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O Grito / 1893 - Edvard Munch |
VIVEMOS COM MEDO
- Taís Luso de Carvalho
Viver com medo é um dos piores sentimentos do nosso dia a dia. É o que mais escuto as pessoas falarem, tanto são as notícias que vemos diariamente pelos meios de comunicação, por meio de vizinhos, de amigos, de parentes. É só começar um assunto, noticiado recentemente, que as coisas vão se emendando. E vêm os assaltos de celulares, dos quais a população sofre com inúmeros golpes diariamente.
Percebemos o tanto que isso trava nossas vidas para vivermos com mais alegria. Há muita gente que já cortou sua diversão à noite. Ou quando saem, chamam um Táxi ou um Aplicativo.
Em geral as pessoas falam que têm medo de assaltos, medo de morrer, medo de serem atropeladas na rua, medo de cirurgia etc.
Há o medo de bala perdida nas ruas, em disputa de gangues ou em duelo com a polícia.
Temos medo das fortes tempestades em que, como consequência, trazem as enchentes pelos quais muitos países passam. Há o medo dos efeitos colaterais dos remédios que temos de tomar para vários tratamentos. Quanto mais grave a doença, maior é o medo.
Temos medo do desconhecido, medo das grandes epidemias, como foi o caso da Covid 19.
Temos medo dos incêndios em nossos prédios, onde moram pessoas não cuidadosas ao ligarem aquecedores ou esquecerem panelas no fogão e coisas do gênero.
Temos medo de cães soltos nas ruas, principalmente os cães da raça Pitbull, que os seus donos não os mantém fortemente isolados, é o que mostram os noticiosos várias vezes, transformando a ação da captura, num terror.
E, para completar o quadro, falo da Inteligência Artificial, que vem causando o medo em muita gente. Essa incrível novidade, que encanta a todos nós, poderá fazer o bem ou o mal, dependendo de quem a usará. Torço, pois, para que essa maravilhosa descoberta não caia em mãos erradas. Esse é o nosso medo mais recente.
Enfim, a maior verdade é que diariamente enxugamos as lágrimas e damos a volta por cima. Mas, assim seguirá a vida, cercada de lágrimas e de uns tímidos sorrisos em muitas circunstâncias não esperadas.
E, com o eterno medo de ter medo.

Amiga Tais, boa noite de paz!
ResponderExcluirEntendo seu medo...
Eu tenho medo de outras coisas...
Ate tenho saído de celular para fazer caminhadas de 2h por dia... para a praia, graças a Deus, sem perigo aqui...
Do resto, tenho andado tão na paz interior, abominando tele que nem penso em mais nada...
É tempo tanquilo para mim, por sorte.
Tenha uma nova semana abençoada!
Beijinhos fraternos
Rosélia, minha querida, esses medos não são todos meus, embora eu viva numa cidade grande. É Claro que a tranquilidade das cidades pequenas, é outra.
ExcluirSão medos da população brasileira, notícias dadas diariamente pelas rádios e televisões. O povo em geral está com muitos cuidados e medo. Há grades em todas as casas e prédios! O mundo está mais violento do que tempos atrás.
Um beijinho, querida, uma boa semana.
Sim, querida, eu entendi tido que episode aqui, mas estou cuidando da minha saúde mental tudo que posso.
ExcluirBeijinhos, amiga
Todos temos medos e a insewgurança das cidades contribui para tal. E a IA creio que temos que nos aproximar com muita calma, ainda mais nós nessa idade! Senão, podemos em golpes feio cair,rs Só falta!
ResponderExcluirbeijo,ótimo e tranquilo fevereiro! chica
Oi, Taís! Tudo bem? Estamos cada vez mais cercados pelo medo, certo? É um sentimento coletivo em relação a coisas que antes eram prazerosas, mas agora geram apreensão, especialmente nas grandes cidades brasileiras. A violência nas principais metrópoles tem atormentado muitas pessoas. Precisamos aprender a conviver com esse medo, pois ele sempre estará presente. No entanto, não podemos deixar que ele nos paralise e impeça de viver plenamente. Gostei do seu texto. Um fraterno abraço!
ResponderExcluirMuy cierto, vivimos con miedo así es más fácil ser controlados. Te mando un beso.
ResponderExcluirÉ isso mesmo, Taís, somos hoje reféns do medo. Com humor, poderíamos dizer ao acordar: Amanheceu o medo em mim. Ou ao anoitecer: anoiteceu o medo em mim. Ou ainda: Pungiu-me o medo de viver. Ou quem sabe, o medo acelera os ponteiros do relógio.
ResponderExcluirDeixando a brincadeira de lado, tenho procurado tomar todos os cuidados para evitar qualquer constrangimento, mas não é fácil. Apesar do medo e das precauções, estamos sempre desprevenidos para o inesperado. Quase sempre o inesperado traz um longo lamento.
Uma boa semana, amiga Taís!
José Carlos
Querida Tais,
ResponderExcluirlendo seu texto, me dei conta de como o medo virou um companheiro silencioso do nosso cotidiano. Ele senta ao nosso lado no ônibus, caminha conosco na calçada, dorme inquieto na cabeceira da cama. Às vezes nem percebemos mais sua presença, de tão acostumados que ficamos a conviver com ele.
Mas também percebi outra coisa: apesar de tantos medos listados, seguimos vivos, insistindo em existir. Saímos de casa mesmo com o coração apertado, amamos mesmo sabendo que podemos perder, sorrimos mesmo com o mundo tentando nos endurecer.
Talvez o maior milagre diário não seja a ausência do medo, mas a coragem de continuar apesar dele. Porque, no fundo, viver é isso: conseguir atravessar tempestades internas e externas segurando a fé, a esperança e, quando dá, a mão de alguém.
Que a gente aprenda, pouco a pouco, a não morar no medo. Que ele passe por nós, mas não faça morada. E que, mesmo entre lágrimas e tímidos sorrisos, escolhamos sempre continuar caminhando.
Com carinho,
Fernandinha 😘
Macau é uma cidade muito segura.
ResponderExcluirO receio, o medo, resulta do que vem de fora.
Beijo
Olá Tais, bonito texto com um tema muito atual. É bem verdade que hoje em dia vivemos com "medo". Mas o medo é uma emoção natural que surge quando sentimos uma situação como ameaçadora ou perigosa. O medo é um mecanismo de defesa que ajuda na sobrevivência, mas que, em excesso, pode limitar ações e decisões.
ResponderExcluirUm abraço e boa semana.
https://rabiscosdestorias.blogspot.com
A vida é Um bem precioso e, como tal, devemos vivê-la com sabedoria, mas, como costumo dizer, ela manda muito; troca-nos as voltas, sem pedir autorização , obrigando-nos a seguir um caminho que não escolhemos. Sabes, Taís, não sou uma pessoa medrosa e isso faz com que me descuide em determinadas situações. Há medos às vezes infundados, causando ansiedade nas pessoas que os sentem, mas noutros casos eles são reais; nas cidades grandes há muita violência, assaltos e às vezes mortes; as notícias que nos chegam pela televisão são assustadoras e condicionam muito a vida de quem lá vive; eu moro numa cidadezinha pequena onde, felizmente ainda se pode sair à noite sem grandes receios.
ResponderExcluirSabes de que tenho medo? Do sofrimento causado por doenças graves e também que a velhice me leve a lucidez; estes são os meus medos maiores...
Tenho uma Amiga, de 69 anos que está paralisada do lado esquerdo, consequência de um AVC há três anos; não consegue andar, não tem filhos, o marido é doente oncológico, felizmente, com a doença estabilizada; são os dois aposentados, mas, o dinheiro mal chega para as despesas; não conseguem ter uma empregada e é o marido a fazer tudo, comida, limpeza de casa e tratar da mulher; todos os dias vem uma técnica de uma associação fazer-lhe a higiene e levar a roupa dela para lavar, acarretando mais uma despesa. Vou com frequência visitá-la e venho com o coração partido, pois, apesar dos tratamentos, as melhoras não aparecem. Agora, o medo dela não é um novo AVC, mas, sim, que a doença do marido volte com força. O que será dela, se isso acontecer? Não sei...
Isto sim, são problemas que nos devem levar a grandes reflexões sobre a nossa vida; tantas vezes preocupados com " bobagens ", com briguinhas idiotas, com botox nas rugas, cirurgias plásticas pelo corpo todo, com dietas exageradas, etc, etc.
Tanta coisa inútil, tanta falta de compaixão, tanta falta de respeito vemos nesta nossa sociedade quando há tanta miséria humana bem à frente dos nossos olhos. Tudo isto nos deve preocupar, em tudo isto deveriam estar os nossos medos maiores.Tu, querida Taís, com as tuas crónicas pertinentes, fazes alertas constantes sobre a nossa maneira de viver e ver o mundo e , sinceramente, te aplaudo e agradeço. Tens um coração lindo, Amiga!
Beijinhos e fica bem, com saúde e pouco medo...
Emília 🌻 🌻
Como nos dices el miedo nos esta atenazando y si que hay ciertos lugares o a partir de ciertas horas, a lo que nos da miedo ir o no estar ya en nuestro refugio seguro.
ResponderExcluirEso esta pasando incluso en pequeñas localidades que antes no encontrabas impedimento para entrar en una casa, sin estar el dueño, ya que por lo general estaban las puertas siempre abiertas.
Saludos.
Muy interesantes y verdaderas tus letras.
ResponderExcluirNos enfrentamos al miedo y es muy difícil combatirlo.
Es como una amenaza diaria.
Tenemos que intentar superarlo.
Un beso.
Muy feliz semana.
Uma real constatação. Já estive muitas vezes pensando no monstro que nos persegue e que nos tira a liberdade. Eu penso que após a Pandemia Covid este medo se alastrou em várias esferas do nosso cotidiano.
ResponderExcluirA perseguição diária através dos telefones nos dá insegurança, tendo em vista os golpes cada vez mais aperfeiçoados. Como diz a Fernanda "o medo virou um companheiro silencioso do nosso cotidiano".
Boa noite. Norma, bjsss
Novo post:
https://pensandoemfamilia.com.br/poesia/frases-e-a-poetica-do-viver/
Perfeita a escolha da obra a ilustrar tua crônica. Eu relutei muito em admitir que esse medo, que é coletivo, me afetava. Mas sim... ele está à espreita de tantas formas. Hoje mesmo meu marido descobriu que habilitaram uma linha de celular em seu nome quando lhe chegou uma conta por e-mail. Mais um medo.
ResponderExcluirLembro-me de conversar com uma pessoa aí do Sul que disse que, antes gostava de dormir com o barulhinho da chuva. Era até poético o barulhinho. Até que veio a enchente. O barulhinho tornou-se medo.
Que a gente consiga fazer o possível para que os pequenos prazeres nos alimentem e fortaleçam para superar os medos.
Beijo Taís 🌷
Tais querida,
ResponderExcluirPra essa sua publicação
deixo um poema que
muitas vezes levei ao palco
interpretando como atriz.
Eu amo de coração as verdades
nele impressas.
O Medo
A Antônio Cândido
"Porque há para todos nós um problema
sério... Este problema é o do medo." —
ANTÔNIO CÂNDIDO ("Plataforma de uma geração").
Em verdade temos medo.
Nascemos escuro.
As existências são poucas:
Carteiro, ditador, soldado.
Nosso destino, incompleto.
E fomos educados para o medo.
Cheiramos flôres de medo.
Vestimos panos de medo.
De medo, vermelhos rios
vadeamos.
Somos apenas uns homens
e a natureza traiu-nos.
Há as árvores, as fábricas,
doenças galopantes, tomes.
Refugiamo-nos no amor,
este célebre sentimento,
e o amor faltou: chovia,
ventava, fazia frio em S. Paulo.
Fazia frio em S. Paulo...
Nevava.
O medo, com sua capa,
nos dissimula e nos berça.
Fiquei com medo de ti,
meu companheiro moreno.
De nós, de vós; e de tudo.
Estou com medo da honra.
Assim nos criam burgueses.
Nosso caminho: traçado.
Por que morrer em conjunto?
E se todos nós vivêssemos?
Vem, harmonia do medo,
vem, ó terror das estradas,
susto na noite, receio
de águas poluídas. Muletas
do homem só. Ajudai-nos,
lentos poderes do láudano.
Até a canção medrosa
se parte, se transe e cala-se.
Faremos casas de medo,
duros tijolos de medo,
medrosos caules, repuxos,
ruas só de medo e calma.
E com asas de prudência,
com resplendores covardes,
atingiremos o cimo
de nossa cauta subida.
O medo, com sua física,
tanto produz: carcereiros,
edifícios, escritores,
este poema; outras vidas.
Tenhamos o maior pavor.
Os mais velhos compreendem.
O medo cristalizou-os.
Estátuas sábias, adeus.
Adeus: vamos para a frente,
recuando de olhos acesos.
Nossos filhos tão felizes. ..
Fiéis herdeiros do medo,
eles povoam a cidade.
Depois da cidade, o mundo.
Depois do mundo, as estrelas,
dançando o baile do medo.
Bjins
CatiahôAlc.
Muito bem inspirada para a cronica sobre nossos medos Taís. Todos os temos e escolhemos quais mais nos afligem. Digo que o medo da IA já se faz sentir nas pessoas, com a facilidade de montagens e deformações de imagens alheias para o mal. A violencia das cidades grandes, agora se faz sentir pelos mais simples interiores aqui no Nordeste devido as facções do tráfico com um tribunal miseraval a ceivar vidas. Lendo você, lembrei de Belchior com uma canção, onde fala dos medos em "Pequeno Mapa do tempo". Num trecho ele diz, que tem medo de abrir a porta que dá para o sertão da minha solidão. Ilustra bem esta cronica amiga.
ResponderExcluirQue a gente possa concluir nossa travessia sem um arranhão.
Bjs de paz amiga e feliz seja a semana.
Oi, Taís, tudo bom? Olhei a imagem que ilustra tua crônica e pensei em como é impressionante o poder de uma imagem. Quando a gente escreve sobre o medo, a primeira ilustração que nos vem à mente é a obra de Edvard Munch. Há pouquíssimo tempo (em janeiro) eu também escrevi sobre o medo e fui correndo ilustrar com "O Grito". É realmente uma obra emblemática.
ResponderExcluirAdorei tua crônica, amiga! Perfeita! Você foi direto ao ponto, é isso mesmo, vivemos com medo... de tudo. Parece que o medo agora passou a fazer parte de nosso DNA. Fazer o quê, nesse mundo recheado de inseguranças? Os perigos estão sempre à nossa espreita e temos que viver pisando em ovos: "... o eterno medo de ter medo", a personificação da ansiedade antecipatória. Já nem estamos mais reagindo a perigos reais, mas sim à probabilidade de sentir aquele maldito arrepio na espinha que o medo traz.
Bjsssssssss, marli
Vivemos em um mundo em que o medo nos persegue, quando saímos não sabemos se vamos voltar, isso é muito triste, Taís feliz quinta-feira bjs.
ResponderExcluirOlá Taís
ResponderExcluirEstá aí uma coisa que tenho
Tenho medo fde fazer minhas caminhadas na rua
Com medo de ser sequestrada
Pode parecer exagero mas é um perigo
As vezes as pessoas só passam a ter medo de algo
quando já aconteceu algo parecido com um vizinho ou
alguém da família.
mas eu tenho esse medo e só saio de casa acompanhada.
Achei que o medo seria um: é melhor prevenir do que
remediar.
Um abraço amiga. Ótima quinta feira.
Esse sentimento é útil e faz parte do instinto de preservação que cada um deve ter, no entanto, quando chega ao ponto de travar e isolar o sujeito, é preocupante.
ResponderExcluirAbraço, Taís.
Tais, o medo foi um sentimento positivo durante nossa evolução. Sobrevivemos a muitas coisas exatamente porque o medo nos impediu de encararmos um tigre dentes de sabre "na mão". O medo nos preserva e nos impõe limites.
ResponderExcluirO desesperador é saber que muitos dos nossos medos hoje é devido a equívocos sociais da nossa história.
E isso nos leva até a ter medo da própria sombra, um sentimento que não nos preserva e sim, paralisa.