10 de julho de 2006

MANUEL BANDEIRA



(poema reeditado nesse blog, clique aqui.)

       DESENCANTO

Eu faço versos como quem chora
De desalento de desencanto
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto. 

Meu verso é sangue. Volúpia ardente
Tristeza esparsa remorso vão
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração. 

E nestes versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.

Eu faço versos como quem morre.

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(Teresópolis 1912)
Manuel Bandeira – Uma Antologia Poética, L&PM Pocket pág 26




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