16 de julho de 2007

GERAÇÃO INTERNET


- Taís Luso de Carvalho

Fico a olhar a geração dos meus filhos, dou uma espiada na geração dos meus pais, mas fico na minha. Embora em esferas diferentes, os traumas, medos e incertezas continuam. De tudo um pouco: algumas coisas mudaram pra melhor e outras pra pior.

As pessoas não mudaram: a quantidade das atrocidades, sim.
Fui uma criança que pude brincar na rua, subir em árvores, brincar com bonecas, brincar de armazém... Brincar. Fui criança. E que bom que tive infância.

Hoje, já adulta, vejo que as coisas continuam as mesmas: crimes? A diferença é que hoje somos ‘bem informados’: sabemos quem são, onde estão, o que roubam e pra onde levam; ninguém engana mais ninguém. É uma nova etapa: tudo está na Internet, esmiuçado, repetido milhões de vezes e com muitos internautas interagindo. Em minutos sabemos de tudo.

Guerras? O mundo está globalizado e sabemos a hora do primeiro míssil disparado. E ainda podemos ver a destruição que causou. Parece mentira, mas eu nunca imaginei que, sentada num sofá e tomando um cafezinho, assistiria pela televisão a morte de milhares de pessoas, cidades destruídas, ditador sendo enforcado, e seu último suspiro filmado. E tudo rodado um milhão de vezes na Internet.

Quando iríamos ver a hora ‘agá’ do terror nas ‘torres gêmeas’ e receber o passo a passo de tal tragédia?

Nunca imaginei que veria crianças de 12 anos assaltando, ‘ficando’ e se drogando. Nunca imaginei que veria tanta coisa! Acho que ainda não me acostumei a viver por aqui...

Da mesma forma não me acostumo a ver velhinhos doentes apanhando de adultos que são pagos para cuidá-los; não me acostumo a ver gente sendo torturada; não me acostumo a ver crianças ou fetos jogados em latas de lixo; não me acostumo a ver animais sendo maltratados; não me acostumo à maldade humana. E também fiz força para entender, mas não consigo me acostumar com as crianças dessa geração. Elas brincam? Ahãaa! E como.

Um baita computador, com mil jogos atiçando mais violência ou sexo explícito pra ficarem olhando e aprendendo, rapidinho, que sexo é uma coisa e que amor não conta muito. A bagunça é grande. Está todo mundo com muita pressa: pressa em fazer e desfazer. Sei lá...

O fotolog e orkut vieram para facilitar a exposição na tal ‘comunidade’, onde todos ficam sabendo da vida de todos. É interatividade demais.

Lembro da máquina mecânica; depois ficamos todos deslumbrados quando chegou a máquina elétrica; e por fim, caímos de costas com a chegada da máquina eletrônica, o maior barato! Nem imaginávamos que teríamos um figurão desses - computador -, onde baixamos programas que fazem tudo, falamos com pessoas do outro lado do mundo, on-line, e ficamos com a certeza de que nada mais é impossível para o homem.
Talvez arrumar o que está desordenado: sentimentos.

A gente só vai ter de se acostumar com uma linguagem que anda pela Internet quase indecifrável e horrorosa, com muitas abreviações estranhas. Mas pior do que isso foi um concurso literário de contos na categoria ‘linguagem da Internet’.

E ainda estão pensando em fazer uma reforma na nossa língua... Não precisa, a reforma tá indo de vento em popa!
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5 comentários:

  1. oi, gostei muuuuito dessa crônica e vou usa-la em um trabalho de escola :D

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  2. Anônimo17:40

    Oii, gostei muito da sua crônica. Fala justamente da nossa sociedade e dos tempo de hoje. Você faz uma relação dos tempos atuais com o tempos antigos. Achei muito interessante.

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  3. Anônimo18:26

    eu adorei!!!!!!!!!
    peguei o 1º paragrafo, alterei um pouco e o resto eu fiz!!!
    o começo apenas, ja me fez pensar em muita coisa!!!

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  4. Oi Tais,

    Sua crônica faz pensar... datada de 2007, mas parece que foi escrita nesta semana!
    Gosto demais da internet, muito útil nas mais diversas situações, mas me preocupo exatamente com isso que você mencionou:logo a única coisa impossível será organizar o que está desarrumado, os sentimentos.
    Sou mãe, e por isso busco um equilíbrio. Para este fim de semana, tomamos uma decisão: viajaremos desconectados. Eram assim as viagens de outros tempos, mas hoje a princípio parece uma tortura, ou uma loucura... Porém sinto que é isso que falta a todos nós: respirar ar puro, andar no ritmo lento e real dos acontecimentos de vez em quando e não nessa maluquice acelerada que é o virtual...
    Espero conseguir cumprir com esse enorme desafio, para o bem dos meus filhos em crescimento, que precisam brincar de verdade!

    Beijos!
    Suzy

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