16 de junho de 2008

TEMPOS ANTIGOS, TEMPOS MODERNOS



-Tais Luso de Carvalho

Recebi uma mensagem de propagandas antigas - não tão antigas - que me trouxe não saudades, mas lembranças, apenas. Minha mãe e minha avó eram daquelas pessoas que iam enchendo a casa, guardavam tudo, mesmo o que não usavam mais. Haviam coisas realmente dignas de serem guardadas, mas outras... pura velharia!

 Após receber esse pps, por e-mail, me toquei para a Internet atrás de algumas coisas. Aquelas coisinhas do dia-a-dia. Fui atrás de uma máquina de costura portátil que minha mãe ganhara, máquina Elna, uma coisa verde, horrorosa. Essa máquina costurava com o movimento de perna, não do pé, e pesava como um rinoceronte. Era mais moderninha do que as de pedal.
 

Logo lembrei de uma maquineta de moer carne: era presa no balcão da pia, colocava-se a carne por cima, dava-se manivela e a carne saia por baixo. Será que me fiz entender? Oh, Cristo... Mas era medonha, a coisa. 

E da primeira TV? Essa eu lembro bem: seletor de canais rotativo. Vai lá e muda de canal, filhinha... E minha mãe sentada, com os cabelos duros de laquê.  Lembro de suas meias de náilon com costura; de suas anáguas; de suas saias rodadas com cintura marcada, quase esgoelada e se divertindo vendo o Johnny Weissmuller, e o Ronnie Von cantando Meu Bem com aquela franjinha no estilo chapinha.


A tal da cera Parquetina era a amiga de todas as donas de casa. E depois uma enceradeira barulhenta e pesada abria o brilho do assoalho, num vai e vem infernal. 

O cachorro enlouquecia, entrava na esquizofrenia familiar.

Eu nunca li histórias em quadrinhos: eu lia GIBI - sou fiel à minha história. Dormia, também, com o Boa Noite, para espantar os mosquitos. Muitas vezes nossa empregada dava umas bombadas com Flit, era um aparelho de 40 cm que abrigava DDT, para matar mosquitos e outros monstros. A geração de agora não tem idéia daquelas maravilhas...

Secador de cabelos? Oh, oh... parecia um aspirador de pó na cabeça! Tinha uma mangueira comprida e uma touca rosa. Eta coisa bem feia: a gente parecia um astronauta! Depois guardávamos aquele horror numa penteadeira, um móvel inútil, com um enorme espelho a 1 metro da banqueta. Bastava ser míope pra não enxergar nada...

Lembro também do que se chamava radinho de bolso, meu marido diz que era radinho de pilha... Mas o meu era de bolso: aqui no sul era radinho de bolso, vindo do Japão.

Os telefones eram aqueles esquisitos, pretos, da Ericsson. A discagem era na base do dedinho, número por número. Caríssimos, e a Telefônica levava anos para entregar a linha... Muitos investiam neste tipo de negócio. Lembro que os investidores trabalhavam na base do dólar. A linha custava 4 não sei o quê! Nossa moeda mudou tanto que não faço questão de saber... Não me gasto mais com nossos trocos.


É ótimo ver e ler sobre a nossa evolução. Lembro do disco de vinil – dos compactos e bolachões, dos inúmeros modelos das máquinas de escrever, das máquinas fotográficas, dos telefones, dos carros, dos aparelhos de televisão, de vários eletrodomésticos e eletrônicos... Tudo top para a época: precário para hoje. Daqui a alguns anos a frota de hoje será totalmente renovada. E será vista da mesma maneira: será uma doce lembrança, como guardamos carinhosamente o tec-tec  da máquina de escrever.

É, os tempos mudaram, estamos numa época que tudo é digital, mais um pouquinho comandaremos os eletrônicos com o olhar. Sem falar na tecnologia da área de saúde que nos garante, hoje, uma melhor e maior qualidade de vida. É agora, com as novas pesquisas que nossas expectativas vão alavancar, mesmo com alguns querendo que não, e inventando mil justificativas.

Mas só não gostei do final da mensagem - que recebi - ao mostrar uma frase dizendo que antigamente era melhor. Não vejo assim: seria como comparar filhos e não respeitar a característica de cada um. É claro que tudo tem um preço. Mas não cabe comparar, é algo desastroso. 



Atenção:
ESTE TEXTO CONTINUA COM 'FOTOS  ANTIGAS' DE VÁRIAS ÉPOCAS:






3 comentários:

  1. Helena22:41

    Oi, Tais, gostei dessa sua crônica, mas vou lá ver a outra. Curiosidade mata! hehe

    Abraços
    Helena

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