22 de janeiro de 2014

BEIJOS MORTOS / Martins Fontes

     



BEIJOS MORTOS

Amemos a mulher que não ilude,
e que, ao saber que a temos enganado,
perdoa por amor e por virtude,
pelo respeito ao menos do passado.

Muitas vezes, na minha juventude,
evocando o romance de um noivado,
sinto que amei outrora quanto pude,
porém mais deveria ter amado.

Choro. O remorso os nervos me sacode.
E, ao relembrar o mal que então fazia,
meu desespero inconsolado explode.

E a causa desta horrível agonia,
é ter amado, quando amar se pode,
sem ter amado quanto amar devia.

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Martins Fontes (1884 / 1937 - Santos)
Livro dos sonetos: 1500-1900; organização de Sérgio Faraco.
Porto Alegre L&PM 2010


18 comentários:

  1. Lindo poema, amiga Taís. Um abraço. Tenhas uma boa noite.

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    1. Olá, Dilmar, muito obrigada pela presença!
      Abraços.

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  2. Excelente pensar no ato de amar!
    Abraço.

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    1. Oi, Célia, gosto imensamente desse poema.
      Obrigada, abraços!

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  3. Que lindo! Não se economiza amor, mas o sentimento, quando olhamos para trás, nos parece poder ter sido ainda maior. Bjs.

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    1. É verdade, economia de sentimentos...
      Obrigada, Marilene,
      Um beijo!

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  4. OLÁ Tais
    Passando para conhecer um pouco do seu e tbm de vc. Adorei a poesia, Se perdoarmos por amor tudo vale a pena. Lindo demais. Gosto de fazer amigos na blogosfera. Parabéns. Aguardo sua visita. Quando vc puder fique bem a vontade. Um feliz fim de semana.
    Ana

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    1. Olá, Ana, concordo, só o amor perdoa...
      Irei sim, conhecer seu blog.
      Muito obrigada por sua presença e bem-vinda ao blog!
      Beijos.

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  5. Olá Tais,

    Lindo demais! Tocante!
    À vezes se ama tanto a tanta gente e dá-se menos amor a quem mais devia e merecia. E, com certeza, é uma lembrança doída.


    Ótimo final de semana.

    Beijo.

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    1. De acordo!!
      Um beijo, Verinha, obrigada.
      Um ótimo fim de semana.

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  6. O ruim é isso, passar pela vida é sentir que faltou alguma coisa de um tempo sem volta. Deixar alguma pendência, ter apenas existido.

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    1. Essas pendências... pura verdade, Fábio! Pior quando chegamos na reta final (rsss), e caímos na real do que não fizemos! Ou erramos o caminho.
      Beijos.

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  7. Olá Taís,
    esse arrependimento do não feito é um remorso no vazio, na inexistência!
    Viver é bom. Errar não é bom, mas, só existe existência nas tentativas. Certo ou errado? Sei lá, viver é preciso...
    Um grande abraço. Loyde manda um beijo.

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    1. Sim, Antonio, viver é preciso, remar é preciso.
      Lembrei da sua última amostra do Estaleiro, do qual acabo de ir.
      Abraços a vocês, um beijo especial na Loyde.

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  8. It is a very beautiful poem.
    I wish you a nice weekend.
    Greetings.

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    1. Beijos, querida Pantherka!
      Obrigada, bom fim de semana.

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  9. Boa tarde, Taís. Belíssimo!
    O arrependimento sempre vem depois quando a mente é consciente, mas na maioria das vezes, já não podemos mais transformar uma situação geradora de tal fato.
    Tenha um domingo de paz.
    Beijos na alma!

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    1. Oi, Patrícia, infelizmente é isso mesmo. Adoro esse poema, tão verdadeiro!
      Uma ótima semana pra você.
      Beijinho!

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Taís Luso