9 de julho de 2024

PEDIDO DE ADOÇÃO / Adélia Prado

Adélia Prado - Prêmio Camões 2024


PEDIDO DE ADOÇÃO / Adélia Prado


Estou com muita saudade

de ter mãe,

pele vincada,

cabelos para trás,

os dedos cheios de nós,

tão velha,

quase podendo ser a mãe de Deus

— não fosse tão pecadora.

Mas esta velha sou eu,

minha mãe morreu moça,

os olhos cheios de brilho,

a cara cheia de susto.

Ó meu Deus, pensava

que só de crianças se falava:

as órfãs.

________________________________________

Prado, Adélia

Oráculos de Maio / Adélia Prado – São Paulo

Siciliano, 1999 – pág 59 / 4ª edição


Nascida em 1935, cidade mineira de Divinópolis / Minas Gerais, Adélia é formada em  Filosofia.

O estilo original e tocante da poesia de Adélia Prado está mais uma vez presente nessa sua obra Oráculos de Maio que privilegia a religiosidade, a reflexão e a memória. A forma com que ela consegue dar valor às coisas simples, comove o amante da poesia e o presenteia com a força da comunhão de suas palavras.

A poesia de Adélia evidencia o tom coloquial e o registro oral, sua linguagem desprendida transfigura o uso vulgar da língua numa manifestação verbal fecunda e única. Obras da autora:

Poesia Reunida 1990

Solte os Cachorros 1991

Cacos para um Vitral 1991

Os Componentes da Banda 1991

O Homem da Mão Seca  1994

Oráculos de Maio 1999

Manuscritos de Felipa 1999

                                                                          Pedido de Adoção - pág. 59


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30 comentários:

  1. Es un bello poema Me gusto conocer a esa autora. Te mando un beso.

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  2. Boa noite de Paz, querida amiga Taís!
    Com seus 88 anos, ainda vai lançar um livro. Que exemplo!
    Mereceu o prêmio Camões.
    O poema que você escolheu é espetacular.
    "Quase podendo ser a mãe de Deus
    — não fosse tão pecadora."
    Perfeita consciência da nossa condição humana.
    Tenha uma nova semana abençoada!
    Beijinhos

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  3. Felizmente ainda tenho mãe e pai.
    Quase a chegar aos 90, ambos, mas vivos.
    Beijo

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  4. Prezada Taís,
    Adélia certamente sabe como colocar em palavras o sentimento de órfãos.
    Perder uma mãe tão jovem é horrível.
    De fato, ela usa bem os ingredientes-chave: religiosidade, reflexão e memória.
    Essas são posses quase sagradas de nossas almas.
    Abraços,
    Mariette

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  5. thanks for your sharing

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  6. Muito bonito!
    Gosto da escrita da Adélia Prado. Tenho três livros dela, dois de poesia e um de contos (Soltem os Cachorros).É uma figura muito simpática (pelo que já vi em algumas entrevistas).
    Boa semana:))

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  7. Adélia é maravilhosa e escolheste uma entre tantas belas poesias! Ótimo dia! beijos, chica

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  8. Querida amiga Taís,
    A escritora e poeta (ela não gosta de ser chamada de poetisa), “Adélia Luzia Prado de Freitas”, mineira da cidade de Divinópolis, assim como meus saudosos pais e avós também eram mineiros (de outras cidades), foi a vencedora do “Prêmio Camões” deste ano (2024) , o mais importante prêmio literário da língua portuguesa.
    Certa vez perguntei à “Adélia” como ela encara o envelhecimento e ela respondeu sabiamente:

    “Douglas, com frescor e ternura eu avanço para me tornar uma flor, e não uma anciã”.

    Bela lembrança!
    Beijos e vamos em frente!!!

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  9. Boa tarde Taís
    Você escolheu um poema muito bom de Adélia Prado.
    Gosto de esta autora, mas não conhecia este poema.
    Mereceu bem o Prémio Camões.
    Boa semana com saúde e harmonia.
    Um beijo
    :)

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  10. Muito lindo poema! Não só crianças são orfãs, quem nunca teve esse sentimento?
    Parabéns a Adélia Prado.

    Grata.
    Beijinhos.

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  11. Si toda obra de esta autora es como nos muestras, nos demuestra que no hace falta buscar palabras grandilocuentes para la poesía.

    Saludos.

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  12. Uma digna vencedora do prémio Camões. Sem dúvida uma excelente poetisa, como demostra este belo poema que aqui partilhou, amiga Taís.
    Ótima partilha, de homenagem a este senhora das letras, e da poesia.
    Votos de feliz semana, com tudo de bom.
    Beijinhos, com carinho e amizade.

    Mário Margaride

    http://poesiaaquiesta.blogspot.com
    https://soltaastuaspalavras.blogspot.com

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  13. Lindo o poema de Adélia Prado escolhido, Taís
    Os pais do meu marido moravam em Divinópolis.
    Conheço a cidade.
    Muitos beijinhos
    Verena

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  14. Seu comentário entrou sim, Taís;
    fui eu que estive fora da rede.
    Amei a premiação objeto de sua
    publicação. Bjkas da Alice

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  15. Também estou " com muita saudade de ter mãe " e sei que tu, querida Taís, te sentes, como eu, " uma órfã ", já não sendo criança Estas, de certeza que têm um maior sofrimento por não entenderem a morte e, se a nós nos faz falta a Mãe , imagina a uma criança. A minha mãe viveu muito, a um mês de fazer noventa anos e ela costumava dizer que não era velha, mas, sim, que tinha muita idade e era isso mesmo. .Agora, Taís, somos mães e um dia partiremos deixando esse sentimento de orfandade nos nossos filhos e só espero que, quando isso acontecer, eles pensem o mesma que esta Senhora, " que " tenham saudade de ter mãe ". Sabes, Taís, perder uma mãe é uma dor imensa, mas perder um filho? Falo disso, porque ainda não me recuperei da noticia que tive há dias; uma senhora ( quase com 90 anos) de quem gosto muito perdeu uma filha que eu conhecia bem, mas, o problema é que talvez há 6 meses essa senhora tinha perdido uma outra, mais nova do que esta, as duas vitimas de câncer, Tem só a mais nova e há muito é órfã de mãe, de pai; é também viúva. Imagina, no mesmo ano perdeu marido e duas filhas ...Não tem um dia que não me lembre dela e no grande sofrimento que está a passar,
    Não conheço a obra de Adélia Prado, mas sabia que tinha ganho o Prémio Camões. Foi muito merecido, sim! Obrigada, Taís, por me teres dado a conhecer este poema tão terno que me deixou nostálgica, mas que me fez pensar no tanto que devo à minha Mãe e no tão pouco que fiz por ela; fiz o meu melhor, mas fica sempre a sensação de que não foi o que ela merecia. Beijinhos, querida Amiga e fica bem, com saúde, especialmente. 🙏 🌻 🌻

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  16. Também perdi a minha mãe há dois anos...que saudade.

    Prémio merecido para uma poetisa excepcional. Gosto muito de a ler.

    Um abraço

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  17. Ótima lembrança para uma postagem: os versos e livros de Adélia. O poema é lindo. Também sou um órfão de 59 anos...acho que você sintetizou bem a escrita de Adélia: "linguagem desprendida" - é isso mesmo.

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  18. Gosto muito de Adélia Prado que mais de uma vez já publiquei . E fiquei feliz quando soube que foi a vencedora do Prémio Camões.
    Abraço e saúde

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  19. Difícil não se comover quando lemos sobre mães.
    Cabe o infinito nessas três letrinhas _ ah ,como são felizes quem as tem.
    Adélia Prado é ótima, ela escreve essas coisas lindas :
    "Uma ocasião,/meu pai pintou a casa toda/de alaranjado brilhante.
    Por muito tempo moramos numa casa,/como ele mesmo dizia./
    constantemente amanhecendo." Assim que imagino uma casa com uma mãe.
    Só imagino! não sei que saudade é essa que me bate quando falo em mães... saudade do que não vivi.Taís
    Beijinhos , amiga querida
    .

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  20. Querida amiga precioso poema, no conocia a este autor.
    Me emociono leerte.
    Que tengas un bello dia.
    Abrazos y besos

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  21. Anônimo08:33

    Querida Taisamiga
    É, sem dúvidas, a maior poeta viva do Brasil e tenho quase todos os livros dela, embora como sabes, sou mais de prosa. Mas Adélia Prado é... Adélia Prado e por algum motivo, além de no ano corrente ter sido galardoada com o maior prémio cultural em língua portuguesa, o Camões também neste mesmo ano recebeu o Machado de Assis - o mais importante do Brasil.
    Esta tua publicação revela, uma vez mais a atenção com que segues as ligações culturais luso-brasileiras. Aliás, encontrei-me com Adélia em 1985 aquando do encontro entre autores de língua portuguesa aqui realizado em Portugal. A ela ouvi uma frase que registei, não garantindo a sua exactidão: «... mulher é desdobrável. Eu sou.»
    Beijo & queijo
    Henrique

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  22. Gracias por darla a conocer. Me gusta mucho su poema.
    Un abrazo.

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  23. Em "Pedido de Adoção", presente na coletânea "Oráculos de Maio", Adélia Prado nos presenteia com um poema carregado de emoção e pungência, tecendo um retrato íntimo da dor da perda materna e do profundo anseio por acolhimento. Belíssima homenagem , Tais! Obrigado por compartilhar ! Beijos.

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  24. Olá, amiga Taís
    Passando por aqui, relendo este excelente post de homenagem a Adélia Prado, que muito gostei, e desejar uma feliz fim de semana, com tudo de bom.
    Beijinhos, com carinho e amizade.

    Mário Margaride

    http://poesiaaquiesta.blogspot.com
    https://soltaastuaspalavras.blogspot.com

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  25. Taís:
    el recuerdo de una madre siempre trae "saudade" y si se expresa con palabras tan bonitas, la añoranza es más fuerte.
    Abraços.

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  26. Uma bela e feliz escolha da obra de Adélia que a traduz em parte. Eu me encanto com esta simplicidade, este olhar para os movimentos a sua volta e daí uma reflexão sempre palpável. Este final é fantástico Taís. Vejo em Adélia e Rubem Alves algo que me encanta talvez seja esta simplicidade de poetizar.
    Um bom lindo fim de semana amiga.
    Bjs de paz.

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  27. Feliz porque a minha Mãe sempre me acompanhou até ao seu fim. Fui a adopção que produziu ao fazer-me nascer de si.
    Este "PEDIDO DE ADOÇÃO" de Adélia Prado leva-me a outras lembranças de meninos amigos e conhecidos desda a minha infância. Uma Homenagem que vale ouro.
    Obrigado pela escolha, Taís.


    Beijo,
    SOL da Esteva

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  28. Linda escolha para homenagear esta grande escritora. Esta semana o nosso circulo de biblioterapia teve como temática as obras dela. Foram potentes as trocas iluminadas pelos seus poemas e contos. Boa noite.

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  29. Boa noite, amiga Taís
    Passando por aqui, para desejar uma feliz semana, com tudo de bom.
    Beijinhos, com carinho e amizade.

    Mário Margaride

    http://poesiaaquiesta.blogspot.com
    https://soltaastuaspalavras.blogspot.com

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Muito obrigada pelo seu comentário
Abraços a todos
Taís