9 de outubro de 2011

NO CREPÚSCULO DA VIDA


- Tais Luso de Carvalho

Desde o começo do mundo as mulheres se queixam dos homens e vice-versa. Claro, deve haver muitos motivos, já que somos tão diferentes. As nossas atenções são direcionadas para polos diferentes. Mesmo assim, homens e mulheres sempre se procuram, querem estar juntos porque se completam. Pensei nisso enquanto lia a matéria da duquesa de Alba - 85 anos – e de seu casamento com um homem 25 anos mais jovem – 60 anos. O amor é lindo, faz milagres. Então tá. 

Mas lendo os jornais me pergunto: pra que tanto espanto se todos nós temos o mesmo pensamento quando vemos certas esquisitices? E por que a tal duquesa - dona de um patrimônio de 3,5 bilhões de euros (8,6 bilhões de reais) iria ficar tricotando e regando as flores? O que deveria fazer com esta grana toda? Que sonhe com o amor, se assim achar; se for bom pra ela, deveria ser bom pra nós - que nem conhecemos a pobrezinha. Só dá pra ver que não tem mais tanto tempo pela frente. Mas ela sabe dos seus motivos.

E como uma coisa puxa a outra, pensei em algumas pessoas públicas que têm muita dificuldade em aceitar o passar dos anos. Mas a diferença da duquesa para outras que conhecemos, e que casam com garotões, está no dote da querida octogenária. E com essa grana ela pode optar por qualquer coisa. Claro que muitas de nós, pobres sobreviventes, pensaríamos diferente. Aliás, nem sei o que eu pensaria com este dinheiro na minha conta. Teria medo de enfartar, ter um AVC...

Pois é, muitos sabem envelhecer; outros saem da casinha e não enxergam coisa alguma. Enquanto as mulheres fazem tudo para ficarem jovens para todo o sempre, os homens pensam que serão garanhões eternos. Assim a coisa fica meio difícil de manobrar. Mas diante da fortuna da duquesa, a beleza, a idade e outras diferenças nem contam. Então... Viva a duquesa! Que durma bem e acorde melhor ainda.

Toda essa riqueza mostrada pela mídia e o luxo do castelo não são suficientes para abrandar as ácidas críticas, pela grande diferença de idade. O que sobra para as plebeias? Mas pode ser que com o tempo essas críticas abrandem. E cada um faça o que achar melhor. E se alguém não achar, que importância terá? Coisas assim não impedirão nosso destino: de ir pro brejo, alegres ou tristes.

Pra nós, pobres plebeus, com dinheiro contado, sem títulos de nobreza, sem dote milionário só nos resta levar a vida numa boa e conformados com nosso dinheiro controlado, outro jeito não tem.

Se o nosso amanhecer for lindo e ensolarado, nosso crepúsculo poderá ser agradável, com nebulosidade, mas ainda com um pouco de frescor. Mas, como diz Fernando Pessoa, tudo vale a pena  quando a alma não é pequena!



23 comentários:

  1. Taís,
    essa excelente crônica chama a atenção para um tipo muito curioso de preconceito. Existem os preconceitos clássicos e populares como o racial, o religioso e o social. Mas o que atinge a duquesa e aos muitíssimos bem sucedidos é um dos piores. Ter dinheiro é ter liberdade e poder, certo? Não, errado! Quem tem muito dinheiro e fama vive perseguido por caçadores de escândalos, por sequestradores, oportunistas... É aí que entra a duqueza, o "garotão" sexagenário que se casou com ela "deve ser um safado oportunista de olho na grana da velha". E daí? Compra um garotão quem pode! E a chance de não ser nada disso? Difícil? Não!!!
    Um beijo de todos os seus admiradores do atelier

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  2. Tais,
    Como não gosto de ser julgada, prefiro não julgar. Pelo jeito ele está fazendo o que deve ser feito para fazê-la feliz.Ele é um oportunista? Temos o direito de ser felizes. Eles não estão fazendo mal a ninguém. Um abraço, um ótimo domingo, bjs

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  3. Oi Thais,

    a sua crônica me leva a pensar no seguinte:
    Sem dinheiro, com dinheiro, com dote, sem dote, casando, não casando, o mundo estará sempre de olho nas nossas atitudes e nós nas atitudes alheias.
    Nem que seja apenas para aprendermos com elas!

    Ótima reflexão!

    Abraços

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  4. Ela tem o direito, a vida é sua e sempre vai haver quem queira ajudá-la a ser feliz...beijos,chica

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  5. Boa noite, querida amiga Taís.

    Ela sabe viver sua própria vida.
    E o maridão ainda é um gato...
    "Que seja eterno enquanto dure"

    Imagino a inveja de muitas, que não podem comprar um igual.

    Desejo-lhe uma linda semana de muitas alegrias.

    Beijos.

    (Muito obrigada pelo carinho)

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  6. Tais, como é que você vem falar do crepúsculo da vida no dia de meu aniversário de casamento, que eu espero que seja eterno (e não apenas enquanto dure)?! rsrsrsrs
    Brincadeira, eu adorei o assunto.
    Feliz da duquesa se ela encontrou o verdadeiro amor (como eu, há alguns anos). Se não, ela ainda assim fez sua escolha e provará as consequências do exercício de seu livre arbítrio. Problema dela. Não há como julgar nesses casos, vemos o que está diante dos olhos, e não o que realmente passa dentro do coração.
    Melhor é cuidarmos do nosso amanhecer, e garantirmos que ele seja ensolarado, para, como você bem falou, vivermos um crepúsculo no mínimo agradável, e de preferência muito feliz.

    Beijão!

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  7. Olá Taís,
    O noivo deve só estar de olho na grana de sua "noivinha" mas
    Cada um sabe de sí e afinal o amor é lindo!!
    Tenha uma boa e abençoada semana
    Beijinhos de
    Verena e Bichinhos

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  8. Eu estou tentando me conformar com o fato de que o nosso parâmetro é mesmo o dinheiro , Taís. Sofro demais e me sinto frequentemente derrotado nas minhas angústias, mas não vejo saída. O dinheiro é o norte, guia, altar, pedestal, objetivo maior de todas as relações socias (todas não, a maioria imensa). Ou me conformo com a marginalidade etérea, tentando viver de outros sonhos (desapegados) ou arranjo uma dona bilionária que me queira daqui a uns anos? hahahaha! Abraços, minha querida. Uma ótima semana. Paz e bem.

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  9. PARA SUZY:

    Querida amiga, você não tem 85 anos, não tem 8,6 bilhões de reais, não casou com um marido 25 anos mais jovem... Portanto desejo muitas felicidades a vocês, que façam 85 anos de casamento e me convidem pra festa! Desejo felicidades, de verdade!

    Grande beijo, amiga.

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  10. Tais,
    Bela crônica. Na verdade, o simbolismo do casamento de Duquesa com um "jovem", é história eterna da Cinderela, sempre procurando seu príncipe encantado e o encontrando no fim do túnel. Como você, fico torcendo para que a Duquesa seja feliz com suas escolhas e que nós paremos de nos preocupar com vida alheia e cuidemos da nossa. Abraços e parabéns, JAIR.

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  11. Taís, o grande Nelson Rodrigues dizia que o dinheiro compra até o verdadeiro amor. Quem sabe este não é o caso da duquesa? Muito pertinente sua crônica, viu?

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  12. O importante é ser feliz! Além do mais depois de uma certa idade, principalmente acima dos 80 anos, sem nenhum espelho por perto, tudo fica mais fácil. Desculpe a brincadeira, é que acordei de bom humor hoje, rsrs.

    Ótima semana para você Taís.

    Beijos

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  13. Taís, interesantes reflexiones sobre el amor, los años,las relaciones de pareja las expuestas en tu magnífica crónica.

    Mucho se ha escrito y debatido estos días sobre el casamiento de la duquesa de Alba.

    Diariamente encontramos noticias de casamientos con diferencias de edad superiores a 25 años, pero siempre vemos estas diferencias en hombres con más de 60 años ¡Y hasta con más de 80! (padre de Julio Iglesias el que presumía de paternidad a edad tan avanzada) y en estos casos la sociedad los "admira". Cuando se trata de una mujer, todo son bromas y comentarios. Los motivos de la duquesa creo son debidos a la soledad, este hombre está a su lado y le dedica su tiempo, cosa que sus hijos no hacen.

    Esta claro, de no tener una suculenta cuenta corriente y una posición privilegiada, ni unos ni otras encontrarían a esas personas dispuestas a compartir su vida.

    Abrazos

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  14. Nem sempre as pessoas que entram nesses relacionamentos são incautas. Sabem bem as razões eventualmente motivadoras para o parceiro. Nada disso importa. Não garantimos a eternidade com dinheiro e aqueles que o possuem devem utilizá-lo( entre outras coisas, obviamente) para garantir momentos felizes.

    Bjs.

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  15. Taís, muito boa a sua abordagem sobre o tema. Uma perspectiva mais voltada para o nosso olhar do que para a coisa olhada.

    Parabéns pelo texto.

    Já ficamos fã da tua escritura.

    Abraços sempre afetuosos.

    Fábio e Lu.

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  16. A gente não deve ter nada mesmo, com o "crepúsculo da vida" da vida de ninguém, mas que é esquito, casal assim formado, lá isso é...
    Mas vale à pena, confabular.

    A crônica, tá ótima, Taís.
    Um beijo
    Lúcia

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  17. Boa noite, querida amiga Taís.

    Eu estava refletindo sobre isso.
    Acho que depende muito da prioridade de cada um.

    Essa prioridade é que dá força pra pessoa "pagar o preço" pelo que se quer.

    Feliz feriado.

    Beijos.

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  18. Se o dinheiro pode comprar a felicidade, por que não ser feliz nos últimos anos de vida? Acho que é bem melhor do que deixar para quem vive de olho nele, no dinheiro. Rsrs.

    Gozado que na hora da foto, enquanto a pobrezinha olhava para o padre, o caridoso estava de olho na câmera, na base do: oi eu aqui!

    Bela crônica amiga. Aqui a gente sempre aprende.

    Beijos e boa noite pra ti e para os teus.

    Furtado.

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  19. Pela expressão do garoto na foto, podemos deduzir que ele está fazendo uma caridade à pobre velhinha.

    Muito obrigado pela visita e o amável comentário. Volte sempre, pois será um prazer renovado.

    Beijos e muita paz pra ti e para o amigo Pedro.

    Rosemildo Furtado

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  20. Gente...
    Que casal mais meigo, ela com uma carinha de "me enterra que eu já morri" e ele dizendo com os olhos " a primeira pá é por minha conta!"..rs brincadeiras a parte, dinheiro transforma sapo em príncipe, brega em chique e colega em melhor amigo. Eu, incluida na lista dos pobres plebeus, não tenho muita escolha, ou dou risada de tudo ou eu choro, rindo pelo menos esqueço do desconforto, e lágrimas é bom economizar, afinal, nunca se sabe quando se vai precisar...Morro de meedo de morrer seca! kkkkkkkkk

    Tava numa saudade desse lugar!
    Bju Taís!

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  21. Anônimo16:11

    Taís,passei para lhe dar um abraço.
    Falar de amor parece simples, mas quando vem acompanhado de preconceito e o blá-blá da mídia, fica muito complicado.
    Como disse Ivana,prefiro não julgar e acompanhar os fatos.A vida é "uma caixinha de surpresas".Quando pensamos que já vimos tudo,algo novo acontece.
    Estou sentindo a sua falta...Apareça.
    Emilinha

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  22. Se a duquesa, assim desejou, só nos resta torcer pela sua felicidade.
    Beijos.

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  23. Que o casal seja feliz, e tenha um crepúsculo bem colorido, com todos os seus tons e nuances...
    Bjs.

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