22 de outubro de 2007

ESPORTES RADICAIS



- Taís Luso de Carvalho



Leia esta crônica republicadaclique aqui.

Existem certas coisas que não consigo entender. A obsessão por adrenalina que muitos buscam está acima de minha compreensão. Quando existem muitas instruções para segurança é porque as possibilidades de darmos com os burros n’água são grandes. O medo nos impõe limites. Será que desafiar o medo é ser valente? Será necessária essa superação num esporte radical onde os riscos são enormes?

Em minha última viagem de avião - que não foi por esporte -, ao ver a instrutora colocar a máscara de oxigênio, falar como se destranca o cinto, apontar para a porta de emergência, pensei o que estava fazendo ali. Pensei em sair correndo, sumir daquele avião.
Todos conhecem o esporte radical - o Bungee Jump - no qual o camarada é preso pelos pés, por uma corda elástica, e se atira de ponta cabeça, de uma altura descomunal. Emociones! Penso haver um inconformismo, na nossa espécie, pela ausência de asas. Todos gostariam de voar.

O que pode acontecer neste ioiô ninguém sabe. Enfartar? Ter um AVC? Acabar com a coluna? E hoje lembro daquela maldita montanha russa que fiz a bobagem de entrar... Que coisa mais horrível, nunca havia pensada em suicídio. Mas não tinha mais volta.
Isso, que chamam de Esporte Radical, começou a ser difundido em 1954 quando dois jornalistas da revista Nacional Geographic foram à ilha de Pentecost, no pacífico sul, e relataram este esquisito costume dos nativos que, após construírem altíssimas torres, amarravam-se com videiras e saltavam. Depois o negócio veio se aperfeiçoando. As loucuras também se aperfeiçoam.

Ontem tive a minha dose de adrenalina, mas não precisei ir muito longe: tentei entrar na porta giratória do Banco por três vezes e não consegui. Se o vigia tivesse olhado pra mim, com mais atenção, certamente viria que não tenho perfil de assaltante. Fiquei indignada: tirei o celular da bolsa, as chaves, e nada. Achei que o problema estava nos meus brincos: tirei os brincos! Brincos, relógio, óculos... E nada! Não conseguia entrar no Banco. Fiquei entalada no pequeno espaço da porta giratória. E só mandavam eu recuar. E o Banco lotado de gente impaciente. Consegui descobrir a razão: os metais decorativos da bolsa! Daí consegui entrar, tive o meu vôo livre.

E lá dentro, sentada, esperando ser atendida pela gerente da minha conta, descobri novas emoções: ir ao Banco, fazer transferência, pagar conta, ver saldo, retirar dinheiro das caixas eletrônicas e sair viva - olhando para todos os lados - tornou-se um desafio para quem quer adrenalina pura.

Portanto, para os que não querem gastar muito, o melhor, o mais divertido, o mais gostoso, o mais estimulante é fazer um tour pelos Bancos do nosso país. Larguem estes brinquedinhos de criança, o Bungee Jump, o pára-quedas, a canoagem, o alpinismo... E divirtam-se sem gastar nada sentindo a maior adrenalina do mundo.
Saí feliz, pois descobri que coragem se encontra é na força do espírito. Foi demais!! Cheguei em casa tomei um Valium 10mg e me apaguei.

Crônica republicada, clique aqui.





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Taís Luso