28 de dezembro de 2011

OS HOMENS E SEUS CÃES


-Tais Luso de Carvalho
Como em todas as ruas das cidades, existem os moradores de rua que catam lixo reciclável puxando suas carrocinhas por vários quilômetros. Ao lado, ou dentro das carrocinhas, quase sempre há um cão. E com eles, estes moradores dividem comida, água, espaço e cumplicidade.

A cena se repete, sem alterações e sem esperanças de um dia diferente. Mas o morador de rua é assim, mantém o elo com a última esperança de vida, compartilha seu sofrimento, suas amarguras com seu animal. O único que está junto; o único ainda amigo. O único que o segue. Muitos destes moradores só dormirão em abrigos quando seus companheiros tiverem também um canil para dormirem. Estas foram as palavras de muitos dos entrevistados das ruas da minha cidade. E essa amizade, essa fidelidade entre um mendigo ou catador de lixo e seu animal não deixa de ser comovente.

A fidelidade e amizade dos animais tem um nome:  amor incondicional. Amam sem esperar nada em troca. Muitas vezes maltratados, retornam humildes como se quisessem nos acarinhar, pedir perdão. Por isso tudo é que perdemos em amor para os animais; temos ódio, somos ingratos, mesquinhos, aproveitadores, egoístas, trambiqueiros... Será que encontramos isso nos animais? 

Tenho visto que ao chegar a época de férias vários animais são abandonados nos parques e nas ruas por gente com um bom status social e financeiro; por pessoas que se dizem responsáveis e politicamente corretas. Então fico pensando nos sentimentos destas pessoas portadoras de um coração em ruínas. Fico pensando na podridão de seus atos.  Estas pessoas jamais serão  amigos confiáveis.  Eu não os teria como meus amigos.

Para certas pessoas é difícil de perceber que o cão oferece um consolo afetivo incalculável, justamente por terem levado muito tempo num processo de domesticação alcançando uma história de companheirismo e amor por milhares de anos. 

Há milênios, a relação era de caráter utilitário, pois o cão ajudava na caça e na proteção em troca de comida. Num processo de seleção, o homem foi criando cães apropriados às suas necessidades. E assim, através de cruzamentos entre várias raças, foram aparecendo os cães para caça, cães para companhia, cães de guarda e cães para resgate. 

A convivência com os cães gera benefícios comprovados à saúde e à mente. As crianças que crescem, que interagem com animais desenvolvem maior coordenação motora e domínio emocional; os idosos ficam menos deprimidos e se sentem menos isolados; os hipertensos são aliviados com menos crises de stress.

Vemos frequentemente a história de cães que salvaram seus donos e que lhes são fiéis até a morte, muitos ficando nos cemitérios, numa tristeza comovente.

Os cães, ao longo do tempo, tornaram-se símbolo de heroísmo e afetividade. Não há dúvidas que o cachorro é um resultado da manipulação do ser humano, e como tal, certos cruzamentos trouxeram, também, raças  agressivas. Mas tudo é uma questão de adestramento. Basta ao homem saber concertar algumas falhas causadas por ele mesmo.

O que não dá para admitir são pessoas que maltratam, que colocam seus problemas, suas  frustrações e suas loucuras em cima dos animais que nascem para serem amados, que nos ajudam, que nos consolam, que nos amam e sobretudo que dependem de nós para sobreviverem. Eles já estão domesticados. No entanto,  muitas atitudes nossas  são covardes,  sórdidas e vergonhosas.

Quando essas pessoas se conscientizarem de que os animais não são brinquedos e nem produtos descartáveis, pode ser que as coisas mudem; que o ser humano mereça ser um pouco mais respeitado.



21 comentários:

  1. Olá Tais,
    Sem dúvida, os animais são infinitamente melhores que nós. Um abraço, um feliz 2012, muita paz, saúde e realizações. Um forte abraço!

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  2. Querida, linda e verdadeira esta tua crônica.Encontro diariamente nas praças moradores de rua com seus cães.O extraordinário é que os cães são bem alimentados e possuem ótima aparência.Isto faz parte do amor incondicional de ambas as partes.Que isto sirva de exemplo.
    Deixo aqui, para você linda amiga, o meu carinho e o meu desejo de um Feliz Ano Novo e que a viagem que inicia neste novo ano seja de paz, amor, alegria e momentos inesquecíveis.Seja feliz.Bjs Eloah

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  3. Putz! Enterrei a minha Olguinha ontem.
    abraços

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  4. Olá, minha bichinha, é uma cadelinha que eu amo, e sei que ela me ama, chego a deixar de sair de casa para não deixá-la sozinha. Gostei da crônica, é verdade, sim, os cães são mais fiéis que os homens, estão junto* e não nos deixam ...
    Muitos são abandonados, e isso é deprimente: abandonar um cãozinho ou maltratá-lo é um ato de maldade muito grande.
    Um forte abraço e te desejo um bom Ano Novo*, cheio de Alegrias, Paz e Saúde.
    Até 2012!

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  5. FIDELIDADE CANINA
    É sobre essa virtude canina elevada ao mais alto grau que trata este texto, baseado em notícias de jornais do Oregon da época. Em agosto de 1923, o collie Bobbie perdeu-se de seus donos enquanto estes viajavam por Indiana, EUA. O cão e a família Smith viviam no Oregon, estado situado a distância de 3700 quilômetros. Em fevereiro de 1924, ou seja, quase cinco meses depois, Bobbie pulou na cama onde seu dono dormia e lambeu-lhe alegremente o rosto. Ele estava esquelético, com as patas tão machucadas que era possível ver os ossos através das almofadas, mas sobrevivera. A Sociedade Humanitária do Oregon acabou rastreando, através de testemunhas, a rota percorrida pelo bicho, e descobriu que ele havia viajado quase cinco mil quilômetros para chegar em casa. O cachorro havia cruzado as Montanhas Rochosas, atravessado o rio Missouri e até mesmo dividido um cozido com legumes com um bando de mendigos, na sua saga. Deduziu-se que Bobbie caçava e comia coelhos, - hábito que ele adquiriu quando vivia com seus donos - e conseguiu evitar a morte certa por ter fugido da carrocinha em pelo menos duas cidades. O mais espantoso, é que no decorrer de sua jornada, não seguiu exatamente a rota que seus donos haviam feito, mas, ao invés disso, atravessou territórios que nunca vira antes, e dos quais não possuía conhecimento algum. Acabou sendo homenageado com uma coleira de ouro simbólica pela sua façanha, e nunca mais se separou de sua família.

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  6. Oi querida, vim te desejar Feliz Ano Novo e um 2012 repleto de alegrias, com muita paz, saúde e grandes conquistas. Beijo grande, obrigada pela companhia tão especial em 2011!

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  7. É revoltante ver os maus tratos aos animais! Linda crônica!


    Desejo que 2012 te sorria e tudo de bom!beijos,chica

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  8. Desejando um 2012 cheio de saúde Paz e Amor...Ano que se prevê difícil. Voltarei para ler uma crónica que promete....
    Boas Festas
    Beijo

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  9. Oi Tais,

    Muito pertinente sua crônica neste momento em que a prefeitura de Porto Alegre se manifesta também em relação a esse assunto, pretendendo dar o exemplo para as cidades vizinhas. Realmente impressiona o número de cães atropelados nas rodovias, abandonados certamente por seus donos, que não foram até lá a pé... Ou seja, muita gente instruída e favorecida financeiramente não hesita em se livrar de seu 'amigo' quando ele não lhe serve mais. Agem assim também em seus círculos sociais, sem qualquer dúvida, descartam quando já não lhes convém. Fujo desses 'amigos'!

    Mas enquanto alguns ferem e abandonam, outros cuidam, adotam e aliviam os sofrimentos. Tenho várias amigas assim, valentes em sua causa de defender e proteger os animais. Importante somarmos nossas vozes as delas, acreditando que isso talvez sensibilize e modifique a atitude de alguém... Boa sorte pra nós e nossos melhores amigos!

    Um beijão, minha querida.

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  10. Os animais são os nossos melhores amigos e companheiros.
    Taís, "desejamos" a você um
    Feliz Ano Novo, repleto de realizações.
    Com todo carinho dos
    Bichinhos Amados e Verena

    "Que as realizações alcançadas este ano, sejam apenas sementes plantadas, que serão colhidas com maior sucesso no ano vindouro"

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  11. Mais um ano juntos, espero que ano que vem nos encontraremos novamente, bjus tere. um lindo e feliz ano novo.

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  12. OUTRO TEXTO:
    O lugar comum, “o cão é o melhor amigo do homem” ou a expressão, “fidelidade canina” não são suficientes para retratar o comportamento dos companheiros de quatro patas com relação aos humanos. Conta a mitologia que Ulisses, ao retornar de Tróia para onde fora guerrear e de onde retornara após vinte anos, encontrou seu cão, esperando-o. Ao chegar em casa disfarçado, velho, alquebrado, ninguém o reconheceu, nem sua esposa Penélope, nem os criados, somente seu velho e fiel Argos que, a vê-lo, tentou se levantar de onde se encontrava, mas só conseguiu abanar o rabo num aceno de boas vindas. Diga-se, Argos encontrava-se abandonado, doente e cheio de carrapatos, mas isso não o impediu render homenagem a seu dono mostrando-se feliz com seu retorno. Ulisses não resistiu: virou a cabeça de lado e chorou. Nem Poseidon, nem os troianos, nem os ciclopes gigantes, nem as bruxas dos mares bravios arrancaram lágrimas do herói. Argos, sim.

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  13. Acredito que nossa vida diária, além de constituir-se daquilo que aprendemos, daquilo que construímos e das escolhas que fazemos, é marcada por aqueles animais que nos acompanharam, em algum momento, nas boas e más horas. Cães, como animais de companhia ou de guarda, partilham a vida de muitas pessoas desde sempre, parece que o homem domesticou o lobo asiático, e o converteu nas centenas de variedades que o acompanham no processo civilizatório, para fazer do cão mais do que um bicho de estimação. Lembremos que, além de guarda e de companhia, o cachorro serviu e ainda serve para alguns povos como fonte de proteínas (Chineses versus Shar-pei) e, em alguns casos, para aquecer as pessoas durante o inverno. Praticamente todos nós somos marcados por episódios, eventos, períodos ou simples acasos que relacionaram nosso cotidiano com esses animais tão amigos e tão fiéis.
    Como não sou diferente de ninguém tenho, desde muito pequeno, passagens em que os cães partilharam dos meus dias. Lembro que desde que nasci, ou melhor, logo depois que vim ao mundo, meu pai adquiriu um filhote de cão SRD (sem raça definida, eufemismo para vira-latas), pequeno, bem peludo, de coloração castanha que se assemelhava com um Spaniel. Zuque era o nome do bichinho, ficou velho em nossa casa e, como eu havia me criado sempre com ele, me parecia que o Zuque fazia parte do mobiliário; que era um membro da família que sempre estivera ali. O dia que morreu num triste acidente doméstico, me fez entender que cães não vivem para sempre, são seres inexplicavelmente mortais. Ele e eu tínhamos por volta de dez anos e o meu companheiro de todas as horas, Zuque, foi enterrado no quintal. Não muito tempo depois veio o Urso, outro vira-latas, só que com ares de Basset, tinha as pernas curtas. Urso era um cão malandro, gostava de rua, gostava passear pelo bairro e por lugares mais distantes, parece que fazia amizade com outros cães e ia visitá-los vez ou outra. Pobre Urso, costumava sair com meu pai para pescarias e caçadas que duravam o fim de semana, as vezes até três ou quatro dias, numa dessas excursões jamais voltou, nunca ficamos sabendo o que lhe aconteceu, mas pode ter se perdido ou ter sido mordido por cobra e morrido. Foi-se para sempre um cachorro esperto e muito querido.

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  14. Já publiquei vários textos sobre cães, desde considerações sobre os formidáveis vira-latas até algumas curiosidades a respeito dos cães selvagens brasileiros, passando por características de raças variadas e histórias de fidelidade canina. Gosto de cães e, independente de considerá-los, como reza o adágio, “os melhores amigos do homem”, tenho por eles uma admiração muito especial por causa de sua fidelidade. Quem assistiu ao filme “Sempre ao Seu Lado” (2009) com Richard Gere, percebeu a que grau de fidelidade ao dono pode chegar um cachorro, mesmo porque o filme foi baseado na história real de um professor japonês.
    Pois bem, sempre chamou-me a atenção a irresistível atração entre populações pobres e os cães. Onde existe gente pobre existe cachorros em quantidades significativas. Mendigos atraem cães e são atraídos por eles também. Morei aqui em Floripa num condomínio recém formado em um bairro de classe média baixa. Ao me mudar não havia muitos moradores no condomínio, de modo que havia bem poucos cachorros ainda. Fiquei observando como evoluiria a população canina então. Não foi preciso esperar muito, a comunidade tinha duzentas casas e quando umas cento e cinquenta estavam ocupadas já havia uma quantidade de cães que empatava com o número de ocupações. E daí para frente o número de cachorros só fez aumentar. Não sei como está hoje, porque de lá me mudei, mas garanto que quando saí havia mais cães que famílias.
    Para contrariar minha assertiva que cães e pobres se atraem como pólos opostos de imãs, conto que quando estive em Cuba há cinco anos, esperava encontrar muitos cachorros nos bairros pobres de Havana, enganei-me. Apesar da extensa e visível pobreza das classes operárias de Cuba, pude observar que os canídeos eram quase inexistentes pelas ruas e casas. Sempre que visito outros países costumo escrever minhas impressões primeiras sobre o que vejo de peculiar, exótico, curioso ou mesmo comum na sociedade. Em virtude, produzi um texto meio jocoso: “Donde están los perros?” quando voltei daquela Ilha Caribenha. Confesso que não me atrevi a publicá-lo por que poderia parecer meio preconceituoso com as pessoas de lá, mas, principalmente, preconceituoso com os cachorros. Não tenho dúvidas que não sou habilitado a falar sobre o regime político da Ilha. E mais ainda, é impossível escrever qualquer coisa sobre Cuba sem acrescentar uma opinião política a tudo que disser, e política não é minha praia.

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  15. É, Jair, o assunto sobre cachorros não se esgota, pensei também em contar a história do Argos, mas achei que ficaria um texto muito extenso. E que bom que você contou.
    Agradeço sua narrativa; muito rica. Todos nós temos histórias fantásticas com nossos amigos. E todas muito comoventes. E como sofremos!
    Abraços
    Tais

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  16. Acredito, ainda, na força do perdão ,da gratidão e do amor.
    Tambem sei que somos todos irmãos.
    Uma parte de min aínda teima em agir de modo diferente de tudo aquilo que acredito
    Mas eu não desisto, prosseguirei ...
    Ano novo ,novos votos e metas
    Abraço !


    Força !!!! só mais um pouquinho... não para.... vamos conseguir...

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  17. "O cachorro é o melhor amigo do homem. Pois não pede dinheiro emprestado."
    Brincadeiras a parte, ter um cão; cãozinho ou outro bichinho de estimação qualquer é muito prazeroso.

    Muito legal o texto.
    Aproveito para desejar feliz ano vindouro!

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  18. Oi Taís,

    Não abandonei seu blog. Tenho lido todos os posts e como sempre tenho adorado.

    Estou Passando para lhe deseja um feliz ano novo! Tudo de bom para você sua família.

    Um beijo do Amigo Ed.

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  19. Boa noite, querida amiga Taís.

    FELIZ 2012!!

    Beijos no coração.

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  20. Amei suas cronicas...E amei esta em Especial! Nao sei como vou suportar quando meu Galinho Sapatinho, e minha cadelinha labradora Flicka, se forem...e UM AMOR INCONDICIONAL... ♥ Concorda?

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  21. Sou eterna apaixonada por cães e animais em geral, mas sabemos que a maioria dos abandonados ainda são os cães.
    Tomei a liberdade de quando procurava fotos para postar no face, encontrar uma crônica sua e a postei juntamente com a foto.
    De alguma forma, precisamos ajudar essas criaturinhas indefesas.
    Continuo fazendo minha parte.
    Se quiser dar uma olhada no meu face > Vera Moura <
    Felicidades

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Taís Luso