3 de agosto de 2006

SENTIR SAUDADE NEM SEMPRE FAZ BEM



Taís Luso de Carvalho

Saudade... Por diversas vezes pensei nesta palavra como sendo das mais melodiosas e bonitas de nossa língua. Mas estive, pensando, também, não mais na fonética auditiva e sim no significado da palavra saudade. Ela resgata algo de bom, sem duvida; ninguém vai sentir saudade de algo ruim, mas ela aparece, na maioria das vezes, no momento em que estamos vivendo uma frustração, momento de insatisfação, de algo que não está bem.
Inúmeras vezes senti saudade de alguém, e parei pra ver quando isso ocorreu: ocorreu num momento ruim; num momento em que eu precisei de um apoio, de um conselho, de uma ‘muleta’.
E de minha infância? Já senti muita saudade... Quando? Quando não quis crescer; num momento em que precisei ser forte, tomar decisões, ser madura.

Não falo da saudade de um filho que mora longe, ou de uma amiga; é outro tipo de saudade. Falo da saudade de atitudes, saudade que compromete nosso crescimento, saudade que prende, que aprisiona. Saudade da criança que fomos.
Penso que quando estamos de bem conosco não tem o porquê sentir saudade do passado, não tem o porquê trazer lembranças se é o presente que interessa. Há um engano aí: tivemos muitas coisas ruins na infância e na adolescência, mas esquecemos; nossa mente deletou por conveniência, porque ela é safadinha. Nossa infância e adolescência não foram sempre um mar de rosas... Sofremos, também, eu lembro dos meus ataques: tudo tinha muita importância; tudo tinha muito peso.
Não; não é bom sentir saudade; ela nos engana e faz um rebuliço!
Não é fácil dirigir nossa vida de adultos dependendo de favores; tomar decisões sem perguntar; cuidar de nós sem interferências! Erramos quando colocamos nosso futuro em mãos alheias esperando que o outro nos faça feliz. Acho que temos de colocar em nossa vida um pouco mais de egoísmo, um egoísmo saudável que nos liberte e que nos guie; um egoísmo que nos ajude a sermos independentes.

Por outro lado, há aqueles que morreram com mágoas do passado. Passaram a vida se lastimando da educação que receberam. Não conseguiram excluir, acrescentar ou modificar nada. Viveram amargurados, presos, e não se deram conta que receberam o que podiam receber.

Quando nascemos herdamos um pacote que já vem pronto e com uma genética imperfeita, não adianta reclamar. O mundo continuará a nos oferecer o que tem de pior e de melhor. E muito mais o pior, porque abrindo os olhos vamos perceber que o mundo ta coalhadinho de gente que nos puxa pra baixo.
Cabe a nós tomarmos as rédeas da nossa vida e escolhermos a estrada. E conseguir isto, não é moleza; é batalha, é guerra, é superação. É viver o nosso instante.
Nada vem de graça, e sentir saudade do passado... magoa o nosso presente!



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