18 de dezembro de 2014

A MELHOR PARTE DA FESTA...


         - Tais Luso
      Dizem, algumas línguas otimistas, que o melhor da festa é esperar por ela, pelos aprontes, pela reunião em si. Outras línguas, mais pessimistas, dizem que o melhor é quando ela acaba. Sempre existem os tititis pós-festa, ninguém escapa disso: fuçar para ter o que falar. Seja de bem, seja de mal.
E muito mais: esmiuçar pra depois baixar a lenha. Nas festinhas dos famosos o que há de pior vai direto para os espaços caríssimos da mídia. É farofa no ventilador quando pegam um Vip desprevenido. De surpresa.
Algumas pessoas são agradáveis; outras são destrutivas, avacalham com qualquer festa: falam da carne dura, do peixe cru, do peru anêmico, do Whisky vagabundo, do vestido da fulana, da gordura da sicrana e o tanto que ela quebrada. E não esquecendo, é lógico, da pintura do cabelo do dono da casa: aquela cor de pinhão! É assim ou estou vivendo noutro planeta?
É assim que terminam muitas das festas. Sempre aparece uma amiga pra contar o que a outra amiga falou, mas tudo no mais alto sigilo. O rolo passa de boca em boca. Toda a conversinha é dissimulada, mas altamente contagiante.
Para quem ofereceu a festa, para quem gastou um monte de dinheiro e ficou demolida de tanto trabalho e organização, ficar sabendo de um desmonte desses é pra nunca mais fazer nada. Mas nós, mulheres, somos muito tolas: fazer o bem não importa a quem. Bonita frase, mas é de efeito. Linda como certas roupas de desfiles de moda - impossível de usar.
Os homens são mais práticos, só fazem o que querem e não estão nem aí pros frufrus ou falatórios. Bem que, por outro lado, caem em cada uma... Muitas vezes levam uma eternidade para descobrirem que gato não é lebre. Mas cada um com suas diferenças.
Por essas e outras é que eu me aposentei das trabalhosas festinhas em minha casa. Tudo é muito cansativo. Aliás, hoje em dia se transfere muita coisa para restaurantes. Geralmente muitas pessoas optaram por almoçarem fora, o que é uma glória para as mulheres. Fiquei com a louça necessária para recebermos, apenas, os de casa e passamos a festejar algumas coisas por prazer e não para cumprir normas sociais.
Temos várias oportunidades para sermos felizes. E uma das coisas mais difíceis da vida é perceber o momento exato quando algo não funciona mais e tomar a decisão certa: o de mudar.
E isso serve pra tudo, não só para nossas festas. 


5 de dezembro de 2014

CHEGOU DEZEMBRO: VAMOS ÀS COMPRAS!

                                                           
               Foto do Google
       
   
      - Tais Luso

Tô animadíssima! Chegou a hora de homenagear um batalhão de pessoas de uma só vez. Claro que minha família já sentiu que estou começando a pirar, por enquanto em dose homeopática. Chegou o mês mais lindo do ano, onde os corações transbordam os mais nobres sentimentos e os bolsos se esvaziam ressentidos. Nessa época não se vê comerciante triste. Que maravilha! Será que estou ansiosa pela vinda daquele velhinho de barba branca, embrulhado numa tocha incandescente em pleno verão? Não. Não mais. Mudei. O que era, já não é mais. Mas a vida é assim, vai se reformulando, adquirindo novas expressões. Natal cristão? Não. Uma canoa furada. O apelo comercial mais forte do ano.

Ontem fui ao super (supermercado) para olhar as comilanças. Super é um paraíso com muitos senão. Explico: muito do que se precisa está lá em cima das prateleiras, e atrás de tudo, meio escondido. Fiquei à espera de alguém mais alto do que eu, para pedir que me alcançasse o produto que precisava. Louca de medo que a criatura descesse toda a prateleira, pedi a um homem de guarda-pó branco para que me ajudasse a pegar um produto. E lógico, reclamei da altura das prateleiras, e do produto lá, lá… E foi gentil, educado. Não disse nada. Mais tarde nos encontramos na fila do caixa: olhei seu guarda-pó branco... era um médico do hospital que ficava defronte ao Super. No bolsinho do jaleco estava bordado 'Dr. Cardoso – traumatologista'. Putz… Confundi o homem com um empregado do Super. Comecei meu dezembro pessimamente. Pobre da minha cara.

Mas voltando às compras…
Super é um ambiente projetado para vender o que não precisamos. Aquelas gôndolas são espaços negociados entre a indústria e o varejo, onde são expostos produtos muito apetitosos, mais caros e que muitos não estão na nossa listinha quando saímos de casa. Sabiam vocês que 85% das nossas decisões de compra se dão passeando entre as gôndolas e prateleiras? Eles lançam o caniço e beliscamos o anzol.

O mesmo acontece nas livrarias, o que está nas gôndolas é o que mais vende, o garantido, o autor conhecido, o best-seller. Autor novo fica nos cantos. Ou bem embaixo, na prateleira. Tudo é colocado estrategicamente para comprarmos bastante.

Aqueles cartazes de promoções, escritos à mão, passam uma ideia de que o desconto é temporário, mesmo que o preço esteja igual ao da semana passada.
E os preços psicológicos? Os R$ 0,99 da vida?

– Aqui tenho um micro-ondas, senhora, tá em promoção, custa só R$ 399,99 - diz a vendedora.
– 400 pila, né moça!!!? (já fiquei meio mau humorada)

Nessas horas não consigo ficar quieta. Sei que é defeito de fábrica.
Mas dezembro recém começou. Percebo a eterna luta entre comerciante e consumidor… Depois vem Ano-Novo, Páscoa, Dia das Mães, Dia dos Pais, Dia das Crianças, Dia da Avó, 50 aniversários… e Natal de novo!!!

É fácil alguém dizer 'não se mate mais atrás de tantos presentes, acabe com isso!!'
Mas há 1661 anos que o mundo nos prepara pra dar e receber após a bela data criada pelo Papa Libério no ano 354.   E agora, Zé?

Benzadeus!






30 de novembro de 2014

Os Chatos: não tem como evitá-los / J.J.Camargo


 - por J.J.Camargo

Os chatos têm passe livre e circulam em todas as áreas e se sentem perfeitamente à vontade porque possuem aquela leveza que lhes confere a completa falta de autocrítica. A julgar pela frequência com que renomados cronistas têm se ocupado em descrevê-los, a legião é enorme e de distribuição universal.


Na medicina, a variedade é imensa, e quando um grupo de médicos começa a descrever os modelos, percebe-se claramente que eles se repetem como padrões de comportamento. Há o chato de consultório e o chato do hospital, há o chato do convênio e o muito chato que se diz amigo do dono do convênio, todos com características próprias e arrasadoras.
O chato do consultório, solicitado a contar a sua história, nunca sabe por onde começar, mas quando finalmente embala, não para mais e se prende a detalhes irritantes e inúteis. Como o chato internacional: "A primeira vez que eu senti esta dor, eu estava no Egito, não, não, não, no Marrocos, em 1991". Este chato quase sempre é casado com uma chata minuciosa e perfeccionista: "Queriiido, a gente esteve no Marrocos em 1995, lembra?".
Um chato mais raro, mas muito interessante, é aquele que conta a história olhando para a mulher, buscando a aprovação dela, e eles acabam debatendo sintomas, como se o médico tivesse saído da sala. O chato rancoroso quase sempre é uma mulher, e antes de começar a consulta, já anuncia: "Na semana passada, consultei com o Doutor Fulano. Esse se acha muito, nem me olhou, que homem nojento!".
Um bem comum é o chato que senta na frente do médico, com uma enorme sacola desordenada nas mãos e fica selecionando quais exames, na opinião especializada dele, vale a pena mostrar para este infeliz que ele veio consultar: "Este aqui é do coração, então não adianta lhe mostrar... Este aqui também não é da sua área...".
Há o chato chantagista: "Doutor, antes de começar, queria lhe dizer que eu faltei ao trabalho para consultar, e como o senhor atrasou quase uma hora, não vai adiantar eu voltar lá. Imagino que o senhor não vai se negar a me dar um atestado para o dia inteiro, pois não?".
Outro chato frequente é o intimidador: "Já vou lhe avisando que o meu caso não é fácil. O senhor é o oitavo médico que eu consulto e, até agora, nada". (Quer dizer: "Ninguém se surpreenderá se o senhor também errar!").
O desconfiado é indefectível: "O senhor já fez esta operação antes?". Talvez o mais difícil seja o incrédulo intimista: "Vim ouvir a sua opinião, mas já vou adiantando: eu não acredito que tenha um câncer porque não sinto nada, e ninguém conhece meu corpo melhor do que eu!". Neste grupo, um chato mais refinado chamaria o corpo de "organismo."
Se você veio até este parágrafo, vou ter de explicar: esta coluna tem um tamanho pré-estabelecido, ao contrário do universo dos chatos. Pode parecer chato, mas vou ter de parar por aqui.

----------------------------------------------- Zero Hora / janeiro de 2014
J. Camargo é professor de cirurgia torácica na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). Doutor em pneumologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Fez especialização na Clínica Mayo (EUA). Foi pioneiro em transplante de pulmão na América Latina em 1989 e o primeiro a realizar transplante de pulmão com doadores vivos fora dos EUA, em 1999. É responsável por dois terços dos transplantes de pulmão feitos até hoje no Brasil. É diretor do Centro de Transplantes da Santa Casa de Misericórdia, presidente da Academia Sul-Rio-Grandense de Medicina (ASRM) e membro titular da Academia Nacional de Medicina. J. Camargo foi o vencedor da edição de 2014 do Prêmio Açorianos de Literatura na categoria crônica. Autor de “A tristeza pode esperar” (L&PM Editores).



25 de novembro de 2014

EM CRISE!


          
           - Tais Luso de Carvalho

Numa época da minha vida - lá pelos meus 14 anos - eu achava muito chique alguém dizer que estava em crise. Quando alguém de mais idade falava em crise existencial e que fazia terapia,  eu achava o máximo. 

Desvendar todos os porquês e o que nos afligia era encantador. Complicadas e indecifráveis filosofias de vida  sempre encantaram os adolescentes e principalmente aqueles com ideias de vanguarda. Conhecer-se era maneiro, como dizem hoje. Mas eu não tive muitas crises. Minha adolescência não foi muito conflituosa. O esporte se encarregou de me enquadrar numa boa disciplina.

Já adulta, eu gostaria de ter tido mais papos com algumas pessoas, mas vi que pouco adiantaria, pois o conflitado muitas vezes não se dá conta de que sua crise é tamanho família, e o negócio piora. O ouvinte vira uma bengala emocional. Dar palpites  em assuntos delicados para um ser conflitado é coisa pra cachorro grande, pra terapeuta experiente.

Hoje temos crises para todas as categorias, tipo vitamina de A a Z. Estamos acostumados a conviver com problemas. Alguns problemas, tiramos de letra, outros nos matam aos poucos.

Atualmente vivemos uma crise coletiva,  tipo verde/amarela. Os companheiros não enxergam bem, devido a uma grave catarata... O país inteiro está à beira de um ataque de nervos e tudo continua lindo – desde que o sol brilhe e o mar amanse. Uma crise difícil de resolver, difícil de encontrar a ponta certa do nó - parece nó de marujo - nunca desata. Fico apenas  pasma, e só me pego folhando os jornais e dizendo: 

- Que loucuuura! Que horrooor! 

Não consigo dizer outra coisa ao abrir o impresso. Estou viciada em jornal e rádio; em notícia e jornalismo. O negócio ficou meio fóbico. Sei lá, que os deuses me ajudem. 

Talvez esteja na hora de parar de ler os jornais; de escutar rádio; de ver televisão, de sair à rua, de beber leite, de desconfiar do desconfiável. Quem sabe rumar para um mosteiro. Ando com ideias de me tornar monja. Só escutar piu-piu de passarinho e rezar pela humanidade. 

Estou com medo de entrar  numa crise, mas não aquela lá da adolescência  que esqueci de viver. Uma pior: tamanho nacional.





20 de novembro de 2014

HOMEM E MULHER: ALGUMAS DIFERENÇAS


          - Tais Luso de Carvalho

Amizade entre mulheres é muito diferente da amizade entre homens. Homem sai junto pra ir ao futebol, jogar tênis, assistir a uma Fórmula 1, beber litros de alguma coisa que no excesso leva ao coma. O assunto preferido entre nove em dez homens é mulher! Salvo se falarem sobre cinema, literatura, viagens e esporte. Sim, indivíduos evoluídos.

Mulher? Mulher é conhecida por convidar (sempre) a amiga para ir no banheiro do restaurante. É um grude. Lá, arrumam os cabelos, passam um batonzinho, dão palpite na roupa, etc. Trocam, também livros, CDs e são capazes de emprestarem até a bolsinha preferida, mesmo que seja uma Louis Vuitton. Vão juntas ao parquinho – com a criançada –, aulas de arte, teatro, cinema ou alguma palestra interessante de algum guru.

- Adorei esse seu esmalte! Sentou com o tom de sua pele...
Pronto, agradou a amiga. Quase sempre existe a troca de gentilezas. É uma amizade mais delicada.

Mulher vai ao hospital visitar a sogra e se oferece para acompanhá-la um turno; homem vai ao hospital só carregado, e de mau humor. Mas passa por cordial. Foi; acertou as pontas com a sogra... Mas, fica louco para pôr o pé na estrada e voltar para ver o Grenal, mesmo com a sogra a perigo.

Mulher quando termina o namoro, tem a solidariedade da amiga, choram juntas. Uma aconselha a outra e tenta deixar tudo na melhor situação, levando até uma flor como esperança de uma vida melhor. O  homem já vai soltando sua frase de efeito:

– Pô, cara, deixa de ser veado, parte pra outra, tá sobrando mulher no pedaço!

E tenta arranjar uma 'amiguinha' pro companheiro  sair do pranto. Uma diversão.

Mulher adora Natal, se esborracha em colocar rendas na mesa, enfeites pela casa, cuida do infeliz peru, sobremesa, guarnições, guardanapos e presentes pra turma inteira. 

Homem se encarrega apenas da bebida para encher a cara enquanto aguarda o término da festa para dormir. O bom é o Ano Novo, quando o protagonista é o churrasco, a caipirinha e litros de cerveja a compartilhar. E vestindo um bermudão –  dois números acima – e chinelo havaiana. Quando não puxa uma sandália franciscana pra lá de medonha. Homem é natureba, nada pode atrapalhar e nem apertar, entenderam? 


O que chama mais minha atenção no quesito estética, atualmente, é o desequilíbrio  do visualmente  num casal: a mulher quando veste  uma jeans justa, blusinha legal e salto 20, ali, no equilíbrio e toda coquete, o homem, sai num bermudão enorme, camisa velha e um tenizão.  Tudo muito à vontade.


Mulher recebe as amigas com beijinhos, fricotes e elogios; homem recebe os amigos com um sanacão nas costas pra não deixar dúvidas da sua hombridade. 

– E daí, canastrão, como tá essa força?

Ao oferecer o churrasco aos convivas, corta lascas com um negócio que mais parece uma adaga. Sujeito viril, macho – devem pensar os convidados... 
Mas encanta a todos e mostra sua destreza com aquela arma degoladora. Enquanto isso a mulher oferece saladinha de tomate com rodelas em flor e um galinho de arruda. Um mimo. Olhem a diferença!

Mas todas as festinhas ficam ótimas quando aparecem a bela e a fera, caso contrário não veríamos as diferenças do agir de um homem e de uma mulher.
A natureza dá uma equilibrada pra não ficar tudo tipo Mariazinha ou tudo a lá Paulão.

Mas digo: Aquela coisa de que homem não chora... é triste; seria ótimo se os homens deixassem florescer mais a sua sensibilidade. Não é dengo. Emociona,  porque quando homem chora...  a dor é grande demais, principalmente a dor na alma. E choramos juntos...


Mãe ainda educa o filho pra ser bagual; mas, com o passar dos anos cobra sensibilidade.

Vá entender...





15 de novembro de 2014

MATAR ANIMAIS NUM REALITY SHOW, NÃO!


Programa MasterChef



      - Tais Luso de Carvalho

Já escrevi sobre o Reality Show MasterChef, um programa que testa o equilíbrio emocional, a destreza e a disciplina imposta aos participantes. Não gosto de Reality Shows, mas desse gostei, achei interessante.

Porém, não gostei do programa levado ao ar no dia 11 de novembro, pela rede Band, onde apresentaram aos participantes um monte de caranguejos vivos. Esse seria o prato principal. Nada contra quem come caranguejos, carne de vaca, de peixe, frango, cobras ou aranhas. Cada um sabe de si e come o que lhe apetece.

Mas o que acho dispensável, é uma aula de culinária para milhões de telespectadores - inclusive crianças -, e que ensina como se mata um animal para levá-lo à panela. Achei violento, desagradável em ver isso. Podíamos ter dormido sem essa, embora eu não desconheça a crueldade com que os animais são abatidos para usufruirmos de sua carne e pele.

Por que mostrar tanto o que há de mais primitivo e agressivo no ser humano? Assistimos os bichinhos tentando escapar pelo chão, pelo balcão da cozinha; escapar da morte, instinto natural. Nada justifica o ato de matar da forma que vi, mesmo sendo um caranguejo.

Lembro que um dos Chefs disse aos participantes para  honrarem  a vida do caranguejo; matar com honra, respeito e amor. Confesso que não entendi. Não sabia que tinha uma forma amorosa para se matar. E com respeito. Putz...

Foram três opções para os participantes acabarem com os caranguejos, e todas cruéis. Uma delas era mergulhar o caranguejo - vivo -, em uma panela com água fervendo. As outras eram na base do punhal, regado ao molho de lágrimas - para não serem desclassificados. Deve ter ficado bom, o tal do prato.

Acredito que muita gente desistiu de ver o programa. Eu fiquei sozinha na sala, mas tinha de ver, já estava com a intenção de escrever sobre isso. Afinal, o que menos falo nesse blog é de flores.

Deixo aqui meu protesto e meu respeito aos animais. Não precisaria essa exposição de crueldade em nome de uma culinária internacional. Poderiam ter pulado essa 'etapa'. Usar um pouco o coração. A vida é feita também de emoções; se fosse usada apenas a razão estaríamos fritos. Seríamos duros e inflexíveis. 
Os animais devem ser levados a sério. Têm os mesmos direitos à vida  que nós, vistos como espiritualizados (?).

Lamento pela falta de sensibilidade do programa. 





8 de novembro de 2014

CONFRONTOS E AGRESSÕES



- Tais luso de Carvalho

Já se sabe que muitas pessoas discutem para se impôr, e não para esclarecer os problemas. Já estamos no mês de novembro, as eleições no Brasil já acabaram, mas que ranço deixaram... Estou meio cansada, parece que voltei de uma batalha, e toda escalpelada. Só de assistir.

Assisti a todos os debates, com inúmeras mentiras e agressões, e vejo que ainda estou em processo de recuperação do trauma. E quando abro o jornal, avisto as mesmas coisas de sempre, a guerra continua na forma impressa. As emoções afloram, e de certa maneira ocupam muito de nossa energia e do nosso espaço. Me pergunto se compensa tantas atualizações, para que eu fique por dentro de certos absurdos. Virar uma alienada mor deve ter lá seus encantos. Ah, tem.

Esses confrontos e agressões existem na política, em todos os setores da sociedade, e também onde não deveria existir: nas famílias. É de levar a sério o que disse a fulana sobre o sicrano? O sicrano sobre o beltrano?

Certas pendengas não acabam, fazem parte da vida, mas ocupam espaços preciosos onde deveria morar, apenas, a nossa paz.

Confrontos desgastam; nos tiram a alegria de viver enquanto estiverem presentes. Parece que temos a necessidade de catar algo podre para podermos opinar  quando, na verdade, o mundo não precisa de nossa manifestação ou de alguma língua ferina no front.

Quem precisa disso são os tabloides com tendências sensacionalistas. Encrenca vende. E verdades bombásticas e inesperadas também vendem, sei disso. Recentemente fui atrás de uma revista… Começa com V e termina com A. É essa aí que você pensou. 

Na verdade, vejo que pessoas mais reservadas, vivem com mais paz. As mais opiniáticas, aquelas que precisam deixar seu parecer registrado, pagam a taxa mais elevada. É questão de escolha. E numa discussão nada se ganha; só se perde amigos e ganha-se inimigos. Egos inflados são difíceis de se ajeitarem.

Todos aqueles que entram em confronto, entram para vencer. Ninguém se contentará em ser superado. Todo confronto,  principalmente em eleições, o grande objetivo é a desconstrução do adversário – assim ensinam os marqueteiros. Foram tão eficientes nas  eleições de 2014 que não ficou pedra sobre pedra. E a vida nas sociedades também não se difere.

Cabe agora dar um tempo nessa desconstrução. Pelo menos até passar a solidariedade natalina. Assim, a gente tem uma folguinha. Depois, tudo volta a mil, como o diabo gosta.
Cruzes… fui.


29 de outubro de 2014

UM POUCO DOS MEUS ANOS DOURADOS



- Tais Luso de Carvalho


Ainda peguei a época em que os colégios exigiam uniforme. Usávamos saia azul-marinho pregueada, blusa branca com o brasão do colégio, meia branca e um sapatão horroroso para acabar com nossa vaidade e qualquer resquício dengoso. Nem uma meia soquete vermelhinha – para nos diferenciar – era permitido. Mas o único senão do pesado  uniforme, era o sapatão preto. Quebrar a austeridade com um sapatinho legal, tipo scarpin, era tudo que nós queríamos. Mas as freiras eram duras na queda.
Hoje tudo desapareceu – o uniforme, o sapatão preto e as freiras ortodoxas. Eu até gostava daquelas freirinhas. Havia um respeito recíproco. Também havia outros colégios, excelentes, entre eles o Júlio de Castilhos. Esse era o xodó da juventude, era o revolucionário, o liberal, o diferente. E não tinha uniforme. Era o colégio dos alunos mais pensantes – segundo alguns. Mas esse colégio cheirava ser meio de esquerda. Eu podia ficar um mês chorando que meu pai dizia:

Filha minha NÃO!!
Tá bom, pai. Te acalma. Fico no Sevigné, com as freiras.

A minha geração ainda comparecia às aulas com um contêiner; levávamos todos os livros do dia: o livro de gramática, matemática, história, geografia, inglês, francês etc e tal. E os cadernos correspondentes. Naquela época não havia Google, nem Smartfones. Nada de virtual – era na real. No pesado. Porém, aquela cretina da matemática ralou com quem não queria nada com uma vida exata e sim com uma vida humana.
Lembro de algumas colegas que gostavam da matemática, mas eram inflexíveis para darem uma colinha aos necessitados. Mas levavam muitos puxões nos cabelos das que sentavam atrás – para aprenderem a ser complacentes. Depois nós, as humanas, quebrávamos o galho nas provas de português.
Se algo orgulha minha geração era o respeito e educação com que tratávamos nossos professores, em todos os graus.
As amizades eram diferentes, quase sempre com os colegas de aula que se reuniam nos fins de semana para fazerem os trabalhos em grupo ou reuniões dançantes na casa das colegas, em que as mães ficavam de olho nos guris. Sim, elas se responsabilizavam pelas filhas das outras. Legal, não? Havia uma cumplicidade entre as mães. Mães X filhos.
O tal de ficar não existia, nem em Marte. Era outro viver! Mais puro, mais sério, mais encantador. As gurias se jogavam na cama com seu confidencial travesseiro, mas de nada resolvia. Já tinham levado 'o fora'. E dê-lhe lágrimas e músicas de fossa.
A comunicação era no olho. Assim sentíamos a verdade dos relacionamentos: sentíamos o martírio do invejoso, do mentiroso, do falso, do covarde; mas também a bondade do generoso e a cumplicidade da amiga. Tínhamos nossos segredos. Nossos amores eram regados com lágrimas de impaciência e de dúvidas. Nada era muito claro, sempre existiam dúvidas, pois ainda havia recato e timidez.
Só posso amar aquela época! Uma época levada a sério. Tivemos caídas, recaídas, namoricos e noivados que se desmanchavam oficialmente, mas nossos valores eram fortes, nossos sentimentos eram questionados, nossas obrigações nos moldaram, nossa ética nos fez gente.
E deixou saudades, sim. E muito orgulho do nosso passado.



26 de outubro de 2014

Tudo Tem Dois Lados - Até um Reality Show!

MasterChef



- Tais Luso

É curioso como a gente subestima coisas que nos parecem simples. O que tem valor, na sociedade, é o complicado, o lado erudito da coisa. Parece que o simples é coisa menor. E não. O simples é apenas o lado descomplicado, prático. Cozinhar é simples? Pra quem come é; para quem faz não é. Fazer um feijão não é simples, simples é fazer um feijão horroroso, aguado.

Adoro um programa de televisão cujo nome é MasterChef, no canal 10 Band. É um programa muito bem elaborado, que tem em vários países e com o mesmo formato, mas me parece que no Brasil é mais pomposo. Uma produção grandiosa.

A versão brasileira do programa MasterChef é comandado pela jornalista Ana Paula Padrão. Sucesso em todo o mundo, o Reality Show é um programa para talentosos em que o estresse, a competição, o emocional e o limite psicológico estão presentes durante o programa todo. Já foi visto por mais de 250 milhões de telespectadores em 145 países. Que bom que dei uma arrumada no meu problema com esse nome Reality Show,  o qual tenho muita antipatia– não preciso me explicar muito, né? O BBB e Fazenda que expliquem.

No programa passado confesso que fiquei balançada ao ver um dos concorrentes classificados, o Lucio Manosso, desistir devido à sua pressão alta, ao seu estresse. Levou em consideração o alerta de seu cardiologista. E desistiu de seu sonho.

O grande vencedor levará um prêmio de R$ 150 mil, um Fiat Fiorino refrigerado,  uma bolsa na Le Cordon Bleu, em Paris,  e o lançamento de seu livro com todas as suas receitas.

O alto estresse dos candidatos não se dá não pelo prato em si, mas pelas rígidas regras do concurso e pelos puxões de orelha dados pelos 3 Chefs que levam muito em consideração o equilíbrio emocional e o interesse dos concorrentes pelo prato elaborado. 

A arrogância é altamente penalizada; a desordem, a apresentação visual e o destrambelhamento na preparação do prato pesam muito no conceito. Isso prova que cozinhar e querer trabalhar com o público é coisa muito séria. 

Esse programa é uma lição, mostra as qualidades e os defeitos do ser humano; mostra que para vencer tem de ter talento. Um ser humano desinteressante tem de cair no ostracismo. Aliás, essa busca pela perfeição, e trabalhar egos inflados e com falta de modéstia é o ponto alto do programa, muito mais do que o próprio prato. Nós, do lado de cá da tela, aprendemos igualmente que a humildade é a mãe das virtudes. E aprendi que Reality Show pode ser algo muito proveitoso.



19 de outubro de 2014

A VIDA É UMA CAIXINHA DE SURPRESA



        – Tais Luso

Foi no dia 14 de outubro, quando assisti o Roda Viva na TV Cultura – às 22:00 hs, com Bibi Ferreira. Saber como pensa uma pessoa com 92 anos, ainda em atividade, é muito bom. Dá uma esperança. No decorrer do programa fui ficando pasma. Que mulher lúcida, lá do alto de seus 92 anos de idade e com 73 anos de carreira. Mulher forte. Atriz completa, não duvido que assobie e toque flauta ao mesmo tempo.

Bibi relembrou momentos de sua carreira de atriz e diretora; emocionou a bancada ao cantar Gota d'Água, além de falar do passado, presente e futuro do teatro; falou de seu pai Procópio Ferreira, da importância de sua mãe em sua vida; falou de seu marido Paulo Pontes e de vários assuntos e histórias curiosas. Maravilha.

Na mesma semana, o apresentador Rodrigo Faro, no seu programa de domingo, apresentou uma mulher chamada Creuza, de 50 anos, que emocionou a plateia: uma mulher que tinha tudo para continuar na pobreza. Aos 12 anos a menina pobre começou vida dura, trabalho pesado numa lavoura. Cortava cana.

Num certo momento de sua vida, depois de casada e com filhos, Creuza sentiu que tinha de virar o jogo. Não queria deixar como herança para seus filhos, uma lavoura de cana. Mas para virar o jogo, vivendo numa extrema pobreza, só sendo incrivelmente forte e obstinada.

A jovem mulher da lavoura voltou a estudar, e a duras penas conseguiu se formar em enfermagem, salvar vidas. Fazia quilômetros por dia, com uma maleta na garupa da bicicleta. Essa maleta levava o necessário para colher o material que detectava o câncer no colo do útero. Depois desse procedimento a jovem enfermeira entregava o material no hospital de Barretos, em São Paulo. Assim, as mulheres que tinham câncer eram encaminhadas  para o aquele hospital.

Hoje, a enfermeira Creuza conseguiu uma frota de 5 carretas, todas equipadas (hospital ambulante), que roda vários Estados do país levando esperança e vida às pessoas carentes. Segundo ela, o número é muito expressivo, muito acima de 10 mil mulheres foram salvas por ela, com seu serviço. Uma mulher simples, e que com pouca ajuda quis ser solidária.

Depois disso, fui subindo os canais de televisão à procura de algo que valesse a pena, e apareceu, não lembro onde, uma entrevista com a Miss bumbum do Brasil. Eta alegria!!! Nada contra esse tipo de mulher, mas deu um desânimo O mesmo desânimo que quando vejo os políticos do nosso país; quando a gente pensa que vai ver uma coisa acaba vendo outra!

Mas a vida é uma caixinha de surpresa.
Vamos em frente.