28 de outubro de 2011

ESCRAVIDÃO EM NOME DA PRODUÇÃO


- Tais Luso de Carvalho

CONDIÇÕES DE TRABALHO

Nos séculos XVI e XVII os nobres ingleses, apoiados pelo absolutismo, expulsaram os camponeses de suas terras, apoderaram-se delas, transformando-as em pastagens para a criação de ovelhas. Esse procedimento provocou uma grande migração de mão-de-obra do campo para a cidade.

Nos primórdios da Revolução Industrial - 1760 a 1860 -, a introdução das máquinas não representou grande vantagem para o trabalhador. Muitas fábricas, principalmente de tecidos, eram piores do que prisões; tinham janelas pequenas e em geral se conservavam fechadas a fim de manter a umidade necessária à manufatura do algodão. A atmosfera viciada, o calor sufocante, a falta de higiêne, longos horários de trabalho levavam inúmeros operários a pobres criaturas macilentas e minadas pela tísica, arrastando-os ao alcoolismo e ao crime.

Tudo levou rapidamente estes pobres à condições abomináveis de sobrevivência. Ainda, em 1840, em Manchester, muitas famílias operárias viviam em porões. Outras amontoavam-se em habitações coletivas, com 12 pessoas a morarem num só quarto. Crianças que adormeciam no trabalho poderiam ser espancadas e as pausas para descansarem eram raras. Não seguindo o ritmo do trabalho tinham de pagar multa. Pessoas que adoeciam, correiam o risco de perderem a vaga. 

Eram tão pavorosas as condições que os empregados das fábricas inglesas tinham, no começo do século XIX, um nível de vida inferior a dos escravos nas plantações americanas. As invenções entravam no cotidiano das pessoas com um ritmo alucinante para um mundo até então essencialmente rural.

“Entrar para uma fábrica, no século XVIII, era como ir para um quartel ou uma prisão. A maior parte destes infelizes seres eram crianças vendidas pelas paróquias responsáveis por elas... cinquenta, setenta, cem... pareciam gado com destino à fábrica onde ficariam fechados durante longos anos. Os castigos eram duros, o uso da palmatória obrigando a um silêncio absoluto, e chicotadas se não trabalhassem bastante e rápido. De Föe ficou admirado, ao adentrar em uma fábrica e ver crianças de 6 anos ganhando a vida como pessoas adultas.

Abandonadas ao arbítrio dos patrões, longe de qualquer testemunha que pudesse se comover com os seus sofrimentos, padeciam de uma escravidão desumana. O único limite para seu dia de trabalho, era o esgotamento completo de suas forças, quatorze, 16 horas a fio.

Os acidentes eram constantes, quando as crianças exaustas adormeciam perdendo dedos nas engrenagens. As fábricas geralmente eram insalubres, sem higiene e úmidas. Este era o panorama do trabalho infantil durante o início da revolução industrial”. (do livro de Paul Mantoux)

As mulheres do Século XVIII eram submetidas à um sistema desumano de trabalho, com jornadas de até 16 horas diárias, espancamentos e ameaças sexuais, e, as que engravidavam, apelavam para a interrupção da gestação.   Dentro deste contexto, 129 tecelãs da fábrica de tecidos Cotton, de Nova Iorque, decidiram paralisar seus trabalhos, reivindicando o direito à jornada de 10 horas. Eram raras as empresas que indenizavam seus operários que se acidentavam durante o trabalho.

Era 8 de março de 1857 foi a data da primeira greve norte-americana conduzida somente por mulheres. A polícia reprimiu violentamente a manifestação fazendo com que as 129 operárias se refugiassem dentro da fábrica. Os donos da empresa, junto com os policiais, trancaram-nas no local e atearam fogo, morrendo - carbonizadas - todas as tecelãs.

Em 8 de março ficou como  o dia da homenagem às mulheres e como um marco na história lembrando o abuso, a selvageria e à escravidão do trabalho feminino.



Esta mesma revolução industrial que trouxe a mulher e as crianças para o mercado de trabalho no século XVII, mostra o odioso cenário de exploração do homem pelo homem.

Crianças nas fábricas


Em Strathnaver (Escócia) como em outros lugares, a 'operação limpeza' assumiu aspectos definitivos de solução final. Em março de de 1814 os ocupantes de terras haviam recebido uma notificação para se retirarem das terras num prazo de dois meses. Como não tinham para onde ir, os ocupantes continuaram por ali. Os agentes latifundiários entraram à força, com fogo e com cães; queimaram o madeiramento do teto das casas. Como era uma região carente de árvores, nada poderia ser reconstruído. Algumas das casas foram incendiadas sem que fosse tomada a precaução de remover os idosos ou inválidos...  



A Revolução Industrial foi liderada pela inglaterra, daí em diante deu-se a segunda revolução industrial, com novas transformações e que atingiram a Europa Central, Oriental, América do Norte, japão e outros países.



Referências:
História da  Civilização Ocidental /  McNall Burns - ed.Globo
A Era da Incerteza  /  J.K.Galbraith -  ed. Pioneira, Universidade de Brasilia

22 comentários:

  1. Taís, o que eu acho mais fantástico no seu texto é indagar porque, com tudo isso (e muito mais) que você narrou, nem a Inglaterra e nem os EUA sucumbiram à tentação do marxismo ou do ideário de esquerda naquela época. Ao contrário, resolveram essas terríveis situações dentro do universo mesmo em que se encontravam.

    Tenho escrito bastante sobre isso, porque estou convencido que a liberdade individual ainda é um bem maior do que a escravidão em nome da igualdade vistas na União Soviética, em Cuba, na Koréia do Norte e na China. Daí o fracasso das idéias de igualdade marxista diante da proposta da democracia livre. É porque é melhor ser escravo no Céu do que Rei no inferno!

    Gostaria de deixar alguns links nos quais discuto isso pormenorizadamente:

    http://mulheresabias.blogspot.com/2011/10/mui-piedosa-esquerda-crista-blog-casal.html

    http://mulheresabias.blogspot.com/2011/09/igreja-crista-na-china-o-refugio-para.html

    http://mulheresabias.blogspot.com/2011/09/fora-da-gaiola-mental-uma-conversa-com.html

    http://mulheresabias.blogspot.com/2011/06/jesus-foi-o-negro-do-mundo.html

    Abraços sempre afetuosos.

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  2. Conheço a história e foi bom relembrar, pois há coisas que não mais se podem esquecer, para que não se repitam....
    E mais não digo, pois não sou político e o melhor é ficar com este despertar
    que aqui nos deixa.......
    Beijo

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  3. Taís,
    hoje vivemos tudo isso em alguns lugares do Brasil, China, Vietnam, Índia... E o mais terrível é pensar que grandes fortunas são edifixcadas dessa forma. Os filhos e as mulheres dos patrões desses infelizes, vivem nababescamente!
    É assim, infelizmente!
    Seus brados de indignação e denúncias não ecoam no vazio. Sempre há consciências que registram, ouvidos que ouvem e olhos que vêem.
    Parabéns, mais uma vez pelos belos textos!
    Um beijo de todos do atelier

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  4. Querida amiga Tais.
    É sempre com prazer que leio tuas crónicas. O conhecimento é sempre uma boa maneira de ocupar o tempo. Mas passou a Revolução Industrial, a Revolução Socialista, guerras mundiais, locais e outras revoluções de ideais que passaram pelo tempo. Em todas elas ouve coisas boas e más. Em todas, a exploração dos trabalhadores foi sempre mais ou menos incorrecta. Em todas se tentou combater os desvios sociais.
    Neste momento vive-se uma revolução liberal, onde o capitalismo mais profundo, se afunda na incapacidade de gerar riqueza, de criar emprego, mas sim conseguir o lucro fácil, para si e seus capangas. O povo, esse, que procure nos restos da sociedade, pode ser que entre o lixo da moralidade, ainda consiga alguma coisa. Ou então comece a lutar, porque ninguém lhes vai dar o que quer que seja. Eu acho que ainda podemos dizer: "que a luta continua".
    Meu beijo e meu carinho de sempre.
    Victor Gil

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  5. Um belo artigo histórico, Tais! Obrigado por esta aula. Como disse um colega aí em cima, é bom contar essas histórias, vez por outra, para que as gerações futuras saibam o que o Homem já aprontou por aqui. E tome medidas para evitar que se repitam.

    bjo
    Cesar

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  6. ººº
    Gostei do teu estilo narrativooo!

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  7. Nada deve ser calado. Muito bom que
    grandes Historiadores tragam à tona as barbaridades cometidas em nome do progresso.
    Vem de longe, a "escravidão em nome da produção". Na colonização brasileira, isso é patente!

    Extraordinária matéria, Taís...
    Um abraço,
    da Lúcia

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  8. Nossa fantástico sua colocação no post. Acho que devemos lembrar sempre das estórias para tentar aprimorar nosso lado humano. Bjs Cynthia.

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  9. A história foi escrita com sangue e muitos têm a sensação de que ficaram no passado os escravos e o desmerecimento dos valores femininos.
    Mas estão bem presentes em nossa realidade, ocultos pelos que correm atrás de poder e dinheiro e não respeitam leis nem a condição humana.
    Bjs.

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  10. Parabéns pelo post.
    Amiga, li e fiquei chocada.
    É tão bom ler esse tipo de postagem, porque vivemos em uma época que "nada sabe" a respeito do nosso passado.
    Foi muito bom vir aqui, quase não vejo atualizações tuas...
    Sempre há consciências que registram...
    Nem sei como comentar, juro.
    É real e "este foi o começo(?)...
    Muito chocante, e deveria saber mais, pareço uma alienada.
    Só vejo o hoje, só penso no amanhã, coitada de mim, agora penso que tô feliz com o meu trabalho, apesar de ser bem desgastante.
    Ótimo domingo pra ti, obrigada por essa informação.
    Ah, preciso ler mais Mery*.

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  11. Thaís querida sua postagem como sempre é maravilhosa, um aulão que supera aos ´"cursinhos".

    Fiquei triste, triste porque engana-se quem pensa que isto acabou; não acabou não hoje temos muitos lugares que utilizam a escravidão, seja em outros países ou aqui dentro, e mais aqui no Sul a pouquissimos anos passados existiam cafetões na rodoviária da Capital que esperavam mocinhas e mulheres do interior que vinham atraidas por promessas de trabalhos e quando chegavam aqui conseguiam trabalhos tão horrendos que muitas só tinham a opção da prostituição, outra forma de escravidão. Atrevo-me a escrever isto porque testemunhei,... sinceramente é triste, vergonhoso, nojento, e tantos quantos adjetivos pejorativos existir.

    Nunca poderemos ser livres se admitirmos a escravidão em nome do crescimento das potências e das cidades.

    bjos amiga e feliz semana.

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  12. A vida é magia e encanto.. é preciso preservar a beleza dos nossos corações.
    Saber olhar com pureza de alma respirar como se nascêssemos a cada instante!
    A felicidade e a Magia é algo, que entra em nossas vidas, com total explêndor.
    Hoje sinto que renasci novamente estou muito feliz por isso
    estou aqui .
    Carinhosamente convido você a ler a postagem do meu blog.
    Aquilo que pode parecer pouco para muitos
    para mim é tudo de bom que poderia acontecer nessa fase
    da minha vida.
    Gostaria muito de ler seu comentário no meu blog.
    Uma linda semana beijos.
    Evanir(EVA)

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  13. Tais,
    Excelente passada pela revolução industrial que nos legou tanto as novas conquistas tecnológicas, quanto as mazelas da exploração do homem pelo capital. Infelizmente as grandes conquistas que acabaram transformando as sociedades primitivas na civilização que usufruímos, trouxeram na sua esteira, máculas que, o mais das vezes, envergonham a raça humana. Assim foi a revolução industrial. Abraços e parabéns por mais essa crônica de alta qualidade, JAIR.

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  14. Tais, sua pesquisa está maravilhosa e perfeitamente instrutiva. Impressionante como a história foi sempre escrita com sangue, e eu diria que sangue inocente na maioria dos casos...
    Evoluímos em alguns pontos, aparentemente, mas criamos outras formas de escravidão, que reverterão algum dia em sangue novamente, como num ciclo eterno.

    Adorei a aula, beijão!

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  15. Taís, essa crônica foi uma verdadeira aula, mas daquelas bem boas que mostram as verdades sem deixar detalhes de lado.Muito legal! Belo trabalho de cunho bem elucidativo!

    beijos,bom feriado( e aquela casinha, também adorei!!!)

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  16. Amiga, isso foi uma bela aula, hein? Parabéns!!!
    Beijos meus!

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  17. Já tive a oportunidade de ler sobre o assunto. Após a revolução, e depois de muitos protestos, surgiram os princípios do direito do trabalho. Belo e muito informativo este texto.

    Beijos e muita paz pra ti e para os teus.

    Furtado.

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  18. Taís, leio seu blog já a algum tempo, e não conheço nenhuma outra escritora nessa época de blogs e microblogs que nos encante com tanta sensibilidade e inteligencia como vc. Você tem alguma pagina no facebook ou twitter? Se não seria interessante, pois através do dessas ferramentas acompanho em tempo real e com bastante mobilidade as atualizações dos meus blogs favoritos e compartilho com todos os meus amigos.. só uma dica, pra tornar o seu blog mais dinâmico. Obrigado.

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  19. PARA RODRIGO:

    Olá, Rodrigo, muito obrigada por suas palavras, isso é ótimo e faz com que eu apresente textos melhores e mais elaborados.

    Infelizmente não faço parte de nenhuma rede social, apenas tenho estes dois blogs que já me dão bastante trabalho para mantê-los. E como gosto de fazer tudo bem feito, não conseguiria dar conta de tanta coisa. Mas agradeço muito.

    Grande abraço para você.
    Tais

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  20. Oi Thaís querida,

    É sempre bom passar por aqui.suas crônicas são uma aula à parte. Esta, por exemplo, deve ter sidofruto de muita pesquisa e dedicação!

    Muito bom! Parabéns pela escolha do tema e pelo conteúdo do texto, de altíssimo nível!

    Abraços

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  21. Oi Taís,
    Guardando as devidas proporções... isso não mudou muito. Há muito ainda para se melhorar.
    Bjs.

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  22. Querida a história está ai para nos relembrar que foram os homens e são os homens que escravizam uns aos outros.Mulheres e crianças sempre foram as maiores vítimas por uma questão cultural.Parabéns pelo importante e relevante texto do teu post e pelas fotos ilustrativas.
    Bom fim de Semana.Bjs Eloah

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1 - Agradeço os comentários dos queridos leitores e amigos, sempre bem-vindos, um grande abraço a todos! Voltem sempre.

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Taís Luso