22 de fevereiro de 2012

CRIANÇAS PRECISAM DE LIMITES



- Tais Luso de Carvalho

Dias atrás, estava sintonizada num programa americano chamado Super Nanny - no canal GNT. O programa mostra filhos 'problemas',  e que acabam por infernizar a vida dos pais - tudo muito louco. Este programa mostra o trabalho de uma profissional da educação, que vai à casa de casais desesperados, para lhes ensinar a educar seus filhos – coisa que até então não aconteceu. O drama já começa por aí: pais que não têm noção nenhuma de coisa alguma. É necessário passarem pelo básico: 'O vovô viu a uva...'

Após ver o horror que se passa entre esses pais e filhos, Nanny começa um trabalho para reverter o caso, monitorando as atitudes das famílias por 24 horas, pelo seu computador. Depois disso vem toda uma conversa, mostrando os erros dos pais no quesito disciplina, obediência, etc. Nesse ponto já se começa a ver as aberrações dos pais; das crianças nem falo, tornaram-se incrivelmente rebeldes.

Putz, mas que crianças... O último programa que vi, dava pena: um dos filhos, lá pelos seus 5 anos, conduzia a vida do casal: dava pontapés no pai, tapas no rosto da mãe... Fazia  e acontecia.  

Nessa hora pensei cá com meus botões: 'Ah, como eu gostaria de ser mãe desse garoto...' Parecia que o menino estava pedindo para ser educado: 'me eduquem porque vou ficar insuportável!'

Chegou um momento que começou um jogo com as crianças: conforme o desempenho de boa conduta, iam colocando 'estrelinhas' num quadro, para mais tarde serem premiadas com algo que gostassem. Que coisa; eu nunca tinha visto aquilo! Coisa do tipo: faça o que quero que ganhará um docinho. Nossa Senhora dos Aflitos...

Confesso que esse método não me convenceu. Nós, crianças de gerações passadas, não fomos educados assim, com essa liberdade e insegurança dos pais. De minha parte nunca recebi estrelinhas ou balinhas por me comportar dentro dos padrões exigidos por meus pais: me comportava porque tinha pais que mandavam, havia uma hierarquia familiar: tinha os que mandavam e os que obedeciam; alguém tinha de pilotar aquela navio, transatlântico, seja lá o que for; filhos não podem ser criados soltos. E não fiquei nada infeliz e nem com traumas.

Pais não podem ser omissos e frouxos. A passividade na educação é uma atitude inadmissível. Realmente eu fiquei sem saber se o mais doente ali eram as crianças ou os pais. É triste de se constatar o despreparo dos pais. Cadê o comandante do barco? Sem comandante a coisa anda à deriva, vai se arrastando até afundar. Se educando, a coisa já não fica 100%, imaginem largando, dando aquela liberdade desassistida - que os filhos adoram.

Atualmente o que mais se vê são crianças baterem pé em supermercados, gritarem em lugares públicos, correrem entre as mesas dos restaurantes ou abrindo a goela seja onde for. Falta aí uma atitude, um 'Não' com convicção, soletrado e com firmeza. É de irritar ver uma criança berrar, armar um circo e seus pais ali, uns pamonhas sem nenhuma atitude. Falta o tal  'endurecer com ternura...'

Filhos sentem quando podem dominar o meio de campo. Mas incutir valores afetivos e morais, dar amor, cuidar, estabelecer limites e fazer com que tenham responsabilidades é primordial; ter responsabilidades não é  trabalho escravo.

A criança tem de aprender que ela só se dará bem se respeitar e for respeitada. E esta tarefa, e outros tantos valores são responsabilidades dos pais.
É difícil, mas não tem outro jeito. É o que penso.



18 comentários:

  1. Muitas vezes o principal problema são os pais que se esquecem das suas responsabilidades para com a educação dos filhos, ou não são fortes o suficiente para serem pais.
    Educar engloba carinho, conversas, regras, valores e limites, tudo regado a muito amor e respeito.
    Um grande bj querida amiga.

    ResponderExcluir
  2. Taís,
    Você realmente colocou o dedo na ferida, os pais perderam o comando do navio e nem percebem isso. Também noto no dia-a-dia essas lambanças por aí e lembro que não fui criado assim e nem criei meus filhos sem dizer NÃO como o fazem esses pais. Meus filhos receberam muitos nãos durante o crescimento e nem por isso são menos integrados à sociedade, pelo contrário são úteis, trabalhadores, respeitosos e gostam de mim e de minha mulher. Parabéns pela postagem, JAIR.

    ResponderExcluir
  3. E como PRECISAM!!!

    Depois eles irão agradecer!!! beijos,chica

    ResponderExcluir
  4. Oi Tais..tudo bem?

    Educar da trabalho. E acho que a maioria dos pais de hoje não querem ter tanto trabalho assim.
    Acabam delegando a educação dos filhos a babas, ou então acham que a responsabilidade é da escola.
    Meus pais sempre foram firmes conosco ( 5 irmãs ). E eles eram humildes, sem uma condição financeira boa.
    Mas sempre nos ensinaram o que era certo e errado. Sem a psicologês de hoje.
    E olha..levamos alguns tapinhas educativos.
    E ninguém se desvirtuou por isso.
    Acho que la no fundo os pais de hojem querem suprir a sua ausencia educativa ( nem sei se usei o termo correto), com presentes.
    Talves seja uma forma de não se sentirem culpados.

    Enfim...ensinar amor, respeito, solidariedade não custa tanto assim.
    é o básico!!

    beijo....saudades

    ResponderExcluir
  5. Acredito que os filhos são aquilo que os pais permitem, é claro que a personalidade influencia no comportamento, mas educação vem de berço. Uma lástima o que vemos hoje em dia, pais que se rendem aos caprichos das crianças e criam verdadeiros pestinhas, futuros jovens e adultos inseguros e delinquentes.

    Beijos

    ResponderExcluir
  6. Olá Taís,
    esse assunto é dos mais difíceis. É chato educar, pior não educar! A coisa tem que ser feita logo na saída do jogo. Digo jogo porque como tal não se pode adivinhar o próximo movimento. Os filhos querem liberdade, os pais tem que frear instintos, ensinar regras básicas que contrariam interesses das crianças. A estratégia para vencer esse jogo é de início um consenso de valores entre os pais, uma parceria honesta do casal, dividindo as responsabilidades, dialogando, corrigindo rumos, mostrando energia e amor, equilíbrio e tolerância. Caso seja imprescindível um castigo de vez em quando. Afinal o lar na infância é um ensaio para a vida e lá fora existe a justiça, a polícia e a violência contra quem não respeita as regras de convívio social!
    Um abraço, Loyde, sua fã, manda um beijo!

    ResponderExcluir
  7. Acho que hoje em dia os pais tem pouco tempo para os filhos e para compensar isso, deixam a coisa rolar frouxa. E pior é que se os pais não educam, o mundo educa... Só pais tem tolerância para filhos indisciplinados e mal educados.
    E eu as vezes vejo esse programa da Nany e noto que o problema é só falta de pulso firme, de dizer não na hora certa, e de uns bons tapas na hora que batem e esmurram outros(sentir que dói, faz falta à educação).
    Educação é um conjunto de coisas e quando falta um dos elementos ela fica capenga e as crianças sem limites, o que gera posteriormente adultos frustrados.
    Beijokas doces

    ResponderExcluir
  8. Educar dá trabalho, porque exige planejamento. E com esta mania moderna de irmos emburrando tudo com a barriga, dá no que dá. Aí fica aquele caos nas escolas e a culpa- como muito tem se defendido na imprensa- e do coitado do professor que não consegue dar aulas...

    ResponderExcluir
  9. Olá Taís, muito boa a sua crônica.

    Nas raras vezes em que assisti Supernanny, também me perguntei como deixaram a criança chegar naquele ponto.

    Tenho um filho de 4 anos (faz 5 agora em Março) e costumo dizer para minha esposa que "demos muita sorte", porque ele é uma criança muito comportada.

    Sinceramente eu não sei o quanto disso é fator genético (tem criança que parece que já nasce "encapetada") e o quanto é criação. Eu sou um pai tipo "linha dura", imponho limites e regras, dou broncas e castigos. Nunca bati , isso acredito que já seria ultrapassar a fronteira da disciplina. Minha esposa diz que eu pareço um pouco o pai de "A Àrvore da Vida" (um dos filmes que eu recomendei há uns dias :D).

    Bom, às vezes me pergunto se deveria ser mais "mole". Mas daí, quando ele precisou passar um tempo com a avó (duas semanas, devido a uma cirurgia da minha esposa), percebi que estou no caminho certo. A avó deixa fazer tudo e ele voltou de lá com um comportamento diferente, com birras, manhas e manias que não tinha antes.

    Conclui que realmente a criança testa os pais até ver onde pode chegar. E que estou certo no meu modelo de criação. Dentro das minhas limitações humanas é claro. Nem sempre a gente acerta.


    Abraço.

    ResponderExcluir
  10. É o que penso.Taís....A falta de preparação dos pais, toca os limites....
    Ou muito rígidos (demais).....ou
    uns 'bananas' o que é realmente mau...
    Venha o diabo e escolha.....A educação tem de começar nos pais....
    Beijo

    ResponderExcluir
  11. Tais,

    Assunto oportuno, hein? Concordo com vc. Educar já não é fácil se a gente põe limites, regras e os devidos nãos, imagine se deixar na base do seja-o-que-Deus-quiser. Detalhe: esse negócio de premiar o certo é um perigo. Veja: a gente deve fazer o certo porque o certo é certo, certo? Ou só vamos fazer o certo porque ganhamos um presente? E no futuro, quando o mundo não premiar a nossa atitude certa? Deixaremos de praticá-la?

    Assunto polêmico. Para você que é uma iniciada na literatura cruzeana, deve ter lido a crônica "Se Fosse Comigo...", no meu livro.

    Ah, que difícil!!

    1 bjo pra vc

    ResponderExcluir
  12. Oi, CESAR! Excelente sua crônica, aliás todas as crônicas do livro. Estou no 'grand finale'!!

    Meu papo não foi linha mole. Mas muito amor e camaradagem. Meus filhos, hoje adultos, são educados e nada traumatizados e detestam crianças sem limites. Devem ter puxado aos pais... São da mesma linha de pensamento: criança não se surra, se educa!

    E lemos, eu e Pedro, muitos livros, vários do André Berge, J.M. De Buck e outros, além de termos uma psicologia natural para lidar com certos 'quesitos'.

    Certo dia, veio à nossa casa uma amiga com seu 'filhinho'. Aquela gracinha de criatura, quando subiu no meu sofá (de sapato) pra ficar pulando, peguei a criatura no ar, na frente da pamonha da sua mãe que tinha uma outra 'visão educacional': dar mais liberdade para evitar traumas, assim a criança seria mais feliz.

    E ali começou uma discussão que resultou em afastamento. Coisa bem boa...

    beijo.

    ResponderExcluir
  13. Olá!
    O grande problema é a falta de coragem pra dizer não que os pais de hoje tem em relação a seus filhos. Ressuscitando o caso Eloá, de Santo André, os pais não terem dito não a menina de doze anos que queria namorar um cara de dezenove (a tragédia começou três anos antes do desenlace), os pais da amiga que não disseram não quando a polícia quis que ela voltasse pro local do crime e por aí vai. Fora o comportamento inaceitável de pais e filhos conforme estamos vendo por aí. Fizemos a nossa parte, os três rapazes lá em casa são bem centrados e parecem ter assimilado e compreendido o sentido do não.
    Grande abraço,
    Adh2bs

    ResponderExcluir
  14. Prezado(a)amigo(a), bom dia!

    Visite o http://poetasdemarte.blogspot.com e leia a entrevista com Jair Lopes, do blog Hai Kai Dentro.

    Obrigado desde já!

    Muita paz!

    ResponderExcluir
  15. Concor contigo Taís! Esse programa não resolve nda, os pais precisam impor limites e corrigir quando necessário. Gr. Bj.
    http://aparteeotododemim.blogspot.com/2012/01/me-legado.html

    ResponderExcluir
  16. Tais,
    Seu texto é de uma lucidez extrema que confesso ter pouco a acrescentar num assunto que muito me interessa: você disse tudo!

    A frase 'a passividade na educação é uma atitude inadmissível' resume perfeitamente os meus pensamentos. Filhos criados sem limites serão problema na sociedade. E a culpa é, sim, na grande maioria das vezes, dos pais que não souberam dizer NÃO na hora exata. Ou então dos pais que pensaram que brinquedos caros e ultra modernos compensariam sua ausência na vida dos filhos em crescimento. Educar não é função da escola, nem da babá. É do pai e da mãe, não importa o quanto trabalhem fora, o quanto estejam sobrecarregados. Deveriam saber disso quando trouxeram aquela vida especial a esta terra!

    Não esperamos ver criancinhas em formação militar, batendo continência e dizendo 'sim, senhor, não senhor' o dia inteiro, mas fazer birra, chutar pai e mãe, berrar e esmurrar em supermercado não dá né! Você está certíssima, crianças precisam de limite. E a coisa começa bem cedo em casa, nos primeiros anos de vida.

    Sábia Tais, um lindo fim de semana pra você!

    ResponderExcluir
  17. Taís,
    Fui professora de Educação Infantil por 28 anos, pedi aposentadoria porque não estava suportando mais a educação das crianças nos dias de hoje, a chamada educação permissiva, apesar do grande número de estudos que constatam que criança tem que aprender a ter limites, os pais hoje parecem ignorar. Não existe receita para educar, mas existe bom senso, trabalhei muito, por 10 anos trabalhei os três horários, minha filha tinha sete anos, evidente que ao meu ver, com meu nível de exigência ainda vejo falhas na sua educação, mas nada que venha a preocupar-me. Coloquei limites e responsabilidades, nada de presentinhos quando ela tirava notas boas, sempre falei que era uma obrigação dela, pois seria minha única herança que nunca acabaria. Ela faz faculdade de Biologia marinha, tem 21 anos e logo estará fazendo mestrado em genética. Não me arrependo de nada que fiz.
    Parabéns pelo texto, aproveito para pedir mais uma vez permissão para postar no meu blog.
    Abraço.
    Magnólia

    ResponderExcluir
  18. Anônimo23:28

    Hello! Do you use Twitter? I'd like to follow you if that would be ok.
    I'm definitely enjoying your blog and look forward to new posts.


    My site; Where To Buy Pure Green Coffee Bean Extract

    ResponderExcluir

SUA ATENÇÃO...

1 - Agradeço os comentários dos queridos leitores e amigos, sempre Bem-vindos!

2- Comentários ANÔNIMOS não são postados. Assine.

Um abraço a todos!
Taís Luso