24 de maio de 2009

A MULHER E O ALGOZ



Pedro Luso de Carvalho


O quarto às escuras
(noite chuvosa)
- no desalinho da cama
absorta, a mulher olha
através da janela.
Da rua, nesga de luz
clareia livros
sobre o velho baú.


Na calçada, iluminado
entre ramos de árvores
o relógio,
longos ponteiros
duplicados
pelo efeito
das sombras.
Paralisada,
dos pulmões puxa
o ar que falta
e sente o frio
da ameaça mortal.



Aterrorizada, coração
descompassado,
desmaio.
Passam minutos,
horas ou séculos;
resta o desfecho.
Na rua alterna-se
silêncio e ruído
de carros
sobre o asfalto
molhado.



No chão, lívida
busca refúgio,
rosto entre os joelhos
- domínio do medo.
Na porta, forte
batida transpassa-a,
barulho de passos,
escuridão;
mulher encolhida
no assoalho
desesperançada.


De repente a lâmina
zune no breu escuro
da noite
- dor lancinante
grunhido de ave ferida.

_________

- pedro luso

7 comentários:

  1. Viva a poesia
    com seu enigma e dor
    de ave ferida.

    Abraços.

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  2. Eu Israel Lima,

    Venho lhe agradecer por lembrar do meu aniversário. Agradeço o carinho e a amizade para comigo. Obrigado.


    Muito abradecido.

    Um grande abraço.

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  3. Lindo e doído!! Poesia!

    Axé.
    LU MARIA

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  4. Vá com ele, vá Geni
    Você pode nos salvar
    Você vai nos redimir

    Nessa noite lancinante
    Entregou-se acalamante
    Como quem dá-se ao carrasco!

    Estive por aqui.

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  5. Impactante final, toda la poesía llena de agonía, y estoy segura que retrata la vida misma de algunas mujeres,
    Un abrazo con mucho cariño!

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  6. Tem um prêmio no meu blog pra você. Parabéns pelo seu blog.

    Abraço,

    Marise.

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  7. Poxa, Tais! Que impactante esse poema! O autor é um dos seus, né? Pelo sobrenome fica evidente. Parabéns do Cruz a ele!

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