13 de junho de 2008

ÓRFÃ NA JANELA / ADÉLIA PRADO




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Estou com saudades de Deus,

uma saudade tão funda que me seca.

Estou como palha e nada me conforta.

O amor hoje está tão pobre, tem gripe

meu hálito não está para salões.

Fico em casa esperando Deus,

cavacando a unha, fungando meu nariz choroso,

querendo um pôster dele, no meu quarto,

gostando igual antigamente

da palavra crepúsculo.

Que o mundo é desterro eu toda vida soube.

Quando o sol vai-se embora é pra casa de Deus que vai

pra casa onde está meu pai.

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O coração disparado - Adélia Prado /  ed. Record.







Um comentário:

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