22 de abril de 2013

CONCEITOS DE BELEZA / O Pescoço Longo




- Tais Luso de Carvalho

Cada país, cada região desse planeta tem suas características, sua cultura, seu conceito de beleza. Por vezes é difícil de entendermos, pois muitas coisas nos parecem absurdas. O absurdo está aqui e lá – em todos os cantos.

Nossos hábitos também podem parecer absurdos, esquisitos e incompreensível para muitos. Basta olhar as cirurgias plásticas que andamos fazendo por aqui, os enxertos e silicones que colocamos parecendo embuchadas, outras que removemos, costelas que retiramos, piercing que aplicamos nos lugares mais inconvenientes, como na língua, no lábio...

O botox e silicone estão tão difundidos que milhares de mulheres, após uma certa idade, aderem àquela boca emborrachada, tipo bico de kichute  anos 70. Mas as mulheres do lado de cá, do planeta, acham lindo, não notam a deformação, acham sensual aqueles lábios deformados, enormes e cavernosos. E depois vão falar das manias das outras, lá do outro lado do mundo.

E a roupa de praia? Pode entrar na cabeça de uma mulher lá do Oriente, uma peça de roupa chamada fio dental? E para nós – as Ocidentais – também é difícil entender o uso da Burka ou a tradição das mulheres da Mauritânia, um país do noroeste da África, que desde o cinco anos de idade as meninas sofrem o processo de 'engorde' pois somente as mulheres gordas são consideradas bonitas. Lá, só consegue casamento quem for gorda ou obesa. É um sinal de que a família dela tem dinheiro.

Pois é. Mas a nós, cabe somente entender o porquê da coisa. Cada povo com suas manifestações, com o que acreditam ser belo. Enquanto nós morremos para tirar uma celulite, elas morrem pra tê-las.

Na verdade, somos todos muito esquisitos e nunca estamos satisfeitos com o que a natureza moldou, sempre há alguma intervenção, muitas vezes incapacitante e brutal. Outras bizarras. Mas cada cultura procura uma maneira de se expressar, de seguir seus ritos, sua cultura, partindo até de adereços fixados no corpo.

Os índios brasileiros são mestres nos enfeites de lábios e orelhas. Mas nem falamos mais, pois de tanto ver, acostumamos.

Tem gente que adora se tatuar: uns são discretos, outros adoram cobrir o corpo com desenhos, ter uma imagem exclusiva. Recentemente foi encontrada uma múmia no gelo dos montes austríacos, com aproximadamente 5.300 anos e totalmente protegida pelo frio. Nela, após muitos exames radiológicos, foram encontradas várias tatuagens. Isso também mostra que há milênios o uso das agulhas já era domínio humano.

Bem, falando das mulheres de pescoço longo (mulheres girafas), é uma tradição muito curiosa. São mulheres da etnia de Karen, em Ban Nai Soi, uma aldeia ao norte da Tailândia. Contudo não têm liberdade de saírem de sua aldeia e nem são vistas como cidadãs tailandesas. Estão lá como refugiadas da ditadura de seu país, Myanmar/ Birmânia.

A ação das argolas causa a deformação da clavícula, dando a impressão de alongamento do pescoço. É um conceito de beleza. De lá. As meninas, são iniciadas com as argolas no pescoço aos 4 ou 5 anos. E vão trocando e acrescentando. Mais tarde passa de ano em ano. Uma espiral média pesa mais ou menos 6 quilos, as maiores 15 quilos. Usam argolas nos braços e pés e vivem do artesanato que vendem aos turistas. Fico  a imaginar, olhando as fotos, como deve ser difícil  se locomoverem ou fazerem seus trabalhos com a cabeça presa. Naturalmente que acostumaram. O uso das argolas é contínuo. 

São essas culturas diferentes, esse outro lado da vida  que gosto de registrar aqui. Naturalmente comparando com os nossos estranhos hábitos, também.





26 comentários:

  1. Limerique

    Na África pescoço encompridado
    Cá no Ocidente beiço "botocado"
    Porque não há consenso
    Deve valer o bom senso
    Em moda cada um no seu quadrado.

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  2. Tais,
    Meu quase neologismo "botocado" refere-se tanto aos lábios com botox das socialites, como também aos enfeites que aumentam os lábios dos nativos, tipo Raoni, aquele amigo do Sting, lembra? Pois é, batoque ou botoque é o nome daquele "esticador" de lábios, então achei conveniente colocar tanto as belas como as feras no mesmo balaio. Desculpe a licença poética. Abraços, JAIR.

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    1. rsssss, é claro, coloco tudo no mesmo balaio... até o dia de quem era bela virou fera!
      Claro que toda a regra tem lá suas exceções... Mas há coisas que são demasiadas na nossa cultura. Aqui e lá.
      Ótimo Limerique
      Abraços, Jair!

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  3. Por favor Taís....então??...confundir o fio-dental com
    a Burka....não. Quanto ao resto....100% de acordo.
    Não compreendo...se formos nós a ir para lá...temos de vestir como eles...'eles' vêm para cá e vestem à moda deles....como é???? Não digam que é tolerância....Tem é de ser aplicada a mesma regra...(Elas até iam gostar)
    E os pés deformados das chinesas....?
    Enfim....'Cada doido com sua mania'.
    Boa semana
    Bejo

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    1. rsrs, não tem nada de confuso, são coisas muito estranhas: elas não conseguiriam entender nossa roupa de praia (que roupa?) e nós não entendemos a Burka (99,9% cobertas).
      Pois é, sobre os pés deformados até já escrevi sobre eles. Também estranho, não? No final você tem razão: tomos somos um tanto doidos!

      Beijos aí pra Portugal, amigo!

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  4. Cogita-se tanta criatividade no corpo e, esquece-se do espírito! Há demasia em superficialidades, como você muito bem descreveu Tais. Parabéns!
    Estica-se, plastifica-se... haja botox e silicones! Desconfigura-se o humano! Como seria a inspiração de Vinicius hoje? Que garota cantaria em seus versos?
    Bj. Célia.

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    1. Célia... pois é, que garota Vinicius cantaria?? A mulher Melão, Fruta, Melancia... que coisa mais antipoético isso! Adorei essa sua.
      Espírito hoje? Ah, minha amiga, a coisa tá triste.

      Gosto de você por aqui!
      Grande beijo.

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  5. Tais, confesso que tenho dificuldades para digerir certas culturas, em especial aquelas que se relacionam com mutilação ou deformação do corpo.

    Não sei se é uma aversão pessoal a dor, ou se são princípios fortemente enraizados que me fazem achar absurdos os extremos em nome da vaidade ou mesmo da cultura de um povo. Fico me perguntando se eu me submeteria a tais práticas, se crescesse no oriente, e sinceramente penso que não.

    Você, naturalmente, dirá: fácil criticar o que parece bizarro do outro lado do mundo! Mas não falo só deles, não, falo da cultura daqui mesmo, desse culto ao corpo para o qual não vejo explicação. No fim das contas, acho que a bizarra sou eu, pois se minha autoestima dependesse do silicone, do botox, da tatuagem, do piercing ou do fio dental, eu seria a personificação da depressão!

    Meu conceito de beleza está relacionado, sim, a cuidados com a aparência, mas qualquer coisa que venha a ferir meu corpo, ou a colocá-lo em excessiva exposição, eu dispenso. Moderação e discrição são tesouros nesta vida! E definitivamente a felicidade não é privilégio das beldades.

    "Deu pano pra manga" hein! rsrsrs Beijão!!!

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    1. rsrs, Suzy querida, não dou muito tempo para poucas pessoas serem bizarras: eu, você e mais algumas! Amiga, jamais irei me submeter a uma esticadinha básica. Quero manter, nos meus traços, o meu andar pela vida; que apareçam todos. Mas que meu espírito e minha alma se mantenham jovens! Esse será o meu grande troféu.

      Grande beijo, amiga. Pensamos igual, como sempre.

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  6. Olá Taís eu estava redigindo meu comentário e devo ter batido em alguma tecla e aí... sumiu...
    Bom eu ia dizendo que as bombadas fazem parte desse dileto grupo das pessoas bizarras além das senhoras do botox que entram para a Patolândia
    com seus bicos a la pato Donald...
    Um abraço de todos do atelier.
    Essa crônica está ótima, nos deixa com vontade de escrever...

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    1. rsrs, Patolândia... essa eu não conhecia. Antonio, tem aparecido cada coisa que estou cada vez mais acreditando na capacidade criativa da nossa espécie. Só falta virarmos bichos!

      Abração ao atelier!

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  7. Pois é Tais, eu tb sou contrária e avessa à ideia do bisturi que deforma o que, naturalmente, se modificou. Tenho bem perto mostras da vaidade, mãe, irmã e amigas que recorrem às cirurgias e aplicação de tudo que existe - na pele, no corpo...acho que a Suzy disse bem, a moderação é bem-vinda na medida em que a auto-estima fica preservada. Ponto!
    Eu vou pro confessionário: sou indisciplinada para manter a frequencia na academia, detesto a repetição dos exercícios físicos, mas por motivos de saúde (males da idade como ossos ficando frágeis, encurtamento muscular, circulação, etc...) decidi controlar um personal, e isso é o que entendo como necessidade...se acontecer o milagre de eu "acostumar" com a rotina, o dispenso, mas quanto ao "resto", penso que numa frase tua resumo tudo:

    "Quero manter, nos meus traços, o meu andar pela vida; que apareçam todos. "

    Quanto à diversidade cultural, tem de tudo, de curioso à aversivo, né? Ah...tô considerando visitar a Mauritânia...kkkkkkkk

    Bom dia, beijos!!!

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    1. Oi, Denise, sabe, também sou horrorosa quanto à academia e exercícios. Adorava esporte, mas coisas por obrigação é difícil, vou empurrando lá pra frente, até o tiro sair pela culatra, kkkk.
      Quanto ao caso da Mauritânia, as mulheres lá com menos de 30 anos já estão com diabetes, pressão alta etc. Mais uns aninhos ficam pessoas incapacitadas. Tudo em nome da vaidade, da escravidão pela beleza.

      Acho que o envelhecer, antes de tudo é sabedoria. Dá pra ver que mulheres de certa idade negam-se a envelhecer. O primeiro sintoma, do lado de cá, do Ocidente, está no vestir... Todas querem chegar aos 100 anos, mas com um corpito de 30. E a cabeça fica onde? Cadê os exercícios para os neurônios?

      Beijão, Denise!
      Seus comentários são adoráveis.

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  8. OI Tais, gostei muito desta crônica além do valor cultural, entramos no campo da psicologia, fico me perguntando o que pode haver por trás desses costumes estranhos, será somente a vaidade? Eu por exemplo abomino qualquer coisa que me escravize em nome de vaidade ou do que quer que seja. Até mesmo a academia, que sei que promove para a saúde, deixo de lado, prefiro caminhadas curtas ou longas, apreciando a natureza.Quanto `aos recursos de beleza,gosto muito de bons cremes, mas não imagino nada que se pareça com intervenção cirúrgica, em nome da beleza, a última que passei por necessidade, me causou grande trauma.Mas acredito que cada cabeça é um universo, e até sei reconhecer que os benefícios em relação à beleza esterna que são verdadeiros,embora para alguns procedimentos é preciso ter muita coragem. Porém penso que quero continuar jovem por dentro, busco isto, procurando me atualizar, mesmo porque quero ter diálogo com meus filhos e netos , me sentir inserida me causa grande prazer e força para tocar o barco com muita disposição e alegria.
    É isto aí Tais. Adorei a crônica, Parabéns por ter escolhido este tema
    que nos acompanha ao longo de nossas vidas.. Nos mais longínquos lugares da terra, e do tempo e até chegar às nossas práticas aqui no Brasil e continuar sendo um tema muito atual. bjs.

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    1. Oi, Lourdinha, estou com você, prefiro caminhadas junto à natureza. Confesso que além de achar muita vaidade em submeter-me à cirurgias de risco, pra tirar daqui e pôr ali, sou um tanto acovardada para me submeter a isso. Minha vaidade vai até certo ponto, não muito longe. Aceito as mutações impostas pela natureza, não brigo com ela. Apenas uns cremes básicos. Acho que a 'intervenção no espírito' beneficia muito mais. Essa deixa resultados de confiança em nós, verdadeiros, completos. Onde toca grandes sacrifícios para manter a aparência, to fora!

      Grande beijo, amiga! Obrigada pela presença sempre tão querida.

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  9. Olá Tais!
    Como sempre as suas crónicas são de imenso interesse e os seus raciocínios muito lógicos e bem delineados. Há que respeitar os usos e costumes de cada povo ,por mais estranhos ou bizarros que nos possam parecer! Confesso que há coisas que me causam alguns "arrepios" e que eu não quero para mim nem para os meus, mas...cada um é dono de si próprio.
    Não gosto de cristas de galo, de tatuagens, de silicones...etc...etc...
    Um beijo deste lado do Atlântico.
    M. Emília

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    1. Oi, Emilia! Pois então, querida amiga, vai do bom senso e dos costumes, é claro. Mas não é porque não gostamos (pensamos igual) que não podemos dar nossas opiniões. Respeito muito os costumes, aqui dei uma amostra que acho muito válida, sobre as mulheres de pescoço longo. Porém, não falaria apenas dos outros se por aqui temos coisas que 'não' me agradam, mas o qual nos acostumamos.

      Um beijão daqui, desse lado do Atlântico.
      Meu carinho a você, sempre presente!

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  10. Olá,Taís!!

    É incrível como o ser humano pode ser tão diferente e tão igual ao mesmo tempo! Cada povo tem seus costumes e sua cultura, o que para uns é absurdo é o normal de outros...o bom é respeitar e apreciar esta exuberância cultura!!! Podemos aprender muito.
    Bela crônica!!!

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  11. Oi, Viviam, vemos coisas tão diferentes que muitas vezes sentimos que certas coisas fazem parte de outro mundo, não do nosso. Muitas vezes assustadora. Vou morrer me surpreendendo cada vez mais, até com sofrimentos impostos em troca de supostas belezas.

    Grande beijo, obrigada pela sua presença sempre querida por aqui.

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  12. Delícia de crônica, rs,rs.

    Cada doido com suas manias mesmo.
    Eu acho muito interessante as diversidades culturais, é estranho mas tem sua beleza, sua mágica, rs,rs.

    O importante é sabermos que a beleza não traz a felicidade, mas em trocadilho tudo transforma-se belo.

    bjs bom final de semana.

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  13. E as tatuagens apanágio desta época?...
    Interessante onde a encontrei
    num blogs do ano de 2009 com 5 seguidores
    eu tentei ficar como seguidora, mas não fui aceite!
    E o blogs teve vida e parece que morreu, mas deixou as portas abertas
    e cheirou-me a sonhos perdidos e a desilusões passadas...

    Com muito interesse seu texto!

    Maria luísa

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  14. A beleza realmente está nos olhos de quem a vê.

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    1. Olá, Paula, bem-vinda, muito obrigada pela sua presença!
      Um abraço!

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  15. Estas mulheres, pura e simplesmente, morrem se lhes tirarem os anéis. Os músculos do pescoço ficam tão atrofiados que não conseguem segurar a cabeça.
    Parabéns pelo blogue.

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  16. É interessante conhecer outras culturas e isso é sempre muito válido. Assim como o respeito também é.
    Lembrei-me de uma situação que me aconteceu há um tempo. Não querendo entrar em assuntos religiosos, mas passando superficialmente pela situação: Ouvi uma certa pessoa dizer que os islâmicos estavam errados, pois nasceram para venerar um homem que não é Cristo. Discordei mais do que depressa, obviamente. Primeiro que o islamismo é uma religião nascida com influencia cristã e judaica. Segundo que, ao fazer uma afirmação tão equivocada, a pessoa sequer parou e pensou que, do outro lado do mundo, a islã pode estar pensando a mesma coisa do cristianismo aqui. Maomé é o profeta dos islãos e foi assim que aprenderam.

    Somos todos vertentes de um ponto comum. E nessas vertentes estão as mais variadas culturas. Não temos como fugir disso, então estamos imersos em uma cultura que, ali do outro lado, pode parecer também estranha.

    Beijo

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    1. Oi, Fellipe, a palavra da moda é 'diversidade', mas na verdade é só bonitinha, ninguém quer saber se o mundo é assim ou assado. Tem de ser como elas acham que deve ser. Todos acham que sua religião, que sua ideologia partidária, que sua maneira de ver o mundo é a certa. Se no país em que vivemos, ninguém respeita o pensamento de ninguém, imagine quando a coisa sai da esfera doméstica! E lá fora se dá o mesmo. Em suma, somos todos muito complicados, um labirinto dos mais difíceis de conhecer e de achar o final. Falamos dos outros e achamos que por aqui está tudo glorioso... Acho que até se pode falar, é matéria, conhecimento, mas sem achar que somos os 'certos' do planeta.

      Beijo, amigo!
      Obrigada pela sua presença sempre querida.

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