18 de maio de 2026

DOCES LEMBRANÇAS DA INFÂNCIA - Taís Luso de Carvalho

 



DOCES LEMBRANÇAS DA INFÂNCIA



      Penso que as lembranças que permanecem em nós, as que mais ficam em nossa mente, são as lembranças da infância, justamente um período que tínhamos muito amor e muitos cuidados dos nossos pais. Depois veio a adolescência, idade das nossas afirmações, a fim de construir a autoconfiança, e também o tempo dos lindos sonhos.

Eu tinha 9 anos, morávamos numa casa com cachorros, passarinhos e papagaio, o Dom Rafael - coisa do meu pai. Ele adorava papagaio. Lembro de uma vez que o papagaio me deu um susto quando entrei na área de serviço. Dom Rafael gritou alguma coisa, não lembro bem. Mas lembro do que eu disse a ele, naquela hora. Outra vez que passei por ele me disse o mesmo palavrão que eu havia dito na primeira ocasião!! Ensinei Don Rafael a ter boca suja! Culpa minha.

Nesses meus 9 anos, meu pai quis comprar um piano, queria que sua filha tocasse piano para ele, quando ficasse “velhinho”. Porém, pensar na palavra "velhinho" me angustiava. Eu tinha medo de perder meus pais. Hoje já não pensaria assim, vivemos muito mais e bem felizes.

Chegou o tal piano, lindo piano alemão. A professora morava na nossa rua, mas eu queria brincar, andar de bicicleta etc. Não havia celular, havia infância. Tinha de estudar piano todos os dias, após o colégio. Porém, sentava ao piano e inventava minhas composições. Isso eu gostava! Resolvi compor, era mais fácil e dava um certo prazer. Lógico que meus pais não sabiam, estudava um pouquinho o tema da professora. Ainda não queria dizer ao meu pai que eu queria desistir, e fui aguentando. Afinal, ele não me deu uma boneca, me deu um piano, esperando que eu gostasse.

Certo dia fomos a uma festa no salão de nossa paróquia, ótimo jantar, salão cheio. Não levou muito tempo para o padre chamar, ao palco, a menina que tocava piano! Putz… Minha mãe já me empurrava. Não tinha outra coisa a fazer. Fui, mas louca de medo. Mas, com segurança, toquei uma de minhas composições e no final aplaudida! Jamais esqueci daquilo, daquela tapeação enorme que fiz.

Com o passar do tempo senti uma carga enorme sobre meus ombros, não queria mais piano, meu pai não poderia envelhecer na minha cabeça. E troquei por um violão - estava muito na moda. Depois de pouco tempo, comecei a cantar! Que coisa horrorosa, terrível!! Deixei tudo, dei tchau à minha carreira musical.

E consegui esquecer o envelhecimento de meu querido pai. Hoje, não se pensa mais naquilo que eu pensava… A velhice pode ser longa e muito feliz! Sem medos.







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Taís