7 de fevereiro de 2016

A RESPOSTA DA NATUREZA




- Tais Luso


Fiquei olhando tempo para essa foto. Que fantástico ver esse recado da natureza. É o desejo de viver até mesmo em locais que parecem impossíveis. Que persistência e que determinação! Bem ao contrário dos humanos, que ao primeiro empecilho desistem de tudo. Não generalizando.
O homem, sem remorso e sem consciência, ignora que é sua obrigação preservar a flora e a fauna. E invade e explora as matas com sua insaciável ganância. É incompreensível tamanha burrice. Superação nada mais é do que isso: crescer na adversidade, no sacrifício, na coragem. Na vontade.
Comove-me a natureza pedindo socorro, implorando vida. E lamento que o homem, dito racional, destrua o planeta com seus poluentes potentes, com suas barragens irresponsáveis, com suas construções desabando e soterrando tudo. Continua com seus pesticidas proibidos e sempre em conflitos, destruindo monumentos, esculturas, cidades antigas que são a história da humanidade. Milhares de anos jogados no lixo sob os mais variados pretextos. Só posso dizer que somos loucos.
Não demorará muito para termos o troco de tudo que destruímos. A natureza não perdoa, ela se vinga. Basta observarmos as enchentes, os desmoronamentos, a infestação de insetos, o lixo doméstico, o lixo atômico, o lixo hospitalar espalhado pelo solo, riachos, rios, mares e a transmissão de doenças pelo mundo, transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, virando uma pandemia. E não queremos nem saber, o negócio é lucro, poder e diversão. E pouco caso com o que é do outro.
A natureza está dando seu recado, há uma advertência para que os humanos sejam mais sérios. Chorar, vai ser muito pouco pra nós. 
O povo precisa de educação. Mas não há dinheiro para investimentos; dinheiro aqui tem outros destinos.


Tentando viver no asfalto...
Lixo nos bueiros - Isso é descaso, ótimo para  enchentes.
Isso é educação?
.
Isso é saúde?  Mosquitos se proliferam...




1 de fevereiro de 2016

A FRANQUEZA QUE INCOMODA




      - Tais Luso
Lembro do dia que pensei em criar um blog: teria de ser algo que combinasse com minha maneira de pensar, que fosse do meu jeito. Queria poder dizer as coisas que penso, mas de uma maneira solta, sem muitos fricotes, e que não ofendesse ninguém. Beleza. Criei o blog de crônicas em 2006. E mais o Blog Das Artes.
Bem, esse introito acima é para poder dizer que nem sempre a gente pode dizer certas coisas ao vivo, olho no olho. Isso dá um rolo louco. Temos muitas maneiras de externar nossas inquietações, nossas opiniões e dúvidas. E escrever, pra mim, é a maneira que mais gosto. Ninguém me interrompe e não sai discussão. 
Os poetas externam sentimentos com muita beleza e sutileza; os artistas plásticos muitas vezes são dramáticos em suas pinceladas; em outras, são suaves e encantadores. Os jornalistas são mais agressivos, faz parte do contexto. O cronista conta a vida a sua maneira, de inúmeros jeitos. Mas o que todos procuram é a verdade.
Mas cá pra nós: quantas vezes a gente comete uma bobagem por querer 'parecer' franco demais? Como é chato esbarrarmos com alguém que se diz sempre muito franco. O suprassumo  do correto. Alguém pediu tanta franqueza? Alguém que se diz muito franco já me deixa cabreira, com um pé atrás. Como aquele que se diz muito honesto. Quem é honesto não precisa anunciar, isso é atitude de político. A coisa anda tão feia que muitos precisam berrar aos quatro ventos uma certa honestidade. Entendo... qualquer ponto fora do lugar constrange. É o efeito pixuleco - a neurose, o trauma nacional! 
Estou abordando este assunto porque  passei por isso ontem, ao pedir uma opinião a uma conhecida. Disse-me ela:
- Olha, me desculpe, mas costumo ser muito franca...
Ôh  coisa horrorosa. Estava no seu auge, transbordando-se em franqueza.
Diga, caramba, mas não seja pernóstica. Confesso que diante de sua franqueza me senti uma bandida.
Essa franqueza, essa verdade cristalina como introito de um parecer, é  antipática. Se essa franqueza absoluta vier para intrigar e ofender, ou mesmo para dissolver uma amizade, uma união afetiva, ou a harmonia familiar, que se cale, que omita, não diga. Não seja tão franco. Certas coisas é melhor omitir para não desmantelar o que não precisa. O que não é da nossa conta.
Não me orgulharia em dizer que sou muito franca e honesta, não é necessário 'dizer'. Prefiro usar de bom senso. Prefiro pensar antes de trazer meu balde de franqueza à tona. Nunca direi algo que poderá causar grande estrago em nome da tão 'grandiosa' franqueza!

_____________________________________



28 de janeiro de 2016

ETERNA MÁGOA




              - Augusto dos Anjos


O homem por sobre quem caiu a praga
Da tristeza do mundo, o homem que é triste
Para todos os séculos existe
E nunca mais o seu pesar se apaga!

Não crê em nada, pois nada há que traga
Consolo à mágoa., a que só ele assiste.
Quer resistir, e quanto mais resiste
Mais se lhe aumenta e se lhe afunda a chaga.

Sabe que sofre, mas o que não sabe
É que essa mágoa infinda assim, não cabe
Na sua vida, é que essa mágoa infinda

Transpõe a vida do seu corpo inerme;
E quando esse homem se transforma em verme
É essa mágoa que o acompanha ainda!

_______________________________________

EU E OUTRAS POESIAS / Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos
 - Porto Alegre: L&PM 2007, pg 95




24 de janeiro de 2016

UMA VENDA DESONESTA






       – Tais Luso

Foi na semana passada que saí para comprar uma nova geladeira. Que compra louca! Fui num dos shoppings daqui, onde equivocadamente pensei que faria uma compra agradável, fácil e honesta. Ingenuidade, bandido existe em qualquer lugar. Tinha esquecido disso, imaginem!

Terei de fazer força para reverter minha neurose. Sim, porque a dissimulação, a mentira, a má-fé faziam parte da venda, que não percebi no início. Foi algo kafkiano, um absurdo. Cheguei a desconfiar que se tratava de uma ficção.

Recebemos quatro geladeiras em casa, sendo só a última, a que comprei. Foi uma tortura psicológica que durou doze dias. Me venderam o que não tinham nem no estoque, lá em Caxias do Sul. Jogaram sujo. Cada dia era uma promessa e uma esperança que se renovava. E uma geladeira estranha que chegava… O interessante é o tamanho da propaganda que esse Magazine, muito conhecido, faz na televisão! 

Apostei nas minhas ligações exaustivas, resolvi minar a paciência e os telefones lá dos 'honestos'. Incomodei o que pude, fui à luta, pois nosso país está infestado de gente desonesta, igual a cupim, comendo por dentro a boa fé dos outros. É difícil acabar com essa praga. Acredito mesmo ser impossível.

No décimo segundo dia recebi a geladeira; essa quarta geladeira foi a que comprei. Por tudo isso o meu estresse. Fui ingênua? Sim, no início. Mas resolvi o caso antes de procurar a Justiça, aí a coisa não seria mais comigo.

Geralmente pessoas que agem dessa forma, sem escrúpulos, se escondem, somem, e quando atendem ao telefone deixam uma musiqueta enervando. Deixam você na linha até murchar. É um procedimento próprio dos mal intencionados.

Então me vem a indignação e a pergunta: de que DNA é feito o Brasil se até numa comprinha miserável uns logram os outros? Uma parte do nosso país é muito indecente. Seríamos uma nação decente se fossemos um povo cheio de virtudes, mas têm aqueles que quebram a corrente, que seguem a risca a lei de Gerson.

Seguirei o caminho, mas muito indignada com o que acontece diariamente na 'aldeia brasilis'… Comigo foi apenas a compra de uma geladeira. E minha indignação não fará diferença alguma. As medidas a serem tomadas são inúmeras. E todos sabem os caminhos. 
Mas falta vontade política para mexer no vespeiro.




_________________________________________




17 de janeiro de 2016

COMO NASCEU O TANGO




Veja  até o final - 3 exibições - Miguel Angel Zotto e Daiana Guspero  


De grande beleza, elegância e sensualidade, o Tango nasceu nos fins do século XIX derivado das misturas entre as formas musicais dos imigrantes italianos e espanhóis, dos crioulos descendentes dos conquistadores espanhóis que já habitavam os pampas e de um tipo de batuque dos negros africanos chamado "Candombe". Há indícios de influência da "Habanera" cubana e do "Tango Andaluz".
Nasceu como expressão folclórica das populações pobres, oriundas de todas aquelas origens, que se misturavam nos subúrbios da crescente Buenos Aires. Numa fase inicial era puramente dançante. O povo se encarregava de improvisar letras picantes e bem humoradas para as músicas mais conhecidas, mas não eram letras oficiais, feitas especificamente para as músicas, nem associadas definitivamente a elas. Em público, dançavam homens com homens.
Naqueles tempos era considerado obscena essa dança entre homens e mulheres abraçados, sendo este um dos aspectos do tango que o manteve limitado aos bordéis. As letras eram obscenas e violentas.
Por volta de 1910 o Tango foi levado para Paris. Existem várias versões de como isso aconteceu. A sociedade parisiense da época em que as artes viviam o modernismo ansiava por novidades e exotismos. O tango virou uma febre em Paris e, como Paris era o carro-chefe cultural do mundo civilizado, logo o tango se espalhou pelo resto do mundo.
A própria alta sociedade Argentina desprezava o tango, que só passou a ser aceito nos salões de alta classe pela influência indireta de Paris. Em 1917 começaram a surgir variantes formais do Tango. Uma delas, influenciada pela romança francesa, deu origem ao chamado Tango-canção. Tangos feitos para musicar uma letra. A letra passa a ser parte essencial do tango e consequentemente, surgem os cantores de tango. É considerado o mais marcante nessa transição - Tango-canção o "Mi Noche Triste" com uma letra que Pascoal Contursi compôs, em 1917.
Nos cabarés de luxo da década de 1920, o tango sofreu importantes modificações. Os executantes não eram mais os pequenos grupos que atuavam nos bordéis, mas músicos profissionais que trouxeram o piano e mais qualidade técnica e melódica. Carlos Gardel já era um estrondoso sucesso em 1928. Sucesso que durou até 1935, quando faleceu vítima de um acidente de avião quando estava em pleno auge. Gardel cantava o tango em Paris, Nova York e muitas outras capitais do mundo, sempre atraindo multidões.
A década de 1940 foi considerada uma das mais felizes e produtivas do tango. Os profissionais que haviam começado nas orquestras dos cabarés de luxo da década de 1920 estavam no auge de seu potencial.
Nessa época as letras do tango passaram a ser mais líricas e sentimentais. A antiga temática dos bordéis e cabarés, de violência e obscenidades, era uma mera reminiscência.


________________________________




10 de janeiro de 2016

Os Últimos Desejos de Alexandre, O Grande





Alexandre, O Grande, um dos maiores conquistadores da história da humanidade, filho do Imperador Felipe II da Macedônia, nasceu em 20 de julho de 356 a.C. em Pella / Grécia.
Durante sua infância teve como professor o filósofo grego Aristóteles. Sempre apresentou vocação para governar e, aos vinte anos, após a perda do pai, assassinado, assumiu o trono onde ampliou seu domínio através de conquistas e acordos.
Alexandre morreu na Babilônia, a 13 de junho de 323 a.C. com a idade de 33 anos. O império que com tanto esforço edificou e que produziu a união do Oriente e do Ocidente, começou, então, a desmoronar.
Porém, à beira da morte, convocou seus generais e relatou seus três últimos desejos:
1.  Que seu caixão fosse transportado pelas mãos dos médicos da época.
2. Que fossem espalhados no caminho até seu túmulo os seus tesouros conquistados: prata, ouro e pedras preciosas.
3.  Que suas duas mãos fossem deixadas balançando no ar, fora do caixão, à vista de todos.
Um de seus generais, admirado com esses desejos insólitos, perguntou a Alexandre quais as razões.
Alexandre explicou:
1. Quero que os mais iminentes médicos carreguem meu caixão para mostrar que eles não têm o poder de cura perante a morte.
2. Quero que o chão seja coberto pelos meus tesouros para que as pessoas possam ver que os bens materiais aqui conquistados, aqui permanecem.
3. Quero que minhas mãos balancem ao vento para que as pessoas possam ver que de mãos vazias viemos e de mãos vazias partimos.
Pois égestos e desejos tão antigos e já vistos lá em 323 a.C.: "daqui não se leva nada". Mas parece que muitos viventes, em pleno séc XXI, ainda não se deram conta. Ou não tiveram tempo de aprender. Tudo muito estranho aqui na Aldeia...


______________________




4 de janeiro de 2016

TODAS AS MULHERES / F. CARPINEJAR





( Pág 52 do livro Todas as Mulheres)

Não devo ser contaminado pela indiferença da morte.
Ainda estou preso pelo fio como o Pinóquio
no teto do escritório.

Esse riso desajeitado não simboliza felicidade.
Pode ser nervosismo,
pode ser ansiedade.

Colocava as minhas manhãs em pânico
com alguma missão, arrumava urgências,
e meu riso representava alívio.
Suspirava rindo, não ria.

Fui engraçado,
quisera ter sido feliz.

______________________________________________


Fabrício Carpinejar, nasceu em 1972 em Caxias do Sul (RS). Poeta, cronista, jornalista e professor. Autor de 30 obras na literatura. Também apresenta um Talk-show na TV Gazeta e TV COM. Comentarista do programa Fátima Bernardes, Rede Globo. Comentarista rádio Gaúcha, colunista Jornal Zero Hora e Jornal O Globo. Prêmio Jabuti 2012 e em 2009. Prêmio Érico Veríssimo 2006, pelo conjunto da obra. Prêmio Olavo Bilac 2003 Academia Brasileira de Letras; Cecília Meireles em 2002; quatro vezes Açorianos de literatura ( 2001, 2002, 2010 e 2012), são alguns prêmios do autor.


_______________________________________________

Todas as Mulheres / Fabrício Carpinejar 
Ed. Bertrand Brasil - 2015 1 ed - Rio de Janeiro Poesia brasileira




31 de dezembro de 2015

A VERDADE NA VIRADA DO ANO




      - Tais Luso

Nunca gostei de despedidas. E muito menos de retrospectivas do ano agonizante. Não me cai bem. Naturalmente nunca mudei minha opinião, nunca tive sonhos na passagem do Ano-Novo. Também jamais tracei metas. Sei que não faço parte do pelotão dos animados, mas isso não me incomoda.

Nesses anos todos, vim observando e consolidando minhas ideias a respeito dessa festividade e do comportamento humano. Da mesmice, da continuidade de nossas atitudes após a festa. Se isso adiantasse o mundo seria outro, porque passagens e oportunidades tivemos aos milhões.

Temos nossos defeitos e virtudes. Dos defeitos, somos perdoados com sinceridade. As virtudes, segundo Nietzsche, são difíceis de serem reconhecidas. E como poderia eu discordar do filósofo se observo que a virtude incomoda grande número de pessoas? Certas atitudes nunca se ajustam nessa passagem de ano. É muita festa... Muito oba-oba.

Também me interrogo: por que comemorar um momento - meia-noite -, se dezembro e janeiro são separados por horas? Não seremos as mesmas pessoas no ano que se finda e no outro que se inicia? Poderia eu mudar minhas atitudes, consolidadas, em minutos?

Foi pensando na importância das metas traçadas, nos relacionamentos entre humanos que me lembrei da história das ostras, que quando são feridas é que produzem pérolas. Pérolas que nascem do sofrimento.

Ao contrário das ostras, o ser humano nada produz quando despeja seu ódio em cima de alguém, destruindo o físico, o espírito e a moral de seu opositor. Deixa feridas que não cicatrizam, como resultado de preconceitos, de mentiras, de inveja.

Difícil lidar com esses sentimentos devastadores. Difícil acreditar em mudanças de fim de ano, em gente que nada tem a ver conosco nem em afetos, nem em afinidades.

Acumulamos sonhos de consumo que não são para o nosso bico, sonhamos com castelos de futilidades como se tivéssemos 'tempo' de usufruir de tudo. Gosto da rotina, da simplicidade do cotidiano. Alegro-me com as coisas que estão ao meu alcance. E assim sou eu, mesmo com as toneladas de fogos saudando os céus, nada modifica.

E nada é mais fantástico do que a vida em si, imaginar o Universo e seus mistérios que nos oferecem uma natureza exuberante. Mas respeito a alegria coletiva, embora saiba que, no mundo dos sentimentos e das comemorações, o amanhã será igual ao hoje, salvo se cada um de nós se propuser à mudanças interiores, independente de data. Aí sim, acredito.


(2015-2016)

___________________________________




19 de dezembro de 2015

BOAS FESTAS A TODOS OS AMIGOS!




Boas Festas a todos vocês, queridos amigos, que visitam esse blog; aos amigos blogueiros que compartilharam das postagens, que expuseram suas opiniões em textos alegres, outros polêmicos. Que sirva esse Natal e Ano Novo para repor novas energias e voltarmos com ânimo por mais 365 dias. Desejo a cada um de vocês o Natal que sonharam, e que seja acompanhado de paz, alegria e de esperança. A todos, meu muito obrigada pelo carinho da convivência.
Grande abraço
Tais Luso
Não deixem de ver o vídeo:  maravilhoso, terno, comovente.

Por Helene Fischer / Ave Maria





10 de dezembro de 2015

DEZEMBRO, O MÊS DO ESTRESSE



      - Tais Luso de Carvalho

Segundo o ISMA-BR, dezembro é  considerado o mês de maior estresse do ano, subindo para níveis de 75%. As causas disso passam pela sobrecarga de trabalho, trânsito, solidão na época das festas e até pelos gastos adicionais com presentes e viagens.
Esses excessos se traduzem em sintomas físicos, de ordem comportamental e emocional: insônia, problemas gástricos, irritabilidade, ansiedade, levando à compulsão por comida.
Então, este ano resolvi rever essa festa que se chama Natal. Estou pensando nos preparativos de final de ano de uma outra maneira. Também cansei do estresse, esse meu fiel companheiro de final de ano que me deixa com olhos profundos e cara de combatente.
Vive-se correndo atrás do coitado do peru, da farofa, das frutas, dos molhos, do arroz e da salada. E de algo esdrúxulo para diferenciar do Natal passado. Fora as sobremesas e a decoração da casa. 
E as bebidas? O fulano gosta de vinho, o sicrano adora cerveja. E ainda os refrigerantes para quem não toma álcool. Suco para os vegetarianos. Água para os naturebas fanáticos. Um jantar elaborado para o natureba tomar água!
Por ser perfeccionista (penso ser um defeito meu), não tenho mais pique.  Por isso vejo tantas pessoas comemorando a data na casa dos outros. Eu não gosto.
Pois é...
Não sei, mas a comida é melhor no dia seguinte: o tal restolho! Dá pra sentar e relaxar. Relaxar em termos, porque a casa ficou demolida e dá uma saudade louca da rotina organizada. De acabar com a loucura imposta pelos comerciantes. É o aniversário mais trabalhoso e mais caro do mundo! E o aniversariante é esquecido. Em seu lugar colocaram um velhinho fantasiado a ditar as regras e cobranças às crianças: coma, estude, obedeça papai e mamãe pra ganhar presentes! Uma boa troca.
É a maior festa dos comerciantes: comprar um monte de presentes, numa única data! Tinham de prender quem inventou isso, principalmente em países de terceiro mundo.
Os presentes? Ah, os presentes! Fulano gosta de uma coisa; sicrano gosta de outra e que só tem lá nos quintos.... Tá bem: vamos lá? Sim, amo todos. E o que não se faz por amor?
Mas falando aqui e ali, vi que não estou sozinha nesse barco, nesse estresse. Muitas pessoas pensam, com certa ansiedade, no dia 26. E no dia 2 de janeiro – festa triste, despedida.
Preciso mudar alguma coisa, aproveitar a onda, já que a família também está de saco cheio da mão de obra, loucos pra se mandarem, para curtirem as férias. Penso que algo bem mais simples  ficará mais coerente com que penso.
Meu sonho de consumo, no mês de dezembro, seria uma temporada num mosteiro… E tenho certeza que muitos abraçariam a causa. Ao contrário do burburinho e o estrondo  dos fogos, ouviria o silêncio! Adoro o silêncio.

Natal virou consumo, uma festa cujos sentimentos são efêmeros. É uma comemoração que toca nossa sensibilidade pela música, pela beleza plástica da festa, pela emoção do ritual. Mas dura apenas uma noite. Valeria a pena se houvesse realmente uma transformação de atitudes e sentimentos que fosse duradouro. Mas não é o que vejo. Perdemos verdades. Portanto, perdeu-se por aí o real sentido dessa festa.

      Hoje é a festa mais comercial do planeta! 


__________________________/____________


4 de dezembro de 2015

TENHO PERDIDO TEMPO NA VIDA…




               - por Juremir Machado da Silva

Tenho perdido tempo na vida indo apenas uma vez por ano a Palomas buscar rastros da minha infância, essa infância que se incendeia na minha memória à medida que o presente se apaga e o futuro se aproxima. Tenho perdido tempo na vida lendo o noticiário político para ver se encontro uma declaração sincera e desinteressada sobre a realidade do país, esse país que amo como casa e critico como família. Tenho perdido tempo na vida olhando telenovelas que se repetem graças à nossa falta de memória enquanto o tempo passa perdendo o sentido e encontrando enormes buracos na fome de ser.
Tenho perdido tempo na vida deixando de ler poesia para trabalhar.
Tenho perdido tempo na vida tentando provar verdades que não tenho e nas quais nem creio. Tenho perdido tempo na vida buscando recompensas, reconhecimento e honrarias que se esboroam ao cair da tarde como lufadas de um vento inútil, tão inútil quanto pode ser o vento quando não estamos prontos para voar. Tenho perdido tempo na vida fazendo contas, preenchendo formulários, matando o tempo que deveria viver e calculando a aposentadoria com ou sem o fator previdenciário. Tenho perdido tempo na vida conversando nas redes sociais com amigos que não conheço e brigando com inimigos que não reconheço.
Tenho perdido tempo na vida escrevendo para não ser lido e lendo por não ter escrito aquilo que me fascina ou aperta o coração.
Tenho perdido tempo na vida pensando nas visitas que não fiz e que deveria fazer enquanto me culpo por não tê-las feito. Tenho perdido tempo na vida pensando nos rivais que deixei para trás e nos conhecidos ou amigos que me ultrapassaram. Tenho perdido tempo na vida contabilizando mesquinharias e prometendo ser generoso sem me preparar para esse grande salto. Tenho perdido tempo na vida querendo escrever um pequeno grande conto, um rápido longo romance e uma breve poesia definitiva. Tenho perdido tempo na vida ruminando as respostas geniais que não dei aos que me ofenderam rasteiramente com seus elogios condescendentes ou suas críticas invejosas.
Tenho perdido tempo na vida preparando respostas que não darei quando tudo se repetir com a mesmice de um novo dia numa velha esquina rotineira.
Tenho perdido tempo na vida deixando de entrar no mar, de voltar à lagoa na Florentina, de comprar um sítio no pampa, de andar a cavalo na verdura dos campos, de tomar banho de chuva numa tarde de verão e de ligar para um velho amigo que continua tão amigo quanto sempre foi apesar do tempo que não nos falamos. Tenho perdido tempo na vida administrando crises pessoais, vaidades alheias e neuroses coletivas. Tenho perdido tempo na vida vivendo tempos perdidos à espera de tempos melhores que não têm pressa de chegar para todos. Tenho perdido tempo na vida tentando provar que não defendo o que me acusam e não acuso os que defendem o defensável. Tenho perdido tempo na vida tateando em busca da luz no meio da noite quando bastaria estender a mão para o dia. Tenho perdido tempo na vida com o tempo.
O tempo é só uma ilusão que não passa.


_______________________________________________________
Juremir Machado da Silva é escritor, tradutor, jornalista e professor universitário na PUC/RS. Com 27 livros publicados, é natural de Santana do Livramento onde nasceu no ano de 1962. Também é colunista do Jornal Correio do Povo. Apresenta o programa Esfera Pública na rádio Guaíba. Reside em Porto Alegre.




28 de novembro de 2015

TROCANDO DE MÉDICO ?


O nosso Guga



           - Tais Luso de Carvalho

Esta crônica já nasceu esdrúxula como o próprio caso. Espero que meus médicos não leiam. Coloquei no pacote dos equívocos.

Fui numa Pet comprar comida para o Guga, nosso cachorro. Nesse dia, ao acordar, notei que um dedo da minha mão começou a doer na junta, na articulação. Lembro de uma dorzinha, à noite, ao fechar uma janela. E, pela manhã, meu dedo doía. E também inchou bastante. Mas não liguei muito. Sempre espero piorar para tomar alguma providência. Pedro pensou numa Clínica, pensou em RX... Como os homens são dramáticos, já falam em perder o dedo!

           – Vai gangrenar!!

Não. É só um dedinho, te acalma. Preciso de tempo para pensar. 

           Sei que tenho delírios de paramédica e aquela coisa do eu tentareiMas retomando, chegamos na Pet e encontramos o amigo veterinário, dono da clínica. Veio conversar, perguntou do Guga etc.

Mas e vocês, gente, como estão? Perguntou ele.
Tudo ótimo, a Taís é que está com um probleminha no dedo – disse Pedro, já pegando minha mão.

Lógico que me deu um ataque pela cena inusitada e inesperada. Eu lá com minha mão estendida e o veterinário examinando… Era só o que me faltava, eu consultando numa Pet. A cena era circense e  constrangedora, pois eu não conseguia parar de rir.

O veterinário olhou meu dedo e perguntou se eu lavava a louça com água muito quente. Aconselhou-me a colocar luvas e passar uma tal pomada - de gente - massageando de leve. Casualmente eu tinha a tal pomada em casa.

Passei a pomada. No dia seguinte, 60% tinha melhorado, e no segundo dia o dedo estava ótimo, novo!

Confesso que já estava me dobrando à ideia de ir numa clínica, pois o negócio já estava inchando rápido: luxado, infeccionado? O que seria?

Mas o surpreendente é que gostei da consulta. Só tive de pagar a comida do nosso cachorro. E gostei do atendimento, ali no meio dos meus coleguinhas escolhendo seus petiscos... Parecia um parque. Meu receio é de querer consultar novamente com o veterinário. E pensando bem... por que não?

Na próxima vez darei uma passadinha lá na Pet. Vá lá que o 'homi' acerte novamente... Lógico que consultarei em nome do Guga, não posso me expôr tanto, né gente!?
Estou pensando na minha dor nas costas... 


___________________________________________