhecem a estrada de duas mãos - não chegam a incomodar tanto, são logo descartadas: a gente se manda!

18/06/09

BALADA DOS CASAIS

Juarez Machado / Paris 2006

(Affonso Romano de Sant'Anna)
Os casais são tão iguais,
por isso se casam
e anunciam nos jornais.
.
Os casais são tão iguais,
por isso se beijam
fazem filhos, se separam
prometendo
não se casarem jamais.
.

Os casais são tão iguais,
que além de trocar fraldas,
tirar fotos, acabam se tornando
avós e pais.
.

Os casais são tão iguais,
que se amam e se insultam
e se matam na realidade
e nos filmes policiais.
.

Sant’Anna, Affonso Romano, 1937
Poesia reunida: 1965-1999
Porto Alegre, LM&M Pocket - 2004

11/06/09

NEM TUDO SÃO FLORES

- tais luso de carvalho

Quando levo meu cachorro pra passear, meus olhos vão descobrindo alguns terraços cheios de flores, janelas com cortinas de crochê e bebedouros para os bem-te-vis. Um encanto! E cada dia que faço este passeio parece que esses terraços são mais e mais festivos, e que existem pessoas muito felizes naqueles lares. O sol, as flores, os bem-te-vis... Quando volto pra casa penso em transbordar minha sacada de flores, deixá-la como se fosse um jardim...

O que estarão fazendo os habitantes daquelas casas e apartamentos? É difícil imaginar que por detrás daqueles jardins encantados possa existir alguém triste, solitário e com uma montanha de problemas.

Mas são momentos de ilusão, uma vez que me afasta da violência da cidade e me permite pensar que a vida se apresenta sempre maravilhosa; deve ser o poder das flores...

Percebo que só tive esta ilusão porque supervalorizei o que estava longe, o desconhecido: as casas dos vizinhos da minha rua.

Mas aquela imagem me levou a pensar em outra coisa: será que as pessoas não se tornam ídolos porque estão longe e inacessíveis? Fico curiosa com a biografia de grandes nomes e tenho interesse pelos aspectos ocultos de grandes homens, de cientistas e pensadores que fizeram a história da humanidade. Os ídolos nunca são nossos iguais: precisam ficar no patamar da nossa imaginação, protegidos da curiosidade humana, envoltos num mistério que fascina.

Por isso, quero conservar os terraços de meus vizinhos à distância: poderei olhar as flores, os bem-te-vis e pensar, por momentos, que a vida será sempre maravilhosa. Depois volto à realidade, sem problemas. Afinal, nem tudo são flores!
.

04/06/09

A DIFÍCIL ESCOLHA

Botero / Hombre y Mujer - 2001

- tais luso de carvalho

É pena que nosso amadurecimento seja um processo demorado, sempre para médio e longo prazo. É o preço. A vida faz uma troca bem balanceada: vai dando a calmaria e pedindo em troca o viço de nossa pele; vai dando o equilíbrio e tirando o pigmento dos nossos cabelos. E não solta, jamais, a paz. Mesmo porque, na meia idade alguns já questionam suas vidas, já com um pé na crise existencial. Até entendo um pouco a coitada da vida, que não pode nos dar tudo de supetão, e sem nenhum ônus.

Seria bárbaro se fossemos belos, equilibrados, ponderados, maduros e solidários. E ricos! Mas tudo junto? Vamos ser justos: alguém dá alguma coisa de graça? Por que a vida daria? Não; com ela é no toma lá, dá cá; olho por olho, dente por dente. É, ela cobra.

Aí fico pensando nas encrencas que a gente se mete pra enfarofar mais nossa vida; é um rolo duas pessoas, completamente diferentes, viverem juntas em nome do primeiro olhar, em nome do romantismo e de idealizações equivocadas. A paixão não transforma ninguém; encanta por algum tempo. Depois, há que trabalhar para salvar a relação, senão vai tudo pro brejo. Adeus.

Como uma pessoa insegura, carente e tímida pode almejar viver ou conviver com uma pessoa segura, resolvida e despachada demais? Vai sofrer.

Não é difícil entender o porquê de alguém tímido incomodar um pavão falante; do erudito incomodar um não tô nem aí; de um faz tudo incomodar um incapaz; de um ponderado incomodar um destrambelhado...

Só resta uma ajudinha externa, e gritar:

- Me descobre aí um psicoterapeuta!! Vou lá ver o que está acontecendo, a criatura não mu-da!!

A princípio, a visita ao um psicoterapeuta é para tentar uma maneira de arrumar o seu lado através da mudança do companheiro. Não é não? Não é mais fácil?

É difícil de ver alguém querer mudar; quanto mais carcomida estiver a criatura, mais difícil será a mudança. Às vezes, o negócio fica encruado. Pior, se essa mesma criatura achar que é perfeita, o que acontece quase sempre. É a traição do espelho.

Sempre percebi que o maior beneficiário de mudanças é quem muda pra si, para o seu consumo, não para os outros. Aquele que muda para acertar as pontas consigo mesmo.
Por isso penso que o certo, o menos conflitante, é quando os iguais se atraem. As chances de dar certo são bem maiores. Pelo menos é o que ensina Jung, esse expoente da psicanálise.

31/05/09

SUSAN BOYLE NÃO VENCEU...

- tais luso de carvalho

Longe de ser vista, fisicamente, como uma estrela de primeira grandeza, a cantora escocesa Susan Boyle, de 47 anos, solteira e desempregada, deu um show no concurso de calouros Britain's Got Talent, há muito tempo não visto e nem ouvido no mundo dos novos cantores populares.

Chegou e enganou: com uma aparência feinha e um talento de gigante, deu seu recado. E que recado. O interessante foram os jurados e a platéia que fizeram pouco caso, não acreditaram 'nadinha' na moça. Mas mal ela abriu a boca e soltou a voz... foi um espanto!!

Todos levantaram para aplaudi-la, e com caras de paspalhões. Susan virou celebridade instantânea após cantar 'I Dreamed a Dream', do musical 'Os Miseráveis'.

Seu estrondoso sucesso no YouTube - vídeo com mais de 100 milhões de acessos -, deu para reparar o constrangimento dos jurados e do público. Parece, no final, que queriam pedir desculpas... Aliás, deveriam cantar 'Sorry!' – em coro.

Após a primeira apresentação foi entrevistada nos programas de grande audiência como 'Larry King Live', 'Oprah Winfrrey Show' e outros.

Fiquei fã da moça e torci por ela. Não só por ser uma pessoa simples e sem 'aqueles' dotes físicos exigidos, mas por ter competência para vencer. Após a deslumbrante apresentação, comenta-se que é mais uma das invenções de Simon Cowell, conhecido como descobridor de talentos como Spice Girls e Leona Lewis. Na segunda etapa seu momento também foi emocionante, e foi escalada para o ‘gran finale’.

Sábado, 30 de maio, quando muitos tinham a certeza de vê-la vencedora... não foi! Lamentável. Porém, mesmo em segundo lugar, tenho certeza que seu esforço e sua voz maravilhosa não foram em vão, embora o assédio da imprensa e da Internet tenham estressado demais a moça.

Perdeu para o grupo de dança de rua 'Diversity'.
Pois é... mas vejam aqui seus momentos.

24/05/09

A MULHER E O ALGOZ

Pedro Luso de Carvalho

O quarto às escuras
(noite chuvosa)
- no desalinho da cama
absorta, a mulher olha
através da janela.
Da rua, nesga de luz
clareia livros
sobre o velho baú.
.
Na calçada, iluminado
entre ramos de árvores
o relógio,
longos ponteiros
duplicados
pelo efeito
das sombras.
Paralisada,
dos pulmões puxa
o ar que falta
e sente o frio
da ameaça mortal.
.
Aterrorizada, coração
descompassado,
desmaio.
Passam minutos,
horas ou séculos;
resta o desfecho.
Na rua alterna-se
silêncio e ruído
de carros
sobre o asfalto
molhado.
.
No chão, lívida
busca refúgio,
rosto entre os joelhos
- domínio do medo.
Na porta, forte
batida transpassa-a,
barulho de passos,
escuridão;
mulher encolhida
no assoalho
desesperançada.
.
De repente a lâmina
zune no breu,
escuro da noite
- dor lancinante
grunhido de ave ferida.
.

20/05/09

DALAI LAMA: UMA VERDADE!

Perguntaram ao Dalai Lama:
- O que lhe surpreende na Humanidade?
- Os homens... Porque perdem a saúde para juntar dinheiro; depois perdem dinheiro para recuperar a saúde. E por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem do presente de tal forma que acabam por não viver nem o presente, nem o futuro.
E vivem como se nunca fossem morrer...
...E morrem como se nunca tivessem vivido.

Biografia de Dalai Lama aqui.

12/05/09

MULHERES...


- tais luso de carvalho

Apenas nós, do sexo feminino, temos a capacidade de fazer um monte de coisas ao mesmo tempo: somos o tipo de criatura que consegue cuidar de tudo e de todos: abraçar as causas impossíveis. Mas, temos umas coisinhas que mexem com a estrutura do sexo oposto, como por exemplo, nunca damos por encerrada uma briga sem antes querer 'discutir a relação'. É algo para ser revisto, amigas. Vamos ser justas, isso já virou piada, é gol contra!

Mas todas sabem o que querem: um bom pai para seus filhos, um excelente marido, um profissional bem sucedido, um companheiro másculo, sensível, decidido, organizado, simpático, cheiroso e que tenha memória de computador - para lembrar todas as datas importantes: só isso! Uf. E mulher cobra, é terrível. Fica no pé, arranjando confusão. Confesso que muitas não deixam o cara respirar. Algumas implicam até com aquele futebolzinho de fim de semana dos coitados, né? É defeito de fábrica: nós somos de Vênus e os 'anjinhos' são de Marte...

Porém temos muitas qualidades, somos heroínas: cozinhamos há milhares de anos, fazemos cursinhos de doces, salgados, frutos do mar e de ervas milagrosas, mas não passamos do status de 'cozinheira': eles fazem um mexidão, repolhudo, vagabundo, anêmico... E no primeiro dia já são 'Chef du Cuisine'! Vejam a injustiça...

Somos nós que organizamos a casa. Tudo funciona. Até o presentinho de aniversário da secretária deles já está comprado! Nunca esquecemos das datas, dos convidados e dos presentes.

Somos nós que nos esbugalhamos acompanhando os estudos dos filhos, indo às reuniões no colégio tentando convencer a diretora que o guri é 'normal'; somos nós que cuidamos das roupas do batalhão, que chamamos o eletricista, o encanador, o homem da TV, da Internet, da farmácia; somos nós que cuidamos da empregada pra não demolir a casa. É, somos nós.

Dizem que somos uma 'anta' na direção do carro, mas os acidentes com mortes são causados por eles – que enchem a cara. O máximo que fazemos é arrancar a porta do carro, dentro da garagem. Mas não matamos ninguém; é só uma questão de visão, de manobras...

Porém, estes homens maravilhosos, dentro de suas máquinas voadoras, enlouquecem quando nos enxergam na direção do carro; qualquer coisa, meio que desafinada pelas ruas da cidade é o suficiente para abrirem o bocão e, sem cerimônia:

- FILHA DA MÃAAE!!!!!
- Ô GROOOSSO!!!

E depois de tantas gentilezas, surge o inusitado: VAMOS DISCUTIR A RELAÇÃO!!

- Por quê? Tudo está tão bem, amor!
- Estou de saco cheio: você não notou meus brincos de zirconita; o meu esmalte 'rosa bebê'; a minha bolsa 'vermelho carmim'... Você nunca enxerga, é um grosso!

E esses detalhes deixam muitas mulheres enlouquecidas... Bem que grossura não é detalhe... Muitos não procuram saber o que é marrom havana, marrom café... Não sabem que nosso mundo é feito de nuances. E ainda: carregam aquele defeito, horroroso, de berrar GOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOL! - numa televisão que mostra a imagem.

Mas no fundo, amigas, a culpa é nossa: lembram daquela coisa cretina - inventada por nós - de que homem tem de ser durão, não pode chorar, têm de ser machão e não pode ser tratado com muito 'nhenhenhe'? Pois é: tarde pra reclamar, amiga. Teríamos de ter decidido isso há milhares de anos; ter permitido que extravasassem sentimentos; que chorassem; que gostassem de flores e que violência e armas não os levariam a nada. Como nunca levou. Mas até hoje escuto dizer que homem não chora... E quando vejo um que chora, seguro meu enfarto. Dá pena.

E depois dessa confusão, entre um homem e uma mulher, onde ambos têm suas virtudes e seus defeitos, e que mesmo sendo 'os opostos', se amam, como é que fica a relação?
Não sei, mas talvez NÃO conversando a espécie se entenda...

04/05/09

AS FREIRAS ESTÃO NA WEB!


- tais luso de carvalho

Vou morrer e não vou ver tudo; e lamento pelo que vou perder. Pois, não é que ‘furungando’ aqui e acolá, descubro que até as freirinhas – aquelas recatadas e silenciosas filhas de Maria, e tidas como esposas de Cristo, estão se integrando à Internet?! Se ainda não estão viciadas, loguinho chegam lá.

As irmãs Cisterianas, que viviam reclusas no convento de Santo Spirito, na Itália, caíram na rede! Nossa Senhora dos Aflitos, Nossa Senhora Compadecida...rogai por elas!

Viviam elas como as conhecidas ‘Carmelitas’, do Brasil: nada de papo com estranhos. Podiam falar através de uma grade de ferro e cortinas serradas. Lembro de ter tido uma impressão - talvez meio falsa - de que não viviam...

O site, permite conversas com o público e com freiras de outros países. O tempo de permanência na rede não é limitado, apenas exige sensatez. E o site tem um cantinho para perguntas. Mas, sensatez... Olha, irmãs, é difícil achar o equilíbrio... São várias horas que Internautas dispensam à Internet. Por dia!

Mas, de qualquer forma, bem-vindas à ‘rede’, irmãzinhas! Mas cuidem-se: a maré não tá pra peixe... Não inventem de criar um Orkut, não entrem em salas de Chat, Messenger... Isso vicia, irmãs. Aquela conversa com várias pessoas ao mesmo tempo é de enlouquecer. E olha, irmãs... ‘blogar’ é bom, mas é muito trabalhoso.

As senhoras não vão entender o que se passa num mundo virtual; contar, seria muito cansativo. A ‘web’ não é um lugar santificado e nem parecido com convento; ninguém é santo. Somos especulativos.

Na verdade, irmãzinhas, tudo na ‘rede’ vicia. Não fiquem tão deslumbradas com esse mundo; têm coisas excelentes e gente muito boa, porém, tem o outro lado da moeda: o vício. E mais: há vida fora e longe da Internet: há flores e verdes; bichinhos e gente; céu e mar. E bate-papo no tête-à-tête. Calor humano, né irmãs! (Como há, também, ajuda semelhante aos Grupos de Alcoólicos Anônimos, para socorrer os viciados da Internet.)

Gostaria muito de fazer-lhes uma visitinha... Mas, não para saber do convento, e sim para soltar minha língua: contar, tim-tim por tim-tim sobre este nosso ‘Mundo Encantado’, aqui de fora. Existe de tudo um pouco: Fadinhas, castelos... Porém têm Pinóquios e Bruxas!
Mas, desviando dali e daqui... As senhoras encontrarão o equilíbrio.

Site das freirinhas
aqui.
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24/04/09

OS MÉDICOS E SEUS JALECOS


- tais luso de carvalho

Há dias que pensava escrever sobre algo que tenho visto e que me incomoda. Além de ter visto centenas de médicos e enfermeiras abraçarem simbolicamente o Hospital de Clínicas de Porto Alegre, na comemoração do Dia Mundial da Saúde, continuo vendo todos os dias esses profissionais de jaleco branco e estetoscópio dependurado no pescoço, indo do hospital em direção a outros prédios que pertencem ao conglomerado, faculdades e uma agência do Banco do Brasil - que fica no térreo do hospital – e, mais ainda, aos cafés do outro lado da rua. Outros, colocam o carro no estacionamento do hospital e já saem de jaleco...

Ora, sabemos que é um perigo levar bactérias nas roupas para dentro de um hospital. Existem bactérias que permanecem entre 24 horas a uma semana em nossas roupas. E daí, como é que fica? E o estetoscópio? Alguém vai examinar o coração de alguém pelo caminho? Assim como levam bactérias para dentro do hospital, também podem levar bactérias do hospital, para outros estabelecimentos.

Ouvi, casualmente hoje, a mesma observação feita pelo jornalista da Band, Ricardo Boechat no seu programa pelo rádio, e há pouco pela televisão, com repórteres entrevistando os médicos na rua. Algo extremamente constrangedor. Isso, lá em São Paulo! E nas outras cidades do país?

Pergunto: há necessidade? Cadê, doutores, os cuidados com a população? Ouvi, de um médico infectologista, que isso é extremamente perigoso. Será descaso, falta de conhecimento sobre o assunto ou será vaidade? Fiquei observando a pergunta a eles formulada. Constrangedor. E pessoas que transitavam falavam timidamente: ‘acho errado, mas fazer o quê?’ Pois é. Quem tem de fazer não somos nós!!

Que me perdoem os médicos, mas deveriam ser os primeiros a terem esse cuidado com a população, principalmente com os pacientes que estão sob os seus cuidados nos hospitais.

Não precisam expor a saúde das pessoas desta maneira; não tem o porquê sair na rua de jaleco, que é para ser usado exclusivamente no interior dos hospitais; e por que usar nessas saídas, esse bendito estetoscópio? Pega mal.
Usem um crachá, doutores, fica melhor.

17/04/09

INRI CRISTO, O FILHO DO 'HOMEM'

Inri Cristo
- por tais luso de carvalho

Para quem não lembra, Inri Cristo é aquele camarada que se diz, há anos, filho do ‘Homem’, ou seja, de Deus. Apareceu no dia 16 deste mês, no programa do Jô. Não resisti de curiosidade e fui no site do cidadão. Fui fazer uma visitinha pro amigo esquisito, com aquele sotaque que veio não sei de onde. E fiquei sabendo de umas coisinhas curiosas do indivíduo que se intitula ‘filho de Deus’ e que há décadas ferve por este Brasil afora.
Suas ‘inriquetes’ - Asusana e Alíbera - têm feito muito sucesso na Internet - nos últimos meses - com suas ‘versões místicas’, interpretando Toxic, cantado por Britney Spears.
Coisa muito medonha de ouvir.

Inri significa Iesus Nazarenus (Jesus Nazareno, Rei dos Judeus). Filho de pais desconhecidos foi entregue - por uma parteira - na localidade de Rio Morto, no município de Idaial, Santa Catarina, ao casal Wilhelm Thess e Magdalena Thess. E Inri sendo de Indail donde vem aquele sotaque confuso? Mas confusa fiquei eu com tanta ‘mistureba’ que ouvi.

Quando criança estudou na escola Adolfo Konder, em Blumenau, até o 3º ano primário -alguém foi coleguinha dele? Na adolescência trabalhou como verdureiro, padeiro, entregador de alimentos, mascate, garçom, cobrador de ônibus etc. Até aí, tudo normal.

O Cristo pós-moderno, há 3 anos mora em Brasília e está com 61 anos. Fundou sua Igreja em 1982 – SOUST - Suprema Ordem Universal da Santíssima Trindade.

Acho que o Inri até poderia fundar o que quisesse, outra religião, seita, filosofia, e por aí afora, e ter seus seguidores, mas olha onde o atrapalhado foi se meter! O novo ‘Mestre’ adora jogar bilboquê, anda de bicicleta, faz abdominais, halteres, joga sinuca e caminha muitos quilômetros por dia, conforme a vontade do Pai!!

O que me espanta é que o suposto ‘Jesus Cristo’, filho do Paaaai está informatizado e faz parte da nossa classe: é blogueiro, tem e-mail, orkut, um baita site... Fico a imaginar Jesus Cristo falando num celular e mandando torpedo! Bah, é pedir pra morrer.

Também responde perguntas, pelo seu site, onde tem áudio e vídeo. Vagou por esse mundo falando em nome do ‘Paaaaai’. Participou, também, dos programas do Ratinho, Fantástico, Super Pop, universidades, jornais, sites, blogs e participou, também, de um debate com o padre Quevedo. Saiu ‘lasca’... Muito engraçado.

Em seu site fala do último segredo de Fátima, fala de suas previsões sobre o Pentágono (?), sobre aborto, Santo Sudário, aquecimento global e mil coisas. O Mestre é uma ‘enciclopédia ambulante’. Porém não lembra o que significa o sobrenome Iscariotes, do ‘seu’ apóstolo traidor. Disse que não se lembrava; são muitos nomes... É verdade: quem conseguiria guardar nomes por 2 mil anos?? E não respondeu sobre suas tantas mortes e ressurreições que Jô perguntou; inclusive se não estaria um pouco cansado de tanto morrer e ressucitar...

Inri Cristo já foi preso 48 vezes. Não sei por que, mas não será por falsidade ideológica? Não, acho que não... afinal de Deus e de louco todo mundo tem um pouco...

Disse, em outra entrevista, no meio dessa mixórdia toda, que o primeiro ‘ser’ criado pelo ‘Paaai’ foi um réptil rastejante, depois, o mesmo evoluiu para o macaco e depois do macaco veio ele, como homem. Não consegui entendê-lo! Morou no Copacabana Palace por algum tempo, prestando serviços (não sei de que natureza) à elite brasileira. Deve ter uma grande vivência, pois conhece os dois lados da vida: miséria e luxo.

Diz ele que não tem o direito de negar que é o filho do ‘Homem’ e que foi gerado por ele mesmo, Inri Cristo. Bem, aí eu pirei de vez; fiquei muito confusa e estou com medo de não voltar ao meu normal; tenho medo de acordar achando que sou a Nossa Senhora dos Aflitos!!

Site de Inri Cristo aqui. Vale a pena ouvir o 'sotaque' do homem!
Aqui, Inri anunciando o fim do mundo.
Esse é o CARA!!
.

13/04/09

LÁ VEM A FALSIDADE...


- Tais Luso de Carvalho

Dias atrás, fui ao shopping comprar um cordão de ouro para sustentar uma medalhinha. Fui de jeans, camiseta branca, uma rasteirinha (sandália baixa) e um bolsão. Tudo básico. Não tinha o porquê ir de salto alto e produzida às 3 horas da tarde. Entrei numa joalheria, de nome, de grife. Quando saí é que vi o 'nome'.

Senti como se tivesse entrado numa casa de deficientes visuais: ninguém me enxergou. Depois de algum tempo veio a vendedora: ‘e pra ti, querida?’ Ah, meu Deus... se há algo que me tira dos trilhos é o tal do ‘querida’: aquele abominável ‘querida’ pra achincalhar. Coisa de vendedora (com todo o respeito).

Há alguns anos usava-se o ‘filhinha’: e pra ti, filhinha? Meu humor mudava na hora! Lembro que minha filha - ainda pequena - começava a me cutucar para eu dar uma 'maneirada', ser mais educadinha; era pior: eu enfatizava mais o deboche da vendedora.

Bem, mas voltando ao shopping...

Pedi alguns cordões de ouro para ver. A ‘sirigaita’ foi se arrastando... totalmente vazia de vontade em mostrar os tais cordões. Mostrava olhando para a colega... Vi, remexi, baguncei o mostruário e agradeci. Saí roxa, meio nauseada.

Então fiquei pensando nas pessoas humildes que entram num banco para abrir conta e são vistas com desconfiança; pensei nas pessoas que vão atrás de atendimento médico do SUS; pensei nas pessoas que querem abrir crédito numa loja e esperam, meio que constrangidas, pela aprovação de seu nome. Pensei em muitas coisas... Inclusive nas quem têm dinheiro e não esperam por nada. São agraciadas com cafezinho.

E vejo, então, que esta hipocrisia é uma imposição de uma sociedade que diz: tenha uma aparência de pessoa chique, bem apessoada, de bom berço para ser bem atendida. Simule, seja artista, minta. Assim estará garantido um bom atendimento. Então tá.

Pois bem, amigos, a melhor filosofia para ir às compras é lançar mão do melhor coadjuvante: a roupa e a empáfia! Mesmo que você tenha tudo de bom e for uma pessoa agradavelmente simples, sem frescuras - o que é elogiável -, nestas santas horas não funciona, é preciso representar: é preciso estampar (na testa) que você tem esta porcaria de dinheiro para comprar o que procura; é preciso mostrar para o seu médico que você tem dinheiro para bancar uma cirurgia ou um tratamento caro; é preciso mostrar para o gerente do banco que você vai ser bom investidor; é preciso mostrar que você tem! Mesmo que não tenha. O tratamento que dispensarão a você será coisa pra cachorro grande. É assim que funcionam as coisas neste terceiro mundo dos confins. Infelizmente.

Nos países de primeiro mundo não sei como funciona; mas não deve ser muito diferente: a matéria-prima é a mesma...
.

07/04/09

VENTANIA

Ventania


- Pedro Luso de Carvalho

Da Patagônia,
esse vento
esse frio
congelante
veio rasgar
minhas veias
com garras
mortais.

Vi da vidraça
assombrado
o dia sumir
escuridão repentina
noite no dia
e um gélido terror.

No telhado da casa
às escuras
barulho horrendo
de passos
de seres estranhos
de um mundo estranho:
o fantasmagórico
vento com uivar
de fera faminta.

Preso à janela,
curvado de medo
ouvia-o zunir,
guerreiro feroz,
entre casas
e árvores
dilacerando galhos
e destruindo fios
que agonizavam
no chão
retorcidos.