MEUS CABELOS, MINHA VIDA!
- Taís Luso de Carvalho
Foi numa quinta-feira, e foi um dia de cão. Nada daquilo estava no meu esquema. Na verdade fui só renovar minha carteira de Habilitação. Coisa básica. Mas é sempre uma tortura tirar uma fotinho sem qualidade nos computadores dos Centros de Habilitação (CNH). Cheia de coragem, olhei para a máquina e...
— Espera moço!! Posso fazer um sorriso discreto, o rosto ficará mais leve...
— Não; não pode mostrar os dentes, senhora...
Mostrar os dentes?? Credo, que coisa mais primitiva! Falei que estava pensando num sorriso estilo Mona Lisa, aquela coisa enigmática… e de boca fechada. Rir só com os lábios! Mas a criatura não entendeu nada, deve ter confundido Mona Lisa com marca de bolacha, compota de pêssego… Mas achei melhor deixar assim. Explicar quem foi Mona Lisa confundiria a cabeça do rapaz. Ele não esperou e clicou o botão da máquina, com gosto, sem piedade.
Olhei a foto…
- Que coisa horrorooosa!!! — disse isso, e nada mais.
Cheguei em casa e me olhei no espelho sem pena de mim. Talvez meu cabelo, meio comprido, não tivesse ajudado na foto! Ou talvez preconceito com a tal máquina, endureci a cara, sei lá. Odeio fotos 3 X 4 - me roubam 10 anos de vida útil.
No dia seguinte resolvi ir ao Salão para cortar as melenas! Um corte mais curto, de acordo com meu tipo físico.
- Tens certeza que é esse corte, Taís ? - perguntou a cabeleireira.
- Sim, igual a esta foto… É isso aí, olha que beleza de corte!
Notei que ela estava cortando muito rápido, mas eu estava confiando. Acabado o corte, saí do salão pior do que cachorro em procissão: apavorada!
Não quis discutir com a criatura o tamanho do erro, mesmo porque eu nunca mais voltaria lá. Cheguei em casa, fui ao espelho e desandei a rir… Depois me indignei, pois fiquei com cara de travesti! E não tem outro jeito senão esperar uns dois meses para que o cabelo atinja um tamanho mais ou menos decente, suportável. E tudo num dia de verão - fora da estação.
Mas uma pergunta que não queria calar: como sairei de casa? E a reação da minha família? E a cara dos conhecidos?
Meu Deus... Deus meu!!
Deixei a dramaticidade de lado e pensei nas mulheres de Atenas e suas melenas; pensei nas mulheres de Burca… Eu precisava pensar em alguma coisa mais forte para sobreviver. E encontrei uma solução temporária, embora quente e desagradável: achei no Google um maravilhoso turbante!
Já menos ansiosa e mais resignada pensei: bora lá, e seja o que Deus quiser...
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Foto da Internet / Turbante |