23 de abril de 2026

AS PESSOAS ESTÃO MAIS SOLITÁRIAS - Tais Luso de Carvalho

 

Abaporu 1928 - Tarsila do Amaral


AS PESSOAS ESTÃO MAIS SOLITÁRIAS



As minhas noites de insônia, não me afligem mais, aproveito para minhas reflexões, há males que vem para o bem.

Tenho pensado, como nós, os humanos, tão heróis  e também tão fracos, estamos ficando meio solitários. A  solidão está batendo à nossa porta de várias formas.

Em parte, devemos isso a um aparelho maravilhoso, mas viciante, se chama Smartphone, combinação de um dispositivo móvel com recursos de computador. Ótimo, sem dúvida, mas os humanos deixaram-se viciar.

Existem milhões de pessoas com coluna cervical comprometida, por ficarem com a cabeça muito tempo baixa, olhando ao celular. Isso  em restaurantes, dentro dos carros, em visitas, nas salas de espera de clínicas, hospitais etc. Tudo em busca das novidades, das novas entradas no aparelho. É muita dependência. Também vieram muitos serviços online, e o pessoal vibrando:

         - Beleza, não preciso sair de casa!

Muitos acessos digitais a documentos, impostos e registros. Isso é bom? Sim, maravilha, não precisamos perder tanto tempo. A vida está bem mais fácil, mas o exagero tem um preço.

Advogados e médicos já atendem muitas consultas online! Até consultas com psiquiatras e psicólogos estão disponíveis. Tudo bem, quem gosta, siga! Mas, conversas e consultas presenciais são essenciais para as conexões humanas, pois a confiança não se impõe, ela se constrói principalmente em consultas com médicos e advogados.

Há dias uma amiga me falou: eu compro tudo pela Internet, muito mais prático, não preciso sair de casa! Pois eu gosto muito de frequentar supermercados, as lojas do meu bairro e shoppings! É um passeio gostoso ver gente nas ruas, falar com as pessoas, ver a vida acontecendo!

É uma pena que as pessoas estejam mais retraídas, perderam a alegria das escolhas, a alegria de interagir.

Há pouco tempo, as pessoas tinham sensações diferentes dos tempos atuais, retornavam de seus passeios e de suas compras com paz e alegria, com suas almas em festa e com seu espírito agradecido.








3 comentários:

  1. Oi, tais! Tudo bem? A praticidade emerge como o tributo inexorável que impomos a nós mesmos em troca da ilusão de facilidade universal, onde os véus do esforço se dissipam ante o anseio por acessos inauditos aos confins do conhecimento e da existência. Não pretendo encarnar o arauto do desânimo nestes domínios, embora o faça com inteira consciência, pois tal essência pessimista pulsa em mim naturalmente, e não me envergonho de proclamá-la abertamente, recusando vender a mercadoria de uma alma que não me pertence. Dizem que a fé remove montanhas, então que tenhamos mais fé pra suportar e atravessar aquilo que nos aflige. Como de costume arrasando nas suas crônicas tão bem escritas. Um fraterno abraço Taís.

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  2. Fantástica crónica. Infelizmente essa é uma triste realidade, as pessoas cada vez se isolam mais "presas" aos telemóveis e computadores. O contato humano vai ficando mais frio e distante.
    Beijos

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  3. É isso aí, Taís, crônica para não ser esquecida, pois me pergunto em que lugar ficou a profundidade se a trocamos pela conveniência? E, como diria Paulino da Viola “eu aceito o argumento”, para lhe dar razão, pois você sabiamente transformou sua insônia em espaço de observação do que acontece em torno de cada um de nós.
    “Coluna cervical comprometida” é perfeito para traduzir no que nos tornamos. Que falta faz um bom dia do vizinho, o cheirinho das frutas, às terças à feirinha é quase dentro do meu apartamento de tão perto que ela acontece; e não conta o tempo vivido quando conversamos na sala de espera ou quando escolhemos um objeto na prateleira? Vamos pensar nisso, galera, risos.
    Valeu, Taís, é preciso esquecer o smartphone e saibamos aproveitar os intervalos do aparelhinho... Abaixo as notificações!
    Um beijo, amiga!

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Muito obrigada pelo seu comentário, é muito valioso para mim.
Meu abraço, saúde e paz a todos!
Taís