15 de março de 2026

VIVER É FÁCIL, DIFÍCIL É CONVIVER - Taís Luso de Carvalho

 


     -  Taís Luso de Carvalho                     


Hoje trago um assunto cabeludo: a convivência entre os humanos.

Uma boa parte do planeta é composta de gente saudável, amorosa, serena e generosa. Outra parte é conturbada, dominadora e destrutiva. E essa última faz o barulho sozinha; monta o barraco e bota fogo na paz dos outros. Àqueles que gostariam de viver tranquilos, como água de poço, não terão essa sensação tão cedo. Nosso mundo não está preparado para ser um paraíso. E nem nós – os anjos.

Mesmo pisando em ovos, viver é maravilhoso. Gostaria de viver eternamente, adormecer ao embalo de suaves acordes, leve e solta, quem sabe como um pássaro.

Em todas as épocas a humanidade foi um fracasso em relação ao convívio com sua própria espécie. Conseguimos voar como os pássaros, conseguimos invadir os mares mais revoltos, conseguimos ir à Lua, namorar Marte e ficar girando meses no espaço. Porém, não conseguimos conviver com colegas, vizinhos, amigos e familiares, sem muitos contratempos. A intolerância é muito forte, basta o vizinho tossir, se engasgar  no elevador e os olhados já ficam atravessados!

A vontade dos intolerantes é parar o elevador e descartar a criatura. Não funciona o tal pensamento de que somos todos irmãos, filhos do mesmo pai, fraternos e solidários. Bonito é, mas funciona só na evangelização religiosa. Dá uma sensação de alívio, de plenitude e espiritualidade. Os irmãozinhos. Caim e Abel eram irmãos, e deu no que deu.

Estamos acabando com nossos sonhos. Os revoltados sem causa nascem em qualquer meio. Famílias se matam, alunos agridem seus professores, outros explodem com seus colegas - como temos visto nos Estados Unidos e também no Brasil. Uma sociabilidade muito amorosa. Por isso que digo, tranquilidade como água de poço não é conosco. Queremos acreditar na boa fé das pessoas, mas se no meio do caminho houver uma pedra... Valha-me Deus!

A história do mundo é de guerra, de intolerância, de subjugação, de tortura. Jamais imaginei ver legados arquitetônicos, de civilizações milenares, reduzidos a escombros como o acontecido em 2013 - na Síria, e continuamos a ver hoje, 2026 - tudo igual! Toda a arte virou nada. Não dá para esquecer criancinhas morrendo ao tentarem fugir das guerras. Que horror!

Mas somos assim desde sempre, bonitos e carismáticos, um embrulho com laços e fitas, muitas vezes escondendo a nossa maldade e nossas doenças.

E assim caminharemos até o fim dos tempos, ora nos abraçando, ora nos matando. Quem sabe a poesia e a música ainda continuem, um pouco, nos tocando com mais emoção.

Já será um contraponto.


 




 

 

2 comentários:

  1. Conseguimos o mais difícil e falhamos no mais fácil.
    Custa compreender, não custa?
    Beijo, boa semana

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  2. Uma cronica maravilhosa no pensar dos comportamentos dos humanos (sic). Engraçado Taís, que hoje lendo o nosso mestre Pedro, noto um casamento de sentimentos entre as duas postagens. Há uma decepção com os rumos tomados pela humanidade sob o signo da violencia, da separação, da banalização da morte. A gente fala mais com os animais do que com os proximos e nem na evangelização, podemos notar o viver como irmãos. Estamos perdidos amiga, num barco à deriva. Esperanças? Quem sabe um vento vem surrupiar todas as coisas deformadas e nos deixar um lugar melhor, que seja para as novas gerações.
    Boa semana para vocês.
    Bjs de paz amiga.

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Muito obrigada pelo seu comentário, é muito valioso para mim.
Meu abraço, saúde e paz a todos!
Taís