25 de setembro de 2026

O VELHO PEDINTE – Taís Luso de Carvalho

 



                          -  Taís Luso de Carvalho

 

Não há mais bairros em nossas cidades sem alguém pedindo um dinheiro para comer, seja velhinho, seja mulher com crianças ou pobrezinhos com alguma deficiência. Ficam defronte aos supermercados ou nas calçadas próximas ao movimento das pessoas. Como conseguiremos sair com várias sacolas de um supermercado e ver, sentados na calçada, velhos esperando uns trocados ou algo que faça acalmar sua fome? Continuarei ajudando apesar de muitos acharem errado. Errado é ver a triste desgraça e fazer que não vê!  Um coração de pedra?

Há inúmeros restaurantes, no bairro em que moro, mas como entrar e sair deles e não ver essa gente carente e solitária, aguardando que uma alma caridosa se compadeça da sua miséria, sentados no chão, esperando alguma coisa daqueles que saem com a barriga cheia, felizes e sorrindo!

Dar abrigo e comida a essa pobre gente seria coisa para as prefeituras resolverem. Quem sabe mais abrigos não resolveriam  o problema?

Aqui onde moramos, há um velhinho que quando nos vê  vem ao encontro buscar uns trocadinhos ou qualquer coisa que damos, fica alegre. Caminha, meio que sorrindo, com a esperança de receber a nossa ajuda. Essa pobre gente não tem condições de trabalhar, tão frágeis, tão humildes! Fico feliz em dar o pouco que pedem.

Ontem, um deles pegou o dinheiro e disse bem faceiro: que lindo casal vocês! Ficou faceiro e agradecido com  pouca coisa. Saímos, eu e Pedro, e continuamos a caminhar, a ver outros tantos nessa situação, um dia muito frio, chuva e muitos de pé no chão. Poucos com um agasalho.

Essas pessoas não pedem luxo, não andam de jatinho, não ficam nos melhores hotéis do mundo; eles passam frio,  e assim continuarão. Não vivem de salários altos e nem com absurdas regalias. Que triste contraste!

Sabemos que muitos são acolhidos, mas longe está de ser o suficiente. Mais abrigos, mais assistência para que essa gente tão infeliz possa viver com um pouquinho de dignidade.

Na verdade, pessoas que não sabem quando terão sua próxima refeição, difícil se torna procurar emprego e regularizar seus documentos. Como irão se apresentar? Sem condições. Já escutei algumas pessoas acharem ruim quando ajudamos um pouco, mas vá lá entender um mundo tão desigual, preconceituoso e bastante cruel.





 

 


8 comentários:

  1. É triste essa realidade de nossa Poa e outras tantas cidades desse mundão afora!
    Incrível ver ! Eficamos com pena, ajudamos como podemos, mas caberia aos grandões...Esses nada ou pouco fazem! AFFF...

    beijos, lindo fds, chica

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  2. Oi, Tais! É profundamente tocante testemunhar, em primeira mão, a realidade que muitos enfrentam. Quando as desventuras do mundo são vistas através das telas da televisão ou da internet, a distância emocional parece se intensificar, obscurecendo a verdadeira gravidade da situação. A tristeza é ainda mais acentuada ao observar que aqueles que ocupam os altos cargos, em suas vidas de opulência, parecem alheios ao sofrimento que se desdobra diante de nossos olhos. Nas ruas, muitos se veem reduzidos a uma existência que lembra o abandono dos animais, expostos ao frio e à fome. Com a frequência das chuvas, a dureza da condição humana se torna ainda mais pungente, e é um lamento que ecoa nas almas sensíveis. Perguntamo-nos se, um dia, essa realidade se transformará, pois é inconcebível que tal situação persista em um lugar que deve ser lar para todos.
    Que possamos nos lembrar de oferecer ajuda quando solicitada, pois, mesmo que a situação não seja ideal, um gesto de compaixão revela a grandeza de um coração que ainda guarda amor, em contraste com a indiferença que muitos parecem carregar em seus corações de oedra. Que cada um de nós tenha a coragem de agir e de lembrar que, mesmo nas desgraças, existem pequenas luzes que podem iluminar o caminho. Cuide-se e continue a espalhar esse amor em meio à adversidade minha amiga. Fique bem! Um fraterno abraço!

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  3. Taís, qué relato tan conmovedor. Con muy pocas pinceladas has conseguido retratar la soledad, la dignidad y la invisibilidad que tantas veces acompañan a quienes viven en los márgenes. El viejo mendigo no aparece solo como un personaje, sino como un espejo que obliga al lector a detenerse y mirar más allá de las apariencias.

    Me ha gustado especialmente la sensibilidad con la que narras la escena, sin juicios ni estridencias, dejando que sea la propia historia la que despierte la reflexión y la empatía. Un texto breve, humano y profundamente emotivo.

    Un fuerte abrazo, Taís.

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  4. Minha querida Amiga Taís, esta sua crónica é quase um grito de alerta por aqueles que sofrem a miséria dos dias que passam. É muito triste ter que mendigar para poder comer, esperando que passem pessoas com um pouco de humanidade, que os ajudem.
    A Taís e o Pedro não conseguem passar indiferentes. Deus vos dê em dobro e em saúde. Fiquei comovida com o seu texto.
    Tudo de bom.
    Um beijo.

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  5. Como ese anciano que agradece le des unas monedas o un simple bocadillo conque aplacar el hambre hay muchos o que agradezcan el ser alojados en un albergue. Pero el que como en ocasiones, pocas pero las hay, solo acepten las monedas para adquirir alcohol es lo que desmoraliza un poco.
    De estos últimos recuerdo un caso hace unos 60 años en la España de aquellos años en los que no nos sobraba mucho y menos en un pequeño pueblo de Castilla de uno con tal borrachera que incluso se defeco encima. Esto lo pudiera haber realizado en el campo o un lugar apartado como los lugareños ya que por entonces no había sanitarios en las viviendas.

    Saludos.

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  6. Me ha encantado tu publicación porque está llena de verdad y es muy emocionante.
    Muy de acuerdo con lo que expones. Estas tristes situaciones te llegan al corazón.
    Un beso, querida Tais.
    Feliz fin de semana.

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  7. Olá Taís, seu relato é espelho de quase todas as grandes cidades do Brasil, uma legião de desvalidos que buscam um alivio para a fome a que estão submetidos. Aqui em Salvador no meio deles, os pobres, misturam-se os viciados das drogas e a estes a ajuda é complicada, pois ela vai direta para o trafico. Recomenda-se doar alimentos, mas que não sejam lacrados, (uma lata de leite em pó deve ser aberta para doar) pois assim não podem vender aos fornecedores de drogas. Orientação recebida pela Policia Militar. Mas devemos sempre estar consciente da desigualdade reinante e um sistema, que parece se alimentar desta miséria. Abrigos para esta gente é o minimo, que os municípios teriam que atuar. Um grito amiga que ecoa pelo Brasil sobre esta gritante situação dos sem tetos.
    Sigamos fazendo nossa parte com o coração e consciencia da necessidade do outro.
    Um bom fim de semana para você e Pedro.
    Bjs de paz amiga.

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  8. Minha querida amiga Taís,
    A fome e a vulnerabilidade social são problemas visíveis nas ruas das cidades brasileiras, refletindo as dificuldades financeiras enfrentadas por muitas famílias e idosos.
    O crescimento da população em situação de rua, impulsionado pela falta de moradia acessível, força mais pessoas a ocupar espaços públicos em uma luta pela sobrevivência. No entanto, rotular alguém como "morador de rua", acaba por excluí-lo da vida social; na realidade, ninguém consegue verdadeiramente "morar" na rua. Estar "sem-teto" é uma existência desumanizadora e desprovida de dignidade, consequência do descaso social de políticos que prometem mundos e fundos em épocas de eleição, mas, que, uma vez eleitos, continuam a roubar a população sem oferecer em troca serviços sociais básicos.
    O desemprego, agravado pelo etarismo de empresas que se recusam a contratar pessoas com mais de 50 anos em um mundo que envelhece em ritmo acelerado, somado ao alto custo de vida, dificulta ainda mais que indivíduos de baixa renda (ou renda nenhuma), supram suas necessidades básicas. Isso resulta em um apelo popular, que, infelizmente, tornou-se comum demais no dia a dia: "Por favor, você tem algum trocado para me dar?"
    Há uma escassez de redes de apoio, onde a empatia existe apenas como definição nos dicionários; muitos idosos e mães solo não conseguem obter aposentadoria ou auxílio suficiente para cobrir os custos com alimentação básica e isso é humilhante.
    Esperemos por dias melhores... embora isso dependa de esforços paralelos. E nós, do Rotary, fazemos discretamente (sem alarde), aquilo que os políticos têm o dever de fazer, mas, não fazem.
    Tenha um bom fim de semana.
    Beijos!!!

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Muito obrigada pelo seu comentário, é muito valioso para mim.
Meu abraço, saúde e paz a todos!
Taís